fotografia de Annie Leibowitz
sábado, outubro 09, 2010
sexta-feira, outubro 08, 2010
quinta-feira, outubro 07, 2010
Só o sonho nos salvará
Hoje fui ao Ministério das Finanças em trabalho. Uma viagem longa. Duas horas dentro do carro
para fazer Estoril- Terreiro do Paço. A vida está má mas não se percebe o que estão a fazer numa bicha de 20 quilómetros, entre as 8 e as 11 da manhã, centenas de tristes.
Não trabalham? São assessores que chegam tarde? São jornalistas a caminho de Lisboa em busca de uma novidade? São mulheres infiéis que aproveitam a hora de ponta matinal para exercerem o direito à emancipação? São desempregados a queimarem os últimos litros de gasosa? Que faz esta gente com ar pouco apressado, para onde vai, e onde conseguem estacionar tanta latoaria na Lisboa de Costa?
Adiante. Fui ao Ministério das Finanças. Deixaram-me entrar com o meu Smart. Disse ao que ia, e o destinatário a quem me dirigia dava direito a uma "aberta" no parque de estacionamento, dentro de um dos claustros do Terreiro do Paço, o mesmo que eu atravessava há 20 anos quando era arquitecto ali mesmo no Terreiro do Paço.
Depois de entrar arrependi-me. E se não me deixam depois sair com o carro? Imagine-se que o simplex funciona, me fotografa a matrícula do carro e envia um SMS para a segurança duvidando de um qualquer cumprimento fiscal? Lá ia o Smart para o leilão do Estado, ou ainda o via um destes dias a ser usado ao serviço da Nação.
Claro que brinco. Mas podia acontecer. E se por ali encontrasse um fiscal que me pedisse a carteira, tipo: " Oh amigo faça favor de abrir a carteira. Vinte euros aí? para que quer dez? Tome lá cinco dos vinte a dê metade a um pedinte civil!".
A verdade é que já ninguém se sente seguro em nenhum lado. Hoje só ouvi gente a lamentar-se, com expressões angustiantes. Eu próprio tive um dia deprimente. Uma manhã para esquecer.
À tarde a fotografar uma sumidade em economia, diz-me a dada altura:" esta gente nem sabe o que há-de fazer! E se eu fosse dizer para a televisão o que penso e sei, seria trágico!"- e não era o Medina Carreira!
Mas foi à noite que senti um arrepio. Ao andar pela LxFactory com os meus alunos, um empregado de um restaurante mostra curiosidade por andarmos por ali a fotografar. "Estamos numa aula de fotografia"- digo eu. "Vejo que é o professor. Ainda bem que pode dar aulas e ter alunos"- diz-me o homem com a expressão de quem ali está mas não faz negócio.
"O senhor como fotógrafo já conseguiu transformar um sapo num príncipe?"- Ainda não cheguei a essa fase! - "Quando chegar convide-me para seu modelo!"- rematou. Chegámos ao limiar da realidade com a ficção. Só o sonho nos salvará.
para fazer Estoril- Terreiro do Paço. A vida está má mas não se percebe o que estão a fazer numa bicha de 20 quilómetros, entre as 8 e as 11 da manhã, centenas de tristes.
Não trabalham? São assessores que chegam tarde? São jornalistas a caminho de Lisboa em busca de uma novidade? São mulheres infiéis que aproveitam a hora de ponta matinal para exercerem o direito à emancipação? São desempregados a queimarem os últimos litros de gasosa? Que faz esta gente com ar pouco apressado, para onde vai, e onde conseguem estacionar tanta latoaria na Lisboa de Costa?
Adiante. Fui ao Ministério das Finanças. Deixaram-me entrar com o meu Smart. Disse ao que ia, e o destinatário a quem me dirigia dava direito a uma "aberta" no parque de estacionamento, dentro de um dos claustros do Terreiro do Paço, o mesmo que eu atravessava há 20 anos quando era arquitecto ali mesmo no Terreiro do Paço.
Depois de entrar arrependi-me. E se não me deixam depois sair com o carro? Imagine-se que o simplex funciona, me fotografa a matrícula do carro e envia um SMS para a segurança duvidando de um qualquer cumprimento fiscal? Lá ia o Smart para o leilão do Estado, ou ainda o via um destes dias a ser usado ao serviço da Nação.
Claro que brinco. Mas podia acontecer. E se por ali encontrasse um fiscal que me pedisse a carteira, tipo: " Oh amigo faça favor de abrir a carteira. Vinte euros aí? para que quer dez? Tome lá cinco dos vinte a dê metade a um pedinte civil!".
A verdade é que já ninguém se sente seguro em nenhum lado. Hoje só ouvi gente a lamentar-se, com expressões angustiantes. Eu próprio tive um dia deprimente. Uma manhã para esquecer.
À tarde a fotografar uma sumidade em economia, diz-me a dada altura:" esta gente nem sabe o que há-de fazer! E se eu fosse dizer para a televisão o que penso e sei, seria trágico!"- e não era o Medina Carreira!
Mas foi à noite que senti um arrepio. Ao andar pela LxFactory com os meus alunos, um empregado de um restaurante mostra curiosidade por andarmos por ali a fotografar. "Estamos numa aula de fotografia"- digo eu. "Vejo que é o professor. Ainda bem que pode dar aulas e ter alunos"- diz-me o homem com a expressão de quem ali está mas não faz negócio.
"O senhor como fotógrafo já conseguiu transformar um sapo num príncipe?"- Ainda não cheguei a essa fase! - "Quando chegar convide-me para seu modelo!"- rematou. Chegámos ao limiar da realidade com a ficção. Só o sonho nos salvará.
terça-feira, outubro 05, 2010
Nem virgindade, nem confiança. A República perdeu-as.
Há duas coisas na vida que nunca se recuperam: a virgindade e a confiança.
Portugal, esta centenária República, perdeu há muito esses dois preciosos atributos.
E os políticos, esta classe dominante saída da euforia revolucionária de 1910, de 1974 e do pós 25 de Novembro de 1975, aí está como o exemplo acabado do rolo compressor sobre o "Bom Povo Português".
Andámos um século para agora chegarmos à conclusão que para termos uma liberdade precária temos que pagar um tributo alto de mais. Mistificámos um sistema político que não funciona, pouco produz, pouco inova, e que pede à classe média e ao povo trabalhador uma renda insuportável.
O País avançou ao passo do natural desenvolvimento dos vizinhos europeus, do tempo das vacas gordas do crédito, e da televisiva ilusão de que o consumo é a grande catarse populista.
Vivemos acima do que podemos, mas vivemos ao menos uma vez na vida com algum conforto.
Do LCD ao carro cinzento metalizado, das férias a crédito numa foleira ilha espanhola, da casa nos subúrbios com ar condicionado... uma longa lista podia traduzir o pensamento e os hábitos do português que vota Sócrates, e quer dar agora uma nova oportunidade a um tipo novato, que pinta o cabelo e tem voz maviosa. O portuga deseja renovar o passe a um Presidente que foi o grande engenheiro do Portugal gastador, novo-rico e pouco dado a esforços intelectuais.
Viciado em lojas de marcas, em novelas e em revistas de pindéricas recauchutadas, Portugal passou do aluno marrão do tempo cavaquista, ao calinas da temporada socratista. Esqueceu as contas de somar, prefere as de sumir.
Entre o faduncho da moda e a cozinha criativa, o português esqueceu o cozido e a bacalhauzada, está agora numa dieta rigorosa, estúpida como todas as dietas feitas a comprimidos e não baseadas numa alimentação básica, sólida e duradoura.
Uma República das bananas e de bananas.
Um século de passado, um milénio de futuro incerto.
Portugal, esta centenária República, perdeu há muito esses dois preciosos atributos.
E os políticos, esta classe dominante saída da euforia revolucionária de 1910, de 1974 e do pós 25 de Novembro de 1975, aí está como o exemplo acabado do rolo compressor sobre o "Bom Povo Português".
Andámos um século para agora chegarmos à conclusão que para termos uma liberdade precária temos que pagar um tributo alto de mais. Mistificámos um sistema político que não funciona, pouco produz, pouco inova, e que pede à classe média e ao povo trabalhador uma renda insuportável.
O País avançou ao passo do natural desenvolvimento dos vizinhos europeus, do tempo das vacas gordas do crédito, e da televisiva ilusão de que o consumo é a grande catarse populista.
Vivemos acima do que podemos, mas vivemos ao menos uma vez na vida com algum conforto.
Do LCD ao carro cinzento metalizado, das férias a crédito numa foleira ilha espanhola, da casa nos subúrbios com ar condicionado... uma longa lista podia traduzir o pensamento e os hábitos do português que vota Sócrates, e quer dar agora uma nova oportunidade a um tipo novato, que pinta o cabelo e tem voz maviosa. O portuga deseja renovar o passe a um Presidente que foi o grande engenheiro do Portugal gastador, novo-rico e pouco dado a esforços intelectuais.
Viciado em lojas de marcas, em novelas e em revistas de pindéricas recauchutadas, Portugal passou do aluno marrão do tempo cavaquista, ao calinas da temporada socratista. Esqueceu as contas de somar, prefere as de sumir.
Entre o faduncho da moda e a cozinha criativa, o português esqueceu o cozido e a bacalhauzada, está agora numa dieta rigorosa, estúpida como todas as dietas feitas a comprimidos e não baseadas numa alimentação básica, sólida e duradoura.
Uma República das bananas e de bananas.
Um século de passado, um milénio de futuro incerto.
sexta-feira, outubro 01, 2010
That`s look the trailer da crise !
O país está a Prosac. O pior é que nem para o anti-depressivo há agora comparticipação do Estado.
Depois da tempestade, Cavaco recolheu ao Palácio e prepara decerto mais umas corridas, outras viagens, pelo cavaquistão, o tal país real que ele criou com missionários locais tão fantásticos como aquele braço direito de Passos Coelho, o sacrossanto presidente da edilidade viseense. Não um guerreiro, um Viriato, mas alguém que nos remete para o protagonista do saudoso restaurador Olex.
Portanto: o Presidente não dá confiança, nem apoio ao governo. Sócrates teve de fazer o que tinha de ser feito, e Cavaco tem mais que fazer: uma campanha eleitoral disfarçada. Por isso nem precisa de agências de comunicação. A agência de comunicação está em Belém e sabe organizar as romarias pelo país que dança o vira. Sócrates vai mandar avançar o seu ministro dos impostos e tentará não aparecer muito nos próximos dias.
Um país em forma de assim. Hoje 3 iminências da Economia diziam na RTP que taxar faz regredir, que um corte de 5 por cento naquele 1/3 da despesa que não é salários nem pensões traria um retorno dos milhões suficientes sem ser preciso ir ao IVA e aos bolsos dos que bulem por conta de outrem. Mas essas medidas são lentas e não dão o espectáculo de que as usuárias agências de rating querem.
Também nos lembrou Silva Lopes que só aquela cedência cobardolas do governo às reivindicações dos senhores professores nos custou (só este ano!) quatrocentos milhões de euros. Por aqui vemos como estas medidas, embora necessárias mas não necessariamente estruturadas, podiam ter sido evitadas se a seu tempo se tivesse cortado com determinação e competência.
E ainda está por saber se as tais concessões a privados das auto-estradas vão ser ou não renegociadas. Em 2014 a prestação vai comer 7 mil milhões!!!
A saga ainda não acabou. Apenas vimos o trailer.
Depois da tempestade, Cavaco recolheu ao Palácio e prepara decerto mais umas corridas, outras viagens, pelo cavaquistão, o tal país real que ele criou com missionários locais tão fantásticos como aquele braço direito de Passos Coelho, o sacrossanto presidente da edilidade viseense. Não um guerreiro, um Viriato, mas alguém que nos remete para o protagonista do saudoso restaurador Olex.
Portanto: o Presidente não dá confiança, nem apoio ao governo. Sócrates teve de fazer o que tinha de ser feito, e Cavaco tem mais que fazer: uma campanha eleitoral disfarçada. Por isso nem precisa de agências de comunicação. A agência de comunicação está em Belém e sabe organizar as romarias pelo país que dança o vira. Sócrates vai mandar avançar o seu ministro dos impostos e tentará não aparecer muito nos próximos dias.
Um país em forma de assim. Hoje 3 iminências da Economia diziam na RTP que taxar faz regredir, que um corte de 5 por cento naquele 1/3 da despesa que não é salários nem pensões traria um retorno dos milhões suficientes sem ser preciso ir ao IVA e aos bolsos dos que bulem por conta de outrem. Mas essas medidas são lentas e não dão o espectáculo de que as usuárias agências de rating querem.
Também nos lembrou Silva Lopes que só aquela cedência cobardolas do governo às reivindicações dos senhores professores nos custou (só este ano!) quatrocentos milhões de euros. Por aqui vemos como estas medidas, embora necessárias mas não necessariamente estruturadas, podiam ter sido evitadas se a seu tempo se tivesse cortado com determinação e competência.
E ainda está por saber se as tais concessões a privados das auto-estradas vão ser ou não renegociadas. Em 2014 a prestação vai comer 7 mil milhões!!!
A saga ainda não acabou. Apenas vimos o trailer.
domingo, setembro 26, 2010
A feira de Estremoz ao sábado
Um dos meus rituais é ir à feira de Estremoz, sábados de manhã, quando estou na minha casa do Alentejo. Hoje a feira estava melhor do que o habitual. O tempo de um Outono ameno, Sol radiante, as famílias que no Verão desapareceram por terem ido a banhos regressaram agora à cidade. O povo rural voltou a vender os magníficos produtos agrícolas. A lavoura em força, como diria Portas.
Na feira encontram-se peças únicas antigas, comercializadas por feirantes antigos, ciganos a sério, velhotes montados em Renault`s cinco ou quatro. Livros a 1 euro, brinquedos quebrados, galinhas e coelhos a fazerem o encanto do meu David, 8 anos, e hoje uma irrepreensível Macal M70 à venda a provocar a minha veia consumista por veículos obsoletos.
Mas o que senti hoje por ali é que há uma produção agrícola muito rica, de grande qualidade, que está ali à venda graças à teimosia de gente antiga que se recusa a abandonar aquilo que sempre fez e muito bem ao longo de uma vida.
Hoje senti-me mais português e com uma mágoa enorme de verificar que esse país está a morrer depressa de mais. Um caminho iniciado nos anos estúpidos do cavaquismo, onde se começou a reformar quem tinha 45 anos, a subsidiar para não cultivar e a pagar para abater barcos de pesca. Uma política de um homem que agora parece estar acima desta tragédia e que, confiando nas sondagens, vai ser levado no andor, nos ombros de um povo anestesiado.
Na feira encontram-se peças únicas antigas, comercializadas por feirantes antigos, ciganos a sério, velhotes montados em Renault`s cinco ou quatro. Livros a 1 euro, brinquedos quebrados, galinhas e coelhos a fazerem o encanto do meu David, 8 anos, e hoje uma irrepreensível Macal M70 à venda a provocar a minha veia consumista por veículos obsoletos.
Mas o que senti hoje por ali é que há uma produção agrícola muito rica, de grande qualidade, que está ali à venda graças à teimosia de gente antiga que se recusa a abandonar aquilo que sempre fez e muito bem ao longo de uma vida.
Hoje senti-me mais português e com uma mágoa enorme de verificar que esse país está a morrer depressa de mais. Um caminho iniciado nos anos estúpidos do cavaquismo, onde se começou a reformar quem tinha 45 anos, a subsidiar para não cultivar e a pagar para abater barcos de pesca. Uma política de um homem que agora parece estar acima desta tragédia e que, confiando nas sondagens, vai ser levado no andor, nos ombros de um povo anestesiado.
sexta-feira, setembro 24, 2010
O FMI HÁ 27 ANOS EM PORTUGAL
Há 27 anos, deve fazer agora em Outubro, eu e o Ferreira Fernandes, então repórteres no Tal & Qual, tínhamos uma missão impossível, encomendada pelo então activo director José Rocha Vieira.
Portugal estava de tanga e na tanga de arranjar dinheiro no estrangeiro para comprar bens essenciais. As importações estavam quase proibidas, os salários no vermelho, bandeiras negras denunciavam a fome no distrito de Setúbal.
O então ministro das finanças do chamado Bloco Central, o homem do cachimbo, Ernâni Lopes, decretou medidas draconianas. Impostos duros sobre tabaco, bebidas, gasolina....para saír do país só se podia levar 35 euros ( moeda de hoje) com carimbo no passaporte. Um país enjaulado, deprimido, muito mais angustiado do que hoje.
O FMI foi chamado a intervir por Soares para assegurar o cumprimento dos compromissos financeiros. Uma equipa de homens sem rosto desceu em Lisboa. À frente do pelotão de fusilamento dos pagantes portugueses estava uma mulher de ar frágil, coquette, irradiando sorrisos, uma tal doutora de Teresa Ter-Minassian.
Era ela que is apertar o cinto ao portuguesinho.
O Tal &Qual era então um jornal que praticava jornalismo de investigação, activo e interventivo. Uma redacção com 5 jornalistas, um fotógrafo que era eu, um apartamento acanhado em Camplide, um jeep Daihatsu, uma velha Citroen GS, e muita pica, todas as semanas fazia questão em fazer uma manchete surpreendente.
Se havia uma equipa do FMI era preciso fotografar esses homens sem rosto. E foi com essa missão que nos colocámos à porta do Hotel Altis e atacámos pela fresca a Teresa Ter-Minassian. Primeiro ela recuou quando me viu a fotografá-la depois acabou a sorrir de dentro de um Volvo bastante usado, no meio de dois homens (polícias da segurança?) sentada num daqueles velhos bancos de 3 lugares à frente.
Eu estava a começar a profissão, embora já nessa altura tivesse 5 anos de profissional.
Usei uma Leica M4, uma 35mm summicron, medi a luz a olho e era a única câmera que tinha na mão.
FOTOGRAFIAS DE LUIZ CARVALHO
Portugal estava de tanga e na tanga de arranjar dinheiro no estrangeiro para comprar bens essenciais. As importações estavam quase proibidas, os salários no vermelho, bandeiras negras denunciavam a fome no distrito de Setúbal.
O então ministro das finanças do chamado Bloco Central, o homem do cachimbo, Ernâni Lopes, decretou medidas draconianas. Impostos duros sobre tabaco, bebidas, gasolina....para saír do país só se podia levar 35 euros ( moeda de hoje) com carimbo no passaporte. Um país enjaulado, deprimido, muito mais angustiado do que hoje.
O FMI foi chamado a intervir por Soares para assegurar o cumprimento dos compromissos financeiros. Uma equipa de homens sem rosto desceu em Lisboa. À frente do pelotão de fusilamento dos pagantes portugueses estava uma mulher de ar frágil, coquette, irradiando sorrisos, uma tal doutora de Teresa Ter-Minassian.
Era ela que is apertar o cinto ao portuguesinho.
O Tal &Qual era então um jornal que praticava jornalismo de investigação, activo e interventivo. Uma redacção com 5 jornalistas, um fotógrafo que era eu, um apartamento acanhado em Camplide, um jeep Daihatsu, uma velha Citroen GS, e muita pica, todas as semanas fazia questão em fazer uma manchete surpreendente.
Se havia uma equipa do FMI era preciso fotografar esses homens sem rosto. E foi com essa missão que nos colocámos à porta do Hotel Altis e atacámos pela fresca a Teresa Ter-Minassian. Primeiro ela recuou quando me viu a fotografá-la depois acabou a sorrir de dentro de um Volvo bastante usado, no meio de dois homens (polícias da segurança?) sentada num daqueles velhos bancos de 3 lugares à frente.
Eu estava a começar a profissão, embora já nessa altura tivesse 5 anos de profissional.
Usei uma Leica M4, uma 35mm summicron, medi a luz a olho e era a única câmera que tinha na mão.
FOTOGRAFIAS DE LUIZ CARVALHO
terça-feira, setembro 21, 2010
domingo, setembro 19, 2010
A Serra de Sintra no maior dos abandonos.
Num dos locais do Parque da Serra de Sintra um catrapázio, hoje visto por mim, proíbe uma série de coisas, uma delas a fotografia comercial. Noutro ponto proíbe-se o turismo em carros assinalados. Não vi proibir fazer piqueniques ou acampar o dia todo em grupos. Noutro ponto proíbe-se apanhar lenha ou pedras.
Mas o que me mete impressão é o estado em que está a Serra de Sintra. Mato por cortar, árvores ameaçando desabar por quem circula na estreita estrada, o abandono total. Um parque sem segurança visível e sem uma cultura imposta de preservação. Uma pérola ao total abandono, dependente do destino e da boa vontade de um criminoso que por ali passe de isqueiro na mão.
O Convento de Santo António está ao abandono, a estrada até lá esburacada, o acesso a pé penoso. Ali criava-se um hotel fabuloso, uma esplanada deslumbrante, um ponto capaz de facturar milhares de euros por ano com uma combinação simples entre a gerência do Parque (Existe?) e um grupo de operadoras de turismo e hóteis da zona. A Câmara de Sintra e a de Cascais podiam entrar numa iniciativa destas. Mas não. Preferem fazer rotundas absurdas como aquelas que um inteligente de um engenheiro da Câmara de Cascais espalha pela região.
Este comezinho exemplo é um dos muitos que demonstram como somos um país com um potencial extraordinário para o turismo (interno e de fora) e que deixamos desabar tudo por inércia, preguiça e falta de empenho. Os americanos fizeram muito mais no Big Sur, que sendo lindo está uns pontos abaixo de toda esta zona entre Cascais e Sintra.
Somos umas bestas. E essa condição não tem a ver com a crise nem com o engenhocas. Tem a ver com a nossa mediocridade entranhada na pele. No ser e no fazer.
Mas o que me mete impressão é o estado em que está a Serra de Sintra. Mato por cortar, árvores ameaçando desabar por quem circula na estreita estrada, o abandono total. Um parque sem segurança visível e sem uma cultura imposta de preservação. Uma pérola ao total abandono, dependente do destino e da boa vontade de um criminoso que por ali passe de isqueiro na mão.
O Convento de Santo António está ao abandono, a estrada até lá esburacada, o acesso a pé penoso. Ali criava-se um hotel fabuloso, uma esplanada deslumbrante, um ponto capaz de facturar milhares de euros por ano com uma combinação simples entre a gerência do Parque (Existe?) e um grupo de operadoras de turismo e hóteis da zona. A Câmara de Sintra e a de Cascais podiam entrar numa iniciativa destas. Mas não. Preferem fazer rotundas absurdas como aquelas que um inteligente de um engenheiro da Câmara de Cascais espalha pela região.
Este comezinho exemplo é um dos muitos que demonstram como somos um país com um potencial extraordinário para o turismo (interno e de fora) e que deixamos desabar tudo por inércia, preguiça e falta de empenho. Os americanos fizeram muito mais no Big Sur, que sendo lindo está uns pontos abaixo de toda esta zona entre Cascais e Sintra.
Somos umas bestas. E essa condição não tem a ver com a crise nem com o engenhocas. Tem a ver com a nossa mediocridade entranhada na pele. No ser e no fazer.
Deixou de haver edição de notícias em Portugal ?
Deixou de haver edição de notícias em Portugal. Quem gere a agenda dos jornais, e sobretudo das televisões e das rádios, sãos os líderes políticos.
Na passa sexta-feira viajei toda a manhã a ouvir a rádio. Entre as 7 e as 12 horas tive o rádio ligado entre a Antena 1 e a TSF. Pois bem: a notícia que abria todos os noticiários era a não-notícia de que Passos Coelho não iria aprovar o orçamento se o governo não fizesse isto ou desistisse daquilo. Tudo porque o líder da oposição tinha dado uma entrevista na RTP e aquilo servia de eco em todo o lado.
Depois repetiam até à exaustão o cancelamento da primeira empreitada da obra do TGV entre Poceirão e Lisboa. Outra não-notícia mas que os partidos da oposição aproveitaram para fazer campanha.
O que está a acontecer é que são os políticos a ditarem as agendas.
Basta um líder do governo ou da oposição dar um suspiro para que isso seja ouvido e replicado até ao cansaço. Claro que na sexta à noite nos telejornais eu estava a ouvir o que tinha ouvido toda a santa manhã na rádio, só que com umas imagens para entreter e se poder dizer que estava com a televisão ligada.
Esta subserviência e esta rotina é fatal para os chamados meios de comunicação que se portam na sua maioria como porta microfones dos partidos e do governo.
Não há edição crítica.Sobretudo não há um jornalismo que saiba enquadrar os acontecimentos nos vários factos relacionados. Há alguma imprensa de referência que o faz, sei do que falo, mas a maioria das rádios e das televisões alinham pelo diapasão do ruído.
Na passa sexta-feira viajei toda a manhã a ouvir a rádio. Entre as 7 e as 12 horas tive o rádio ligado entre a Antena 1 e a TSF. Pois bem: a notícia que abria todos os noticiários era a não-notícia de que Passos Coelho não iria aprovar o orçamento se o governo não fizesse isto ou desistisse daquilo. Tudo porque o líder da oposição tinha dado uma entrevista na RTP e aquilo servia de eco em todo o lado.
Depois repetiam até à exaustão o cancelamento da primeira empreitada da obra do TGV entre Poceirão e Lisboa. Outra não-notícia mas que os partidos da oposição aproveitaram para fazer campanha.
O que está a acontecer é que são os políticos a ditarem as agendas.
Basta um líder do governo ou da oposição dar um suspiro para que isso seja ouvido e replicado até ao cansaço. Claro que na sexta à noite nos telejornais eu estava a ouvir o que tinha ouvido toda a santa manhã na rádio, só que com umas imagens para entreter e se poder dizer que estava com a televisão ligada.
Esta subserviência e esta rotina é fatal para os chamados meios de comunicação que se portam na sua maioria como porta microfones dos partidos e do governo.
Não há edição crítica.Sobretudo não há um jornalismo que saiba enquadrar os acontecimentos nos vários factos relacionados. Há alguma imprensa de referência que o faz, sei do que falo, mas a maioria das rádios e das televisões alinham pelo diapasão do ruído.
A montanha pariu um Bento
Parece que toda a gente alimentou esta falácia de Madaíl.
Dos jornais ditos tablóides, aos mais circunspectos, dos comentadores mais isentos aos mais caceteiros, toda a gente levou a manobra de Madaíl a sério. Só faltou levarem o homem ao colo ou num andor.
Percebe-se que anda toda a gente a fossar para ter clientela a todo o custo. E qualquer trolha percebe que alimentar suspense à roda do futebol dá conversa fiada. Mas parece que foi longe de mais tanta hipocrisia.
Madaíl quis legitimar desde o princípio a contratação de Bento inventando um caso político. Pensou: convido o Mourinho. Ele não pode dizer que não, ficaria liquidado para ser treinador da selecção daqui a uns anos (ideia que ele já divulgou). Mas como a ideia é mitómana, o Real Madrid nunca dará o consentimento (só se o dirigente do clube madrileno tivesse enlouquecido!) então pomos lá o idiota útil e quando a coisa der para o torto, estamos safos. Eu, Madaíl, até queria o Mourinho, portanto: não serei acusado de incompetente. Madaíl usou o nome de Moutinho como um escudo visível.
Esta é uma das histórias mais inenarráveis do futebol português. Uma manobra de baixa política e de marketing manhoso, tão de tosca como de xico-esperta. Mas em que toda a gente alinhou com a maior da desfaçatez.
Cada país tem o Paulo Bento que merece e a merdaíl respectiva.
Dos jornais ditos tablóides, aos mais circunspectos, dos comentadores mais isentos aos mais caceteiros, toda a gente levou a manobra de Madaíl a sério. Só faltou levarem o homem ao colo ou num andor.
Percebe-se que anda toda a gente a fossar para ter clientela a todo o custo. E qualquer trolha percebe que alimentar suspense à roda do futebol dá conversa fiada. Mas parece que foi longe de mais tanta hipocrisia.
Madaíl quis legitimar desde o princípio a contratação de Bento inventando um caso político. Pensou: convido o Mourinho. Ele não pode dizer que não, ficaria liquidado para ser treinador da selecção daqui a uns anos (ideia que ele já divulgou). Mas como a ideia é mitómana, o Real Madrid nunca dará o consentimento (só se o dirigente do clube madrileno tivesse enlouquecido!) então pomos lá o idiota útil e quando a coisa der para o torto, estamos safos. Eu, Madaíl, até queria o Mourinho, portanto: não serei acusado de incompetente. Madaíl usou o nome de Moutinho como um escudo visível.
Esta é uma das histórias mais inenarráveis do futebol português. Uma manobra de baixa política e de marketing manhoso, tão de tosca como de xico-esperta. Mas em que toda a gente alinhou com a maior da desfaçatez.
Cada país tem o Paulo Bento que merece e a merdaíl respectiva.
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Federação portuguesa de futebol
terça-feira, setembro 14, 2010
Curso de photojornalismo no iPad
Promo do curso de photojornalismo de Luiz Carvalho no iPad. Jornalismo digital, convergência de plataformas.
Braço direito de Isaltino ferra o dente em polícia!
Poucas vezes o jornalismo tem a possibilidade de por em prática aquilo que se aprende numa escola de jornalismo: "se um cão morder um homem não é notícia, mas se um homem morder um cão é manchete!".
Ora bem: o braço direito de Isaltino Morais, um tal de Esequiel, acaba de morder não num cão mas num polícia... O pleno teria sido se tivesse mordido num cão polícia!
Amanhã pela fresca o assessor de Isaltino apresenta-se no tribunal e não vai sair de lá sem uma multa pesada. E o Tribunal de Oeiras não costuma ser brando quando se trata de agentes maltratados.
Claro que isto vai dar brado, mesmo depois de Isaltino ter vindo em defesa do seu assessor."Ele não estava de serviço!".
De serviço não estaria, mas que ferrou o dente, ferrou. E foi a doer. Se estivesse de serviço, açaimado e com trela, nada disto aconteceria. Não se sabe se estava vacinado contra a raiva!!!
Ora bem: o braço direito de Isaltino Morais, um tal de Esequiel, acaba de morder não num cão mas num polícia... O pleno teria sido se tivesse mordido num cão polícia!
Amanhã pela fresca o assessor de Isaltino apresenta-se no tribunal e não vai sair de lá sem uma multa pesada. E o Tribunal de Oeiras não costuma ser brando quando se trata de agentes maltratados.
Claro que isto vai dar brado, mesmo depois de Isaltino ter vindo em defesa do seu assessor."Ele não estava de serviço!".
De serviço não estaria, mas que ferrou o dente, ferrou. E foi a doer. Se estivesse de serviço, açaimado e com trela, nada disto aconteceria. Não se sabe se estava vacinado contra a raiva!!!
domingo, setembro 12, 2010
A Justiça e o sistema Bill Gaitas!!!
Parece que o único sistema informático do Estado que funciona bem é o da Direcção das Contribuições e Impostos. Talvez porque foi implementado por um homem que veio do BCP, o banco que melhor serve os seus clientes no home banking.
O resto dos computadores do Estado estão sempre a ir abaixo. Sofrem desse vírus que é o sistema windows com a panóplia de informáticos que conseguem emprego porque há um sistema que pura e simplesmente está sempre a pirar. Parece o meu Range Rover: o ideal era eu ser mecânico pois todos os dias cai um parafuso, pinga óleo de um tubo diferente, desaparece a água do radiador, o vidro deixa de subir....enfim: um chasso. Mas giro. E tem estilo:)
O sistema operativo do Mister Gates (uma gaita!!), além de não ter estilo nenhum, ser estúpido como um porta, ainda tem muita mão de obra e dá barracas como a que vimos agora com o processo Casa Pia. A explicação de que não conseguem formatar os ficheiros (o que é isso?) e que o que foi escrito há 5 anos não é compatível com o sistema de hoje é de me atirar a rebolar a rir!
Quer dizer: os malfadados informáticos andaram a envenenar a opinião incauta que o sistema Apple não era compatível (uma mentira total, pois é compatível com tudo o que é sistema Bill) afinal o windows não é compatível com ele próprio! Ahahahah!!
O ano passado o Ministério da Justiça comprou centenas, ou milhares, de computadores. Na altura anunciaram que tinham também comprado metade da quantidade dos computadores em impressoras. Na altura escrevi: quer dizer que no Ministério da Justiça se continua a imprimir o que se trabalha digitalmente, o que é uma aberração. Os computadores são uma espécie de máquina de escrever. Depois de feito o trabalho....imprimem e guardam em dossiers. Tum! Arquiva!
Esta prática é corrente. Todos os dias vejo jornalistas a imprimirem milhares de folhas A4, têm as secretárias pilhadas de papel e não passam sem dossiers, agrafadores, clips, esferográficas e outro material escolar. É a rotina do antigamente que custa no final do ano milhares às empresas. Mas na verdade ninguém põe um ponto final neste tipo de cultura de trabalho e neste despesismo.
Na Justiça deve ser pior. Imagino que o Processo Casa Pia deve estar encravado entre um PC com um word 95 e um word 99 ou qualquer outra aplicação de amanuense. Os chamados informáticos devem estar radiantes: podem mostrar que o seu trabalho de canalizadores de redes furadas é imprescindível e que sem eles tudo pararia. O que até é verdade. Sempre que ligo um determinado PC (não é meu!) ele encrava logo: não reconhece a pen, se reconhece desaparece a rede, se reconhece os dois é porque tive de fazer o malfadado CTRL+DELETE !!!
Eu gostava de ver o despacho dos juízes numa aplicação descarregável no iTunes para ser visto no iPad ou no iPhone e com um versão em pdf pronta a ser tirada da net. Se o processo passou a público, acho que seria interessante. Claro que estou a brincar. Mas que era possível, lá isso era!
O resto dos computadores do Estado estão sempre a ir abaixo. Sofrem desse vírus que é o sistema windows com a panóplia de informáticos que conseguem emprego porque há um sistema que pura e simplesmente está sempre a pirar. Parece o meu Range Rover: o ideal era eu ser mecânico pois todos os dias cai um parafuso, pinga óleo de um tubo diferente, desaparece a água do radiador, o vidro deixa de subir....enfim: um chasso. Mas giro. E tem estilo:)
O sistema operativo do Mister Gates (uma gaita!!), além de não ter estilo nenhum, ser estúpido como um porta, ainda tem muita mão de obra e dá barracas como a que vimos agora com o processo Casa Pia. A explicação de que não conseguem formatar os ficheiros (o que é isso?) e que o que foi escrito há 5 anos não é compatível com o sistema de hoje é de me atirar a rebolar a rir!
Quer dizer: os malfadados informáticos andaram a envenenar a opinião incauta que o sistema Apple não era compatível (uma mentira total, pois é compatível com tudo o que é sistema Bill) afinal o windows não é compatível com ele próprio! Ahahahah!!
O ano passado o Ministério da Justiça comprou centenas, ou milhares, de computadores. Na altura anunciaram que tinham também comprado metade da quantidade dos computadores em impressoras. Na altura escrevi: quer dizer que no Ministério da Justiça se continua a imprimir o que se trabalha digitalmente, o que é uma aberração. Os computadores são uma espécie de máquina de escrever. Depois de feito o trabalho....imprimem e guardam em dossiers. Tum! Arquiva!
Esta prática é corrente. Todos os dias vejo jornalistas a imprimirem milhares de folhas A4, têm as secretárias pilhadas de papel e não passam sem dossiers, agrafadores, clips, esferográficas e outro material escolar. É a rotina do antigamente que custa no final do ano milhares às empresas. Mas na verdade ninguém põe um ponto final neste tipo de cultura de trabalho e neste despesismo.
Na Justiça deve ser pior. Imagino que o Processo Casa Pia deve estar encravado entre um PC com um word 95 e um word 99 ou qualquer outra aplicação de amanuense. Os chamados informáticos devem estar radiantes: podem mostrar que o seu trabalho de canalizadores de redes furadas é imprescindível e que sem eles tudo pararia. O que até é verdade. Sempre que ligo um determinado PC (não é meu!) ele encrava logo: não reconhece a pen, se reconhece desaparece a rede, se reconhece os dois é porque tive de fazer o malfadado CTRL+DELETE !!!
Eu gostava de ver o despacho dos juízes numa aplicação descarregável no iTunes para ser visto no iPad ou no iPhone e com um versão em pdf pronta a ser tirada da net. Se o processo passou a público, acho que seria interessante. Claro que estou a brincar. Mas que era possível, lá isso era!
sábado, setembro 11, 2010
9 anos depois o 11 de Setembro deixou marcas na fotografia
11 de Setembro, foto de Thomas Hopker/Magnum
Há 9 anos estava a almoçar com o meu amigo António Pedro Ferreira no Café IN, junto ao Tejo, quando começámos a ver nas televisões da sala uma imagem, em directo, num plano que não tinha fim.
Vimos um avião embater num edifício e percebemos que algo de estranho se estava a passar. As televisões não tinham som. Quando o segundo avião embateu nas Torres Gémeas percebemos que aquilo era a transmissão em directo de uma catástrofe. A minha mulher ligou-me passados segundos (confirmou-me hoje ela) e penso que liguei de seguida ao meu filho André. Não dava para acreditar.
"Já assistimos a tragédias em directo"- terá dito o meu amigo. O som foi entretanto levantado e percebemos que era algo de grave em Nova Iorque, embora não houvesse ainda informação sobre a origem do desastre.
Passados estes 9 anos o Mundo mudou, como todos sabemos e sentimos. E a fotografia também mudou arrastada pela dinâmica da internet que entretanto medrou e se tornou na galáxia que une o Mundo em permanentes contactos digitais.
Os fotógrafos amadores tiveram no testemunho do 11 de Setembro um papel principal, ultrapassando em veracidade muitas das fotografias dos fotojornalistas, que não estavam no local do embate na hora H. A forma como as imagens foram difundidas fizeram da fotografia do cidadão um novo meio de informação em directo.
Claro que há um portfolio notável de fotógrafos notáveis e que foram essas fotografias que acabaram por ficar para a História. Porque são mais impactantes, mais intencionais, mais dramáticas. As fotografias dos amadores ficaram como provas testemunhais únicas e valem pela oportunidade.
Mas esta dinâmica fotográfica não mais parou. A evolução das câmaras digitais, o seu preço reduzido, e a possibilidade de se poder agora partilhar na internet as emoções visuais, tirou protagonismo aos fotógrafos-mestres e aos profissionais exemplares.
Esta nova janela para a fotografia encheu o Mundo artístico de contradições, desbaratou o acto fotográfico e deixou sem futuro muitos fotógrafos com curriculum afirmado.
Fotografar passou a ser mais fácil para os amadores e mais complicado para os profissionais.
Aumentaram as restrições, as reservas à captação de imagens em certos lugares. Embora o Google tenha possibilitado a total indiscrição com as suas imagens aéreas (e muito bem!) a fotografia terrena viu-se mais controlada e os fotógrafos muito mais incomodados.
Uma data que nunca esqueceremos. Nem eu nem o meu amigo imaginámos naquela hora de almoço, onde estávamos a falar das limitações criativas no exercício do fotojornalismo, imaginávamos que aquela conversa estava a passar para a História e que depois daquela imagem da televisão, o fotojornalismo, a nossa profissão, iria sofrer também ela um abanão digno de meia dúzia de terroristas suicidas.
sexta-feira, setembro 10, 2010
Fotógrafos em polvorosa no Facebook
Uma das minhas primeiras fotos em digital. Cabinda, 1999, Canon D30 com 3 megas!
Um desabafo meu no Facebook sobre o facto de haver escolas que desprezam o ensino da fotografia no suporte digital, levou a uma discussão por vezes violenta entre fotógrafos. Mais de sessenta comentários, o que é notável.
A discussão é de lana-caprina. A fotografia é sempre a mesma, o que muda é o suporte para fixar a imagem. Todos sabemos disso, os que conhecem a essência da fotografia. Uma Canon 5D não é diferente de uma EOS1, uma Leica M9 não difere em nada de uma M7.
Portanto: é uma discussão inútil. Mas os preconceituosos, melhor: os que não apanharam a tempo a evolução da fotografia, e se recusaram a usar o computador em vez da câmera escura, estão agora armados em puristas porque pura e simplesmente não atinam com a nova técnica.
Há 10 anos quando a fotografia digital foi dada como económica e de qualidade profissional, falo do aparecimento da primeira Canon Eos 1D e da liberalização do photoshop, muitos colegas meus olhavam com desdém para a minha insistência em querer fotografar em digital. Uns diziam que aquilo era vídeo, outros achavam que era coisa de agência, outros mandavam comprar mais uns quilos de filmes, que acabaram abandonados num armário-frigorífico.
Hoje os que na altura rejeitavam o digital, têm uma total desadaptação à fotografia. Lidam mal com o computador, não sabem editar basicamente as fotografias, continuam a achar que o tratamento de imagem é para técnicos. E refugiam-se no conforto da fotografia analógica, como se falassem de uma espécie de fotografia gourmet, tão inútil como a variante culinária, naquela fase decorativa e nova-rica.
A fotografia digital permite hoje uma qualidade em nitidez, definição e nuance, que o filme não dá. Digitalizar um slide não vai permitir uma melhor imagem do que em digital. O filme já não consegue a resolução dos modernos sensores e até as objectivas de há 10 anos começam a não dar recado para a capacidade de resolução dos mesmos sensores.
Claro que há um ambiente que se perdeu com o digital. A massificação da fotografia foi tão nefasta como a massificação das universidades. Isso acontece sempre que qualquer meio se democratiza. Para o bem e para o mal.
Agora, escolas que se dizem deste tempo, recusarem o ensino da fotografia tal como ela é hoje, é uma aberração.
Nos meus workshops de fotografia e nos meus cursos de fotojornalismo não distingo fotografia analógica da digital. E demonstro como a essência da fotografia é exactamente a mesma. Um mau fotógrafo é mau de todas as maneiras. Embora o digital permita disfarçar alguns erros de operação, mas nunca pode substituir o olhar, a cultura, a sensibilidade. Parece óbvio.
Aliás o mesmo se pode aplicar ao cinema. As grandes produtoras, e sobretudo as pequenas, estão a revolucionar a forma de produção ao usarem câmeras Canon para filmarem séries de televisão, filmes e documentários. Estão a chegar à conclusão que o que se perde por vezes em pormenores se ganha em eficácia. Filmar hoje a 3200 asa, ou mais, com menos luz, era impensável há pouco tempo onde o limite era de 800 asa, já com a película puxada, a dar grão e um contraste sem leitura nas baixas luzes.
Os fotógrafos deviam por vezes fotografar mais e perderem menos tempo com discussões da treta sobre aspectos técnicos que são úteis, sobretudo depois de termos esquecido tudo o que aprendemos sobre eles!!!
quinta-feira, setembro 09, 2010
terça-feira, setembro 07, 2010
Fotografia. Ser fotojornalista. Inscrições.
Inscreva-se em: lightshot@netcabo.pt
Etiquetas:
agência de fotografia,
curso de fotojornalismo
segunda-feira, setembro 06, 2010
Sebastião Salgado rendeu-se ao digital e à 5D MarkII
...Faz um ano que eu fotografo com câmera digital... Até então era com negativo. Agora, minha imagem passa a ser um conceito, que está ali dentro transformado em ondas magnéticas. Eu tenho um telefone novo com internet. Eu fui mexendo, fui no Google, coloquei meu nome e cliquei em imagens. Minhas fotos entraram dentro do meu telefone. Pronto! Eu não sei fazer outra vez, mas fui brincando até chegar lá. Isso é fascinante, mas é muito difícil para uma pessoa que trabalhou sempre com um produto resultado da química, que é o filme, passar a usar um produto resultado da física.
O que fez você passar a usar tecnologia digital?
O mundo depois do 11 de Setembro virou um drama para os fotógrafos. Nós usávamos filmes e tínhamos os raios-x nos aeroportos. Eu vinha de Sumatra no ano passado, no mês de abril. Passamos por sete controles de aeroportos com 600 rolos de filme. Tive problemas em vários deles. Não adiantava mostrar para eles as cartas da Kodak, dos governos... Eu reaprendi a fotografia. A digital me facilitou a vida. Estou usando uma Canon EOS-1Ds Mark III, que é fabulosa.
É um susto para muita gente ver você falando que a digital é melhor...
É melhor mesmo. Os químicos não existem mais. Tive que fazer os bons químicos até um ano e pouco atrás. Para conseguirmos papel para as cópias de leitura, tínhamos que trazer de Tóquio! Os filmes foram caindo de qualidade. E a qualidade que eu tinha em um 35mm anos atrás eu não tenho mais no médio formato agora.
Com a popularização das digitais, mudou a relação da sociedade com a imagem?
Nada. Absolutamente nada. O número de fotógrafos não aumentou, não melhorou e não piorou. Você só mudou a base, exclusivamente a base. O problema é de sensibilidade e identificação com a profissão, de saber se é fotógrafo ou não.
A câmera digital altera a questão da memória?
Acho que não. A fotografia, na realidade, é a memória da sociedade. São cortes representativos, são momentos que você faz da sociedade. É a verdadeira linguagem universal. A maneira de escrever cada um tem a sua, com uma vantagem para a fotografia. Ela não precisa de tradução. É realmente uma linguagem fabulosa.
O que fez você passar a usar tecnologia digital?
O mundo depois do 11 de Setembro virou um drama para os fotógrafos. Nós usávamos filmes e tínhamos os raios-x nos aeroportos. Eu vinha de Sumatra no ano passado, no mês de abril. Passamos por sete controles de aeroportos com 600 rolos de filme. Tive problemas em vários deles. Não adiantava mostrar para eles as cartas da Kodak, dos governos... Eu reaprendi a fotografia. A digital me facilitou a vida. Estou usando uma Canon EOS-1Ds Mark III, que é fabulosa.
É um susto para muita gente ver você falando que a digital é melhor...
É melhor mesmo. Os químicos não existem mais. Tive que fazer os bons químicos até um ano e pouco atrás. Para conseguirmos papel para as cópias de leitura, tínhamos que trazer de Tóquio! Os filmes foram caindo de qualidade. E a qualidade que eu tinha em um 35mm anos atrás eu não tenho mais no médio formato agora.
Com a popularização das digitais, mudou a relação da sociedade com a imagem?
Nada. Absolutamente nada. O número de fotógrafos não aumentou, não melhorou e não piorou. Você só mudou a base, exclusivamente a base. O problema é de sensibilidade e identificação com a profissão, de saber se é fotógrafo ou não.
A câmera digital altera a questão da memória?
Acho que não. A fotografia, na realidade, é a memória da sociedade. São cortes representativos, são momentos que você faz da sociedade. É a verdadeira linguagem universal. A maneira de escrever cada um tem a sua, com uma vantagem para a fotografia. Ela não precisa de tradução. É realmente uma linguagem fabulosa.
domingo, setembro 05, 2010
O tempo de antena de Carlos Cruz e companhia....
....ou o silêncio dos inocentes.
Não conheço uma pessoa dos vários extractos sociais e culturais, e são muitas, que não estejam indignadas com as declarações e com o tempo de antena que têm tido os condenados na 1ª instância do Processo Casa Pia.
E a maior revolta vai para aquele que já disse numa entrevista recente que gostava de fazer bluff quando era apresentador de concursos para idiotas (a designação é minha, claro). É sobre CCruz que recaem as maiores críticas.
As pessoas não percebem como pode um tipo daqueles ter o tempo de antena que tem, ir a telejornais sem ser confrontado pelos pivots por aspectos em que devia ser inquirido.
O ex-astro da TV ameaça o sistema judicial, evoca noções tão nobres como a liberdade, já fez de sociólogo a caracterizar o comportamento de alguns putos casapianos, chora, entremela a voz, olha para baixo, faz de vítima. Por seu lado o seu advogado Sá Fernandes dá-se ao luxo de ofender a juíza do caso e vem no telejornal seguinte falar em período das trevas, fazendo-se de advogado não do Diabo mas de um santo Antoninho qualquer. O mesmo advogado que há pouco tempo montou uma encenação para apanhar um empresário em flagrante delito. Uma figura tão lamentável como o seu irmão que empatou um túnel que custou uns milhões aos contribuintes. Depois os idiotas dos eleitores elegeram-no para a CML onde mantém um staff de luxo para decidir enormidades, uma delas o aumento brutal na hora de estacionamento em Lisboa.
O que revolta o povo é saber que se pode injuriar a justiça e que há cidadãos nesta terra que podem vir defender-se à TV, serem manchetes em jornais em sua defesa e que milhares de portugueses injustiçados não têm direito nem a um minuto de lembrança.
O Processo Casa Pia foi longo, e será, mas conseguiu fazer-se justiça.
Havia 32 testemunhas, muitas não se conheciam entre si, que fizeram depoimentos com factos idênticos, descrevendo as mesmas pessoas. As testemunhas deram a cara, juraram em tribunal.
O Ministério Público fez uma investigação detalhada com cruzamento de datas, uso de telemóveis, vias-verdes, cartões de crédito. Ouviu mil testemunhas e no fim decidiu condenar 6 dos 7 arguidos. A estalajadeira de Elvas só não foi condenada porque os socialistas andaram a mudar o código penal e a lei para facilitarem casos como este da Casa Pia.
António Costa quando chegou a Ministro da Justiça, depois do camarada Pedroso ter estado preso, resolveu alterar pormenores que deram folgo aos arguidos. E estes arguidos foram muito beneficiados com essa lei.
O que está agora em causa é o respeito pela lei e o respeito pela justiça. Se todos os condenados tivessem o comportamento do enterteiner CCruz isto entraria numa República das Bananas.
Mas também temos de admitir que a imprensa e as televisões têm uma pesada responsabilidade. Dão voz a quem vende. Não dão voz a quem não tem nome.
Uma imprensa e televisão que dão força aos fortes e silêncio aos fracos.
Não conheço uma pessoa dos vários extractos sociais e culturais, e são muitas, que não estejam indignadas com as declarações e com o tempo de antena que têm tido os condenados na 1ª instância do Processo Casa Pia.
E a maior revolta vai para aquele que já disse numa entrevista recente que gostava de fazer bluff quando era apresentador de concursos para idiotas (a designação é minha, claro). É sobre CCruz que recaem as maiores críticas.
As pessoas não percebem como pode um tipo daqueles ter o tempo de antena que tem, ir a telejornais sem ser confrontado pelos pivots por aspectos em que devia ser inquirido.
O ex-astro da TV ameaça o sistema judicial, evoca noções tão nobres como a liberdade, já fez de sociólogo a caracterizar o comportamento de alguns putos casapianos, chora, entremela a voz, olha para baixo, faz de vítima. Por seu lado o seu advogado Sá Fernandes dá-se ao luxo de ofender a juíza do caso e vem no telejornal seguinte falar em período das trevas, fazendo-se de advogado não do Diabo mas de um santo Antoninho qualquer. O mesmo advogado que há pouco tempo montou uma encenação para apanhar um empresário em flagrante delito. Uma figura tão lamentável como o seu irmão que empatou um túnel que custou uns milhões aos contribuintes. Depois os idiotas dos eleitores elegeram-no para a CML onde mantém um staff de luxo para decidir enormidades, uma delas o aumento brutal na hora de estacionamento em Lisboa.
O que revolta o povo é saber que se pode injuriar a justiça e que há cidadãos nesta terra que podem vir defender-se à TV, serem manchetes em jornais em sua defesa e que milhares de portugueses injustiçados não têm direito nem a um minuto de lembrança.
O Processo Casa Pia foi longo, e será, mas conseguiu fazer-se justiça.
Havia 32 testemunhas, muitas não se conheciam entre si, que fizeram depoimentos com factos idênticos, descrevendo as mesmas pessoas. As testemunhas deram a cara, juraram em tribunal.
O Ministério Público fez uma investigação detalhada com cruzamento de datas, uso de telemóveis, vias-verdes, cartões de crédito. Ouviu mil testemunhas e no fim decidiu condenar 6 dos 7 arguidos. A estalajadeira de Elvas só não foi condenada porque os socialistas andaram a mudar o código penal e a lei para facilitarem casos como este da Casa Pia.
António Costa quando chegou a Ministro da Justiça, depois do camarada Pedroso ter estado preso, resolveu alterar pormenores que deram folgo aos arguidos. E estes arguidos foram muito beneficiados com essa lei.
O que está agora em causa é o respeito pela lei e o respeito pela justiça. Se todos os condenados tivessem o comportamento do enterteiner CCruz isto entraria numa República das Bananas.
Mas também temos de admitir que a imprensa e as televisões têm uma pesada responsabilidade. Dão voz a quem vende. Não dão voz a quem não tem nome.
Uma imprensa e televisão que dão força aos fortes e silêncio aos fracos.
sábado, setembro 04, 2010
No Instante Fatal não há censura!!!
Tive que passar a moderar os comentários, porque uma bestiola decidiu escrever como anónimo insultos.Embora eu saiba quem ele ė não vou permitir ser insultado no meu espaço. Daí haverem comentários como os do LR que estavam por publicar, pois estive fora e sem tempo para os ler e publicar. Aqui ficam hoje os comentários feitos, excepto o da besta. Obrigado e participem sempre.
Processo Casa Pia. O tribunal decidiu. O povo já decidiu.Está decidido.
Com o desfecho desta fase do processo Casa Pia ficam alguns heróis. Os inspectores aguerridos da PJ que investigaram, o Juiz Teixeira, o Procurador João Aibéu e a juíza Ana Peres.
Todos sabemos que os anos a que foram condenados seis dos sete arguidos serão anos de prisão virtual, dado o sistema jurídico perverso a que o poder político reduziu a lei. Com advogados empata-penas é fácil arrastar o processo até à prescrição final.
O comportamento do advogado de CCruz, essa figura agitada da advocacia, foi hoje bem evidente no final do julgamento e depois nos vários telejornais por onde foi passando numa actuação digna de um verdadeiro artista.
O homem do 123, esse foi também um verdadeiro one -man- show fazendo jus aos seus dotes de enterteiner, como o demonstrou em recentes espectáculos no casino.Está em forma e não se recomenda.
Fez de vítima, disparou contra a justiça, e até deu uma de sociólogo ao analisar o problema de miúdos da Casa Pia que não têm uma família estruturada... Nunca se viu na televisão alguém condenado numa primeira instância dar-se à desfaçatez de insultar juízes e a nossa inteligência. Carlos Cruz dirigiu-se hoje ao público julgando que estava numa sessão do 123, um concurso para idiotas e atrasados mentais.
Este espectáculo lamentável é possível quando parece que desapareceram jornalistas dos telejornais e agora vamos tendo por ali mais uns apresentadores incapazes de fazerem perguntas, cortarem a palavra às tretas dos convidados. Os pivots da TV perderam acutilância, saber. Uns bananas encartados, amedrontados, inábeis.
Claro que o julgamento foi uma farsa!
Jorge Rito nunca foi referenciado em jogos sexuais com miúdos, o médico do Ferrari nunca foi visto com menores, Carlos Cruz nunca foi citado em nenhum processo deste tipo.
Nem o fugitivo Carlos Mota, o homem que lhe segurava no charuto de CC, enquanto ele ia ensaiar em estúdio, nunca foi citado como tendo violado duas meninas há muitos anos atrás.
Nem as trinta e tal testemunhas que depuseram no processo, e que mesmo nunca se tendo conhecido os seus depoimentos coincidiram em pormenores concretos, nem aquelas milhares de páginas fazem sentido!
Para os arguidos é tudo uma tramóia, urdida por uma entidade abstracta com fins metafísicos inconfessáveis. Os juízes são loucos, o procurador Aibéu um fanático, os homens da PJ uma associação de malfeitores para tramarem uma velhinha estalajadeira de Elvas, um médico vizinho da Casa Pia, um decadente apresentador de TV e outros.
Durante anos todos se juntaram para tramar seis inocentes e glorificarem uns putos malandros que receberam uma pipa de massa pela mão do ex-ministro Bagão Félix e que nunca foram violados.
Os que conseguiram escapar ao julgamento, e parece que são muitos, podem hoje estar a rir.
Escaparam à tangente. Os que vão recorrer até à exaustão neste sistema perverso, que os socialistas ajudaram a reforçar, pela mão do então ministro António Costa, depois daquele espectáculo degradante de Paulo Pedroso ter transformado a Assembleia da República num circo, esses que agora vão ser os empata-penas nunca mais dormirão descansados.
Com recursos ou sem eles, um tribunal já se pronunciou e o povo já decidiu. Está decidido.
Todos sabemos que os anos a que foram condenados seis dos sete arguidos serão anos de prisão virtual, dado o sistema jurídico perverso a que o poder político reduziu a lei. Com advogados empata-penas é fácil arrastar o processo até à prescrição final.
O comportamento do advogado de CCruz, essa figura agitada da advocacia, foi hoje bem evidente no final do julgamento e depois nos vários telejornais por onde foi passando numa actuação digna de um verdadeiro artista.
O homem do 123, esse foi também um verdadeiro one -man- show fazendo jus aos seus dotes de enterteiner, como o demonstrou em recentes espectáculos no casino.Está em forma e não se recomenda.
Fez de vítima, disparou contra a justiça, e até deu uma de sociólogo ao analisar o problema de miúdos da Casa Pia que não têm uma família estruturada... Nunca se viu na televisão alguém condenado numa primeira instância dar-se à desfaçatez de insultar juízes e a nossa inteligência. Carlos Cruz dirigiu-se hoje ao público julgando que estava numa sessão do 123, um concurso para idiotas e atrasados mentais.
Este espectáculo lamentável é possível quando parece que desapareceram jornalistas dos telejornais e agora vamos tendo por ali mais uns apresentadores incapazes de fazerem perguntas, cortarem a palavra às tretas dos convidados. Os pivots da TV perderam acutilância, saber. Uns bananas encartados, amedrontados, inábeis.
Claro que o julgamento foi uma farsa!
Jorge Rito nunca foi referenciado em jogos sexuais com miúdos, o médico do Ferrari nunca foi visto com menores, Carlos Cruz nunca foi citado em nenhum processo deste tipo.
Nem o fugitivo Carlos Mota, o homem que lhe segurava no charuto de CC, enquanto ele ia ensaiar em estúdio, nunca foi citado como tendo violado duas meninas há muitos anos atrás.
Nem as trinta e tal testemunhas que depuseram no processo, e que mesmo nunca se tendo conhecido os seus depoimentos coincidiram em pormenores concretos, nem aquelas milhares de páginas fazem sentido!
Para os arguidos é tudo uma tramóia, urdida por uma entidade abstracta com fins metafísicos inconfessáveis. Os juízes são loucos, o procurador Aibéu um fanático, os homens da PJ uma associação de malfeitores para tramarem uma velhinha estalajadeira de Elvas, um médico vizinho da Casa Pia, um decadente apresentador de TV e outros.
Durante anos todos se juntaram para tramar seis inocentes e glorificarem uns putos malandros que receberam uma pipa de massa pela mão do ex-ministro Bagão Félix e que nunca foram violados.
Os que conseguiram escapar ao julgamento, e parece que são muitos, podem hoje estar a rir.
Escaparam à tangente. Os que vão recorrer até à exaustão neste sistema perverso, que os socialistas ajudaram a reforçar, pela mão do então ministro António Costa, depois daquele espectáculo degradante de Paulo Pedroso ter transformado a Assembleia da República num circo, esses que agora vão ser os empata-penas nunca mais dormirão descansados.
Com recursos ou sem eles, um tribunal já se pronunciou e o povo já decidiu. Está decidido.
sexta-feira, agosto 27, 2010
Com as formiguinhas na Festa do Avante
No auge da Perestroika dizia eu a um amigo:"Ainda vamos ter saudades do comunismo!".
Ele um cavaquista praticante, eu um anticomunista primário.
Na verdade, o comunismo era uma coisa sinistra. Sentíamos por ele o que muitos de nós hoje sentimos pelo extremismo islâmico.
Hoje no recinto da Festa do Avante voltei a lembrar-me da minha profecia. Na verdade, o comunismo traz-nos hoje uma onda de nostalgia. Um sabor a tempos onde contava o espírito de equipa, a disciplina de grupo, aliados a um fervor de alegria e cumplicidade entre amigos e camaradas, fazendo da vida uma missão.
A construção da Festa do Avante é todos os anos obra de formiguinhas no carreiro, que labutam no calor do verão, no pó, com suor e muita boa vontade. Quem ali entra fica camarada e logo recebe um gesto de aceitação, entre-ajuda. "Bom-dia camarada, pode evacuar na casa de banho das mulheres!".
Ontem: uma avó trouxe o neto e os dois trabalhavam na pintura do recinto.
Voltei a ver Renaults 4L a trabalhar, Fords Transit transformdas em Mad-Marxs (!) com camaradas empoleirados a fazerem o V e a erguerem o punho quando a Leica os fintava para a fotografia.
Aquela gente é gira. Fui e ainda sou amigo de muitos comunistas.
Posso dizer que algumas das pessoas mais integras e sérias que conheci na minha vida eram comunistas radicais. Tratei diariamente com alguns deles, e os que partiram deixaram-me uma enorme saudade.
Eram pessoas sempre prontas a ajudar e a interessarem-se pelos outros. Sectários, fraternos e tolerantes. Uns chatos quando vinham com a ladaínha comunista. Mas davam luta e eu adorava provoca-los. Os pecepistas eram uma tribo.
O comunismo é o contra-peso da democracia. Faz pressão contra os poderosos, chateia os patrões, irrita o governo e alimenta ilusões aos que nada têm ou que se julgam os justiceiros sociais.
Tirando os burocratas, os cinzentões, os profissionais do Partido, o povo comunista é muito porreiro.
Os melhores pastéis de bacalhau que comi foram feitos pelo PCP de Aveiro durante uma viagem em que acompanhei Carlos Carvalhas em campanha.
É um povo alegre, gosta de festa, constrói e pratica a mitologia comunista melhor do que os católicos o fazem com Fátima, ou a direita com a patética e franciscana Festa do Pontal, sem ponta nenhuma.
A Festa do Avante tem muita ponta, muita pica e milhares de litros de cerveja embarrilada para jorrar pelas goelas secas dos camaradas, com a voz doridas pelas palavras de ordem.
Depois há cor e música empolgante.
Gosto disto!!!
Fiquei rendido ao ritual Avante. Na verdade já o estava. Há 4 anos comprei lá um Cristo de barro que guardo na minha casa alentejana, numa das freguesias mais vermelhas do antigamente.
E quando hoje vi as barraquinhas a representarem Portugal do Minho à Madeira, fez-me lembrar a exposição do Mundo Português tão bem gizada pelo Cotinelli Telmo com a mão de Ferro.
Não há festa como esta em nenhuma parte do Mundo. O Comunismo deixa saudades.
Ele um cavaquista praticante, eu um anticomunista primário.
Na verdade, o comunismo era uma coisa sinistra. Sentíamos por ele o que muitos de nós hoje sentimos pelo extremismo islâmico.
Hoje no recinto da Festa do Avante voltei a lembrar-me da minha profecia. Na verdade, o comunismo traz-nos hoje uma onda de nostalgia. Um sabor a tempos onde contava o espírito de equipa, a disciplina de grupo, aliados a um fervor de alegria e cumplicidade entre amigos e camaradas, fazendo da vida uma missão.
A construção da Festa do Avante é todos os anos obra de formiguinhas no carreiro, que labutam no calor do verão, no pó, com suor e muita boa vontade. Quem ali entra fica camarada e logo recebe um gesto de aceitação, entre-ajuda. "Bom-dia camarada, pode evacuar na casa de banho das mulheres!".
Ontem: uma avó trouxe o neto e os dois trabalhavam na pintura do recinto.
Voltei a ver Renaults 4L a trabalhar, Fords Transit transformdas em Mad-Marxs (!) com camaradas empoleirados a fazerem o V e a erguerem o punho quando a Leica os fintava para a fotografia.
Aquela gente é gira. Fui e ainda sou amigo de muitos comunistas.
Posso dizer que algumas das pessoas mais integras e sérias que conheci na minha vida eram comunistas radicais. Tratei diariamente com alguns deles, e os que partiram deixaram-me uma enorme saudade.
Eram pessoas sempre prontas a ajudar e a interessarem-se pelos outros. Sectários, fraternos e tolerantes. Uns chatos quando vinham com a ladaínha comunista. Mas davam luta e eu adorava provoca-los. Os pecepistas eram uma tribo.
O comunismo é o contra-peso da democracia. Faz pressão contra os poderosos, chateia os patrões, irrita o governo e alimenta ilusões aos que nada têm ou que se julgam os justiceiros sociais.
Tirando os burocratas, os cinzentões, os profissionais do Partido, o povo comunista é muito porreiro.
Os melhores pastéis de bacalhau que comi foram feitos pelo PCP de Aveiro durante uma viagem em que acompanhei Carlos Carvalhas em campanha.
É um povo alegre, gosta de festa, constrói e pratica a mitologia comunista melhor do que os católicos o fazem com Fátima, ou a direita com a patética e franciscana Festa do Pontal, sem ponta nenhuma.
A Festa do Avante tem muita ponta, muita pica e milhares de litros de cerveja embarrilada para jorrar pelas goelas secas dos camaradas, com a voz doridas pelas palavras de ordem.
Depois há cor e música empolgante.
Gosto disto!!!
Fiquei rendido ao ritual Avante. Na verdade já o estava. Há 4 anos comprei lá um Cristo de barro que guardo na minha casa alentejana, numa das freguesias mais vermelhas do antigamente.
E quando hoje vi as barraquinhas a representarem Portugal do Minho à Madeira, fez-me lembrar a exposição do Mundo Português tão bem gizada pelo Cotinelli Telmo com a mão de Ferro.
Não há festa como esta em nenhuma parte do Mundo. O Comunismo deixa saudades.
quarta-feira, agosto 25, 2010
terça-feira, agosto 24, 2010
NOVA ADENDA AO ACORDO HORTOGRÁFICO
Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Detergente: Acto ou efeito de prender pessoas
Vidente: Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Detergente: Acto ou efeito de prender pessoas
Vidente: Aquilo que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão
domingo, agosto 22, 2010
NOVO CURSO DE PHOTOJORNALISMO A 28 de Setembro
Inscrições e informações em: lightshot@netcabo.pt
965 101 612 ou 917 575 249
quinta-feira, agosto 19, 2010
Dia da Fotografia SEMPRE!
Hoje é o Dia da Fotografia. A minha querida amiga Ana Sousa Dias da LUSA pediu-me uma foto e um depoimento. Eu escrevi-lhe o que se segue, embora ela não tenha espaço no diaporama para publicar o texto integral.
Aproveito para deixar o meu testemunho sobre a solenidade do dia:).
Não gosto de "dias de", nem do Natal. O Dia da Fotografia é todos os dias, embora os dias dos fotógrafos sejam agora dias diferentes. Isto é: o Mundo mudou e a fotografia na sua idade digital baralhou e voltou a dar desafios, nem sempre estimulantes.
A perda de espaço e de protagonismo na imprensa, a banalização do acto fotográfico e o regresso da mentalidade de pato-bravo nas instâncias editoriais, devolveu aos fotógrafos os dias passados, aqueles em que os fotógrafos ainda não falavam, nem escreviam(!).
Os ataques aos direitos de autor e a ideia de que o fotojornalismo se reduziu a bonecada sem conteúdo é fruto dos tempos, mas coisa passageira! A qualidade supera e resiste. Sempre.
Os fotógrafos ganharam agilidade, e um mundo fantástico de partilha na net, usando agora múltiplas e estupendas ferramentas multimédia. Esse suporte é a grande SCUT visual!
Escolhi esta fotografia porque é o meu regresso breve à fotografia analógica, à Leica M6 (muito melhor do que a M9 digital!) e ao mítico filme TRI-X da Kodak.
Foi em Fátima, horas antes da chegada do Papa. Estas portuguesas têm muito das figuras que o Gageiro retratou por ali perto na distante década de sessenta, e que muito me influenciou.
O país mudou. Mas mantém, tal como na fotografia, o seu lado cinzento, preto-e-branco.
Para o melhor e para o deprimente.
Luiz Carvalho
(fotojornalista do Expresso e professor de fotografia)
Aproveito para deixar o meu testemunho sobre a solenidade do dia:).
Fátima, 2010. Leica M6. Filme TRI-X. FOTO DE LUIZ CARVALHO.
Não gosto de "dias de", nem do Natal. O Dia da Fotografia é todos os dias, embora os dias dos fotógrafos sejam agora dias diferentes. Isto é: o Mundo mudou e a fotografia na sua idade digital baralhou e voltou a dar desafios, nem sempre estimulantes.
A perda de espaço e de protagonismo na imprensa, a banalização do acto fotográfico e o regresso da mentalidade de pato-bravo nas instâncias editoriais, devolveu aos fotógrafos os dias passados, aqueles em que os fotógrafos ainda não falavam, nem escreviam(!).
Os ataques aos direitos de autor e a ideia de que o fotojornalismo se reduziu a bonecada sem conteúdo é fruto dos tempos, mas coisa passageira! A qualidade supera e resiste. Sempre.
Os fotógrafos ganharam agilidade, e um mundo fantástico de partilha na net, usando agora múltiplas e estupendas ferramentas multimédia. Esse suporte é a grande SCUT visual!
Escolhi esta fotografia porque é o meu regresso breve à fotografia analógica, à Leica M6 (muito melhor do que a M9 digital!) e ao mítico filme TRI-X da Kodak.
Foi em Fátima, horas antes da chegada do Papa. Estas portuguesas têm muito das figuras que o Gageiro retratou por ali perto na distante década de sessenta, e que muito me influenciou.
O país mudou. Mas mantém, tal como na fotografia, o seu lado cinzento, preto-e-branco.
Para o melhor e para o deprimente.
Luiz Carvalho
(fotojornalista do Expresso e professor de fotografia)
domingo, agosto 15, 2010
sexta-feira, agosto 13, 2010
A Boa TV noite dentro, lá para as 3 da manhã!
Para não dizerem que estou sempre a dizer mal, hoje vou dizer bem de algumas coisas que vi nas últimas madrugadas na TV.
Começo pelo programa de Joaquim Furtado sobre a invasão da Guiné-Conakry nos anos 70.
Aí está um trabalho de jornalismo de investigação,um testemunho ímpar sobre a História recente portuguesa. E uma das poucas ocasiões em que eu como contribuinte sinto que o meu dinheiro ainda é por vezes muito bem empregue nos gastos da RTP.
Os depoimentos dos vários testemunhos muito bem recolhidos e editados, as imagens de arquivo excelentes, o texto sóbrio, económico, sintético, como convém em televisão (e não só!). Os parabéns também ao meu ex-colega e amigo do Expresso, José Manuel Saraiva que colaborou.
Outra grande reportagem passou ontem feita pela TV da Catalunha sobre a comunidade islâmica e os movimentos terroristas em Barcelona.
Uma reportagem com um trabalho de câmera rigoroso, em 16x9, com uma fotografia cuidada, servindo planos de uma espontaneidade, verdade e impacto raros. Televisão feita com gramática televisiva, sem as muletas dos textos em off, sem os planos de tripé à Pai Adão, sem aquela montagem do corta plano aqui, cola plano de corte ali, mete um tipo sentado a falar, vai música, vem texto para pintar, entra imagem de arquivo, remata com umas imagens em slow-motion.
Jornalismo televisivo de investigação, vivo, ágil, moderno, eficaz. Nada do que se faz na TV portuguesa. Até numa reportagem com camionistas, feita e reposta hoje por uma das nossas televisões, as imagens são fabricadas, as situações encenadas, lembrando o pior do cinema de amadores.
Na reportagem da TV da Catalunha punha-se em discussão, sem que isso fosse redundante na estrutura da reportagem, a coexistência de uma comunidade islâmica de dimensão apreciável, a viver e a ocupar um espaço urbano tão próprio como o de Barcelona, pondo problemas sérios de segurança, sem que a polícia ou os juízes pudessem ter o controle mais eficaz sobre muitas das acções encobertas. Fiquei a saber, embora já desconfiasse, que a Europa tolera os intolerantes e que está a deixar-se minar, por causa dos complexos democráticos de um largo sector político cobarde e incompetente.
Um programa que não tomava partido, mas que ouvia várias partes e que deixava a própria comunidade em causa defender-se. Aliás a reportagem foi possível porque numa reunião desses islâmicos radicais foi autorizada aquela equipa a seguir durante dias a vida daquela gente.
Outra reportagem que me deixou colado à TV, embora também madrugada dentro, foi um Toda a Verdade sobre o estado da assistência social nos Estados Unidos. Um programa onde se ficou a saber claro, que nos States mesmo quem tem um seguro de saúde de topo poderá sempre acabar por pagar uma fortuna em caso de doença grave, à excepção de uma minoria de segurados por empresas que cobrem as despesas totais, como a Microsoft.
Fiquei a saber que o meu filho David, que nasceu prematuro e precisou de cuidados intensivos, e que foram dados gratuitamente numa maternidade pública, teria tido muita dificuldade em ter sido salvo nos Estados Unidos, porque eu não teria tido nunca 1 milhão de dólares para pagar por uma assistência desse tipo, referida na reportagem. Um programa bom para oferecer aos Passos Coelhos desta vida!
Afinal, ainda há uma querida televisão. Há só que esperar pela madrugada ou por gravar no irritante gravador da Zon!
Começo pelo programa de Joaquim Furtado sobre a invasão da Guiné-Conakry nos anos 70.
Aí está um trabalho de jornalismo de investigação,um testemunho ímpar sobre a História recente portuguesa. E uma das poucas ocasiões em que eu como contribuinte sinto que o meu dinheiro ainda é por vezes muito bem empregue nos gastos da RTP.
Os depoimentos dos vários testemunhos muito bem recolhidos e editados, as imagens de arquivo excelentes, o texto sóbrio, económico, sintético, como convém em televisão (e não só!). Os parabéns também ao meu ex-colega e amigo do Expresso, José Manuel Saraiva que colaborou.
Outra grande reportagem passou ontem feita pela TV da Catalunha sobre a comunidade islâmica e os movimentos terroristas em Barcelona.
Uma reportagem com um trabalho de câmera rigoroso, em 16x9, com uma fotografia cuidada, servindo planos de uma espontaneidade, verdade e impacto raros. Televisão feita com gramática televisiva, sem as muletas dos textos em off, sem os planos de tripé à Pai Adão, sem aquela montagem do corta plano aqui, cola plano de corte ali, mete um tipo sentado a falar, vai música, vem texto para pintar, entra imagem de arquivo, remata com umas imagens em slow-motion.
Jornalismo televisivo de investigação, vivo, ágil, moderno, eficaz. Nada do que se faz na TV portuguesa. Até numa reportagem com camionistas, feita e reposta hoje por uma das nossas televisões, as imagens são fabricadas, as situações encenadas, lembrando o pior do cinema de amadores.
Na reportagem da TV da Catalunha punha-se em discussão, sem que isso fosse redundante na estrutura da reportagem, a coexistência de uma comunidade islâmica de dimensão apreciável, a viver e a ocupar um espaço urbano tão próprio como o de Barcelona, pondo problemas sérios de segurança, sem que a polícia ou os juízes pudessem ter o controle mais eficaz sobre muitas das acções encobertas. Fiquei a saber, embora já desconfiasse, que a Europa tolera os intolerantes e que está a deixar-se minar, por causa dos complexos democráticos de um largo sector político cobarde e incompetente.
Um programa que não tomava partido, mas que ouvia várias partes e que deixava a própria comunidade em causa defender-se. Aliás a reportagem foi possível porque numa reunião desses islâmicos radicais foi autorizada aquela equipa a seguir durante dias a vida daquela gente.
Outra reportagem que me deixou colado à TV, embora também madrugada dentro, foi um Toda a Verdade sobre o estado da assistência social nos Estados Unidos. Um programa onde se ficou a saber claro, que nos States mesmo quem tem um seguro de saúde de topo poderá sempre acabar por pagar uma fortuna em caso de doença grave, à excepção de uma minoria de segurados por empresas que cobrem as despesas totais, como a Microsoft.
Fiquei a saber que o meu filho David, que nasceu prematuro e precisou de cuidados intensivos, e que foram dados gratuitamente numa maternidade pública, teria tido muita dificuldade em ter sido salvo nos Estados Unidos, porque eu não teria tido nunca 1 milhão de dólares para pagar por uma assistência desse tipo, referida na reportagem. Um programa bom para oferecer aos Passos Coelhos desta vida!
Afinal, ainda há uma querida televisão. Há só que esperar pela madrugada ou por gravar no irritante gravador da Zon!
terça-feira, agosto 10, 2010
Jornalismo incendiário
A informação televisiva é há muito de uma indigência total. Mas no mês de Agosto abusa. Fazer a análise de um telejornal pelo alinhamento, pelas palavras e pelas imagens dadas a ver é um exercício de grande masoquismo, mas que no final revela bem o estado decadente e inútil a que chegou a televisão. Um meio que só sobrevive porque o maralhal mantém aquilo ligado por rotina e também porque apenas 10 por cento do que é emitido merece a atenção de quem entretanto berra com os filhos, desanca na mulher, bate no cão e tenta estrangular a sogra. Se a internet fosse acessível e já tivesse entrado na rotina, a televisão ficava reduzida ao seu papel de embrulho.
Incêndios em directo com estagiárias armadas em parvas repórteres de guerra, velhinhos às portas da morte a falarem dos malefícios do calor, o ministro da administração interna a contar a área ardida e a dizer que este ano ardeu menos um campo de futebol do que há 5 anos, histórias de desgraças, e mais uns planos gerais de praias cheias...é difícil maior banalidade. O Mundo para as televisões resume-se a faits-divers, banalidades, lugares comuns, estupidez natural.
Ontem havia uma reportagem no Algarve, onde o que se dava a ver eram planos de casas e janelas, chegando a ter sido editada uma imagem de uma persiana, isto para ilustrar o facto de 4 doentes terem sido molestados numa operação às cataratas...no Algarve. Um case-study de como não se deve fazer televisão. E no entanto estas bostas vão para o ar!
Mas o que é preocupante, é a leviandade e a demagogia que os editores (?) utilizam para manterem viva a chama do populismo. Passam em rodapé que este ano há 30 reformados com pensões um pouco acima dos 5 mil euros. "Pensões milionárias", dizem os senhores editores. Se para um jornalista 5 mil euros é um rendimento milionário muito mal pago anda o jornalismo.
Claro que não explicam se são reformas resultantes de uma vida de descontos se de reformas oportunistas baseadas em poucos anos de descontos. Mas esse "pormenor" não interessa nada.
O que interessa é encher chouriços e atirar achas para a fogueira.
Já tínhamos um país de incendiários passámos a ter uma informação televisiva incendiária.
Incêndios em directo com estagiárias armadas em parvas repórteres de guerra, velhinhos às portas da morte a falarem dos malefícios do calor, o ministro da administração interna a contar a área ardida e a dizer que este ano ardeu menos um campo de futebol do que há 5 anos, histórias de desgraças, e mais uns planos gerais de praias cheias...é difícil maior banalidade. O Mundo para as televisões resume-se a faits-divers, banalidades, lugares comuns, estupidez natural.
Ontem havia uma reportagem no Algarve, onde o que se dava a ver eram planos de casas e janelas, chegando a ter sido editada uma imagem de uma persiana, isto para ilustrar o facto de 4 doentes terem sido molestados numa operação às cataratas...no Algarve. Um case-study de como não se deve fazer televisão. E no entanto estas bostas vão para o ar!
Mas o que é preocupante, é a leviandade e a demagogia que os editores (?) utilizam para manterem viva a chama do populismo. Passam em rodapé que este ano há 30 reformados com pensões um pouco acima dos 5 mil euros. "Pensões milionárias", dizem os senhores editores. Se para um jornalista 5 mil euros é um rendimento milionário muito mal pago anda o jornalismo.
Claro que não explicam se são reformas resultantes de uma vida de descontos se de reformas oportunistas baseadas em poucos anos de descontos. Mas esse "pormenor" não interessa nada.
O que interessa é encher chouriços e atirar achas para a fogueira.
Já tínhamos um país de incendiários passámos a ter uma informação televisiva incendiária.
sexta-feira, agosto 06, 2010
Madrid, Agosto 2010
Crónica visual de um fotógrafo em férias.
Fotografias de Luiz Carvalho
Madrid, Agosto de 2010 from Luiz Carvalho on Vimeo.
Fotografias de Luiz Carvalho
Madrid, Agosto de 2010 from Luiz Carvalho on Vimeo.
quinta-feira, agosto 05, 2010
A policia De Antonio Capuchinho Laranja
Há dias ACapucho naquele seu jeito cinzentão lamentava não ter policias para vigiar as praias.
Dizia que lhe restavam umas trotinetes e uns girinhos para o controle da cambada que transformou as praias da linha num musseque angolano(cito livremente).
Hoje deparo as 13 horas na rotunda da avenida Conde De Barcelona com uma brigada camarária a mandar parar carros, armados em BT, numa operação de assalto ao contribuente.
A nova ordem policial do ministro MAI deu nisto: transformou cada policia num angariador de fundos para o Estado glutão.
Ora, estamos a falar de duas coisas: numa operação de má fé, de abuso de autoridade, de arrogância estatal, contra automobilistas, praticada por uma policia municipal. E estamos a falar no oportunismo de um Presidente de câmara que usa o seu lugar para atacar aqueles que o elegeram para trabalhar pelo concelho, e não para se armar em cobrador de fato macaco, nas esquinas das desmazeladas ruas do concelho de Cascais.
Cascais é dos sítios do pais com mais imigrantes ilegais e que se movimentam à balda provocando desacatos permanentes. Mas a policia de Capucho prefere actuar na colecta da multa em vez de vigiar e controlar quem está no país ilegalmente e que vive em anexos sem licença de habitação.
Capucho devia ter vergonha e pedir desculpa aos tansos que o andam a eleger.
PS : post escrito num iPad sem teclado português. Se os brasucas mandam na nossa escrita, o Steve Jobs está desculpado por não posto ainda em Portugal à venda já o bicho(::)). Parece que lhe disseram que o iPad não tinha hipótese cá por causa da concorrência do Magalhães!!!
Dizia que lhe restavam umas trotinetes e uns girinhos para o controle da cambada que transformou as praias da linha num musseque angolano(cito livremente).
Hoje deparo as 13 horas na rotunda da avenida Conde De Barcelona com uma brigada camarária a mandar parar carros, armados em BT, numa operação de assalto ao contribuente.
A nova ordem policial do ministro MAI deu nisto: transformou cada policia num angariador de fundos para o Estado glutão.
Ora, estamos a falar de duas coisas: numa operação de má fé, de abuso de autoridade, de arrogância estatal, contra automobilistas, praticada por uma policia municipal. E estamos a falar no oportunismo de um Presidente de câmara que usa o seu lugar para atacar aqueles que o elegeram para trabalhar pelo concelho, e não para se armar em cobrador de fato macaco, nas esquinas das desmazeladas ruas do concelho de Cascais.
Cascais é dos sítios do pais com mais imigrantes ilegais e que se movimentam à balda provocando desacatos permanentes. Mas a policia de Capucho prefere actuar na colecta da multa em vez de vigiar e controlar quem está no país ilegalmente e que vive em anexos sem licença de habitação.
Capucho devia ter vergonha e pedir desculpa aos tansos que o andam a eleger.
PS : post escrito num iPad sem teclado português. Se os brasucas mandam na nossa escrita, o Steve Jobs está desculpado por não posto ainda em Portugal à venda já o bicho(::)). Parece que lhe disseram que o iPad não tinha hipótese cá por causa da concorrência do Magalhães!!!
sexta-feira, julho 30, 2010
O Feio que não era feio!
"Afinal o Feio não é nada feio!"- foi um desabafo de Beatriz Costa, por volta de 1980 numa galeria de arte que ficava no Bairro Alto, perto do actual Pavilhão Chinês.
Acabei por fazer uma foto aos dois, que não encontro no meio de umas centenas de envelopes de negativos não organizados.
O António Feio estava em início de carreira. Já o tinha fotografado com a Claúdia Cadima num apartamento em Benfica, com vista sobre a estação dos comboios. Fiquei logo a gostar dele.
Tinha a minha idade e a sua morte deixou-me muito triste.
Era um homem de talento, com um sentido raro da liberdade, da irreverência, um artista -vivo, actuante, um interventor atento, crítico e que levava tudo com um prazer desmedido!
Gosto de gente vibrante e o António contagiava à sua volta com boa onda. Tinha um gosto apurado e era um cavalheiro apaixonado.
Era também um porchista em estado puro: usava o seu 911 (teve vários que ia comprando sempre usados) no dia a dia mostrando que é um carro para gente que gosta de automóveis e que na verdade o 911 é o melhor utilitário do Mundo. Vais ter um 997 no Céu!!!
Perdemos um dos grandes portugueses do nosso tempo. Ficamos pobres, com uma sensação de perda total.
O resto são tretas!!!
Acabei por fazer uma foto aos dois, que não encontro no meio de umas centenas de envelopes de negativos não organizados.
O António Feio estava em início de carreira. Já o tinha fotografado com a Claúdia Cadima num apartamento em Benfica, com vista sobre a estação dos comboios. Fiquei logo a gostar dele.
Tinha a minha idade e a sua morte deixou-me muito triste.
Era um homem de talento, com um sentido raro da liberdade, da irreverência, um artista -vivo, actuante, um interventor atento, crítico e que levava tudo com um prazer desmedido!
Gosto de gente vibrante e o António contagiava à sua volta com boa onda. Tinha um gosto apurado e era um cavalheiro apaixonado.
Era também um porchista em estado puro: usava o seu 911 (teve vários que ia comprando sempre usados) no dia a dia mostrando que é um carro para gente que gosta de automóveis e que na verdade o 911 é o melhor utilitário do Mundo. Vais ter um 997 no Céu!!!
Perdemos um dos grandes portugueses do nosso tempo. Ficamos pobres, com uma sensação de perda total.
O resto são tretas!!!
quinta-feira, julho 29, 2010
Sócrates free
A comunicação de Sócrates à Pátria sobre o Caso FreePort foi fria, dita sem convicção. Sócrates mostrava mesmo um ar cansado, um ar de leão ferido, ainda a combater no limite das forças.
Ninguém sabe se o Caso está mesmo acabado.
Com a constituição dos dois arguidos que tentaram corromper mas não se sabe quem o permitiu, voltarão de certeza outras declarações em off.
Não nos esqueçamos que o chamado Caso TVI deriva das notícias que foram sendo dadas pela informação de Manuela Moura Guedes. Havia que fazer calar as bocas de MMGuedes, nem que fosse preciso comprar a estação de Queluz de Baixo.
Uma coisa é certa: os tribunais julgam perante a técnica específica da justiça, que varia com a forma como os vários intervenientes interpretam factos e relacionam situações objectivas.
Outro julgamento, mais feroz, implacável, e porventura mais falível, é o que resulta da opinião pública, baseada em factos políticos. E o facto político, não judicial, é um empreendimento daqueles ter sido aprovado dois dias antes do fim da legislatura, depois de uma alteração do plano de ordenamento que anteriormente inviabilizara a construção da coisa.
Em política cuidados e caldos de galinha evitam sempre este tipo de boatos e calúnias desagradáveis.
Ninguém sabe se o Caso está mesmo acabado.
Com a constituição dos dois arguidos que tentaram corromper mas não se sabe quem o permitiu, voltarão de certeza outras declarações em off.
Não nos esqueçamos que o chamado Caso TVI deriva das notícias que foram sendo dadas pela informação de Manuela Moura Guedes. Havia que fazer calar as bocas de MMGuedes, nem que fosse preciso comprar a estação de Queluz de Baixo.
Uma coisa é certa: os tribunais julgam perante a técnica específica da justiça, que varia com a forma como os vários intervenientes interpretam factos e relacionam situações objectivas.
Outro julgamento, mais feroz, implacável, e porventura mais falível, é o que resulta da opinião pública, baseada em factos políticos. E o facto político, não judicial, é um empreendimento daqueles ter sido aprovado dois dias antes do fim da legislatura, depois de uma alteração do plano de ordenamento que anteriormente inviabilizara a construção da coisa.
Em política cuidados e caldos de galinha evitam sempre este tipo de boatos e calúnias desagradáveis.
As vítimas da Casa Pia e o seu contrário
Todos acreditam na Justiça enquanto ela não lhes desce a espada sobre a cabeça.
Esta semana, Carlos Cruz deu várias entrevistas dando a entender que não tem grande esperança na Justiça. Os outros arguidos do Processo Casa Pia também não mostraram grande entusiasmo pela justiça da Justiça. Por outro lado algumas das chamadas vítimas da Casa Pia, entrevistadas também pela SIC, mostraram uma serenidade e uma maturidade que eu não estava à espera. E mostraram uma grande fé na Justiça.
Pensava eu que iam surgir das entrevistas uns marginais, uns excluídos da vida, uns oportunistas mascarados de coitadinhos, e ouvi homens de grande coragem, com um discurso maduro sem exteriorizarem sentimentos de vingança.
Na reportagem da SIC os arguidos faziam de vítimas, chorando e lamentando a barbaridade em que tinham sido postos. CC até lamentava o facto do Procurador João Aibéu não lhe fazer calorosos cumprimentos quando se cruzava com ele! Só faltava lamentar não lhe ter pedido um autógrafo!
As vítimas entrevistadas assumiam-se como gente a quem a Vida tinha maltratado, mas que souberam aprender a grande lição da tolerância e que agora só esperavam pelo dia do juízo final. Mais uma vez adiado para Setembro.
Há uma coisa em que eu acredito: nenhum sistema judicial promove um julgamento desta dimensão se não houver matéria para acusação, defesa, se não houverem coisas, muitas coisas, para serem esclarecidas. E não se encontram 30 vítimas inventadas, como se fossem um conluio de paranóicos, pagos por um qualquer esquema do mal.
Aliás, 3 das testemunhas fizeram acusações semelhantes, embora não se tivessem nunca cruzado na vida e uma delas lamentava mesmo na SIC a forma sortuda como um dos implicados conseguiu sair do processo logo no princípio.
Nem tudo o que parece é, aguardemos Setembro para o resultado.
Esta semana, Carlos Cruz deu várias entrevistas dando a entender que não tem grande esperança na Justiça. Os outros arguidos do Processo Casa Pia também não mostraram grande entusiasmo pela justiça da Justiça. Por outro lado algumas das chamadas vítimas da Casa Pia, entrevistadas também pela SIC, mostraram uma serenidade e uma maturidade que eu não estava à espera. E mostraram uma grande fé na Justiça.
Pensava eu que iam surgir das entrevistas uns marginais, uns excluídos da vida, uns oportunistas mascarados de coitadinhos, e ouvi homens de grande coragem, com um discurso maduro sem exteriorizarem sentimentos de vingança.
Na reportagem da SIC os arguidos faziam de vítimas, chorando e lamentando a barbaridade em que tinham sido postos. CC até lamentava o facto do Procurador João Aibéu não lhe fazer calorosos cumprimentos quando se cruzava com ele! Só faltava lamentar não lhe ter pedido um autógrafo!
As vítimas entrevistadas assumiam-se como gente a quem a Vida tinha maltratado, mas que souberam aprender a grande lição da tolerância e que agora só esperavam pelo dia do juízo final. Mais uma vez adiado para Setembro.
Há uma coisa em que eu acredito: nenhum sistema judicial promove um julgamento desta dimensão se não houver matéria para acusação, defesa, se não houverem coisas, muitas coisas, para serem esclarecidas. E não se encontram 30 vítimas inventadas, como se fossem um conluio de paranóicos, pagos por um qualquer esquema do mal.
Aliás, 3 das testemunhas fizeram acusações semelhantes, embora não se tivessem nunca cruzado na vida e uma delas lamentava mesmo na SIC a forma sortuda como um dos implicados conseguiu sair do processo logo no princípio.
Nem tudo o que parece é, aguardemos Setembro para o resultado.
Cavaco agora já não comenta Oi a venda Vivo ponto PT!
Estou de férias e sem grande pachorra para o país real. Mas não aguento! Lá vai: então o Senhor Presidente da República não hesitou há dias em apoiar o uso da força dourada pelo governo, e fê-lo como já é seu hábito, à saída de um qualquer evento corta-fitas, andando e mastigando frases de bolo-rei, enquanto os desgraçados câmeras tropeçam nos cabos e abanam a artilharia.
Mas hoje ao ser questionado pela solução encontrada para que Portugal não saísse tão humilhado da investida espanhola sobre a Vivo, o PR voltou a meter a máscara número dois e preferiu não dar opinião. Apenas revelou o número de calhamaços que vai levar para férias (este ano já não precisa de "um bom jipe"), como a querer dizer que para ele férias é fazer serão a estudar dossiers e a assinar despachos. Sempre o mito do trabalhador pela Pátria!
E para fugir à resposta sobre as manobras de Oi e Vivo ilimitadas ponto PT, respondeu que estava por ali porque tinha ido dar uns prémios a dois escritores! O que parece surreal vindo de quem teve um sub-secretário de Estado da Cultura, em pleno Cavaquismo, que mandou para a fogueira da Inquisição, com efeitos retróactivos e por razões culturalmente atendíveis um tal de José Saramago!
É nisto que Cavaco é bom: finge sempre que nada faz. Mas está sempre a trabalhar para o bronze. Principalmente no Verão, quando consulta os oráculos e a família!
Mas hoje ao ser questionado pela solução encontrada para que Portugal não saísse tão humilhado da investida espanhola sobre a Vivo, o PR voltou a meter a máscara número dois e preferiu não dar opinião. Apenas revelou o número de calhamaços que vai levar para férias (este ano já não precisa de "um bom jipe"), como a querer dizer que para ele férias é fazer serão a estudar dossiers e a assinar despachos. Sempre o mito do trabalhador pela Pátria!
E para fugir à resposta sobre as manobras de Oi e Vivo ilimitadas ponto PT, respondeu que estava por ali porque tinha ido dar uns prémios a dois escritores! O que parece surreal vindo de quem teve um sub-secretário de Estado da Cultura, em pleno Cavaquismo, que mandou para a fogueira da Inquisição, com efeitos retróactivos e por razões culturalmente atendíveis um tal de José Saramago!
É nisto que Cavaco é bom: finge sempre que nada faz. Mas está sempre a trabalhar para o bronze. Principalmente no Verão, quando consulta os oráculos e a família!
quarta-feira, julho 28, 2010
PT vende anéis e compra uns adornos.
A PT tinha 50 por cento da Vivo e a Telefónica a outra parte. Agora a PT tem 20 por cento de Oi que é uma operadora menor, que nunca terá a importância da Vivo.
É verdade que depois do uso da Golden Share os accionistas da PT ainda arrecadaram mais uns trocos (!) mas no final da operação a realidade é esta: a PT vendeu os anéis e foi à feira comprar uns adornos com algum valor, mas sem comparação ao ouro despachado.
Foi uma forma airosa de Portugal sair desta investida espanhola e uma solução simpática que Lula encontrou para continuar a ter os portugueses nas telecomunicações brasileiras, ainda a precisarem de muito saber tecnológico português.
Se um bom negócio é aquele em que todos lucram, este parece ter acabado em bem, embora a fragilidade portuguesa se tenha evidenciado. Portugal não podia resistir ao ataque espanhol. Es la verdad!!!
É verdade que depois do uso da Golden Share os accionistas da PT ainda arrecadaram mais uns trocos (!) mas no final da operação a realidade é esta: a PT vendeu os anéis e foi à feira comprar uns adornos com algum valor, mas sem comparação ao ouro despachado.
Foi uma forma airosa de Portugal sair desta investida espanhola e uma solução simpática que Lula encontrou para continuar a ter os portugueses nas telecomunicações brasileiras, ainda a precisarem de muito saber tecnológico português.
Se um bom negócio é aquele em que todos lucram, este parece ter acabado em bem, embora a fragilidade portuguesa se tenha evidenciado. Portugal não podia resistir ao ataque espanhol. Es la verdad!!!
sexta-feira, julho 23, 2010
O fracasso atendível dos rapazes de Passos Coelho
Pedro Passos põe aquela voz de apresentador do Festival da Canção, põe uns óculos à homenzinho, e reunido com os seus rapazes em directa, como o fazem os calões em véspera de ponto, amanhou umas emendas à Constituição em verdadeiro estilo jerico.
O sócio de Passos naquelas empresas, que ao que parece continuam a ser deles e de Ângelo Correia, o Doctor Relvas, aparece com um ar de "entreteiner na televisão, chamando demagogos a quem considera que tirar o direito ao trabalho é uma aberração.
Percebe-se. Para esta geração degenerada do PSD o Portugal ideal seria aquele em que a lei do trabalho fosse igual à da Índia, a segurança social copiada da chinesa, as leis de segurança como as do amigo Kadafi de Ângelo Correia e os impostos cobrados como na Suécia. A educação gratuita para os indigentes, a saúde primária tolerada para os moribundos, a justiça acessível para os bandidos sem salvação e a liberdade de imprensa controlada por uma comissão que liquidaria os direitos dos jornalistas, começando pelos direitos de autor.
Hoje o dono do BES deu-se ao luxo de falar de política de trabalho, pondo em causa a relação do Banco com os seus clientes que se sentem ultrajados com estas propostas e o grande merceeiro Belmiro já veio dizer que a tal razão atendível é igual ao que está. Se é igual estejam quietinhos e desistam de despedir a sopeira! Só falta vir o grande empregador Amorim apoiar o delírio do jovem e inexperiente líder laranja.
Tudo bons rapazes! Uma sondagem soprou-lhes com vantagens perante um eleitorado desnorteado, medroso de ter de deixar ir aos centros comerciais, e eles logo meteram as gravatas de seda, óculos à inteligente e vozes colocadas num tom mavioso para pronunciarem a frase estafada do "interesse de Portugal".
Estes neo-idiotas sonham com um Portugal retrógrado, sem Estado Social, um país anterior a Marcelo Caetano, um país onde o Presidente da República despede o governo com "razão atendível" e os patrões podem despedir à la gardére.
Se esta gente rosna assim e saliva na oposição o que morderia se chegasse ao Poder?
Passos está a cometer abençoados erros. A máscara do anjolas que pedia perdão, o bom-rapaz que queria vingar o engenhocas, deixou cair rápido a personagem. Esta emenda da Constituição é pior do que os sonetos de Cavaco,e dentro do PSD já se volta a tocar a reunir! Força barões!
O sócio de Passos naquelas empresas, que ao que parece continuam a ser deles e de Ângelo Correia, o Doctor Relvas, aparece com um ar de "entreteiner na televisão, chamando demagogos a quem considera que tirar o direito ao trabalho é uma aberração.
Percebe-se. Para esta geração degenerada do PSD o Portugal ideal seria aquele em que a lei do trabalho fosse igual à da Índia, a segurança social copiada da chinesa, as leis de segurança como as do amigo Kadafi de Ângelo Correia e os impostos cobrados como na Suécia. A educação gratuita para os indigentes, a saúde primária tolerada para os moribundos, a justiça acessível para os bandidos sem salvação e a liberdade de imprensa controlada por uma comissão que liquidaria os direitos dos jornalistas, começando pelos direitos de autor.
Hoje o dono do BES deu-se ao luxo de falar de política de trabalho, pondo em causa a relação do Banco com os seus clientes que se sentem ultrajados com estas propostas e o grande merceeiro Belmiro já veio dizer que a tal razão atendível é igual ao que está. Se é igual estejam quietinhos e desistam de despedir a sopeira! Só falta vir o grande empregador Amorim apoiar o delírio do jovem e inexperiente líder laranja.
Tudo bons rapazes! Uma sondagem soprou-lhes com vantagens perante um eleitorado desnorteado, medroso de ter de deixar ir aos centros comerciais, e eles logo meteram as gravatas de seda, óculos à inteligente e vozes colocadas num tom mavioso para pronunciarem a frase estafada do "interesse de Portugal".
Estes neo-idiotas sonham com um Portugal retrógrado, sem Estado Social, um país anterior a Marcelo Caetano, um país onde o Presidente da República despede o governo com "razão atendível" e os patrões podem despedir à la gardére.
Se esta gente rosna assim e saliva na oposição o que morderia se chegasse ao Poder?
Passos está a cometer abençoados erros. A máscara do anjolas que pedia perdão, o bom-rapaz que queria vingar o engenhocas, deixou cair rápido a personagem. Esta emenda da Constituição é pior do que os sonetos de Cavaco,e dentro do PSD já se volta a tocar a reunir! Força barões!
terça-feira, julho 20, 2010
PSD quer dar brinde de 1 ano a Cavaco e PPC já engasga nos despedimentos. Desculpa pá!
Passos Coelho já voltou a pedir desculpa. Hoje em directo de Vila Real para a SIC, engasgou e tentou remediar aquela bestialidade política que é a revisão da Constituição. Fora de tempo político e virada para o tempo da outra senhora. Uma proposta bafienta, ressabiada, a salivar por passado e a deixar cair a máscara da rapaziada de Passos: uns ressacados por Poder, já a afiarem a faca para aquilo que eles acham que é o seu tempo de reinar. Acalmem-se! Duche frio em tanta excitação.
Despedir à balda, cuidar dos pobres em hospitais misericordiosos, mandar os injustiçados para uns gabinetes de juízes privados, fazer da escola pública um reduto para calões pobres, estes são alguns dos fetiches políticos de uma direita ultra-liberal medíocre, uma casta de empresários que estão agora a querer trepar para a política e a usarem a política como uma forma de ataque ao Estado Social, à Europa dos valores.
Para estes apaniguados, o sonho é um Portugal com as leis laborais da China, os impostos da Suécia, o nível de consumo de Angola ( só para ricos!), a educação da Coreia do Norte e a Saúde de Marrocos. Um mimo de projecto político para um país. Este PSD vai morrer de ridículo no meio de trapalhadas que fazem lembrar alguns síndromas santanistas.
O que é notável é termos um Presidente da República que foi eleito para defender a Constituição, e que é apoiado por um PSD que o quer reeleito para o termos que aturar na pior das hipóteses (Oh Deus!) mais seis anos.
Quer dizer: o PSD dá brinde de um ano a quem votar Cavaco! O que já não admira é como Cavaco que controla o PSD, e quer mandar no país através de um governo laranja, não tenha vindo já a público criticar a Revisão de jerico da Constituição do PSD.
Quem cala consente. E o facto de estar em Angola não serve de desculpa.
Despedir à balda, cuidar dos pobres em hospitais misericordiosos, mandar os injustiçados para uns gabinetes de juízes privados, fazer da escola pública um reduto para calões pobres, estes são alguns dos fetiches políticos de uma direita ultra-liberal medíocre, uma casta de empresários que estão agora a querer trepar para a política e a usarem a política como uma forma de ataque ao Estado Social, à Europa dos valores.
Para estes apaniguados, o sonho é um Portugal com as leis laborais da China, os impostos da Suécia, o nível de consumo de Angola ( só para ricos!), a educação da Coreia do Norte e a Saúde de Marrocos. Um mimo de projecto político para um país. Este PSD vai morrer de ridículo no meio de trapalhadas que fazem lembrar alguns síndromas santanistas.
O que é notável é termos um Presidente da República que foi eleito para defender a Constituição, e que é apoiado por um PSD que o quer reeleito para o termos que aturar na pior das hipóteses (Oh Deus!) mais seis anos.
Quer dizer: o PSD dá brinde de um ano a quem votar Cavaco! O que já não admira é como Cavaco que controla o PSD, e quer mandar no país através de um governo laranja, não tenha vindo já a público criticar a Revisão de jerico da Constituição do PSD.
Quem cala consente. E o facto de estar em Angola não serve de desculpa.
segunda-feira, julho 19, 2010
O Cobrador do fraque bate à porta de Eduardo dos Santos
foto de Miguel Lopes, LUSA, embora tirada da net onde vinha como do DN. Justiça seja feita.
Sócrates e Soares têm o seu ditadorzeco de estimação, o Bokassa da América Latina, o Comandante Chavez. Sócrates queria vender uns trastes de umas máquinas de jogos chamadas Magalhães, queria exportar cimento e tijolo, e desejava que a comunidade portuguesa não fosse espoliada pelo fervoroso socialista Chavez. Soares tem uma visão da real-política na terceira idade avançada e quando se tem uma fundação para sustentar a ideologia pode ser metida na gaveta para fazer companhia ao socialismo que nunca descongelou de lá.
Agora é a vez de Cavaco Silva ir homenagear o seu Chavez, o Presidente Eduardo dos Santos, esse baluarte da democracia africana, esse fazedor de paz, esse líder-irmão cujos serviços consulares gostam de humilhar alguns portugueses, sobretudo se forem jornalistas, e não lhes darem o visto para visitarem o país mais injusto do Mundo. Cavaco gosta de Eduardo dos Santos, e este vai dizendo que gosta do ex-colonialista, mas sem dar nunca grandes confias, enquanto os calotes caem.
No país dos milhões, dos chineses empreendedores, dos negócios sem rosto, no país onde coabitam pacificamente nas ruas de Luanda uma classe nova-rica com os desgraçados mais desprezados da Humanidade, no país onde se compram com benesses os favores da oposição, onde todos se calam e consentem a injustiça de um crescimento grande mas com um desenvolvimento raquítico, nesse país da chuva do ouro negro, há empresários portugueses sem receberem fornecimentos, há empresas paralisadas, há meses. Uma vergonha.
Vai agora o Presidente de Portugal negociar os calotes dos angolanos. E vai como se fosse um cobrador do fraque em versão de Estado, tendo de ouvir da boca do devedor, à frente de todos, que os pagamentos vão ser faseados e pagos aos bochechos. Com calma maninho!
Claro que Angola tem sido um bom mercado para muitos portugueses e que é um mercado de que nós precisamos. Mas este colonialismo ao contrário é historicamente aberrante e deixa Portugal como uma sopeira a quem o patrão decidiu não pagar a féria que devia. De mão a abanar. Os angolanos adoram usar a arrogância e nós pactuamos com esta permanente injúria. Porque temos complexos colonialistas, má consciência e andamos à procura de uns dólares de origem duvidosa.
Claro que a dívida que Portugal tinha para com Angola já foi paga e se não me engano até fizemos há pouco tempo um empréstimo aos tipos. Ou estou maluco?
Sócrates e Soares têm o seu ditadorzeco de estimação, o Bokassa da América Latina, o Comandante Chavez. Sócrates queria vender uns trastes de umas máquinas de jogos chamadas Magalhães, queria exportar cimento e tijolo, e desejava que a comunidade portuguesa não fosse espoliada pelo fervoroso socialista Chavez. Soares tem uma visão da real-política na terceira idade avançada e quando se tem uma fundação para sustentar a ideologia pode ser metida na gaveta para fazer companhia ao socialismo que nunca descongelou de lá.
Agora é a vez de Cavaco Silva ir homenagear o seu Chavez, o Presidente Eduardo dos Santos, esse baluarte da democracia africana, esse fazedor de paz, esse líder-irmão cujos serviços consulares gostam de humilhar alguns portugueses, sobretudo se forem jornalistas, e não lhes darem o visto para visitarem o país mais injusto do Mundo. Cavaco gosta de Eduardo dos Santos, e este vai dizendo que gosta do ex-colonialista, mas sem dar nunca grandes confias, enquanto os calotes caem.
No país dos milhões, dos chineses empreendedores, dos negócios sem rosto, no país onde coabitam pacificamente nas ruas de Luanda uma classe nova-rica com os desgraçados mais desprezados da Humanidade, no país onde se compram com benesses os favores da oposição, onde todos se calam e consentem a injustiça de um crescimento grande mas com um desenvolvimento raquítico, nesse país da chuva do ouro negro, há empresários portugueses sem receberem fornecimentos, há empresas paralisadas, há meses. Uma vergonha.
Vai agora o Presidente de Portugal negociar os calotes dos angolanos. E vai como se fosse um cobrador do fraque em versão de Estado, tendo de ouvir da boca do devedor, à frente de todos, que os pagamentos vão ser faseados e pagos aos bochechos. Com calma maninho!
Claro que Angola tem sido um bom mercado para muitos portugueses e que é um mercado de que nós precisamos. Mas este colonialismo ao contrário é historicamente aberrante e deixa Portugal como uma sopeira a quem o patrão decidiu não pagar a féria que devia. De mão a abanar. Os angolanos adoram usar a arrogância e nós pactuamos com esta permanente injúria. Porque temos complexos colonialistas, má consciência e andamos à procura de uns dólares de origem duvidosa.
Claro que a dívida que Portugal tinha para com Angola já foi paga e se não me engano até fizemos há pouco tempo um empréstimo aos tipos. Ou estou maluco?
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quinta-feira, julho 15, 2010
O Estado velho da Nação imortal
O Socraquistão está óptimo. E os que Praquistão péssimos, mas gastadores.
Um engenheiro a quem eu não recorreria para me fazer o projecto de estruturas de uma casa rasteira, e um vendedor de carros usados de sonho a quem eu nunca ousaria comprar um chasso, disseram, ou disse, hoje na sede da Democracia, que está tudo Porreiro !
A oposição diz que Sócrates está nas nuvens levado por um balão da Eurovisão, mas na verdade o nosso Pá Primeiro está na real.
A venda de utilitários subiu cinquenta e tal por cento, agora os pelintras dos jornalistas da TV que gostam de classificar de carros topo de gama uma banheira rolante, já podem passar o preconceito à gama geral. O país exporta mais uns caixotes, há menos calaçeiros a abandonarem a escola (o que é um gasto acrescentado em papel higiénico!), há mais portugueses a irem trabalhar lá para fora e a mandarem mais uns milhões para a banca local, vão pagar-se as scuts, as scooters e vamos deduzir menos no IRS para termos juizinho e pormos os nossos filhos a estudarem em escolas oficiais onde se irão sentir cidadãos da Ucrânia ao Brasil, de Timor a Cabo-Verde, da Feira de Cascais à Feira do Relógio. A escola democrática e pública paga com o esforço da Classe Média.
E vamos pagar mais pelas horas de espera nos hospitais públicos apinhados por gente desesperada, sem eira nem beira: aqueles que agora velhos ajudaram a erguer um país ao pé coxinho. Um país doente.
Sócrates está nas nuvens e na nuvem ao lado está um vizinho, outro grande visionário da vida política portuguesa. Um Super Homem da política, que anda a governar desde 1985 e que em vez de salvar o País que ele chama de inviável, limita-se a ajudar velhinhas a atravessar a rua e a distribuir frases demolidoras como quem dá rosas envenenadas.
O estado da Nação é o estado da política, de uma classe medíocre, sem sentido da coisa pública.
A classe que rejubila em mordomias, começando pelo escândalo da compra de carros novos (estes sim topo de gama) distribuídos pela camarilha que nos cobra impostos, dita comportamentos, vigia as nossas vidas. Uns tipos que nós elegemos e que nos apertam os ditos até ao grito final.
Um engenheiro a quem eu não recorreria para me fazer o projecto de estruturas de uma casa rasteira, e um vendedor de carros usados de sonho a quem eu nunca ousaria comprar um chasso, disseram, ou disse, hoje na sede da Democracia, que está tudo Porreiro !
A oposição diz que Sócrates está nas nuvens levado por um balão da Eurovisão, mas na verdade o nosso Pá Primeiro está na real.
A venda de utilitários subiu cinquenta e tal por cento, agora os pelintras dos jornalistas da TV que gostam de classificar de carros topo de gama uma banheira rolante, já podem passar o preconceito à gama geral. O país exporta mais uns caixotes, há menos calaçeiros a abandonarem a escola (o que é um gasto acrescentado em papel higiénico!), há mais portugueses a irem trabalhar lá para fora e a mandarem mais uns milhões para a banca local, vão pagar-se as scuts, as scooters e vamos deduzir menos no IRS para termos juizinho e pormos os nossos filhos a estudarem em escolas oficiais onde se irão sentir cidadãos da Ucrânia ao Brasil, de Timor a Cabo-Verde, da Feira de Cascais à Feira do Relógio. A escola democrática e pública paga com o esforço da Classe Média.
E vamos pagar mais pelas horas de espera nos hospitais públicos apinhados por gente desesperada, sem eira nem beira: aqueles que agora velhos ajudaram a erguer um país ao pé coxinho. Um país doente.
Sócrates está nas nuvens e na nuvem ao lado está um vizinho, outro grande visionário da vida política portuguesa. Um Super Homem da política, que anda a governar desde 1985 e que em vez de salvar o País que ele chama de inviável, limita-se a ajudar velhinhas a atravessar a rua e a distribuir frases demolidoras como quem dá rosas envenenadas.
O estado da Nação é o estado da política, de uma classe medíocre, sem sentido da coisa pública.
A classe que rejubila em mordomias, começando pelo escândalo da compra de carros novos (estes sim topo de gama) distribuídos pela camarilha que nos cobra impostos, dita comportamentos, vigia as nossas vidas. Uns tipos que nós elegemos e que nos apertam os ditos até ao grito final.
terça-feira, julho 13, 2010
Os roteiros de Cavaco Silva aos pobres
Os roteiros de Cavaco Silva são como uma longa peregrinação pelo país que restou de um tempo a que nos habituámos a chamar de cavaquismo. O país que cresceu e não se desenvolveu, o país que apostou no betão, no alcatrão em forma de duas faixas, que o socratismo transformou em três vias na forma de SCUTS. O desgraçado país que Cavaco-Presidente percorre com o cajado do sub-desenvolvimento e da exclusão, acompanhado pela Primeira-Dama a distribuir rosas em forma de sorrisos pelos pobrezinhos, é o que sobra de um tempo inútil em que não se planeou o futuro mas a ganância e a possidoneira do novo-riquismo. Um tempo que gerou apaniguados políticos, boys, uma casta de saloios encartados que desceram da província à procura de um lugar ao Sol na política ou nos negócios laterais a ela.
O cavaquismo que pagou caro a destruição das pescas, da agricultura, o país que esqueceu a escola pública e abriu universidades privadas como quem abria supermercados, o país dos funcionários públicos promovidos em automático, o país do professor de economia despesista e benfeitor de clientelas políticas. Cavaco visita hoje o que resta da sua política imediatista, sem visão, sem estratégia política. Passa pelos destroços do Cavaquistão e esquece-se que são as suas ruínas que pisa.
Ao ver Cavaco na TV a lamentar-se do elevado número de desempregados, a retratar um país na fossa e a seguir pedir coragem aos inadiáveis defuntos, só não percebo porque estando ele na política activa desde 1985 o país afinal não melhorou: escorregou para o abismo mais ou menos próximo.
Num dia diz que Portugal é inviável, no outro pede coragem, à saída de mais uma inauguração apela à união de facto entre o partido que o apoia para se recandidatar e o partido cujo dirigente detesta de forma visceral. Cavaco ensaia a técnica do duche frio-duche quente numa massagem tailandesa para relaxar uma base social de apoio flutuante, ainda ferida pela aprovação dos casamentos gay e do IRS com efeitos retroactivos.
Ao afirmar que o tempo dos governos de iniciativa presidencial já foi e que agora têm de ser os "agentes políticos" a fazê-lo, não parece que seja uma frase muito simpática para o governo. Parece dizer: isto não está a dar, temos de mudar a coisa. Uma frase que não une, desperta o rastilho das eleições e parece apoiar o arauto do neo-liberalismo, do coveiro do Serviço Nacional de Saúde, da liberdade de imprensa, do Estado Social. No fundo é com esses que Cavaco quer renovar a licença de habitação em Belém: a velha e caprichosa ideia da direita: um Presidente, uma maioria.
O cavaquismo que pagou caro a destruição das pescas, da agricultura, o país que esqueceu a escola pública e abriu universidades privadas como quem abria supermercados, o país dos funcionários públicos promovidos em automático, o país do professor de economia despesista e benfeitor de clientelas políticas. Cavaco visita hoje o que resta da sua política imediatista, sem visão, sem estratégia política. Passa pelos destroços do Cavaquistão e esquece-se que são as suas ruínas que pisa.
Ao ver Cavaco na TV a lamentar-se do elevado número de desempregados, a retratar um país na fossa e a seguir pedir coragem aos inadiáveis defuntos, só não percebo porque estando ele na política activa desde 1985 o país afinal não melhorou: escorregou para o abismo mais ou menos próximo.
Num dia diz que Portugal é inviável, no outro pede coragem, à saída de mais uma inauguração apela à união de facto entre o partido que o apoia para se recandidatar e o partido cujo dirigente detesta de forma visceral. Cavaco ensaia a técnica do duche frio-duche quente numa massagem tailandesa para relaxar uma base social de apoio flutuante, ainda ferida pela aprovação dos casamentos gay e do IRS com efeitos retroactivos.
Ao afirmar que o tempo dos governos de iniciativa presidencial já foi e que agora têm de ser os "agentes políticos" a fazê-lo, não parece que seja uma frase muito simpática para o governo. Parece dizer: isto não está a dar, temos de mudar a coisa. Uma frase que não une, desperta o rastilho das eleições e parece apoiar o arauto do neo-liberalismo, do coveiro do Serviço Nacional de Saúde, da liberdade de imprensa, do Estado Social. No fundo é com esses que Cavaco quer renovar a licença de habitação em Belém: a velha e caprichosa ideia da direita: um Presidente, uma maioria.
A reforma acachimbada de Ernâni Lopes
Há muitos anos atrás, quando o governo era soarista e centrão, eu e a Rosário Hespanha, minha colega redactora no Tal&Qual, o então ministro das finanças Ernâni Lopes de roupão, à porta da sua modesta casa de S.Martinho do Porto. Ele acabara de decretar uma série de leis irritantes e mesquinhas. Tínhamos de por um selo fiscal no passaporte para sairmos do país, tudo era fortemente penalizado em impostos. Claro que a malta dava a volta às medidas draconianas do ministro do cachimbo. Moeda para viajar era trocada na candonga à porta de um banco, o JB era comprado por mil escudos no mercado paralelo e outros expedientes foram postos em prática!
Soares vinha à RTP a preto e branco anunciar novas medidas de austeridade e definir o chamado cabaz de compras, uma lista de produtos essenciais para a sobrevivência do português desgraçado.
Ernâni Lopes ficou com o gosto do aperta o cinto e mesmo passados muitos, muitos anos, ele adora falar ao Expresso, ao Mário Crespo, ou em mesas quadradas do PSD para voltar com a sua política masoquista económica. Faltam os acessórios da tiazinha para termos uma política sado-masoque.
Este fim-de-semana, Ernâni voltou a apelar para que os ordenados dos políticos desçam 20 por cento e que a féria dos funcionários públicos baixe outros vinte. Tudo em nome da poupança. E até deu o exemplo da miserável Irlanda que está numa situação de recessão brutal por causa do aperta o cinto.
O que Ernâni Lopes se esquece de dizer é que há outras medidas que podiam ser tomadas e não o são. Como por exemplo a taxação extra a empresas que ganham centenas de milhões, não criam postos de trabalho e até aproveitam os lucros brutais para "investirem" no despedimento de trabalhadores. O que Ernâni Lopes não diz é que o governo acaba de reformar a frota automóvel e que os ministros exibem os novos BMW da série 5, com matrícula de há 1 mês.
O homem do cachimbo pode continuar a atacar os mesmos de sempre mas não será o fumo da cachimbada que tapará os gastos de patos-bravos-novos-ricos que são esta classe política medíocre e gastadora.
P.S: tinha-me esquecido que este salvador da Pátria gastadora, recebe do Banco de Portugal desde os 47 anos, uma reforma das chamadas chorudas. Ora, se o homem é assim tão recto e austero, porque não entrega a reforma aos pobres?
Soares vinha à RTP a preto e branco anunciar novas medidas de austeridade e definir o chamado cabaz de compras, uma lista de produtos essenciais para a sobrevivência do português desgraçado.
Ernâni Lopes ficou com o gosto do aperta o cinto e mesmo passados muitos, muitos anos, ele adora falar ao Expresso, ao Mário Crespo, ou em mesas quadradas do PSD para voltar com a sua política masoquista económica. Faltam os acessórios da tiazinha para termos uma política sado-masoque.
Este fim-de-semana, Ernâni voltou a apelar para que os ordenados dos políticos desçam 20 por cento e que a féria dos funcionários públicos baixe outros vinte. Tudo em nome da poupança. E até deu o exemplo da miserável Irlanda que está numa situação de recessão brutal por causa do aperta o cinto.
O que Ernâni Lopes se esquece de dizer é que há outras medidas que podiam ser tomadas e não o são. Como por exemplo a taxação extra a empresas que ganham centenas de milhões, não criam postos de trabalho e até aproveitam os lucros brutais para "investirem" no despedimento de trabalhadores. O que Ernâni Lopes não diz é que o governo acaba de reformar a frota automóvel e que os ministros exibem os novos BMW da série 5, com matrícula de há 1 mês.
O homem do cachimbo pode continuar a atacar os mesmos de sempre mas não será o fumo da cachimbada que tapará os gastos de patos-bravos-novos-ricos que são esta classe política medíocre e gastadora.
P.S: tinha-me esquecido que este salvador da Pátria gastadora, recebe do Banco de Portugal desde os 47 anos, uma reforma das chamadas chorudas. Ora, se o homem é assim tão recto e austero, porque não entrega a reforma aos pobres?
terça-feira, julho 06, 2010
Uma Europa velha à procura de reforma
A Europa discute hoje, e por muito tempo, o que vai fazer com o actual sistema de segurança social, uma das maravilhosas facetas da nossa sociedade democrática. Na verdade o sistema está condenado, não só porque os cidadãos passaram a viver mais tempo, mas sobretudo porque a sustentabilidade do sistema foi tida apenas na vertente dos descontos e de quantos o fazem e não numa perspectiva a longo prazo. Isto é: a Europa desprezou a natalidade, a família, pouco deu em troca às famílias que desejavam ter vários filhos.
É verdade que o controle da natalidade nos países ditos desenvolvidos trouxe este problema da natalidade, mas deviam ter sido os governos a promoverem o crescimento, o desenvolvimento, a produtividade de forma a podermos ter uma reforma digna e uma vida de trabalho dentro dos limites razoáveis da condição humana, que serão os 60-65 anos. Dependendo também do tipo de profissão, claro.
Preferimos a mão de obra externa, a penalização das famílias com filhos. Repare-se que hoje o "custo" para sustentar, educar e permitir o crescimento de uma criança até à idade da saída da casa dos pais, ultrapassa em muito o equivalente à compra de uma casa de 500 mil euros! Se é assim que se quer consolidar esta sociedade, esqueçam.
A Europa está decadente, num beco, sem rumo e sem futuro.
É verdade que o controle da natalidade nos países ditos desenvolvidos trouxe este problema da natalidade, mas deviam ter sido os governos a promoverem o crescimento, o desenvolvimento, a produtividade de forma a podermos ter uma reforma digna e uma vida de trabalho dentro dos limites razoáveis da condição humana, que serão os 60-65 anos. Dependendo também do tipo de profissão, claro.
Preferimos a mão de obra externa, a penalização das famílias com filhos. Repare-se que hoje o "custo" para sustentar, educar e permitir o crescimento de uma criança até à idade da saída da casa dos pais, ultrapassa em muito o equivalente à compra de uma casa de 500 mil euros! Se é assim que se quer consolidar esta sociedade, esqueçam.
A Europa está decadente, num beco, sem rumo e sem futuro.
segunda-feira, julho 05, 2010
Praia do Tamariz, chique já era. Chocante!
O que aconteceu ontem na Praia do Tamariz era de esperar. O policiamento nas praias da linha é nulo, embora as brigadas que mandam parar indiscriminadamente os automobilistas na rotunda de Carcavelos, estejam sempre em acção.
Nesta altura do ano as praias da linha estão cheias de crianças das escolas, de gente em férias. Não há policiamento, embora se saiba que aquela zona está cada vez mais perigosa, insegura.
De praias de encanto e charme dos anos 40 e 50, as praias da linha têm-se transformado em zonas de perigo, frequentadas por marginais, gente sem nada para fazer, imigrantes ilegais, bandos de desordeiros. A impunidade é total e a polícia incapaz de agir em casos de violações da lei e da ordem pública.
Hoje andar de comboio na linha é mais aventura do que atravessar o Harlém à meia-noite e estender a toalha ao Sol pode ser um risco.
A linha chique passou a linha choque. Eu moro na zona e o meu filho vai com os amigos da escola para uma dessas praias. Fico sempre bastante apreensivo. Não há segurança pura e simples. O anel de marginalidade e violência tem crescido à volta da zona e agora está instalado ao lado de quem lá mora. Pode ter-se um bando de brasileiros como vizinhos que acham que as regras da Selva Amazónica se aplicam à rua onde habitamos e onde decidimos investir o nosso dinheiro para podermos ter a família segura e tranquila. Eles ditam as regras, os hábitos e nós entretemo-nos a chamar a polícia que quando chega pouco pode fazer.
Muitos são ilegais, não têm emprego, vivem em anexos de casas sem licença para habitação. Admiro-me que não haja mais assaltos, brigas e tiroteio. O caldeirão cultural da zona é explosivo. Claro que vão chamar-e de reacionário, Mas experimentem por os vossos filhos nas escolas oficiais da zona, com ciganos à porta com os rádios dos Audis (sim dos Audis!) aos berros, sem fazerem nada, a viverem à custa dos nossos impostos, ou atrevam-se a passear pela praia do Tamariz, ou tentem apagar as vuvuzelas ou os fogareiros a assarem maminha e vão ver o que vos acontece!
Como ninguém resolve nada, um dia haverá tragédia. Como ontem se pressentiu.
Nesta altura do ano as praias da linha estão cheias de crianças das escolas, de gente em férias. Não há policiamento, embora se saiba que aquela zona está cada vez mais perigosa, insegura.
De praias de encanto e charme dos anos 40 e 50, as praias da linha têm-se transformado em zonas de perigo, frequentadas por marginais, gente sem nada para fazer, imigrantes ilegais, bandos de desordeiros. A impunidade é total e a polícia incapaz de agir em casos de violações da lei e da ordem pública.
Hoje andar de comboio na linha é mais aventura do que atravessar o Harlém à meia-noite e estender a toalha ao Sol pode ser um risco.
A linha chique passou a linha choque. Eu moro na zona e o meu filho vai com os amigos da escola para uma dessas praias. Fico sempre bastante apreensivo. Não há segurança pura e simples. O anel de marginalidade e violência tem crescido à volta da zona e agora está instalado ao lado de quem lá mora. Pode ter-se um bando de brasileiros como vizinhos que acham que as regras da Selva Amazónica se aplicam à rua onde habitamos e onde decidimos investir o nosso dinheiro para podermos ter a família segura e tranquila. Eles ditam as regras, os hábitos e nós entretemo-nos a chamar a polícia que quando chega pouco pode fazer.
Muitos são ilegais, não têm emprego, vivem em anexos de casas sem licença para habitação. Admiro-me que não haja mais assaltos, brigas e tiroteio. O caldeirão cultural da zona é explosivo. Claro que vão chamar-e de reacionário, Mas experimentem por os vossos filhos nas escolas oficiais da zona, com ciganos à porta com os rádios dos Audis (sim dos Audis!) aos berros, sem fazerem nada, a viverem à custa dos nossos impostos, ou atrevam-se a passear pela praia do Tamariz, ou tentem apagar as vuvuzelas ou os fogareiros a assarem maminha e vão ver o que vos acontece!
Como ninguém resolve nada, um dia haverá tragédia. Como ontem se pressentiu.
sexta-feira, julho 02, 2010
Ana Jorge receita sopa e mata-velhos não pagam nas SCUTS!
Elegemos uns políticos nossos amigos.
Cavaco manda-nos de férias para a Santa Terrinha, Sócrates mete-nos a mão na cintura e a ferros abre-nos furos no cinto, a Santa Oposição ameaça que vai regressar ao Poder para liberalizar o desemprego, Portas ameaça levar-nos a bordo dos seus submarinos e deixar-nos lá em baixo, o ex-ministro da insegurança social diz que o desemprego é normal.
E agora a Ministra da Saúde manda-nos comer sopa para pouparmos em McDonalds. Só falta a seguir vir o obscuro ministro da íngricola receitar um copo de vinho a cada português.
Já não bastava pagarmos impostos sobre impostos, termos chipalhada a seguir-nos para todo o lado, não contentes com o facto de continuarmos a aturar a PT e o seu inútil monopólio, ainda recebemos lições de moral de uma ministra que, sendo uma excelente médica, quer agora ser uma nutricionista dos hábitos e das finanças.
O paternalismo arrogante com que o Estado, o Poder, os aperaltados eleitos tratam os seus eleitores é de uma desfaçatez total. Nem Salazar, nem os caetanistas, nem a tropa fandanga do 25, teve tanta lata e tanta pouca vergonha.
Entretanto o PS parece ter chegado a acordo com o PSD no que respeita à isenção de pagamento nas SCUTS: os mata-velhos não pagam.
Cavaco manda-nos de férias para a Santa Terrinha, Sócrates mete-nos a mão na cintura e a ferros abre-nos furos no cinto, a Santa Oposição ameaça que vai regressar ao Poder para liberalizar o desemprego, Portas ameaça levar-nos a bordo dos seus submarinos e deixar-nos lá em baixo, o ex-ministro da insegurança social diz que o desemprego é normal.
E agora a Ministra da Saúde manda-nos comer sopa para pouparmos em McDonalds. Só falta a seguir vir o obscuro ministro da íngricola receitar um copo de vinho a cada português.
Já não bastava pagarmos impostos sobre impostos, termos chipalhada a seguir-nos para todo o lado, não contentes com o facto de continuarmos a aturar a PT e o seu inútil monopólio, ainda recebemos lições de moral de uma ministra que, sendo uma excelente médica, quer agora ser uma nutricionista dos hábitos e das finanças.
O paternalismo arrogante com que o Estado, o Poder, os aperaltados eleitos tratam os seus eleitores é de uma desfaçatez total. Nem Salazar, nem os caetanistas, nem a tropa fandanga do 25, teve tanta lata e tanta pouca vergonha.
Entretanto o PS parece ter chegado a acordo com o PSD no que respeita à isenção de pagamento nas SCUTS: os mata-velhos não pagam.
quinta-feira, julho 01, 2010
Aumentos gerais deixam a TV louca.
Nos últimos dias desisti de ver televisão. O meu filho de 8 anos ajuda porque reivindica ver um canal idiota com putos-gordos-estúpidos americanos dobrados em tugês.
Aquela reivindicação do petiz em ter uma Golden Share sobre o plasma dá-me imenso jeito. Evito a pivot mais sexy da televisão portuguesa em plano de corpo inteiro (!), não tenho de aturar os esgares do orelhas e esqueço-me de vez do apresentador de notícias abrilhantado. Um descanso.
Se desligarmos a televisão temos o alívio de não termos de ouvir frases como, "crise à parte", "é a crise", "os portugueses apertam o cinto", o aleijadinho do 5º esquerdo virou assistente nas matines da outra, "a crise, os impostos, a justiça, o Dr. Marinho Pinto, Sócrates e seus companheiros, Cavaco e as lições de economês, a crise, o Senhor dos Passos, os processos...OFF! Um descanso.
Hoje as televisões devem ter rejubilado. E ainda ouvi de raspão entre a mudança do canal Panda para o inenarrável Nicklodeon (?) uma frase histérica de que tudo ia aumentar porque o IVA passou para 21%, um valor do qual nunca devia ter baixado, quando o melhor ministro das finanças, segundo uns espertos da TV, decidiu decretar o fim da crise e a remake do Milagre das Rosas em versão telenovela.
Hoje 1 de Julho, a TV empanturrou-se daquele tipo de noticias deprimentes que aumentam audiências e fazem os divãs dos psiquiatras portugueses mais frequentados que muitas marqueses relaxantes na hora de ponta.
A Televisão adora fazer sofrer, avisar o utente que está a ser saqueado e depois deste se sentir domado atira-lhe para cima com meia hora de publicidade para ele se inspirar no consumismo mais estúpido e demolidor para as parcas carteiras.
Alguém me dizia esta semana que não via notícias portuguesas para não se deprimir. E essa pode ser uma solução para sairmos deste síndroma da desgraça que caiu sobre Portugal, desde aquela triste noite em que um autocarro caiu ao rio com 60 a bordo. Nunca mais erguemos a cabeça. Não acham?
Aquela reivindicação do petiz em ter uma Golden Share sobre o plasma dá-me imenso jeito. Evito a pivot mais sexy da televisão portuguesa em plano de corpo inteiro (!), não tenho de aturar os esgares do orelhas e esqueço-me de vez do apresentador de notícias abrilhantado. Um descanso.
Se desligarmos a televisão temos o alívio de não termos de ouvir frases como, "crise à parte", "é a crise", "os portugueses apertam o cinto", o aleijadinho do 5º esquerdo virou assistente nas matines da outra, "a crise, os impostos, a justiça, o Dr. Marinho Pinto, Sócrates e seus companheiros, Cavaco e as lições de economês, a crise, o Senhor dos Passos, os processos...OFF! Um descanso.
Hoje as televisões devem ter rejubilado. E ainda ouvi de raspão entre a mudança do canal Panda para o inenarrável Nicklodeon (?) uma frase histérica de que tudo ia aumentar porque o IVA passou para 21%, um valor do qual nunca devia ter baixado, quando o melhor ministro das finanças, segundo uns espertos da TV, decidiu decretar o fim da crise e a remake do Milagre das Rosas em versão telenovela.
Hoje 1 de Julho, a TV empanturrou-se daquele tipo de noticias deprimentes que aumentam audiências e fazem os divãs dos psiquiatras portugueses mais frequentados que muitas marqueses relaxantes na hora de ponta.
A Televisão adora fazer sofrer, avisar o utente que está a ser saqueado e depois deste se sentir domado atira-lhe para cima com meia hora de publicidade para ele se inspirar no consumismo mais estúpido e demolidor para as parcas carteiras.
Alguém me dizia esta semana que não via notícias portuguesas para não se deprimir. E essa pode ser uma solução para sairmos deste síndroma da desgraça que caiu sobre Portugal, desde aquela triste noite em que um autocarro caiu ao rio com 60 a bordo. Nunca mais erguemos a cabeça. Não acham?
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