Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta angola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta angola. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, julho 19, 2010

O Cobrador do fraque bate à porta de Eduardo dos Santos

foto de Miguel Lopes, LUSA, embora tirada da net onde vinha como do DN. Justiça seja feita.

Sócrates e Soares têm o seu ditadorzeco de estimação, o Bokassa da América Latina, o Comandante Chavez. Sócrates queria vender uns trastes de umas máquinas de jogos chamadas Magalhães, queria exportar cimento e tijolo, e desejava que a comunidade portuguesa não fosse espoliada pelo fervoroso socialista Chavez. Soares tem uma visão da real-política na terceira idade avançada e quando se tem uma fundação para sustentar a ideologia pode ser metida na gaveta para fazer companhia ao socialismo que nunca descongelou de lá.

Agora é a vez de Cavaco Silva ir homenagear o seu Chavez, o Presidente Eduardo dos Santos, esse baluarte da democracia africana, esse fazedor de paz, esse líder-irmão cujos serviços consulares gostam de humilhar alguns portugueses, sobretudo se forem jornalistas, e não lhes darem o visto para visitarem o país mais injusto do Mundo. Cavaco gosta de Eduardo dos Santos, e este vai dizendo que gosta do ex-colonialista, mas sem dar nunca grandes confias, enquanto os calotes caem.

No país dos milhões, dos chineses empreendedores, dos negócios sem rosto, no país onde coabitam pacificamente nas ruas de Luanda uma classe nova-rica com os desgraçados mais desprezados da Humanidade, no país onde se compram com benesses os favores da oposição, onde todos se calam e consentem a injustiça de um crescimento grande mas com um desenvolvimento raquítico, nesse país da chuva do ouro negro, há empresários portugueses sem receberem fornecimentos, há empresas paralisadas, há meses. Uma vergonha.

Vai agora o Presidente de Portugal negociar os calotes dos angolanos. E vai como se fosse um cobrador do fraque em versão de Estado, tendo de ouvir da boca do devedor, à frente de todos, que os pagamentos vão ser faseados e pagos aos bochechos. Com calma maninho!

Claro que Angola tem sido um bom mercado para muitos portugueses e que é um mercado de que nós precisamos. Mas este colonialismo ao contrário é historicamente aberrante e deixa Portugal como uma sopeira a quem o patrão decidiu não pagar a féria que devia. De mão a abanar. Os angolanos adoram usar a arrogância e nós pactuamos com esta permanente injúria. Porque temos complexos colonialistas, má consciência e andamos à procura de uns dólares de origem duvidosa.

Claro que a dívida que Portugal tinha para com Angola já foi paga e se não me engano até fizemos há pouco tempo um empréstimo aos tipos. Ou estou maluco?

segunda-feira, março 09, 2009

José Eduardo dos Santos está a chegar

José Eduardo dos Santos está quase a aterrar em Portugal. A visita oficial vai ser curta e de certeza muito controlada, de forma a não deixar os jornalistas aproximarem-se do Presidente angolano.
Angola é agora dos países com mais desenvolvimento no Mundo, embora a queda do preço do petróleo se tenha vindo a reflectir na economia. Mas nada que assuste o crescimento.
A antiga colónia transformou-se na Terra Prometida para muitos portugueses, embora as dificuldades burocráticas e o regime democrático ainda seja frágil e confuso. A economia tem comandado a política e o resultado aí está: Angola aos poucos está reconstruída, com comunicações, escolas, hospitais. O que mais aflige ainda muitos portugueses é a falta de um modelo ocidental de democracia e a inevitável liberdade de imprensa. Os angolanos que finalmente encontraram a paz acham,e bem, que tal não tem preço e agora querem é riqueza, seja como for. Há dois anos uma influente advogada de Luanda, decana do MPLA, dizia-me que o importante era haver dinheiro a circular e que um pouco de corrupção até permitia criar riqueza e distribui-la. Desde que o dinheiro não saísse do país.
Os angolanos têm um sentido pragmático e deram passos de gigante em desenvolvimento. Com injustiças sociais, embora os pobres acabem por beneficiar da riqueza criada.
Nós olhamos muitas vezes para o lado mais ideológico, como a liberdade ou não de imprensa.
É verdade: devíamos olhar para o nosso quintal e perguntar se é liberdade de imprensa despedir sem critério, nem rigor económico, cento e vinte jornalistas numa empresa que andou a contratar semanas antes. Isto não é Angola, mas por vezes era preferível. Pelo menos as regras estavam mais claras, ou mais imprevisíveis, o que permitia criar anti-corpos.