Num dos locais do Parque da Serra de Sintra um catrapázio, hoje visto por mim, proíbe uma série de coisas, uma delas a fotografia comercial. Noutro ponto proíbe-se o turismo em carros assinalados. Não vi proibir fazer piqueniques ou acampar o dia todo em grupos. Noutro ponto proíbe-se apanhar lenha ou pedras.
Mas o que me mete impressão é o estado em que está a Serra de Sintra. Mato por cortar, árvores ameaçando desabar por quem circula na estreita estrada, o abandono total. Um parque sem segurança visível e sem uma cultura imposta de preservação. Uma pérola ao total abandono, dependente do destino e da boa vontade de um criminoso que por ali passe de isqueiro na mão.
O Convento de Santo António está ao abandono, a estrada até lá esburacada, o acesso a pé penoso. Ali criava-se um hotel fabuloso, uma esplanada deslumbrante, um ponto capaz de facturar milhares de euros por ano com uma combinação simples entre a gerência do Parque (Existe?) e um grupo de operadoras de turismo e hóteis da zona. A Câmara de Sintra e a de Cascais podiam entrar numa iniciativa destas. Mas não. Preferem fazer rotundas absurdas como aquelas que um inteligente de um engenheiro da Câmara de Cascais espalha pela região.
Este comezinho exemplo é um dos muitos que demonstram como somos um país com um potencial extraordinário para o turismo (interno e de fora) e que deixamos desabar tudo por inércia, preguiça e falta de empenho. Os americanos fizeram muito mais no Big Sur, que sendo lindo está uns pontos abaixo de toda esta zona entre Cascais e Sintra.
Somos umas bestas. E essa condição não tem a ver com a crise nem com o engenhocas. Tem a ver com a nossa mediocridade entranhada na pele. No ser e no fazer.