Percebi, penso que bem, porque ficou tão irritado Cavaco Silva com a notícia dada pelo Expresso no último sábado sobre o facto de ele ter comprado e vendido acções da Sociedade Lusa de Negócios (e não do BPN, não é a mesma coisa) antes de ser PR, estando fora portanto da actividade política.
Cavaco Silva, ou a Presidência, nunca responderam directamente. Isto é:
uma coisa é comprar acções de uma empresa como qualquer um de nós o pode fazer através do seu gestor de conta. Outra é comprar acções, como eram as da SLN, que só se podiam realizar através de convite. Ora, isto também não tem nada de ilegal, só que do ponto de vista político isso tem uma importância enorme.
Se nos lembramos que Oliveira e Costa e Dias Loureiro eram amigos de Cavaco, e que estiveram no governo de Cavaco Silva, e que Dias Loureiro foi o que foi até há poucos dias, essa participação accionista acaba por ser penalizadora politicamente.
Como sabemos, nem tudo o que é legal é ético. E nem tudo o que o que um cidadão pode praticar se aplica à prática de um político. Em política o que parece é.
O que o Presidente devia ter dito, quando em Novembro fez aquele esclarecimento, é que tinha também tido acções da SLN, o que é diferente de ter acções de outras empresas cotadas e abertas em bolsa. É um pormenor, dirão, mas é uma omissão politicamente penalizadora para o Presidente.
O mais que podemos desejar todos é que ao menos na cúpula do Estado possamos estar tranquilos, sem enredos nem confusões.
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quarta-feira, junho 03, 2009
terça-feira, junho 02, 2009
Porque dançam Edite Estrela e Correia de Campos?
Porque dança tão alegre na rua o ex- ministro da saúde Correia de Campos, dando o braço a Edite Estrela ? Porque pôs o país em polvorosa fechando centros de saúde regionais, abandonando velhos e desamparados e agora vê um lugarzinho ao Sol, na prateleira dourada do Parlamento Europeu ? Porque baila Edite Estrela ? Porque perdeu Sintra com lágrimas e teve essa recompensa de repetir mandatos na Europa ? Ou dançam porque o país está bestial ?
Que sentirão os desempregados recentes do país? Que sentirão os que estão a perder as poupanças de uma vida num banco que afinal era um casino ? Que sentirão os que escreveram cartas e petições a um Provedor da Justiça posto de lado, humilhado, e que nem o Presidente da República, garante do normal funcionamento das instituições, um escândalo que nem o PR consegue resolver?
A doutora Estrela baila com o camarada Campos, porque tristezas não pagam dividas, ou porque estão radiantes por partilharem o seu dia de campanha com o ressuscitado Paulo Pedroso, o mesmo que invadiu o Parlamento depois de ter saído da Penitenciária ? Os putativos deputados europeus socialistas têm razão para dançar e esquecerem a compostura em tempos difíceis, para os outros claro, aqueles totós que os vão por a ganhar uma barbaridade por mês, com mordomias e uma reforma dourada?
O par gaiteiro socialista dança porque hoje se ficou a saber que o desemprego atingiu um valor superior ao da média europeia ou dança porque está no papo o lugarzinho ?
A falta de respeito para com o país aí está: um retrato perfeito de uma casta política nova-rica, uma elite que se marimba no povo, no país, nas dificuldades. A pimbalheira desta gente, arrogante (veja-se a resposta da ministra da educação, hoje a Ana Drago) a mediocridade instalada, a falta de ideias , de cultura, de referências. As barbies da política com os velhadas teimosos que nos desgovernam.
A tragédia é esta: com votos brancos ou com abstenção, nenhum de nós pode com o seu votinho tirar aquela gente, esta gente, do destino que os espera: a política como o melhor emprego do Mundo. Por isso eles dançam, e não caem.
Que sentirão os desempregados recentes do país? Que sentirão os que estão a perder as poupanças de uma vida num banco que afinal era um casino ? Que sentirão os que escreveram cartas e petições a um Provedor da Justiça posto de lado, humilhado, e que nem o Presidente da República, garante do normal funcionamento das instituições, um escândalo que nem o PR consegue resolver?
A doutora Estrela baila com o camarada Campos, porque tristezas não pagam dividas, ou porque estão radiantes por partilharem o seu dia de campanha com o ressuscitado Paulo Pedroso, o mesmo que invadiu o Parlamento depois de ter saído da Penitenciária ? Os putativos deputados europeus socialistas têm razão para dançar e esquecerem a compostura em tempos difíceis, para os outros claro, aqueles totós que os vão por a ganhar uma barbaridade por mês, com mordomias e uma reforma dourada?
O par gaiteiro socialista dança porque hoje se ficou a saber que o desemprego atingiu um valor superior ao da média europeia ou dança porque está no papo o lugarzinho ?
A falta de respeito para com o país aí está: um retrato perfeito de uma casta política nova-rica, uma elite que se marimba no povo, no país, nas dificuldades. A pimbalheira desta gente, arrogante (veja-se a resposta da ministra da educação, hoje a Ana Drago) a mediocridade instalada, a falta de ideias , de cultura, de referências. As barbies da política com os velhadas teimosos que nos desgovernam.
A tragédia é esta: com votos brancos ou com abstenção, nenhum de nós pode com o seu votinho tirar aquela gente, esta gente, do destino que os espera: a política como o melhor emprego do Mundo. Por isso eles dançam, e não caem.
A coragem de Marinho Pinto
O debate no Prós-e-contras entre Marinho Pinto e os advogados mostrou isto: há um poder instalado que não quer abdicar de mordomias, estilo arcaico e dinheiro. Os advogados estabelecidos na manjedoura querem continuar a exercer a profissão como um ofício superior, bem pago e com funções que ultrapassam largamente a profissão: políticos, gestores de negócios, defensores de casos chorudos.
Todos sabemos que se precisarmos de uma mera opinião de um advogado vamos resistir a consultá-lo até à última. Sabemos que nos vai sair muito caro e que raramente teremos retorno do dinheiro gasto. Se a justiça é para os ricos, a mera consulta de um profissional é pelo menos para quem ganha bem. Ora o que se passa na Ordem dos advogados, é que há os advogados ricos e os advogados pobres. Como acontece com os palhaços nos circos. Os ricos são os senhores instalados que controlam os órgãos da Ordem. Cobram ensino, recebem subsídios, normalizam o exercício e o acesso dos pobres e jovens à profissão. E são esses que conseguiram um batalhão de advogados inúteis, cuja única utilidade foi a de terem pago a sua inútil formação à Ordem, ou melhor às sucursais da Ordem.
O debate foi esclarecedor. Estamos perante uma classe representada por cínicos, retóricos, mesquinhos e que se auto-denunciam na sua mediocridade e na sua arrogância. Rogério Alves é o exemplar típico da classe dominante: bem falante, verborreico, com a agravante lastimável que acha que tem piada, numa espécie de José Miguel Júdice dos pobres. Poupem-nos !!!
Deus nos livre de precisarmos algum dia daquela gente. Por acaso vi na plateia uma advogada que me cobrou 800 euros para chegar à conclusão que o tipo que eu queria por em tribunal por me ter pregado um calote tinha mudado de morada. E fui eu que encontrei em 5 minutos na lista telefónica o que ela não encontrara em 4 meses. Claro que desisti da queixa e da advogada. Mas lá estava ela por sinal do lado dos que acham Marinho Pinto um mau bastonário.
Também devo dizer que foi Marinho Pinto, meu ex-colega no Expresso, que ao saber por acaso que eu tinha sido apedrejado por um vizinho, que se ofereceu para me defender em tribunal gratuitamente, tendo vindo 3 ou 4 vezes de propósito de Coimbra a Cascais, e que nem sequer me deixou pagar as despesas da viagem. Percebo pois muito bem que ele tenha saído em defesa daquela mãe que perdeu o filho no Algarve e que o tenha feito de borla, o que muito preocupou aquele Cabrita de Faro que o acusava hoje de acumular o cargo com a advocacia. Grande lata! Grande descaramento!
Marinho Pinto não é o bastonário do "status quo",e em Portugal ninguém perdoa aos que avançam a têm a coragem de por em causa as regras, os costumes, os interesses. É na Ordem dos Advogados mas podia ser numa qualquer repartiçãozeca ou num microcosmo de uma empresa de vão de escada. Marinho Pinto não pode ser demitido, mas vão fazer tudo para o liquidar pelo lado do desgaste, uma velha e eficaz táctica. Talvez Deus não durma e a justiça resista.os cães ladram, a caravana passa.
Todos sabemos que se precisarmos de uma mera opinião de um advogado vamos resistir a consultá-lo até à última. Sabemos que nos vai sair muito caro e que raramente teremos retorno do dinheiro gasto. Se a justiça é para os ricos, a mera consulta de um profissional é pelo menos para quem ganha bem. Ora o que se passa na Ordem dos advogados, é que há os advogados ricos e os advogados pobres. Como acontece com os palhaços nos circos. Os ricos são os senhores instalados que controlam os órgãos da Ordem. Cobram ensino, recebem subsídios, normalizam o exercício e o acesso dos pobres e jovens à profissão. E são esses que conseguiram um batalhão de advogados inúteis, cuja única utilidade foi a de terem pago a sua inútil formação à Ordem, ou melhor às sucursais da Ordem.
O debate foi esclarecedor. Estamos perante uma classe representada por cínicos, retóricos, mesquinhos e que se auto-denunciam na sua mediocridade e na sua arrogância. Rogério Alves é o exemplar típico da classe dominante: bem falante, verborreico, com a agravante lastimável que acha que tem piada, numa espécie de José Miguel Júdice dos pobres. Poupem-nos !!!
Deus nos livre de precisarmos algum dia daquela gente. Por acaso vi na plateia uma advogada que me cobrou 800 euros para chegar à conclusão que o tipo que eu queria por em tribunal por me ter pregado um calote tinha mudado de morada. E fui eu que encontrei em 5 minutos na lista telefónica o que ela não encontrara em 4 meses. Claro que desisti da queixa e da advogada. Mas lá estava ela por sinal do lado dos que acham Marinho Pinto um mau bastonário.
Também devo dizer que foi Marinho Pinto, meu ex-colega no Expresso, que ao saber por acaso que eu tinha sido apedrejado por um vizinho, que se ofereceu para me defender em tribunal gratuitamente, tendo vindo 3 ou 4 vezes de propósito de Coimbra a Cascais, e que nem sequer me deixou pagar as despesas da viagem. Percebo pois muito bem que ele tenha saído em defesa daquela mãe que perdeu o filho no Algarve e que o tenha feito de borla, o que muito preocupou aquele Cabrita de Faro que o acusava hoje de acumular o cargo com a advocacia. Grande lata! Grande descaramento!
Marinho Pinto não é o bastonário do "status quo",e em Portugal ninguém perdoa aos que avançam a têm a coragem de por em causa as regras, os costumes, os interesses. É na Ordem dos Advogados mas podia ser numa qualquer repartiçãozeca ou num microcosmo de uma empresa de vão de escada. Marinho Pinto não pode ser demitido, mas vão fazer tudo para o liquidar pelo lado do desgaste, uma velha e eficaz táctica. Talvez Deus não durma e a justiça resista.os cães ladram, a caravana passa.
domingo, maio 31, 2009
Katy Perry sem "complex" por Gavin Bond
Playboy malha com Ana Malhoa

Parece que a ERC já multou a Playboy. A razão, bastante razoável desta vez, terá sido o facto da revista não ter um director habilitado. Convenhamos que para editar a Ana Malhoa não é preciso grande director, e até podiam ter ido buscar um dos directores-estagiários que por aí andam, também sem carteira profissional. As fotos da Ana Malhoa aí estão para fazerem subir as audiências e as vendas nas bancas.
Ana Malhoa vende que nem pãozinhos quentes, as fotos são assim um bocado para o pimba, e não são grande novidade uma vez que fotos da cantora em poses de calendário de camionista, abundam e bundam na net.
Mas o papel meus caros é outra coisa: passa-se a mão, sente-se o cheiro, esconde-se debaixo da almofada, ou dá para ver nos semáforos enquanto o vermelho permite. O papel principal...
sábado, maio 30, 2009
sexta-feira, maio 29, 2009
ERC puxa orelhas, Moura Guedes mais macia
O puxão de orelhas da ERC a Manuela Moura Guedes e ao Jornal de Sexta é um acto digno do 24 de Abril ou se quiserem ser mais "democratas" um acto digno do Conselho da Revolução na sua fase otelista. Falta só a Dra. Estrela Serrano, um dos elementos da ERC, vir ameaçar meter no Campo Pequeno os jornalistas desordeiros que ousem atentar contra o Poder ou que não se conformem com um cinzentismo regulado por normas e regras de contraditórios ou de uma forma à moda antiga de entrevistar.
Manuela Moura Guedes pode por vezes exagerar no estilo, personalizar demasiado a sua actuação, ou comover-se demasiado com os factos. Podemos pensar o que quisermos, no limite podemos mudar de canal: aquilo é pago pelos consumidores, não é pago pelos contribuintes.
Guedes até pode ter levado o seu telejornal a um beco sem saída, ao ter insistido até ao cansaço no "rebimba o malho" (!) mas não há dúvidas que há ali jornalismo de investigação, há serviço ao espectador e há trabalho de edição de factos. O resto é conversa e muita inveja por haver ali tratamento jornalístico que surpreende. Faz-me lembrar quando estive no Tal & Qual entre 82 e 85. Tínhamos todas as semanas manchetes excelentes, notícias únicas, vendíamos 130 mil exemplares, mas a concorrência sorumbática dizia sempre que éramos sensacionalistas. Mas não levantavam o cú da cadeira para fazerem reportagem.
O que o jornal da TVI faz é um programa para betinhos, comparado com o que fazem os tablóides ingleses e a maioria das televisões de referência. Nós estamos habituados ao servilismo, ao jornalismo de reserva, ao medo. Estremecemos com a polémica, com o diferente e tememos jornalistas com opinião. Já tentaram fazer o mesmo a Mário Crespo (a pressão de Câncio nas suas crónicas do DN) e acabou com ele a moderar os ímpetos. Está mais macio e Manuela Moura Guedes estava hoje muito mais contida, mais prudente, menos enfática. Não há profissional de imprensa por muito corajoso que seja, que não se fragilize perante ameaças à extinção do seu trabalho ou a consequências gravosas para a estação onde trabalha.
A ERC tem o poder de renovar concessões de canais e isso tem um poder sobrenatural. Aquela comissão é no fundo o correspondente aos coronéis do lápis azul. Esses riscavam, censuravam, mandavam os pides pela madrugada a casas dos desobedientes, os de agora ameaçam com multas, pressionam, amedrontam de outra maneira. Mais subtil, mas muito mais eficaz!...
Durante dez anos Estrela Serrano foi assessora de imprensa de Mário Soares. Viajei muitas vezes com ela e conheço-a. Tirando um episódio divertido em que ela insistia que eu já usara brinco e que teimava com um amigo meu que eu era "bicha"- mostrando portanto uma fraca, muito fraca mesmo capacidade de avaliação dos factos!- sempre a vi como uma pessoa simpática e por vezes bastante eficaz, facilitando a vida aos jornalistas. Conseguiu, em 1997, que eu ficasse escondido atrás de uma planta, na sala onde decorria a Cimeira Latino- Americana, na Venezuela, para eu poder fotografar e estar perto de Fidel Castro. Não a imagino ainda a fazer de juíza, de censor, de rainha da TV (no caso) de forma a dividir o bom do mau, o ético, do abjecto. Nem considero que tenha uma prática e uma história como jornalista que a tenham transformado numa provedora das coisas do jornalismo. Mas a vida evolui e na verdade acabamos sempre por descobrir em alguns, dons e dotes que nunca imaginaríamos encontrar neles na porca da vida!
Esta pressão sobre a liberdade de expressão é sinistra. A existência de uma ERC ou de uma lei própria para o jornalismo é tão fascista como a existência dos tribunais plenários do regime salazarento. Em democracia há leis para todos. Não há leis especiais. Quem insultar, caluniar, ofender, mentir em público, deve ser acusado e julgado pelos tribunais. Não pelas Estrelas serranas desta vida.
Manuela Moura Guedes pode por vezes exagerar no estilo, personalizar demasiado a sua actuação, ou comover-se demasiado com os factos. Podemos pensar o que quisermos, no limite podemos mudar de canal: aquilo é pago pelos consumidores, não é pago pelos contribuintes.
Guedes até pode ter levado o seu telejornal a um beco sem saída, ao ter insistido até ao cansaço no "rebimba o malho" (!) mas não há dúvidas que há ali jornalismo de investigação, há serviço ao espectador e há trabalho de edição de factos. O resto é conversa e muita inveja por haver ali tratamento jornalístico que surpreende. Faz-me lembrar quando estive no Tal & Qual entre 82 e 85. Tínhamos todas as semanas manchetes excelentes, notícias únicas, vendíamos 130 mil exemplares, mas a concorrência sorumbática dizia sempre que éramos sensacionalistas. Mas não levantavam o cú da cadeira para fazerem reportagem.
O que o jornal da TVI faz é um programa para betinhos, comparado com o que fazem os tablóides ingleses e a maioria das televisões de referência. Nós estamos habituados ao servilismo, ao jornalismo de reserva, ao medo. Estremecemos com a polémica, com o diferente e tememos jornalistas com opinião. Já tentaram fazer o mesmo a Mário Crespo (a pressão de Câncio nas suas crónicas do DN) e acabou com ele a moderar os ímpetos. Está mais macio e Manuela Moura Guedes estava hoje muito mais contida, mais prudente, menos enfática. Não há profissional de imprensa por muito corajoso que seja, que não se fragilize perante ameaças à extinção do seu trabalho ou a consequências gravosas para a estação onde trabalha.
A ERC tem o poder de renovar concessões de canais e isso tem um poder sobrenatural. Aquela comissão é no fundo o correspondente aos coronéis do lápis azul. Esses riscavam, censuravam, mandavam os pides pela madrugada a casas dos desobedientes, os de agora ameaçam com multas, pressionam, amedrontam de outra maneira. Mais subtil, mas muito mais eficaz!...
Durante dez anos Estrela Serrano foi assessora de imprensa de Mário Soares. Viajei muitas vezes com ela e conheço-a. Tirando um episódio divertido em que ela insistia que eu já usara brinco e que teimava com um amigo meu que eu era "bicha"- mostrando portanto uma fraca, muito fraca mesmo capacidade de avaliação dos factos!- sempre a vi como uma pessoa simpática e por vezes bastante eficaz, facilitando a vida aos jornalistas. Conseguiu, em 1997, que eu ficasse escondido atrás de uma planta, na sala onde decorria a Cimeira Latino- Americana, na Venezuela, para eu poder fotografar e estar perto de Fidel Castro. Não a imagino ainda a fazer de juíza, de censor, de rainha da TV (no caso) de forma a dividir o bom do mau, o ético, do abjecto. Nem considero que tenha uma prática e uma história como jornalista que a tenham transformado numa provedora das coisas do jornalismo. Mas a vida evolui e na verdade acabamos sempre por descobrir em alguns, dons e dotes que nunca imaginaríamos encontrar neles na porca da vida!
Esta pressão sobre a liberdade de expressão é sinistra. A existência de uma ERC ou de uma lei própria para o jornalismo é tão fascista como a existência dos tribunais plenários do regime salazarento. Em democracia há leis para todos. Não há leis especiais. Quem insultar, caluniar, ofender, mentir em público, deve ser acusado e julgado pelos tribunais. Não pelas Estrelas serranas desta vida.
Os coveiros da cidade de Lisboa
Há uma impunidade silenciada na Câmara de Lisboa. Pelos vistos anda tudo a dormir, já ninguém reage às tonterias de Manuel Salgado. Vejamos: a poucos meses das eleições, e sem que Lisboa revele nas ruas a mais pequena intervenção da presidência de António Costa (tirando talvez o desastrado arranjo do Jardim de S.Pedro de Alcântara, ou as corridas da Fórmula 1 da Renault, ou o stand de carros da Skoda na Praça das Flores) há projectos concretos para intervirem na estrutura arquitectónica da cidade e no seu planeamento, muito polémicos e desastrados, mas que todos fingem não saber.
Sem concurso público há arquitectos a fazerem projectos, a tornarem-se senhores de soluções para Lisboa, que em vez de a reabilitarem lhe vão dar o golpe de misericórdia.
Vejamos: não conheço cidade no Mundo civilizado mais decadente do que Lisboa. Os bairros antigos ( todo o núcleo histórico) estão em ruína, como se já tivesse acontecido o sismo. Os proprietários abandonaram prédios históricos, há casas em ruínas há décadas, proliferam os bandos de traficantes de droga, não há segurança, nem sossego, nem vida urbana, nem negócio. Mesmo com uns prédios aqui e ali a anunciarem que o projecto foi aprovado pela Câmara mas que falta pela Assembleia (porquê? Para reabilitar um imóvel é preciso ser votado pelos políticos?) a verdade é que o estado a que chegou Lisboa nem daqui a 30 anos vai estar recuperada.
O comércio tradicional acabou, sobrevivem umas lojecas de proprietários velhotes, o novo comércio só sobrevive o de lojas muito especiais no Bairro Alto ou o comércio de indianos. Aliás a cidade antiga foi ocupada por todo o tipo de raças e nacionalidades, por acaso só não é utilizada por portugueses, o que dava algum interesse, já agora, para sentirmos que há também lisboetas portugueses em Lisboa.
Trezentos mil tipos espertos deixaram Lisboa nos últimos 10 anos ( eu incluo-me nesse número). Estava farto de bares a chatearem-me, de não ter estacionamento, de IMI caro, de falta de segurança, de caixotes do lixo abandonados, de drogados a dormirem à porta, de carros abandonados na rua, estava farto. E ainda João Soares não tinha inventado essa empresa exemplar, amiga dos utilizadores, a EMEL! Por muito menos custo vivo no Estoril. Quero dizer: Lisboa não tem qualidade de vida, é cara, perigosa, porca, esburacada, demasiado acultural, não há pachorra. As empresas piraram-se de Lisboa: os funcionários não têm onde estacionar, é caro almoçar, é caro o metro quadrado, não há nada a favor. E há falta de segurança. Uns amigos meus abriram uma empresa em Lisboa há meses, já estão fartos. Ontem houve tiros na rua, hoje a polícia cortou o estacionamento, depois das 20 é uma aventura sair do escritório, para se chegar ao carro tem de se dialogar com um sem fim de desgraçados a pedirem moedas para a droga. Ontem um comerciante na Rua do Norte, jovem, dizia-me que estar ali era uma permanente aventura: perigo, aluguer caro, segurança paga pelos comerciantes, apoio da Câmara: ZERO.
Perante este cenário, e nunca mais acabaria o enumerar de chatices lisboetas, em que está preocupado António Costa ? Em tirar os carros da cidade, meter escadas no Terreiro do Paço, aumentar os custos de estacionamento ( já no limite do proibitivo). Esta é a preocupação dele. Não é recuperar as casas devolutas, facilitar a vida em Lisboa, atrair gente, encontrar soluções simples e eficazes para pôr a cidade a palpitar. Não. Costa quer sangue. Quer impor aos cidadãos normas de conduta, comportamentos, hábitos. Costa quer Lisboa uma cidade museu. Sem comércio, nem empresas, nem habitação para todas as classes. Pior: a oposição vai atrás e diz que gostava de fazer o mesmo. Até essa anedota política que é Carmona Rodrigues veio dizer que ele também queria o mesmo. Aliás foi ele que perseguiu os motociclistas em Lisboa, quando mandou reboques da Câmara remover motas em cima do passeio, sem que estivessem a incomodar, uma norma aceite em Paris, Madrid e Barcelona.
Esta política demagógica vai desertificar ainda mais Lisboa. Imagine-se que os Centros Comerciais adoptavam este tipo de medidas, alguém lá ia ? António Costa e esta equipa que quer aplicar na vida real o que andou a aprender na Faculdade de Arquitectura (conheço alguns, foram meus professores e colegas) faz-me lembrar aqueles gurus do novo jornalismo: sabem imenso, na hora de concretizarem as suas ideias, os jornais diminuem de vendas, outros fecham. Mas a culpa é sempre da internet. Em Lisboa a culpa de ninguém querer viver nesse bidé, é dos automóveis. Deixem-nos viver Lisboa.Tomem juízo!
quarta-feira, maio 27, 2009
A Duracell de Dias Loureiro acabou
Empurrado Dias Loureiro deixou o lugar de Conselheiro de Estado. Cavaco suspira de alívio, a oposição rejubila, o PSD acalma e o PS...tem agora o seu "Loureiro": Lopes da Mota, de quem já ninguém fala, aliás.
Em Portugal os políticos agarram-se que nem lapas aos lugares e resistem, duram, duram, são os nossos duracel. A política atrai, vicia, dá lucro, protagonismo, afaga o ego.
Veremos as cenas dos próximos capítulos.
Em Portugal os políticos agarram-se que nem lapas aos lugares e resistem, duram, duram, são os nossos duracel. A política atrai, vicia, dá lucro, protagonismo, afaga o ego.
Veremos as cenas dos próximos capítulos.
Costa casca em Dias, confirma Marta
Quando saiu do carro celular cambaleou a subir as escadas do Parlamento, apoiou-se nos guardas e deu sinais de fragilidade física. Mas passadas oito horas a desabafar e a dizer o que lhe saiu espontâneo e com convicção, parecia fresco que nem uma alface. Ainda teve calma para responder aos jornalistas, embora o não pudesse fazer como preso, gracejou sobre as "belezas" ali presentes e não se mostrou vingativo. Ainda se intitulou de "velhote" a poder ajudar o país.
Oliveira e Costa é inteligente, tem talento e a experiência que tem da política e do Parlamento também o deve ter ajudado. Raposa velha, astuto, rápido, ágil e seguro. Embora muito atento.
Parece um tipo apagado, tímido. Mas quando se solta ganha humanidade e credibilidade. Claro que os milhões desaparecidos não se sabe para onde foram, mas percebe-se que há enredos que envolvem outros sócios e Dias Loureiro.
Perante o descrédito de Dias Loureiro, Cavaco fica sem saída: ou anuncia publicamente que lhe retira confiança ou o conselheiro de Estado abdica se quiser.
Isto vai aquecer e ofuscar as eleições.
A pequena Alexandra e a impunidade dos pais tiranos
As imagens vistas na SIC da pequena Alexandra, agora já a 300 kms de Moscovo, são verdadeiramente tristes, revoltantes. Dramáticas.
Mais um caso exemplar das instituições "exemplares" portuguesas, que decidem da vida de todos como querem e lhes apetece, sempre em nome da lei- das tais leis muitas vezes mal amanhadas. É a vitória da burocracia e da estupidez na sia forma mais brutal. O processo não pode ser mais kafkiano e agora que o Ministro da Segurança Social se diz perturbado com o caso, era tempo (demasiado tarde) para trazer de volta uma criança que sofre e que está a ser vítima de uma monstruosidade.
As imagens da Alexandra a ser sovada pela mão, na televisão russa, são infelizmente cenas a que assistimos todos os dias, muitas vezes ao nosso lado, em locais públicos, por pais que até têm uma superior responsabilidade social. Por cá a nossa cultura de responsabilizar e penalizar os pais tiranos ainda está no 24 de Abril.
Mais um caso exemplar das instituições "exemplares" portuguesas, que decidem da vida de todos como querem e lhes apetece, sempre em nome da lei- das tais leis muitas vezes mal amanhadas. É a vitória da burocracia e da estupidez na sia forma mais brutal. O processo não pode ser mais kafkiano e agora que o Ministro da Segurança Social se diz perturbado com o caso, era tempo (demasiado tarde) para trazer de volta uma criança que sofre e que está a ser vítima de uma monstruosidade.
As imagens da Alexandra a ser sovada pela mão, na televisão russa, são infelizmente cenas a que assistimos todos os dias, muitas vezes ao nosso lado, em locais públicos, por pais que até têm uma superior responsabilidade social. Por cá a nossa cultura de responsabilizar e penalizar os pais tiranos ainda está no 24 de Abril.
terça-feira, maio 26, 2009
Oliveira e Costa faz queixinhas aos sôtores
No país dos enredos, hoje há mais um: o episódio da novela BPN com Oliveira e Costa à frente de um grande elenco. O BPN e o BPP são os casos mais exemplares da vida política e económica desta década decadente do Portugal neo-liberal. Dois casos que levaram na enxurrada da ganância, a poupança de uns desgraçados que acreditaram naqueles gestores exemplares, e que pensaram poderem viver uma vida à custa do lucro rápido e fácil, sem risco com juros altos. Uma utopia capitalista, ainda mais lunar do que a socialista.
Hoje um dos cabecilhas desse projecto financeiro, um ex-cavaquista e um verdadeiro torcionário dos contribuintes, quando foi secretário de estado do tesouro(?), vai à AR por sua conta, boa-vontade e risco, com cartas na manga, para pressionar os seus ex-compagnons de casino a darem-lhe uma boquinha, senão ele vai contar aos sôtores.
A nossa sociedade passou a viver de chantagem, ameaças e escandaleiras.
Com gente desta ainda esperam que Portugal venha a ser um país decente.
Hoje um dos cabecilhas desse projecto financeiro, um ex-cavaquista e um verdadeiro torcionário dos contribuintes, quando foi secretário de estado do tesouro(?), vai à AR por sua conta, boa-vontade e risco, com cartas na manga, para pressionar os seus ex-compagnons de casino a darem-lhe uma boquinha, senão ele vai contar aos sôtores.
A nossa sociedade passou a viver de chantagem, ameaças e escandaleiras.
Com gente desta ainda esperam que Portugal venha a ser um país decente.
domingo, maio 24, 2009
Enfermeiro do S. João com mais sorte do que o porteiro de Faro
A administração do Hospital S. João do Porto teve saídas de leão e entradas de sendeiro no caso do enfermeiro que foi fazer queixinhas a Cavaco. A arrogância e a prepotência destes burocratas instalados, que acham que tudo o que os pode por em causa é sempre uma manobra de indisciplina e falta de lealdade, acaba em vil cobardia. Basta que Deus Nosso senhor, ou alguém por ele, espirre, mande um recado, dê a entender que é melhor deixar-se de processos disciplinares- que não são mais do que a versão simétrica dos queixinhas. Metem logo a viola na sacola!
Quem se lembra ainda do porteiro do Hospital de Faro que, quando Cavaco estava no limiar da sua governação, ia indo parar ao olho da rua- se é que não foi- porque se atreveu a pedir ao cidadão Cavaco Silva o BI para este poder entrar e ver o pai hospitalizado. Na altura, o primeiro-ministro, PR hoje, não parece que tenha mexido uma palha, ou que tenha desvalorizado a postura em bicos de pés de um funcionário que vira naquele acto os seus únicos segundos na vida para passar à posteridade.
Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades. Cavaco é hoje um político mais tolerante. Sabe perdoar, contar uma boa anedota, fazer um trocadilho e dar uma mão aos queixinhas e meter miaúfa aos chefinhos desta vida. Podemos dormir em paz. O papá toma conta de nós.
Quem se lembra ainda do porteiro do Hospital de Faro que, quando Cavaco estava no limiar da sua governação, ia indo parar ao olho da rua- se é que não foi- porque se atreveu a pedir ao cidadão Cavaco Silva o BI para este poder entrar e ver o pai hospitalizado. Na altura, o primeiro-ministro, PR hoje, não parece que tenha mexido uma palha, ou que tenha desvalorizado a postura em bicos de pés de um funcionário que vira naquele acto os seus únicos segundos na vida para passar à posteridade.
Mudam-se os tempos e mudam-se as vontades. Cavaco é hoje um político mais tolerante. Sabe perdoar, contar uma boa anedota, fazer um trocadilho e dar uma mão aos queixinhas e meter miaúfa aos chefinhos desta vida. Podemos dormir em paz. O papá toma conta de nós.
sábado, maio 23, 2009
Marinho Pinto mete na ordem Manuela Moura Guedes
Sejamos honestos: o que Marinho Pinto disse ontem a Manuela Moura Guedes, e que deixou tanta gente escandalizada, não foi mais do que muitos gostariam de ir ali dizer ao jornal de sexta. A verdade é que há uma impunidade instalada e que hoje pode escrever-se e dizer-se tudo da forma mais delirante sem que haja nesse aventureirismo qualquer penalização. Pior: os espectadores e leitores adoram ouvir e ler dizer mal, mesmo pelas razões mais idiotas.
Só há pouco vi os três minutos para a eternidade Guedes-Marinho, mas ontem à noite depois de ter visto uma peça na SIC-N tinha ficado perplexo. Como era a estrutura da peça? Um apanhado entre todos (ou quase todos) os secretários-regionais da Ordem dos Advogados a malharem no bastonário sem apresentarem um argumento com pés nem cabeça. Limitavam-se aos insultos e a debitarem meias-verdades, que qualquer jornalista minimamente informado teria logo percebido que se tratavam de insultos e não de factos. E um jornalista responsável não pode editar bocas e frases de propaganda, sem haver sequer contraditório.
A verdade é esta: os secretários- regionais da Ordem portam-se como entidades que querem podem e mandam, têm um orçamento de 6 milhões de euros por ano, e fazem da profissão um lobby. O bastonário quer acabar com esta pouca vergonha, quer moralizar e meter na ordem uma situação escandalosa. Claro que os barões ao verem postas em causa mordomias e regalias, como se estivéssemos no tempo do Marquês de Pombal, só podem fazer uma coisa: uma intentona contra o bastonário. Os jornais não costumam explicar isto. E as televisões preferem ganhar share a dizerem mal, do que ganharem prestígio e explicarem a verdade ( ou as verdades) aos espectadores.
Pode até não se gostar do estilo lança-chamas de Marinho Pinto, mas há verdades demasiado duras e escandalosas no exercício da advocacia: deputados que são advogados e defendem os interesses pessoais, escritórios que ganham consultadorias no Estado no valor de milhões de euros sem concurso, políticos que exercem Poder e mantêm os seus escritórios na retaguarda, exploração miserável dos jovens advogados que chegam a ganhar menos que uma mulher a dias,
uma relação arrogante com os clientes sem posses, mordomias tão ridículas como poderem passar à frente de qualquer cidadão numa fila das finanças...os advogados instalados, com uma cultura pouco ou nada democrática, não querem perder.
O bastonário, que é um homem de uma dimensão humana excepcional, e que ganhou o cargo não para brilho ao ego, mas porque acredita na mudança das coisas, está a ser atacado por todos os lados. Percebe-se.
Em Portugal podemos sempre criticar, desde que não se ultrapasse o risco que separa a critica sem consequências, daquela que faz mesmo mudar e pôr em causa. Esta norma conta para todas as actividades. O pior da nossa sociedade são os pequenos poderes instalados. O poderzinho do chefe, do burocrata, do doutor, os pequenos mundos de apaniguados que giram à volta de amizades de circunstância, almoçinhos e fins-de-semana, entre medíocres da mesma condição. São os arrogantes, inseguros, formados por cartilhas que ajudam a manter o lugarzinho, mas onde não há espaço nem para a critica, nem para a inovação. A mediocridade total.
Manuela Moura Guedes ouviu o que nunca ouviu. Ela que começou por ser uma jornalista irreverente transformou o seu jornal de sexta numa atordoada ridícula e caricata.
Marinho Pinto dizia na quinta de manhã numa entrevista que não devemos ter medo de duas coisas na vida: do Diabo (porque assim temos medo todos os dias) e da morte (porque assim morremos todos os dias). Agora acrescentou-lhe a Manuela Moura Guedes !
Só há pouco vi os três minutos para a eternidade Guedes-Marinho, mas ontem à noite depois de ter visto uma peça na SIC-N tinha ficado perplexo. Como era a estrutura da peça? Um apanhado entre todos (ou quase todos) os secretários-regionais da Ordem dos Advogados a malharem no bastonário sem apresentarem um argumento com pés nem cabeça. Limitavam-se aos insultos e a debitarem meias-verdades, que qualquer jornalista minimamente informado teria logo percebido que se tratavam de insultos e não de factos. E um jornalista responsável não pode editar bocas e frases de propaganda, sem haver sequer contraditório.
A verdade é esta: os secretários- regionais da Ordem portam-se como entidades que querem podem e mandam, têm um orçamento de 6 milhões de euros por ano, e fazem da profissão um lobby. O bastonário quer acabar com esta pouca vergonha, quer moralizar e meter na ordem uma situação escandalosa. Claro que os barões ao verem postas em causa mordomias e regalias, como se estivéssemos no tempo do Marquês de Pombal, só podem fazer uma coisa: uma intentona contra o bastonário. Os jornais não costumam explicar isto. E as televisões preferem ganhar share a dizerem mal, do que ganharem prestígio e explicarem a verdade ( ou as verdades) aos espectadores.
Pode até não se gostar do estilo lança-chamas de Marinho Pinto, mas há verdades demasiado duras e escandalosas no exercício da advocacia: deputados que são advogados e defendem os interesses pessoais, escritórios que ganham consultadorias no Estado no valor de milhões de euros sem concurso, políticos que exercem Poder e mantêm os seus escritórios na retaguarda, exploração miserável dos jovens advogados que chegam a ganhar menos que uma mulher a dias,
uma relação arrogante com os clientes sem posses, mordomias tão ridículas como poderem passar à frente de qualquer cidadão numa fila das finanças...os advogados instalados, com uma cultura pouco ou nada democrática, não querem perder.
O bastonário, que é um homem de uma dimensão humana excepcional, e que ganhou o cargo não para brilho ao ego, mas porque acredita na mudança das coisas, está a ser atacado por todos os lados. Percebe-se.
Em Portugal podemos sempre criticar, desde que não se ultrapasse o risco que separa a critica sem consequências, daquela que faz mesmo mudar e pôr em causa. Esta norma conta para todas as actividades. O pior da nossa sociedade são os pequenos poderes instalados. O poderzinho do chefe, do burocrata, do doutor, os pequenos mundos de apaniguados que giram à volta de amizades de circunstância, almoçinhos e fins-de-semana, entre medíocres da mesma condição. São os arrogantes, inseguros, formados por cartilhas que ajudam a manter o lugarzinho, mas onde não há espaço nem para a critica, nem para a inovação. A mediocridade total.
Manuela Moura Guedes ouviu o que nunca ouviu. Ela que começou por ser uma jornalista irreverente transformou o seu jornal de sexta numa atordoada ridícula e caricata.
Marinho Pinto dizia na quinta de manhã numa entrevista que não devemos ter medo de duas coisas na vida: do Diabo (porque assim temos medo todos os dias) e da morte (porque assim morremos todos os dias). Agora acrescentou-lhe a Manuela Moura Guedes !
sexta-feira, maio 22, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009
Viúva de Salgueiro Maia: medalha em vez de pensão
Confesso que nunca gostei muito de militares. Ou mesmo nada. E o 25 de Abril, visto pelo lado dos heróis de Abril, ainda me excita menos. Nunca acreditei muito na bondade dos que fizeram o 25 de Abril. Sempre achei que aquilo tinha sido obra de uns descontentes com a féria e com as regalias e que depois de terem andado a facturar em campanhas de África decidiram meter na ordem os velhadas do Regime e, numa inspiração política de autodidactas,fizeram uma golpaça, uma espécie de revolução. Mais reaccionário que isto parece não poder haver.
Claro que o 25 de Abril foi porreiro pá, e nas circunstâncias de então era muito demorado implementar aqui a democracia europeia, pois Marcelo era medroso e a guerra não ajudava. Com a perspectiva de legalizar um partido comunista stalinista....maiores eram os medos dos trogloditas da situação.
Isto para dizer que salgueiro Maia foi talvez o único militar que sempre me inspirou ternura, admiração e gratidão cívica. Foi o único que resistiu ao apelo do Poder e que no dia seguinte ao golpe, recolheu a Santarém na maior das descrições, enquanto os Otelos e Vascos iniciavam uma vida no estrelato da política, numa revolução de vaidades e de tonteria total, paga pelo bom povo português. Como sempre, de resto.
Salgueiro Maia é para mim o herói da democracia. A fotografia do Eduardo Gageiro feita no instante em que houve a rendição das tropas do regime, em que o capitão está a morder o lábio para não chorar (segundo a descrição do próprio) é o momento da grande verdade, a altura exacta em que passámos de um regime caduco e decadente para uma democracia, embora trauliteira e demasiado festiva.
Salgueiro Maia morreu em 1992, jovem, injustiçado pelo destino da vida. No ano seguinte, Cavaco Silva, então primeiro-ministro, recusou dar á viúva uma pensão por ter sido mulher do herói de Abril. Mas deu uma pensão vitalícia a dois agentes da PIDE.
No próximo dia 10 de Junho vai condecorar a viúva de Salgueiro Maia. Não sei se ela vai aceitar a comenda ou, se o fizer, o que irá dizer ao ex-primeiro, no momento de este lhe afixar a medalha. Talvez morda o lábio, como o fez o seu herói-marido, para não chorar. Não de raiva mas de vergonha.
Oxalá o Presidente, que agora experimenta um novo estilo não só no penteado mas também no sentido de humor, não se lembre de fazer comendador no Dia da Raça do ano que vem, o escritor José Saramago!...
Claro que o 25 de Abril foi porreiro pá, e nas circunstâncias de então era muito demorado implementar aqui a democracia europeia, pois Marcelo era medroso e a guerra não ajudava. Com a perspectiva de legalizar um partido comunista stalinista....maiores eram os medos dos trogloditas da situação.
Isto para dizer que salgueiro Maia foi talvez o único militar que sempre me inspirou ternura, admiração e gratidão cívica. Foi o único que resistiu ao apelo do Poder e que no dia seguinte ao golpe, recolheu a Santarém na maior das descrições, enquanto os Otelos e Vascos iniciavam uma vida no estrelato da política, numa revolução de vaidades e de tonteria total, paga pelo bom povo português. Como sempre, de resto.
Salgueiro Maia é para mim o herói da democracia. A fotografia do Eduardo Gageiro feita no instante em que houve a rendição das tropas do regime, em que o capitão está a morder o lábio para não chorar (segundo a descrição do próprio) é o momento da grande verdade, a altura exacta em que passámos de um regime caduco e decadente para uma democracia, embora trauliteira e demasiado festiva.
Salgueiro Maia morreu em 1992, jovem, injustiçado pelo destino da vida. No ano seguinte, Cavaco Silva, então primeiro-ministro, recusou dar á viúva uma pensão por ter sido mulher do herói de Abril. Mas deu uma pensão vitalícia a dois agentes da PIDE.
No próximo dia 10 de Junho vai condecorar a viúva de Salgueiro Maia. Não sei se ela vai aceitar a comenda ou, se o fizer, o que irá dizer ao ex-primeiro, no momento de este lhe afixar a medalha. Talvez morda o lábio, como o fez o seu herói-marido, para não chorar. Não de raiva mas de vergonha.
Oxalá o Presidente, que agora experimenta um novo estilo não só no penteado mas também no sentido de humor, não se lembre de fazer comendador no Dia da Raça do ano que vem, o escritor José Saramago!...
terça-feira, maio 19, 2009
Sexo, colegiais, a tarada da professora, e o resto

A Escola portuguesa tresanda a sexo. Real, da vida real, e virtual. Também há muita teoria sobre sexo nas nossas escolinhas. Há duas semanas na margem sul, numa reportagem assisti embevecido durante mais de uma hora a uma predica sexual dada por um guru no assunto da Abraço. O mestre, fresco e bem disposto, apareceu com uma caixa de cartão selada cheia de preservativos que davam para os dois lados: masculino e feminino.
Não direi como o bispo de Braga disse um dia ao Expresso, que aprendi mais naquela manhã do que em 54 anos de vida (!), mas confesso que quase me esquecia de fotografar para poder aprender técnicas tão precisas como sejam a forma de introduzir o preservativo, de o testar para comprovar da sua garantia, como se comprasse peixe fresco na praça, ou o saber fazer o levantamento rigoroso das áreas do corpo alheio onde se pode tocar e não tocar, sem o perigo de se apanhar um sarilho para o resto da vida. Aliás esta palavra "apanhar" nunca deve ser utilizada no sentido da contaminação com o vírus da SIDA, há outra expressão que, cábula como sou, já me esqueci.
Naquela aula prática sobre a utilização do preservativo o tema era pacífico entre os alunos adolescentes. Para eles, aquilo parecia uma aula de condução dada por um instrutor a uns putos que estavam fartos de roubar o carro ao pai e de irem acelerar para a Vasco da Gama, à hora do almoço, quando a bófia regressa ao quartel para paparem na cantina o almoçinho a 5 euros a dose. A malta aguentou bem a teoria e não chorou...nem riu. No final, houve distribuição de camisinhas para os putos, como se se tratassem de rebuçados, ou de pernas de frango para esfomeados, em sentido figurado claro!
Eu concordo com tudo o que possa evitar a transmissão de doenças sexuais, tal como acho imperdoável andar de bicicleta, ou de mota, sem capacete e de carro sem cinto. Embora haja alturas em que tenha mandado a segurança às urtigas e me tenha aventurado a andar na minha BMW 69S (não é piada é mesmo o modelo!) pelas ruas de Florença, entre tarados, italianas de mini-saia a conduzirem Vespas e de refilões a furarem filas com Fiat`s amassados. Foi há muitos anos, portanto nessa altura a segurança era uma treta.
Subitamente a escola portuguesa já não é falada porque os profs não querem ser avaliados, pois nasceram para avaliar os outros, passou a ser badalada porque o Sócrates quer as coisas bem feitas e educação sexual, como se fosse a tabuada do corpinho. Os professores em vez de ensinarem História querem contar histórias escabrosas, em estilo rebaixoleiro, sobre os bacanais dos romanos. Para animar a coisa, uma professora com sotaque do Norte, chantagia alunas pois estas têm namorados comuns a grandes amigos do filho... Reles de mais para ser verdade. A seguir em arquitectura, os professores ainda vão passar os vídeos do Taveira, em vez de incutirem nos jovens a arquitectura encaixotada dos Aires Mateus desta vida.
Anda tudo ao avesso. No mínimo, esta crise está a dar a volta à cabeça do maralhal e o maralhal a conseguir dar a volta à crise, comprando a Playboy portuguesa, colando na parede posters da Maia depois de recauchutada, inscrevendo-se nas aulas de História da dita escola de Espinho, indo obsessivamente à net para só verem a página da Diana Chaves, o que aliás explica a baixa afluência de muitos sites de referência.
A cereja em cima do bolo desta bagunçada tipo Morangos com Açúcar, será um escândalo de uma professora muito gira que tenha fugido com um adolescente que faça lembrar o Shrek, ou de um assistente de Religião e Moral que tenha sido apanhado descalço a sair da Mesquita da Praça de Espanha.
Depois da tolerância de Sócrates para com os casamentos gay, da mudança corajosa da lei do divórcio, da legalização da pílula do dia seguinte e da despenalização do aborto, esta campanha para a distribuição gratuita de preservativos nas escolas, como se se tratasse de carradas de Magalhães, está a por os portuguesinhos muita malucos. Doidões mesmo.
Com esta permissividade sexual e com um Presidente que ousa dizer piadas, num estilo entre Obama e Camilo de Oliveira, só nos falta mesmo a oposição cumprir o seu papel: comer a papinha toda Maizena, crescer e aparecer!
domingo, maio 17, 2009
McCann contra-atacam Amaral.
O ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ) Gonçalo Amaral considerou hoje que a intenção dos pais de Madeleine McCann de processá-lo por difamação "surge num momento importante" e vai "permitir ver quem difama quem".
"Não costumo comentar notícias. Não sei se é verdade e não tenho muito a comentar. Mas este é um momento importante e vamos discutir e ver quem é que está a difamar quem", afirmou o antigo coordenador da investigação ao desaparecimento da menina inglesa, ocorrido na Praia da Luz, Lagos, a 3 de Maio de 2007.
Os pais de Madeleine McCann vão processar o ex-inspector da PJ por difamação devido às suas "contínuas e grosseiras afirmações" em Portugal e no estrangeiro sobre o desaparecimento da criança em 2007, anunciaram ontem em comunicado.
A acção judicial de Kate e Gerry McCann "em conjunto com os três filhos, Madeleine, Sean e Amelie", foi iniciada ontem num tribunal em Lisboa pela advogada Isabel Duarte, disse fonte da família./Público
"Não costumo comentar notícias. Não sei se é verdade e não tenho muito a comentar. Mas este é um momento importante e vamos discutir e ver quem é que está a difamar quem", afirmou o antigo coordenador da investigação ao desaparecimento da menina inglesa, ocorrido na Praia da Luz, Lagos, a 3 de Maio de 2007.
Os pais de Madeleine McCann vão processar o ex-inspector da PJ por difamação devido às suas "contínuas e grosseiras afirmações" em Portugal e no estrangeiro sobre o desaparecimento da criança em 2007, anunciaram ontem em comunicado.
A acção judicial de Kate e Gerry McCann "em conjunto com os três filhos, Madeleine, Sean e Amelie", foi iniciada ontem num tribunal em Lisboa pela advogada Isabel Duarte, disse fonte da família./Público
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