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sexta-feira, julho 24, 2009

O regresso a casa de Oliveira e Costa

A foto de hoje no i de Filipe Casaca é excelente, do bom fotojornalismo que queremos. Mostra o arguido Oliveira e Costa a sair da ramona. O seu relógio marca 9h20 em ponto e um livro com um título irónico tenta tapar-lhe a cara, em vão. "Um novo mundo"- como se fosse uma legenda de uma história ainda sem final.

O homem que no tempo do cavaquismo atacou os contribuentes com medidas duras e que mais tarde se transformou num dos maiores banqueiros da praça, regressa agora ao lar-doce-lar depois de uma permanência nos simpáticos calabouços da Judiciária- uma espécie de hotel para prisioneiros de classe.

Oliveira e Costa deu brado na comissão de inquérito da AR, granjeou a simpatia de deputados, levou até o deputados bloquista a mostrar alguma simpatia, tramou o seu ex-amigo e "companero" Dias Loureiro e na hora do regresso a casa, usando uma pulseira electrónica à prova de evasão (não fiscal!), voltou ao personagem anterior de envergonhado.

Vestia uma camisa vistosa, às riscas, daquelas que os ricos gostam de exibir, calça clara como se fosse a uma festa da noite algarvia, mas agora a expressão já não era a do pobre velho que estava na AR para ajudar a verdade, entre risos e piadolas mastigadas com sandes.

Um rico da sua categoria poderia ter sido despejado num condomínio de alto luxo, rodeado de campos de golfe e gorilas amestrados, mas foi para a sua residência, um apartamento numa avenida da classe média alta de há 50 anos atrás, em Lisboa. O que remete para Madoff: também este Midas vivia numas casas boas mas demasiado modestas para os montantes que recebia e deixou de dar. Muito curioso este lado um pouco austero de génios que fizeram em certo tempo uma engenharia financeira mais difícil do que a construção de uma torre de babel.
O dinheiro, afinal, não é tudo.

terça-feira, julho 21, 2009

Pulseira electrónica estilosa


Há de vários estilos, gostos e preços. Algumas são belas peças de design com assinatura, outras vieram da loja do chinês, outras passaram de padrinho para afilhado.

As pulseiras electrónicas estão a ser um "must" nesta temporada Primevera/Verão.

Os juízes descobriram este "gadjet" para presos muito amantes de liberdade e o Estado Social empatou uns euros, nada de relevante, comparado com o orçamento destinado a alimentar malandros na prisão para se ver livre de dependentes.

Com a pulseira o preso vai para casa e a família que o sustente e que tome conta dele. É o princípio do utilizador-devedor.

Oliveira e Costa vai agora regressar ao Lar Doce Lar sem deixar de exibir a sua pulseira de estilo italiano, numa combinação generosa de tolerância democrática e sede de mais justiça.

Para os derrotistas para quem tudo está mal em Portugal, esta nova vida de Oliveira e Costa vem provar que a Justiça funciona, o simplex na Justiça está a bombar, que o ministro Costa é um must em competência, e que o BPN vai ficar para a História como uma instituição em movimento perpétuo. Grandes homens que ergueram grandes bancos!!!

Enquanto Arlindo de Carvalho, esse Cavaquista que nos andou a tratar da saúde, é impedido de falar à saída do tribunal pela firmeza do seu advogado Dr. Nabais, mas que mostra uma calma tão sólida como a amnésia de outro "companero" o também cavaquista Doutor Loureiro, enquanto a justiça se mexe, Oliveira e Costa (o secretário de estado Cavaquista que flagelava o contribuinte) reencontra a paz doméstica.

Tudo está mal quando acaba em bem !!!

quarta-feira, maio 27, 2009

Costa casca em Dias, confirma Marta


Quando saiu do carro celular cambaleou a subir as escadas do Parlamento, apoiou-se nos guardas e deu sinais de fragilidade física. Mas passadas oito horas a desabafar e a dizer o que lhe saiu espontâneo e com convicção, parecia fresco que nem uma alface. Ainda teve calma para responder aos jornalistas, embora o não pudesse fazer como preso, gracejou sobre as "belezas" ali presentes e não se mostrou vingativo. Ainda se intitulou de "velhote" a poder ajudar o país.
Oliveira e Costa é inteligente, tem talento e a experiência que tem da política e do Parlamento também o deve ter ajudado. Raposa velha, astuto, rápido, ágil e seguro. Embora muito atento.

Parece um tipo apagado, tímido. Mas quando se solta ganha humanidade e credibilidade. Claro que os milhões desaparecidos não se sabe para onde foram, mas percebe-se que há enredos que envolvem outros sócios e Dias Loureiro.
Perante o descrédito de Dias Loureiro, Cavaco fica sem saída: ou anuncia publicamente que lhe retira confiança ou o conselheiro de Estado abdica se quiser.

Isto vai aquecer e ofuscar as eleições.

terça-feira, maio 26, 2009

Oliveira e Costa faz queixinhas aos sôtores

No país dos enredos, hoje há mais um: o episódio da novela BPN com Oliveira e Costa à frente de um grande elenco. O BPN e o BPP são os casos mais exemplares da vida política e económica desta década decadente do Portugal neo-liberal. Dois casos que levaram na enxurrada da ganância, a poupança de uns desgraçados que acreditaram naqueles gestores exemplares, e que pensaram poderem viver uma vida à custa do lucro rápido e fácil, sem risco com juros altos. Uma utopia capitalista, ainda mais lunar do que a socialista.

Hoje um dos cabecilhas desse projecto financeiro, um ex-cavaquista e um verdadeiro torcionário dos contribuintes, quando foi secretário de estado do tesouro(?), vai à AR por sua conta, boa-vontade e risco, com cartas na manga, para pressionar os seus ex-compagnons de casino a darem-lhe uma boquinha, senão ele vai contar aos sôtores.

A nossa sociedade passou a viver de chantagem, ameaças e escandaleiras.
Com gente desta ainda esperam que Portugal venha a ser um país decente.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Oliveira e Costa entrou mudo saiu calado

Não foi uma entrada na AR à la Pedroso mas foi uma entrada muda para uma saída calada. Os senhores deputados queriam uma sessão no género de "Conta-me como foi" mas o homem que montou a máquina do IRS em Portugal, aquele que foi um dos braços armados de Cavaco nos anos noventa, na caça ao contribuinte, limitou-se a estar calado que nem um rato de cofre-forte!
Como arguido ele argumenta que não pode falar enquanto os deputados pareciam gritar:" Despe... aliás: conta, conta!!!!". A ideia de Maria de Belém, uma tontísse pegada, foi reduzida ao silêncio, um fracasso político. Queriam circo, levaram com tampa. O homem não é parvo, embora já tenha estado em dias melhores de esperteza.
O PSD já veio defender o silêncio do Ceaucescu da nossa banca privada. Só faltou Oliveira e Costa ter dito que o BPN nunca existiu, aquela sede nunca existiu, foi tudo fantasia de uns rapazes gulosos e ambiciosos que queriam transformar umas migalhas em colossais fortunas, ajudados pela comunicação social, uns rapazes de imaginação fértil, manobrados por mentes doentes.
Onde já ouvimos isto?