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segunda-feira, junho 02, 2008

SEX MADONNA 17 anos depois

domingo, junho 01, 2008

As primeiras bicadas de Marcelo à avó

Marcelo já começou a envenenar a avozinha e esteve muito bem com o seu talento de Maquiavel. Gostei e concordo.
Isto é: a santa padroeira ( não é a única, conheço uma outra fantástica noutra área!) tem afinal os votos de Marques Mendes. Os Pedros tiveram os votos de Meneses. Santana teria uma vitória se não fosse o sócio de Ângelo Correia ter tido a veleidade de fazer uma pausa kitkat nos negócios para vir brincar aos políticos com voz de locutor.

Portanto o PSD está partido. De um lado os velhadas, os barões, os emproados. Do outro, os populares que se misturam entre caciques, populistas, sulistas, cavaquistas... toda aquela aguarela política pimba que dá pelo nome de PPD. Manuela Ferreira Leite vai ter vários, muitos mesmos, problemas. Um deles é o facto de nunca poder confrontar-se com o engenheiro cara-a-cara no parlamento. Ela não quis fazer parte da lista ao parlamento. Demitiu-se, fugiu, foi trabalhar para o Barclays.

Para criticar Sócrates vai convocar conferências de imprensa ou falar à saída de portas ou a entrar para o carro ( é pouco o género dela). Depois vai conviver mal com a imprensa, embora os porta-microfones de serviço lhe vão prestar vassalagem. Imagine-se uma daquelas estagiárias, que ganham menos do que uma kosovar a limpar o chão, a perguntar à Tatcher da treta se tenciona abrandar o IMI, esse imposto já rejeitado pela própria mãe ! Tudo e todos vão andar com respeitinho.

Os portugueses adoram mães, madrastas da política, chefonas, santas.
Manuela Ferreira Leite desperta aquele sentimento sempre acalentado em cada português que gosta de carros cinzentos metalizados, bandeiras à janela, brindes nos jornais e muita vergastada nas costas: o sentimento da resignação e da obediência.
Veja-se: esta senhora ganhou um partido sem ter debitado uma ideia, um caminho. Tem tantas ideias como uma loira ( sem ofensa). Que vêem estes militantes de província nela ? Apenas uma visão de um cavaquismo ressuscitado, cavaquismo do bom, daquele que já não se fabrica e que esgotou quando o protagonista teve de mudar de papel para ocupar um lugar no Palácio de Belém.
Haver um Salazar, um Cavaco, um chefe, um capataz, algum santo Deus que tome conta de uma maralha que no fundo não gosta de trabalhar e que reza para alguém lhe assegurar uma reforma mínima, uma carreira modesta, uma morte com visto para o Céu.

Marcelo tinha hoje muita razão: Manuela Ferreira Leite é um terço do PSD. Eu acrescentaria: neste momento vale 10 por cento do país. Vai tirar votos à direita de Portas mas não arrancará um voto à esquerda que é maioritária e que vai emolar Sócrates nas próximas eleições. O voto útil deixou de fazer sentido: qualquer voto útil é o passaporte para esta política cega de combate às contas públicas mas inimiga do progresso.

Salazar também era um bom ministro das finanças, deixou o pais com toneladas de ouro mas sem sucesso social, sem classe média, sem modernidade. Sócrates e Leite são essa face tenebrosa das políticas que só vêem números. Há vida, muita mesmo para lá das contas de somar e sumir. Por isso repito: não precisamos de uma contabilista em S. Bento. Precisamos de uma política nova. Nova mesmo.

sábado, maio 31, 2008

Ganhou o alter ego de Sócrates


E pronto, já está. Como se esperava Sócrates tem um alter ego político de saias. A direita liberal que andava atormentada por não ter líder digno à altura pode dormir descansada e amanhã acordar cedo e ir jogar golfe ( o que só mostra bom gosto, é um desporto que eu aprecio e que já pratiquei um pouco). O país pode descansar também. A política vai manter-se como está: longe da multidão, de fora das realidades sociais. A classe média que se prepare para mais um ataque.

Ferreira Leite disse no discurso de vitória que as pequenas e médias empresas e a classe média teriam de ter uma atenção especial. Bom, para quem atacou a classe média quando era ministra vir agora dizer isto, é surreal e demonstra como fazer política se tornou numa actividade mais desbaratada do que vender aspiradores. Depois venham falar em falta de respeito.

Pagamentos por conta às pequenas empresas, aumento brutal da carga fiscal ( IRS, IVA, ISP, IMI) que prejudica principalmente a classe média, taxamento de Scuts e CREL, pagamentos diferenciados na Saúde e outras medidas de Leite quando ministra de Durão, vem agora pedir meças à classe média ?
Parabéns avózinha !

O Rendez-vous de Claude Lelouch

Uma extraordinária curta-metragem de Lelouch passados 30 anos



E Lelouch revisita o trajecto passados 30 anosao volante do mesmo carro um Mercedes S 500

sexta-feira, maio 30, 2008

Como Ferreira Leite é contra o aborto

" As mulheres devem-se ajustar à gravidez não desejada"- Pensamento político de Manuela Ferreira Leite

Professor em Belém, contabilista em S. Bento

A vitória que Manuela Ferreira Leite tem como adquirida amanhã não me interessa. Nem sei se interessará aos portugueses. Quem quer que ganhe todos temos uma certeza: não vai haver oposição capaz a Sócrates, nem vamos ter um novo conceito de política nem governação. Leite é mais do mesmo: impostos sobre a classe média, frieza social, números de sumir e somar. O que aflige é uma total falta de cultura, de ideologia, de projecto político.
O PSD amanhã vai ficar ainda mais dividido. Barões a norte, caciques pelo centro, populistas a Sul. Sem uma maioria clara quem ganhar vai ter de passar no dia seguinte à oposição e à guerrilha.
Manuela Ferreira Leite, que já foi uma líder de bancada cinzenta e que ninguém lhe ligava patavina, não se imagina como vai enfrentar Sócrates ainda por cima não estando no parlamento. E quem a vai representar por lá ? Que alternativas vai aquela mulher apresentar a Sócrates ? Vamos pagar menos ou vamos pagar mais para assistirmos à exibição deste filme bafiento, um remake do discurso da tanga, ou se quisermos uma versão já a sépia daqueles anos de brasa em que os alunos invadiram as ruas contra a política de afrontamento no ensino ?

Como será, ou seria, este país com o casal Cavaco da política ? Imagina-se Cavaco em Belém e Leite em S. Bento ? Imagina-se um professor de economia em Belém e uma contabilista em S. Bento ?

Mário Crespo aperta com Pedro Silva Pereira

A entrevista de Mário Crespo hoje na SIC-N a Pedro Silva Pereira deu gosto de ver. Habituados que começamos a estar a um jornalismo subserviente e acomodado o trabalho de Mário Crespo é acutilante, certeiro e elegante. Não deu folga ao clone de Sócrates  e foi até ao fim nas perguntas e na insatisfação das respostas dadas.

Se dúvidas tínhamos com certezas ficámos: o governo de Sócrates acha que o país está melhor porque há umas décimas percentuais a mais nas estatísticas e que os outros, de Mário Soares ao homem da rua, são uns ingratos para um governo que tem governado bem e sabido distribuir aos pobres uma esmola. Os combustíveis são mais caros em Espanha porque os vizinhos têm superavit, mas não são mais caros do que a média europeia ( o que é uma redonda mentira, estamos entre o 4º e o 5º dos mais caros) há crise mas o governo está tranquilo.

Para o governo socialista é tudo uma questão de estatísticas e de números. A sensibilidade social e o feeling político não existem. Governam para os números, sem empenho nem objectivo político. E a maioria das perguntas feitas por Crespo ficaram nas palavras cínicas de Pereira.

quinta-feira, maio 29, 2008

Animais à solta na AR com crianças a ver

A sessão da AR de hoje teve palhaços. E circo. E animais. Louçã chama animal a Sócrates, Sócrates responde e abana a cabeça, Louçã volta a investir, passa a palavra ao camarada, este chuta para o grupo do PS, este responde com frase de Aquilino Ribeiro, há agora lobos na conversa, e é GOOOOOOOLO !!!!

Na bancada um grupo de crianças está parva com tanta garotice. Mas se falavam de animais o verdadeiro animal político é neste momento Santana Lopes. Chamado á arena responde com convicção. Vibra, emociona-se e mostra uma segurança como há muito se lhe não via. Foi um péssimo primeiro-ministro. Como arma desmobilizadora para o governo está a rugir bem. Se não tivesse sido a grande estratégia para o decredibilizar dentro e fora do partido tínhamos uma grande dor de cabeça para o engenheiro das maisons feitas.
A forma como meteu na ordem Leite e a acutilância versus Sócrates...o animal mostrou a sua raça.
E se Leite ganhar quem ficará à frente do grupo parlamentar ? Ainda ninguém pensou nisto ?

Comuna arrependido enxovalha Soares

Das coisas que mais magoam na vida é vermos projectos que foram nossos caídos na decadência e com um rumo que nós sempre quisemos evitar. Os projectos são os nossos sonhos, mas mais do que isso são as nossas convicções mais profundas. Isto aplica-se a tudo na vida: da profissão, à família, ao futebol, à política.
Por isto deve ser difícil a Mário Soares aguentar um Partido Socialista, que ele criou para construir um Portugal mais moderno e europeu, com balizas sociais, e ideologia baseada na liberdade, vir agora atacá-lo pela boca de um ex-comunista ( um adversário portanto) ao dizer que " o PS não precisa que Mário Soares o venha alertar para os problemas sociais!".

Mário Lino, esse camelo sulista da política governamental, alarva com esta desfaçatez como se Soares fosse um daqueles comunas arrependidos, um socialista -novo na linha de Pina Moura. É de facto triste mas mais do que triste, revoltante.
As palavras coincidentes de Alegre com Soares vêm sublinhar a crise de valores, o descaramento político de Sócrates. Pergunto: se os portugueses votaram no PS para terem uma governação à esquerda o que seria se tivessem votado à direita ? Onde estão as diferenças ? O PS meteu a ideologia na gaveta mas também meteu a seriedade no bolso, no bolso dos portugueses que viram nos últimos anos um dos maiores saques do Estado em impostos. Ao dizer à saída da AR que aquele relatório em que havia milhares de portugueses a receberem menos de 10 euros por dia era de há 4 anos, como será o que diz respeito aos dias de hoje ? Senhor Primeiro : venha então cá para fora o relatório sobre os rendimentos de hoje dos portugueses. Aqueles 10 euros por dia já devem ir nos 5 !

Encosta-te a mim

Record no YouTube mais de 1 milhão e 500 mil visitors

quarta-feira, maio 28, 2008

Adeus Sydney Pollack



Era um dos meus mestres do cinema e morreu hoje. Adorava o Sydney Pollack, o seu cinema, a sua forma de gostar da vida. Vibrava com os seus travellings em África, com a música lamecha do Out África, chorava com a Meryl Strip, ficava a pensar no Robert Redford que ele tão bem soube dirigir.
Há semanas estive a ver o seu documentário sobre Frank Gehry, uma reportagem emocionante feita à mão com uma câmara mini-dv ( uma Canon XM1), o exemplo acabado em como não são sempre os grandes meios os fins para se ter uma grande reportagem.
O cinema de autor parece sucumbir ou então ando a ir pouco ao cinema.

terça-feira, maio 27, 2008

O autismo de Júdice, a visão de Sarkozy

José Miguel Júdice, recém chegado à família socrista e com as compensações que se conhecem por esse novo amor, veio há pouco na SIC N dar os parabéns a Leite, Santana e Sócrates pela coragem em não defenderem a redução dos impostos sobre os combustíveis.
Hoje Sarkozy veio falar em propor à comunidade a redução do IVA sobre os produtos petrolíferos quando estes atingissem um plafond de forma a pôrem em causa o equilíbrio económico. Por cá parece que todos os arregimentados encontraram no ISP um novo cavaleiro andante dos pobres contra os ricos. Os que andam de carro que paguem a crise. É o retomar daquela frase de Zenha, nos tristes anos 70 de que os portugueses gastavam muita gasolina nos radiadores dos automóveis do que a trabalharem.

Para Júdice a solução está em os portugueses passarem a irem trabalhar a pé, levarem, os filhos à escola de bicicleta, irem de férias de comboio e quando viajarem para o estrangeiro de barco à vela. Esta caximónia acha portanto que os 5 milhões e tal de portugueses que usam o carro o fazem por comodismo, luxo e prazer. Um discurso digno de um daqueles marxistas-leninistas-maoistas-estalinistas... que defendiam a Albânia como modelo de desenvolvimento e hoje alojados nas poltronas do poder aos cinquenta anos descobriram a luxúria de um BMW com 16 altifalantes, de um Audi com tracção integral, de um Lexus com câmara para fazer marcha-atrás, de um Mercedes com condução inteligente. Mas chegados que estão ao poder sentem que podem retornar o discurso miserabilista dos anos setenta agora não para impor um regime ideológico puro mas para poderem sacar aos que pagam impostos mais alguns milhões para alimentarem um Estado que é deles, que mais não é do que o estado miserável a que tudo isto chegou.

José Miguel Júdice e o seu interlocutor António Barreto acham que a solução é o futuro: o nuclear, as eólicas, a junta de bois e as pernas para que te quero. Mas as empresas e as pessoas precisam de uma solução para hoje. E esta gente que esteve no poder nada fez para se avançar para uma rede eficaz de transportes públicos, modernos, eficazes, amigos dos utilizadores, planeados com o crescimento urbano ordenado ( uma ideia destas é só para rir em Portugal !!). Esta gente pariu auto-estradas inúteis, desprezou os comboios suburbanos e intercidades, comprou uma frota para o Estado cara e poluidora, marimbou-se em normalizar combustíveis tipo biodiesel para frotas das autarquias e de transportes públicos e do Estado...bom uma tese não chegava para se demonstrar o que o Estado de Cavaco a estas idiotas do PS devia ter feito e nada fizeram.
O que revolta é gente como Júdice que está à frente de um projecto para a frente ribeirinha de Lisboa, megalómano, estúpido, novo-rico, que todos vamos pagar com o dinheiro do nosso ISP, IRS,IMI; IVA, por aí fora, venha dar lições de costumes aos cidadãos de como se devem deslocar. Uma vergonha, uma lata descomunal ! espero só que Júdice tenha abandonado o estúdio da SIC a pé e dado o seu Mercedes em que se desloca diáriamente para abate.

Eu trabalho, pago impostos, tenho de ter o direito de me deslocar como achar que é para mim mais cómodo. Tenho esse direito, mais: tenho muito mais direito em me deslocar no meu Mercedes do que um director geral qualquer: paguei-o com o meu trabalho, pago os meus impostos e tenho esse direito. Enquanto esse director-geral anda de Mercedes à nossa real custa.

Acho que as liberdades em Portugal começam a estar seriamente em causa. Estamos a mergulhar num fascismo moderno, cínico, disfarçado e muito mesquinho. Pelo menos o "outro" fascismo, aquele que nunca existiu, era digno, sério e respeitoso. E tipos como Júdice arriscavam-se a ir tomar banhos de Sol para o Tarrafal. E nós éramos felizes para sempre.

Não podem calar o Scolari ? Irra !...


Não acham este brasileiro-treinador um tipo irritante ? Quer dizer: andou à murraça em directo dando um exemplo de desportivismo e civilidade lamentável para a nossa juventude. Agora enche-nos a cabeça com aquele anúncio, com aquela vózinha irritante. E não esperem pela demora: a seguir o povoléu vai invadir as janelas e marquises anodizadas com bandeirolas nacionais made in China. Aliás o Euro vai ser um grande alívio para o governo. A não ser que vá tudo para a derrota final e o brasileiro vá de vez de onde veio.

segunda-feira, maio 26, 2008

JÁ TEMOS ENDIREITA ONLINE


Edison Athaide acaba de lançar um livro on-line, O Endireita. Este tio brasileiro é um tipo cheio de ideias e tem feito muito pela criatividade nesta terra cinzenta. Na verdade as possibilidades da net são hoje em dia infindáveis e possibilitam o acesso das obras de autor a todos, embora os resultados liquídos da coisa sejam zero. Vejam as horas que este blogue me consome ! Se tivesse de viver dele já estava a escrevê-lo na sopa dos pobres, o que até seria giro, o pior era pagar a net e o meu querido Power Book. Adiante: acho esta ideia brilhante. E se a discussão sobre os jornais on-line esteve há dois anos ao rubro o que eu sinto é que as coisas arrefeceram muito em Portugal. Há muito que se não vê inovação e as possibilidades tecnológicas do digital estão muito longe de terem sido adaptadas ao sites portugueses. Nem experimentámos, ousámos uma linguagem nova, multimédia.
Venha o endireita ( bem precisamos de um !) e ser lançado no dia da feira do livro também é de grande ousadia. Força tio !

Mais no Público

Não há festança do governo sem Vitorino


António Constança Vitorino tornou-se numa figura sinistra do regime. É insuportável aquele ar de quem pensa acima dos outros e afere da credibilidade moral do governo. Tal como o seu camarada Jorge Coelho mandou às urtigas a política e o sacrifício pela causa pública e foi facturar para outras bandas. Acho legítimo, embora seja verdade que se não tivessem estado na política nunca teriam chegado ao que chegaram. Mas esse salto espectacular tem muitos outros atletas da nossa desgraçada política. Dias Loureiro e muitos outros figurões do PSD, PP...o nosso centrão mais ou menos a tombar para a esquerda ou direita.

Agora que à custa daquela miserável taxa que somos obrigados a pagar na conta da EDP ( uma ilegalidade de Almeida Secas que nunca ninguém contestou a sério) tenhamos que ouvir o megafone de Sócrates na RTP a dizer o mesmo que o Pinho e quejandos... poupem-nos ! É fácil arengar de alto quando se factura milhões e quando o alvo a abater é a classe média.

Sim a classe média. Porque os pobres profissionais ( não os envergonhados, não os esquecidos, não os velhos sem eira nem beira), falo dos muitos ( e são muitos) que vivem à custa do rendimento minimo de inserção, que têm casas à borla da câmara, escolas de borla, saúde grátis e que vivem sem nunca terem feito nada. O subsídio à malandragem é justo para os socialistas mas já não é justo baixar o ISP que serve para pagar a funcionários excedentários, SCUTS do Cravinho adjudicados à la Gardére e nem vale a pene estender o rol.

Sócrates sabe que pode não contar com a classe média, mas com os ricos à séria e os pobres encartados, esses vão escrever o seu nome no céu no dia dos votos.

A nova frente ribeirinha de Lisboa é uma loucura

Cais Sodré, foto tirada na passada semana. Foto LC
Uma respeitável senhora da direita dizia-me hoje ao fim da tarde que Lisboa continua na grande incerteza. Vejam estes números: 50 por cento da população da capital não tem rendimentos de trabalho, vive de reformas e afins. 60 por cento da população trabalhadora vive fora e vem a Lisboa trabalhar. E só 35 por cento dos que trabalham na cidade lá habitam. Estamos perante uma cidade moribunda sem economia, sem sangue na guelra, sem possibilidade de crescer e se revitalizar no imediato.
Mas, tal como o país em geral, o governo vai investir uma soma brutal de milhões na frente ribeirinha, em vez de tornar possível a verdadeira reabilitação da cidade que só pode ser feita com investimentos públicos e privados que gerem economia, tragam gente para a malha urbana e não mais uma feira de vaidades para alimentar o ego de um primeiro-ministro com antecedentes graves de pato-bravo.
Não há nenhum exemplo em nenhuma capital europeia com tanta decadência e com tanto investimento de novo-riquismo como Lisboa
E é bom acrescentar que se a EXPO 98 foi boa porque foi o que foi também é bom questionar que a debandada geral do centro de Lisboa começou com o incêndio do Chiado e com a política avestruza de Jorge Sampaio e culminou com a EXPO. Alguém com dinheiro iria investir num centro da cidade velho a derrocar depois de ter ali a EXPO à mão de investir ? Alguém quer viver no Chaido do Siza com preços exorbitantes, construção de má qualidade, sem sequer haver garagens para os automóveis ? Alguém de bom senso quer viver na baixa para correr o risco de levar uma facada depois da sete da tarde ? Quem quer pagar para isso ? Quem quer viver numa cidade fantasma, com um IMI brutal, EMEL a roubar, ruas escaqueiradas. Se Costa nem as ruas lava como quer ter uma frente ribeirinha de luxo ?

Sócrates vem dizer que não baixa o ISP. A classe média que pague o deficit mas depois investe em elefantes brancos que vão ficar a ser pagos por nós e pelos nossos filhos, se tiverem com que pagar.

Resposta de jerico de Pinho na Antena 1

O ministro Pinho entrevistado hoje ao fim da tarde na Antena 1 dizia que o governo estava a controlar a crise dos combustíveis pois tinha aumentado o abono de família e aberto uma linha de credito às pequenas e médias empresas. O jornalista de serviço não o interrompeu, deixou-o fazer a propaganda e timidamente perguntou-lhe no fim: e pode baixar o ISP ? Não, porque nem temos a gasolina mais cara da Europa ! A resposta é de verdadeiro jerico. Eu que vinha tranquilamente em cruise-control na auto-estrada dei uma patada no acelerador e mudei o rádio para a tranquila Marginal 98.1. Apeteceu-me fazer inversão de marcha e ir viver para Espanha. Mesmo correndo o risco de encontrar Paulo Portas das Feiras numa bomba de gasolina !!
É uma afronta à inteligência do cidadão este ministro, este governo.
Vão pagar caro o autismo. Quando começarem as convulsões sociais depois quero ver.
Não me parece que as empresas e os cidadãos possam resistir muito mais a este estado das coisas. Sócrates vai pagar caro a teimosia. Olá se vai.

domingo, maio 25, 2008

Farto de idiotas

Detesto apagar comentários aqui feitos no Fatal porque parece que é a melhor maneira de me ver livre de opiniões que não partilho. Este tipo de fóruns tem um pecado capital: o facto de haver anónimos que a coberto dessa possibilidade se acham no direito de pôr em causa a honra das pessoas ou de virem com discursos miserabilistas, próprios de frustrados da vida. Se é para isso que serve este blogue eu passo a cortar os comentários ou deixo o blogue aberto com restrições. Acho que o não devo fazer porque isso é contrário ao espírito da net, que é o da liberdade, que eu muito prezo.

Quando fui editor multimédia no Expresso tive dias em que me apetecia alinhar por aqueles que lá dentro defendiam os comentários controlados, não censurados, mas previamente vistos antes de pôr online. Acho isso anti-net e ainda por cima implicaria custos enormes só em manter essa vigilância 24 sobre 24 horas. Mas a grosseria atingia o inenarrável e mesmo um tipo como eu que me acho muito liberal ficava enojado com os provocadores do costume.
Até agora não tenho tido grandes razões de queixa por aqui. Mas hoje, talvez porque estou particularmente zangado com as injustiças de Deus, não me apetece aturar idiotas frustrados. Já chateia a lenga-lenga do pobrezinho que mora longe, ganha mal e que os culpados são sempre os ricos e o que andam de carro... o discurso da tanga e do faduncho nacional. Porque não vão dar banho ao cão ?

O sopro da vida

O que mais me impressionou em Paulo Teixeira Pinto (PTP), enquanto o fotografava para a entrevista que saiu hoje no Expresso, foi a sua serenidade perante a inevitabilidade de uma doença que ele admitiu. Paulo Teixeira Pinto encontrou na pintura, na leitura, na vida total, a grande razão de ser. No Alentejo levanta-se muito cedo, pinta, fotografa com o telemóvel o nascer do Sol. Olha a vinha, reza. E toca bateria.
Encontrou a grandeza que é podermos relativizar as coisas da vida. É o nível avançado da maturidade.
Hoje ao saber das dificuldades que um querido amigo enfrenta com a sua saúde lembrei-me como tudo é breve, fugaz. Como dizia alguém: um sopro.

sábado, maio 24, 2008

Sócrates paga a Cerejo

Ninguém deu muita importância ao facto de José Sócrates ter sido condenado a pagar dez mil euros de indemnização a José António Cerejo do Público por ter escrito há anos que o jornalista era parcial e incompetente ( cito de cor). Acontece que Cerejo foi o autor da reportagem sobre os projectos do engenheiro Sócrates nos anos que antecederam a sua subida ao céu da governação. embora já fosse um militante assanhado do PS.
O jornalista do Público não costuma largar o osso quando começa a investigar. Ele é dos últimos jornalistas que fazem da profissão uma missão pública. Irritou de sobremaneira João Soares que nem podia ouvir falar no seu nome e até se pode dizer sem grande exagero que muito do desgaste de Soares na Câmara se deve a artigos do Público a malharem-lhe forte e feio.

Esta condenação de Sócrates vem pelo menos demonstrar que ainda há alguma justiça atenta no país. Em causa estava a isenção e independência do exercício do jornalismo. E isso tem de ser sagrado em nome da democracia. Agora repare-se no silêncio que se fez à volta disto. Depois da bronca do cigarro, esta outra até parecia perseguição.