O actual primeiro-ministro é um homem simples. Declarou um Opel Corsa como património automóvel, apareceu num programa de TV para mulheres a defender os animais abandonados ( aí está uma causa que partilho com ele, talvez a única) e gosta de pedir desculpa com o mesmo ar com que o Zé Maria (lembram-se do cromo?) pedia desculpa na casa da Teresa Guilherme.
Todos sabemos que além de simples, num remake requentado da pobreza franciscana de Salazar e do lar-doce-lar do cavaquismo na fase Travessa do Poussulo, o primeiro-ministro que uma maioria reduzida de eleitores pôs a enterrar o país, ele gosta de fazer mais do mesmo que Sócrates teimava em fazer.
Trata-se de mudar o nome às moscas e de carregar no remédio ao ponto de o transformar em veneno nacional. Todos aqueles que não andam a dormir e que não acreditam no Pai Natal, que é o meu caso, já sabíamos que o homem que cresceu a ver passar os comboios na sua Massamá acabaria por aprovar a construção do TGV. Mas como essa foi uma das grandes mentiras que ele teve de inventar para enganar os pacóvios que nele votaram, numa catarse anti-engenhocas, o homem não tinha outra solução do que tornar a coisa numa obra politicamente correcta.
É a teoria de viajar em turística aplicada ao TGV. O que fazer para gastar o dinheiro e parecer uma coisa séria e de acordo com o garrote da Troika? Basta pôr aquilo a transportar cimento, e inventar uma linha que alarga e emagrece (inspirada na barriga da classe média portuguesa) consoante o comboio. Mesmo que o tal TGV (R) demore mais tempo a atravessar a Ponte Salazar do que uma viagem entre Badajoz e Paris nos carris de nuestros hermanos. Ou mesmo que se torne mais barato e rápido ir de carro até Badajoz e depois apanhar lá o TGV espanhol.
O importante é o estilo. Um estilo que alimente a destruição do país em prol de uma agenda neo-liberal, suicidaria e fatal.
PS: e a ideia de jerioco de querer tirar as low-coast da Portela é outro atentado aos interesses dos consumidores, para proteger a TAP privatizada. Só falta o Miga comprar aquilo ao desbarato.
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sexta-feira, outubro 07, 2011
quarta-feira, julho 08, 2009
TGV JÁ !..
Gostava de saber se a decisão de fazer TGV em Espanha provocou uma histeria colectiva entre economistas, sábios, sabões, esquerdalhos e liberalóides. Ou se a construção da rede invejável de estradas em Espanha foi um longo debate nacional sobre a necessidade de haver caminhos decentes para um país poder comunicar e progredir. É que a Espanha também tem dívida externa (quem a não tem?) só que soube investir na modernização, sem fazer disso uma paranóia nacional.
Aquele argumento de que o TGV não é rentável, e que o melhor era dar esse dinheiro aos pobres, às pequenas e médias empresas, aos funcionários públicos ou aos habituais pedintes à mesa do orçamento, não me parece que possa ter algum sucesso.
Aquele argumento de que o TGV não é rentável, e que o melhor era dar esse dinheiro aos pobres, às pequenas e médias empresas, aos funcionários públicos ou aos habituais pedintes à mesa do orçamento, não me parece que possa ter algum sucesso.
Se eu em minha casa não trocar de carro porque a torneira pinga, a camisa que comprei há 5 anos na China está a ficar rota, o meu filho mais novo não tem a enésima Playstation, a minha conta PPR não existe, a gata já devia ter sido esterilizada, e por aí fora...eu nunca faria nenhum daqueles "investimentos" que me dão prazer e qualidade de vida e que deixam uma clique de invejosos, com quem me tenho de cruzar no dia-a-dia, ainda mais roídos.
Ninguém precisa de TGV em nenhum lado do Mundo. Ninguém precisa de um Porsche na vida. Mas que a vida não é a mesma com eles, que ninguém duvide.
Nem todas as opções na vida podem ser feitas à luz do deve e haver. Esse tipo de tabuada é boa para a nossa contabilista-adjunta do professor de economia Cavaco Silva, a dona Ferreira Leite. Há muitas opções na vida que, tendo custos, não são por si resolvidas só à pala das contas de somar e sumir. São opções políticas, opções de vida, no limite são opções ideológicas.
Os portugueses são um povo sem ambição, com medo e com o gosto pelo miserabilismo. A opinião pública esteve contra a construção do CCB, da Ponte Vasco da Gama, da auto-estrada para o Algarve. Houve quem estivesse contra a televisão a cores em Portugal e isso ia custando votos ao governo socialista de então.
Os portugueses estão contra quem tem sucesso, contra a modernidade, embora depois sejam dos maiores consumidores de telemóveis e peregrinos de centros comerciais.
Ninguém precisa de TGV em nenhum lado do Mundo. Ninguém precisa de um Porsche na vida. Mas que a vida não é a mesma com eles, que ninguém duvide.
Nem todas as opções na vida podem ser feitas à luz do deve e haver. Esse tipo de tabuada é boa para a nossa contabilista-adjunta do professor de economia Cavaco Silva, a dona Ferreira Leite. Há muitas opções na vida que, tendo custos, não são por si resolvidas só à pala das contas de somar e sumir. São opções políticas, opções de vida, no limite são opções ideológicas.
Os portugueses são um povo sem ambição, com medo e com o gosto pelo miserabilismo. A opinião pública esteve contra a construção do CCB, da Ponte Vasco da Gama, da auto-estrada para o Algarve. Houve quem estivesse contra a televisão a cores em Portugal e isso ia custando votos ao governo socialista de então.
Os portugueses estão contra quem tem sucesso, contra a modernidade, embora depois sejam dos maiores consumidores de telemóveis e peregrinos de centros comerciais.
Quando tocam os sinos da piroseira a malta toca a reunir nas grandes superfícies. Quando está em causa uma aposta, o risco, preferem um subsidio.
Nunca se chegará a um consenso sobre o TGV. Este governo perdeu já demasiado tempo, encheu-se de miaúfa, está a adiar o que já devia estar a andar.
A grande vigarice de Ferreira Leite e dos seus putativos ministros será esta: negarem agora o investimento nas grandes obras, ganharem as eleições com essa tramóia, e se forem poder (te arrenego!!) a primeira medida que vão tomar é por essas obras a andar. Só que não será pelo lado visionário, será pela pressão das clientelas que apoiam este PSD dos interesses.
Não fazer TGV é ficar de fora da rede europeia e é cortar ainda mais com a ligação a Espanha.
É olhar o passado pelo retrovisor com nevoeiro sebastianista pela frente.
Nunca se chegará a um consenso sobre o TGV. Este governo perdeu já demasiado tempo, encheu-se de miaúfa, está a adiar o que já devia estar a andar.
A grande vigarice de Ferreira Leite e dos seus putativos ministros será esta: negarem agora o investimento nas grandes obras, ganharem as eleições com essa tramóia, e se forem poder (te arrenego!!) a primeira medida que vão tomar é por essas obras a andar. Só que não será pelo lado visionário, será pela pressão das clientelas que apoiam este PSD dos interesses.
Não fazer TGV é ficar de fora da rede europeia e é cortar ainda mais com a ligação a Espanha.
É olhar o passado pelo retrovisor com nevoeiro sebastianista pela frente.
domingo, junho 21, 2009
O meu MGB e o TGV

Há 25 anos em plena crise económica em Portugal, desemprego, fome em Setúbal, Bloco-central no poder, gasolina a preços proibitivos, eu era um arquitecto sem grande futuro e um fotojornalista promissor. Tinha amealhado uns dinheiros e trocado o meu Dyane com 110 mil quilómetros (que tinha comprado novo) por um Citroen Visa, na altura um carrito com algum vistaço. Passados 6 meses de ter o pequeno-aburguesado utilitário, um amigo meu arquitecto demonstrou-me que era uma patetice gastar 330 contos num carreco novo quando por menos podia andar montado num MGB usado e que a diferença de preço ainda dava para sustentar o guloso MGB por uns dois ou três anos.
Fiz contas, entreguei o Visa num stand e trouxe um MGB-GT lindo, de jantes raiadas, volante de madeira, roncar de bólide e um charme eterno. Eu, um teso, andava com um carro esplêndido que me tinha custado menos do que um utilitário. Claro que a primeira revisão custou-me logo 40 contos, mesmo assim ainda não estava a perder dinheiro. Na oficina insistiam em me tratar por doutor e o sr.Alexandre, o chefe, aconselhava-me a pôr liquido refrigerante no radiador, em vez de água, por causa das viagens no inverno à Serra Nevada (ele estava sempre convencido que eu ia e até citava o Dr. Balsemão que ia, e que estava longe de vir a ser o meu patrão).
Para os meus amigos ter comprado um MGB era uma loucura. Ficaria comprometido o meu futuro financeiro, perderia poder de compra, gastaria um exagero em gasolina, pagaria contas caladas de oficina, o meu filho só poderia andar no banco de trás até aos 10 anos ( e já tinha 7), não dormiria descansado com aquele carro na rua, não dava para trabalhar como repórter, enfim: eu estava doido e acabaria por vender o carro passado pouco tempo, agoiravam entre moralismos e uma evidente inveja. Tive o MGB 14 anos, vendi-o por 1850 contos, mais 1500 contos do que na compra. E só o vendi porque já tinha um Porsche e eram dois carros rivais entre si. Optei pela mudança e por outra cultura automóvel. Mas ainda tenho todos os dias umas saudades incríveis do carro. Namorei, viajei, roubaram-mo, reavi-o, tive um acidente enorme com ele em Espanha e foi estúpido vendê-lo.
Esta minha aventura faz-me lembrar a discussão sobre termos ou não TGV. À partida tudo parece uma questão de simples bom senso não termos TGV. Há óptimos e baratos voos low-coast e o comboio tradicional serve para fazer 200 quilómetros até Elvas e 300 até ao Porto. Portugal pode investir em coisas com retorno mais imediato. Mas esta é a questão que se põe quando na nossa vida temos de fazer opções de fundo. Comprar casa ou alugar ? Comprar o Rolex com que sempre sonhámos ou um Swatch? Ir fazer aquela longa viagem ou ir para a INATEL? Casar ou viver eternamente num t0 com vista para Alfama? Ter filhos ou uma discoteca invejável? Tudo são opções. E aquela frase: se casa não pensa, se pensa não casa, aplica-se bem ao TGV.
Agora podemos achar que o investimento vai ser brutal, no futuro vamos olhar para trás e vermos que foi a oportunidade perdida.
Começo a pensar que não basta uma análise economicista para recuarmos no TGV. Estamos fartos de economistas e das suas opiniões burocráticas e pessimistas. Porventura temos mesmo de avançar, não a todo o vapor, mas a todo o power.
terça-feira, junho 16, 2009
CHAMAVAM-LHE JAMAIS E DEIXOU O TGV NO APEADEIRO
Percebe-se que Sócrates entrou em desnorte. A ideia de que era um duro já se tinha há muito dissipado, agora com a derrota humilhante veio à tona a imagem de um político fragilizado, indeciso, incoerente, um líder que dirige o rebanho ao sabor do vento, um timoneiro que só já consegue navegar com costa à vista.
O recuo sobre a decisão do TGV é a gota de água. Ontem Lino tentava pressionar Cavaco no sentido de ele ter de acabar por dar o ok ao inicio do processo do TGV, mas hoje era o mesmo Lino que vinha dar aos jornais mais amigos do PS (DN e i) a grande manchete de que afinal o TGV ia ficar para já parado no apeadeiro. O homem das obras por fazer tem azar e tem um jeito especial para falar tarde e já fora de tempo, ou fala muito antes do tempo. O nosso Jamais aí está com mais uma gaffe histórica.
Claro, que deve ter havido um aviso de Belém. Se o governo teimasse em avançar o comboio contra tudo e contra todos o nosso agulheiro iria fazê-lo parar desse lá para onde desse. Para não comprar mais uma guerra com o PR e sair derrotado, o engenheiro acabou por recuar o comboio. Ele que era o cowboy dos duros acabou com o duro dos comboios. Duro mesmo só Durão (que agora é Barroso), o único portuga ao lado de Ronaldo que continua em alta e de quem no estrangeiro ainda se sabe o nome.
Percebemos que isto vai entrar tudo em câmara lenta. Eu diria: vamos ficar com o país em câmara ardente durante o verão. A malta está ansiosa por receber o subsidio de férias (aqueles que ainda têm essa regalia social), os desempregados respiram porque ainda vai haver um dinheirito para a praia, os reformados e os funcionários públicos têm o deles garantido, sem a corrosão da inflação, e Sócrates vai refrear a cabeça numa praia longe da multidão e, reza ele, dos paparazzis portugueses- que são tão incompetentes que nem vão perceber que o Primeiro vai andar por aí, não longe porque há que manter os alertas vigilantes.
Os professores com um bocado de pressão ainda conseguem anular as classificações (ou não conseguiram já?) e a partir de agora é tudo à vontade do povo.
Estas atitudes repetem-se sempre nos arrogantes de meia tigela, naqueles que não têm convicções, nem programas, nem rigor. O que mais marca este governo é essa falta de acreditar, a fobia pelo marketing, a politiquice aprendida nos manuais (?) rascas da televisão populista.
Isto é o governo, mas o país não é diferente. Por isso, talvez Sócrates ainda consiga uma vitoriazita para um governozito, para um tempito, para depois se retirar demissionário, mártir, a tempo de avançar para esse palácio inexplicavelmente tão desejado: o palácio rosa em Belém.
O recuo sobre a decisão do TGV é a gota de água. Ontem Lino tentava pressionar Cavaco no sentido de ele ter de acabar por dar o ok ao inicio do processo do TGV, mas hoje era o mesmo Lino que vinha dar aos jornais mais amigos do PS (DN e i) a grande manchete de que afinal o TGV ia ficar para já parado no apeadeiro. O homem das obras por fazer tem azar e tem um jeito especial para falar tarde e já fora de tempo, ou fala muito antes do tempo. O nosso Jamais aí está com mais uma gaffe histórica.
Claro, que deve ter havido um aviso de Belém. Se o governo teimasse em avançar o comboio contra tudo e contra todos o nosso agulheiro iria fazê-lo parar desse lá para onde desse. Para não comprar mais uma guerra com o PR e sair derrotado, o engenheiro acabou por recuar o comboio. Ele que era o cowboy dos duros acabou com o duro dos comboios. Duro mesmo só Durão (que agora é Barroso), o único portuga ao lado de Ronaldo que continua em alta e de quem no estrangeiro ainda se sabe o nome.
Percebemos que isto vai entrar tudo em câmara lenta. Eu diria: vamos ficar com o país em câmara ardente durante o verão. A malta está ansiosa por receber o subsidio de férias (aqueles que ainda têm essa regalia social), os desempregados respiram porque ainda vai haver um dinheirito para a praia, os reformados e os funcionários públicos têm o deles garantido, sem a corrosão da inflação, e Sócrates vai refrear a cabeça numa praia longe da multidão e, reza ele, dos paparazzis portugueses- que são tão incompetentes que nem vão perceber que o Primeiro vai andar por aí, não longe porque há que manter os alertas vigilantes.
Os professores com um bocado de pressão ainda conseguem anular as classificações (ou não conseguiram já?) e a partir de agora é tudo à vontade do povo.
Estas atitudes repetem-se sempre nos arrogantes de meia tigela, naqueles que não têm convicções, nem programas, nem rigor. O que mais marca este governo é essa falta de acreditar, a fobia pelo marketing, a politiquice aprendida nos manuais (?) rascas da televisão populista.
Isto é o governo, mas o país não é diferente. Por isso, talvez Sócrates ainda consiga uma vitoriazita para um governozito, para um tempito, para depois se retirar demissionário, mártir, a tempo de avançar para esse palácio inexplicavelmente tão desejado: o palácio rosa em Belém.
sábado, junho 21, 2008
Espanha dá banhada no TGV

Os espanhóis marimbaram-se na linha Badajoz- Madrid ( para já, talvez porque não são ricos nem tolos) e deixam o engenheiro Sócrates e o homem do deserto Mário Lino com o TGV nos braços. Escreve O Sol de hoje.
Quem ganha com isto são os portugueses: menos despesa pública e a médio prazo menos um elefante branco para pagar. Triste deve ficar a secretária de estado que gosta de comboios.
Esta atitude da Espanha demonstra como "lá fora" existe consciência em não avançar com investimentos sem retorno em tempos de incerteza. Sócrates não aprende, aqui Leite é melhor.
Queriam TGV ? Vão nos voos low-cost que são mais baratos e não precisam de milhões em investimento ou então vão de comboio correio. HUUUU!--HUUUUU! Nova corrida, nova viagem!!!
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Reflexão sobre o TGV

*Travar para pensar*
Experimenta ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dás contigo num comboio que só se diferencia dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros. A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais. O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.
Experimenta ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dás contigo num comboio que só se diferencia dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros. A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais. O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não trará qualquer benefício à economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.
Diogo Trindade ( texto a circular na net por e-mail)
terça-feira, maio 22, 2007
Dar uma dança com ela e apita o TGV !
Um casamento na zona saloia é sempre uma festa. Tristezas não pagam dividas e na hora de dar ao pé o que é preciso é ritmo. Os portugueses nunca param de me surpreender. Neste caso pela positiva. E siga o baile....
Um video de Luiz Carvalho
sexta-feira, outubro 27, 2006
Scuts e RCC (Rápido Como o Carago)
A primeira imagem do TGV socratista com o sistema Mário Linux (RCC, rápido como o carago)As scuts nasceram para renovarem a decrépita rede rodoviária nacional.
As Ip´s do cavaquismo e de Betoneira do Amaral eram estradas já obsoletas sem segurança activa, sem engenharia para responderem aos novos desafios do desenvolvimento, ao parque automóvel maior e mais rápido.
As scuts eram estradas novas, seguras, com abs, airbag, controle de tracção, controle de estabilidade, àreas de serviço, foram pensadas como as novas estradas.
Nunca foram pensadas como auto-estradas para serem alternativa às nacionais existentes.
A ideia política era tornar o país mais curto em tempo, mais moderno, mais àgil. Artérias de desenvolvimento, crescimento, a verdadeira regionalização já que passava a haver menos distância ao litoral, do interior às grandes cidades.
O dinheiro do Feder, ao que julgo cerca de 60 por cento do custo total, tinha como fundamento a modernização de Portugal.
O governo de Durão Barroso na sua febre neo-liberal achou que pôr a CREL a pagar portagem era a redescoberta da galinha dos ovos de ouro e Santana seguiu o mau exemplo.
Sócrates que na campanha eleitoral tinha prometido não aumentar impostos, nem pôr os portugueses a pagar scuts, mente agora sem vergonha e decide pôr a pagar as scuts.
Alguns troços não têm alternativa nas nacionais, a renegociação com as concessionárias vai ser dura e desfavorável ao Estado e as receitas liquídas depois de esprimidas vão dar uma ninharia ( o custo anual das scuts é agora 1,5 por cento do pib) já que só o sistema para pôr os utentes a pagar vai custar uma nota negra e porventura irá fechar acessos a povoações tornando-as ainda mais marginais.
Uma vergonha.
A Espanha construiu vias rápidas ( exemplo a de Badajoz-Madrid) sem custos para o utilizador. Aliás as auto-estradas pagas em Espanha são aquelas que são alternativas às estradas nacionais ( óptimas!) e que foram constrúidas nos anos 70.
O que é verdade é que estas portagens são mais um imposto sobre os portugueses.
É mais um expediente para os contribuintes continuarem a pagar um Estado gordo, gastador, inibidor do investimento público e privado. Um Estado absurdo, incompetente, caro e desorganizado.
Os portugueses podem continuar nesta letargia.
Não se ralem. Não ponham em causa o engenheiro.
Amanhã Mario Linux vai anunciar pela enésima vez o TGV. Mais uma loucura.
Todos sabemos que o TGV é para países onde as distâncias a vencer têm de ser no minímo de 600 quilómetros. Sócrates quer um Porsche para andar no Bairro Alto. Os tansos pagam.
Sabemos que o TGV não vai criar mais riqueza nem crescimento.
Um país triste. Vamos ter alta velocidade mas as carruagens da linha de Cascais chegam a ficar pelo caminho, desatrelando-se da máquina. Não é o máximo ?
Agora a dor de cabeça de Linux é que o TGV não se vai poder chamar TGV.
Para adaptar a coisa à lngua portuguesa porque não RCC ( Rápido Como o Carago?)
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