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domingo, maio 30, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
Eduardo Gageiro no Curso de Fotojornalismo de Luiz Carvalho
segunda-feira, novembro 10, 2008
Gageiro na Mãe de Água


As fotografias do Eduardo Gageiro dispensam palavras. Porque falam por si e são boas em qualquer parte do Mundo. Ele marcou a fotografia portuguesa na década de 60-70 e sem as suas fotos Portugal era mais desconhecido, a nossa memória colectiva muito, mas mesmo muito, mais débil.
Eu sou fã das suas fotos desde os meus 16 anos. Influenciou-me imenso. Aprendi com ele a perspicácia no terreno, o atrevimento, a audácia, o nervo, a intuição amestrada. Gosto da força das suas fotos, do expressionismo, da mensagem directa. Do instante. Gosto do apuro técnico, da técnica fotográfica pura e do prazer pelo enquadramento. Claro que tudo isto é em Gageiro por vezes apenas e só instinto e intuição. Ele é uma espécie de batedor da floresta, alguém em quem se pode confiar para desbravar mato e apanhar a presa a qualquer momento.
Ele faz parte de uma geração de repórteres que estavam sempre no sítio onde os bate-chapas não estavam, à coca, a cheirar o imprevisível. Gageiro fotografava contra as regras, por vezes contra tudo e contra todos. Quando todos usavam flash ele "puxava" os filmes, quando os outros fotografavam o país sentado ele esperava que ele se levantasse. Quando os rotineiros iam jantar ele esperava que o caixão com o Salazar fosse destapado. Ainda muitos usavam a Rollei no umbigo ele já a punha rente ao chão para apanhar a alma dos peregrinos de Fátima. Ainda os outros não tinham descoberto a grande angular já ele a usava para estar perto da acção (e não conhecia de certeza a frase de Capa!).
O Gageiro é a nossa Amália da fotografia. Para o melhor, e para o pior só se for num certo salonismo que ele herdou dos tempos em que as tarde com o António Paixão no laboratório da Filmarte eram tertúlias de fotógrafos artistas.
Esta exposição que ele agora mostra na Mãe de Água confirma tudo isto mas também não acrescenta nada de novo. Que pode um fotógrafo acrescentar ao fim de 50 anos de carreira? São fotografias que revisitamos sempre com gosto. Mas desta vez a opção por provas digitais não foi a melhor. O papel e as impressoras Canon estão muito longe da excelência da EPSON e o resultado comparado com as impressões analógicas da exposição do Museu da Electricidade, feita há anos, é muito inferior. Mesmo a opção por um sépia que virou vermelho não foi a melhor. A mesma critica aplicaria ao livro.
Mesmo com estes percalços são as fotos do Gageiro. Eternas.
terça-feira, outubro 23, 2007
Gageiro e as medalhas olímpicas chinesas
Durante vinte e três anos não falei ao Eduardo Gageiro. Ele ficou zangado comigo porque testemunhei a favor da Ana Esquível num processo um bocado patético. Apesar de ter deposto a favor dele em tribunal, mesmo sendo testemunha do lado da acusação, ele achou sempre que eu cometera uma traição. Sempre me doeu ele assim pensar. Ainda tentei explicar-lhe mas ele já era surdo e também não estava para aí virado.
Foi o António Pedro Ferreira que nos aproximou há dois anos, se tanto. Fiquei bastante aliviado. Depois fiz-lhe uma grande entrevista para a Única o que me regozijou muito. O mestre merece-o.
Apesar de não lhe falar, durante todos aqueles anos, nunca deixei de admirar a sua obra. Sempre me intrigou a sua excepcional intuição, o seu apuro técnico, o sentido jornalístico, a capacidade de contar histórias e de fazer História.
E também sempre me fez confusão como uma pessoa com um feitio por vezes muito difícil, de atitudes inexplicáveis ( e isto nada tem a ver com a nossa zanga) consegue fazer fotografias tão sensíveis, pungentes mesmo.
Gageiro é um sobrevivente de uma geração de fotógrafos de imprensa que por vezes tinha contornos de uma verdadeira máfia. Ele para vencer teve de lutar e de usar armas por vezes menos apropriadas. Às vezes tem de ser assim quando a guerra o exige.
Sem complexos posso escrever que aprendi muito com ele. Vê-lo trabalhar era para mim uma lição. Andava como um gato, uma máquina na mão e não a tiracolo, pouco espalhafato, nada de flash, e disparava e desaparecia. Ou dizia qualquer coisa enquanto disparava.
Vi-o discutir com polícias e militares ( numa torre frente ao Ralis no 25 de Novembro), vi-o enfrentar manifestantes, apanhei-o muitas vezes em contracampo à procura de um ângulo diferente. a trabalhar era um buldozzer. Agressivo e rápido.
A ideia de fazer a foto que os outros não tinham feito, o ângulo, o gesto, era um desafio permanente nele. Era, e é, um fotógrafo que procurava fazer diferente dos outros, fotografava sempre com intenção. Podia estar aqui a noite inteira a escrever sobre ele.
Lamento imenso que amigos meus como o António Homem Cardoso não possam nem ouvir falar nele, e percebo-o bem, mas não posso deixar de falar do Gageiro como um caso único de intuição e saber fotográfico.
Ganhou muitos prémios, continua a ganhá-los, mesmo em concursos mais artísticos do que jornalísticos, mas ele é e sempre foi um fotojornalista.
É bom assumirmos os nossos mestres, num tempo em que as referências escasseiam, e os jovens turcos têm como passatempo atirar setas de voodoo àqueles com quem tudo aprenderam.
Parabéns Eduardo e anda daí para um grande cozido no 31 de Campo e Ourique !
quarta-feira, novembro 15, 2006
Cozido à portuguesa entre mim e Eduardo Gageiro
Eduardo Gageiro hoje no STOP em campo de Ourique depois de um cozido divinalEu tinha 16-17 anos apareci no Século e o Eduardo Gageiro recebeu-me e viu a minha caixa de fotos a preto-e-branco. Fiquei-lhe sempre muito agradecido pelo gesto. Eu apreciava muito o trabalho dele que via publicado no Século Ilustrado e mais tarde no àlbum Gente. Ele foi a minha primeira referência no fotojornalismo. Sempre o vi como um mestre. Admirava o seu estilo de fotografar, máquina na mão, apontar e disparar, o circular no terreno discreto, como um gato, certeiro. As suas fotografias sempre conjugaram o rigor do enquadramento, com o apuro técnico e com a narrativa visual jornalística. As suas fotos têm emoção, instante e muita sensibilidade. São as melhores fotografias de Portugal nas décadas de 60-80. Naõ quer dizer que as mais recentes não sejam boas. Mas naqueles anos as suas fotos marcaram e testemunharam a realidade portuguesa.
No inícios dos anos 80 o Eduardo Gageiro- que não prima pelo bom feitio- zangou-se comigo por causa de eu ter sido testemunha num processo contra ele, apesar de eu ter sempre declarado que nada me movia contra ele.
O ano passado o António Pedro Ferreira proporcionou as pazes entre nós numa exposição onde participavam o Alfredo Cunha e ele APF.
Foi um gesto simpático e proporcionou-me arrumar esta contenda estúpida na minha vida. Sempre respeitei e elogiei o trabalho do Gageiro.
Hoje entre uma grande almoçarada no STOP de Campo de Ourique, um divinal cozido bem regado a tintol tranquilizante e o môno do novo livro do Eduardo foram momentos de grande comoção.
Isto vai caír mal em amigos meus. O Gageiro tem muitos anti-corpos, alguns fotógrafos preferem não lhe falar, mas eu acho que a sua obra é superior a episódios mais ou menos mesquinhos.
Ele é das poucas pessoas que conheço que ama a fotografia e que esteabeleçe uma relação única com o acto de fotografar.
Este seu livro sobre as religiões vai ser de arrasar. As fotografias são sublimes, muitas feitas nos últimos anos e inéditas, muito bem impresso com uma lógica de edição coerente e comunicativa.
Voltarei ao livro e a outras conversas com Gageiro.
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