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terça-feira, março 06, 2007

O canto do Sardo

Icnologia - diz ele

Esta iconologia do intervalo deriva de uma necessidade de compreensão da arte como uma zona de não-fixação, entre impulso e acção, fora de qualquer fixação formal, como estigma de um movimento. No entanto, a nossa percepção do movimento não nos permite ver a impossibilidade da sua representação. Delfim Sardo


Sem comentários !!!!!!!!!!!!!

Foto do dia: O canto do Sardo apetrechado de papel para higienizar idiotas. Peça a ser exibida na Bienal de Veneza dos lobistas.

Tudo sobre Sardo, todos contra Sardo

Passo a palavra aos visitantes do Instante Fatal:

Escreveu aqui Rodrigo Cabrita:

Quero falar-vos de uma história que se passou comigo a propósito deste senhor. Um dia tinha na agenda ir fotografar o então homem-forte do CCB, Delfim Sardo. Recordo-me agora depois de ler todos estes teus posts que o mesmo, em declarações à redactora do DN, disse convictamente que iria acabar com o WPP no CCB. Disse-o com um desprezo e uma crueldade tão fria como a careca dele. E estranhei. Afinal, e pela boca dele, aquela era somente a exposição que mais visitantes dava ao CCB. Mas então o porquê de acabar? Confesso que na altura fiquei desapontadíssimo, iria deixar de ter o meu ritual anual para ver tão mediática exposição embora da mesma forma que fiquei desapontado, também pensei que o tipo não era bom da cabeça e dei-lhe o devido desconto. O facto é que a exposição por lá ficou...para bem de todos nós e provavelmente para mal dele. Nunca esqueci a forma dura como se referiu ao evento. Deparei-me hoje com estes textos e passado todo este tempo, percebo que aquilo não era inocente. Fico triste, mas enfim...são opiniões. Recordo-me posteriormente à sua entrevista, a forma como me tratou quando foi preciso fotografar uns meses depois uma artista no CCB. Disse-me: "Epa, a não sei quantas está acima de nós por isso não a incomodes, é uma grande artista". Fiquei parvo. Disse-lhe que acima de mim só Deus e que no resto somos todos seres humanos iguais, além de que se a sra é uma grande artista, então que se comporte como tal! Por várias razões: 1) Para ficar bem na foto fazendo o que lhe peço ; 2) Para quando colocarem meu nome no jornal ser associado a qualidade e não ser apenas mais uma foto e 3) Se ela e você, não estiverem de acordo, digam-me já e vou embora! Mandem CD pela minha colega e ficamos amigos! Minha colega não sabia onde se meter e ele percebeu, pelo menos naquele momento, que não estava ali para brincar. Fiz o trabalho e felizmente ficou bem, mas podia ter ficado melhor se não "falasse" com a artista de modo a ela não aceitar mais fotos. Do melhor...Estes posts apenas me reavivaram a memória para algo que até já tinha esquecido. O respeito que eu tenho pelo trabalho do Sr. Delfim é proporcional ao que ele tem pelo meu ( fotojornalismo ) ou seja 0!!! É a minha opinião, assim como ele tem a dele. Luiz, um grande abraço e continua a fazer deste blog, um GRANDE blog!

Escreveu aqui Mário:

Não há problema nenhum em misturar linguagens, como não há problema nenhum em manter essas linguagens separadas. A questão aqui tem a ver com a incapacidade de muita gente de ver valor em abordagens diferentes. Não precisamos de conhecer a história da fotografia ou das artes plásticas para fotografar, embora ajude bastante, agora para comissariar exposições isso já me parece necessário, assim como uma boa dose de humildade, o que não me parece que aconteca com a pessoa em causa.O que eu vejo aqui é mais uma variante da exclusão social, neste caso aplicada à fotografia. Num plano "superior" (segundo o que se depreende) estarão os "artistas" e depois lá para baixo vêm os fotojornalistas e ainda pior os "amadores". Tudo o que se move abaixo do seu plano iluminado não existe e é apenas pó que acabará por ser soprado pelo vento.Ora assim como é possível tirar gozo estético de uma música de Perotin ou de um rock and roll dos Ramones, também é possível apreciar fotografias produzidas para objectivos muito diferentes, tal como o pepper #30 de Weston, as fotos do Ruanda de Natchway, ou os retratos de Karch.As artes não podem ser um campo de exclusão, baseado em considerações económicas ou de "classe", é o que eu defendo.Há valor em todos os campos artísticos, porque em todos há pessoas talentosas e preseverantes, mas também há muitas fraudes e vaidade humana, e é dessas que nos devemos afastar.


Escreveu aqui Bimooth:

Concordo inteiramente com o comentário de Mário. As modernas formas de expressão artística deixam-me muitas vezes com esta dúvida: sou eu que não percebo ou alguém está tentar enganar-me, sem sucesso? Penso que a melhor forma é deixarmos que a nossa intuição fale. Assim, entendo a arte como aquilo que me estimula os sentidos e a imaginação. Deixar os limites da arte no campo do subjectivo: o que é arte para mim, não será necessariamente para outros. Admito que isto se complica quando há prémios e subsídios envolvidos. E é preciso haver cuidado nos critérios a usar. Parece que hoje, em certos meios, reinam os intelectualóides, que, numa obscuridade que os esconde do cidadão comum, põem e dispõem de recursos que, melhor distribuídos, poderiam estar a fertilizar uma população que já deu grandes provas de ser criativa. E não estou a falar só de dinheiro. O mais importante seriam as oportunidades de pelo menos ser-se visto (fiquei curioso quanto ao trabalho referido da Susan Meiselas, onde poderá ser visto?). Em tempos idos, tivemos alguns grupos de pessoas, que inovaram no campo artístico. O Almada Negreiros fez umas coisas bizarras na sua juventude (aquela conferência, onde aparecia grotescamente vestido, o Manifesto, A Invenção e por aí fora. mas tinha o objectivo de interpelar a sociedade. E a coragem para o fazer. Hoje, certas correntes da «arte» parecem-se mais com pequenos parasitas discretos, que vão sugando aqui e ali...

Escreveu aqui Nuno Amaro:


Fiquei com a sensação que o próprio Delfim Sardo se arrependeu imediatamente do que disse. Mas o que não falta por aí é gente que fala sem pensar. Tenho ideia que o mundo é feito de equilíbrios e que, para existir o belo, tem de existir o feio. Se não fossem os paparazis, nunca veríamos uma Britney careca a partir um carro com um guarda-chuva. E imagens destas também têm o seu valor. Pouco, mas têm.Cumps.

212 à hora rematou:( cuidado porque este tipo é polícia!)

O meu conhecimento de fotografia vai pouco mais além de distinguir um sardo de um robalo (ou de uma tainha), como confesso abaixo.Gosto deste blogue, sobretudo, pelas "provocações com afecto" e de algumas sem afecto, diga-se em boa verdade.Por isso, parto-me a rir com alguns dos posts (por acaso, também vi o programa e o discurso cheirou a "intelectualóide"... mas, aqueles olhos da Paula Moura Pinheiro até põe um homem... cego).E porque gosto do blogue pelas provocações com, ou sem, afecto, não posso de deixar de apreciar a "bestiola" do Luís de Carvalho, já que diz o que tem a dizer, embora ás vezes passe as marcas, mas sempre de cara aberta, com frontalidade. Tomara eu poder fazer o mesmo..., sem correr o risco de me acontecer como ao Hélder Fráguas, do Aqui e Agora.


Paulo Sousa também comentou:

Isto dá pano para mangas!

É claro que existem pessoas que utilizam a fotografia como "um fim" e pessoas que utilizam a fotografia como "um meio".

E cada vez que leio mais, mais baralhado fico.

Por exemplo, como o Jorge Calado referiu numa das ultimas aparições da secção BesArte da revista do expresso, em relação a uma fotografia de Benoliel, escrevia ele que "Esta fotografia vale um tesouro. É, portanto, arte."

Recentemente tivemos a atribuição do "maior prémio de fotografia do país, o besphoto. Mas maior em que sentido? Do valor monetário, claro. E isso é Arte. Se vale tanto, é arte.
Mas este prémio também pode ser visto de outra forma: não se está a premiar arte fotográfica mas está-se a atribuir um valor a umas coisas que dizem ser "fotografia". E se aquelas "obras" valem assim tanto, então são arte, concerteza. O valor que o bes atribui é que lhe concedeu o estatuto de "arte".

Estou desgraçado. Nunca vou conseguir fazer arte. Não consigo que alguém atribua um valor monetário ao meu trabalho. Ninguém daria um chavo pelas minhas fotos...

E como escreve Alexandre Melo num dos seus livros, "Porque é que há obras de arte que custam uma fortuna? Porque há quem esteja disposto a pagar uma fortuna por elas. Pode até acontecer que um pequeno grupo de pessoas esteja disposto a pagar qualquer preço por obras que a esmagadora maioria não quereria nem dadas."

E Fernando acrescentou:

Luiz, veja então isto...o homem que pregou tanto sobre o sistema de zonas do Ansel Adams...vai-se a ver e é uma farsa...as fotos não têm preto nem branco, são apenas cinzentos vários...logo cai por terra todo aquele discurso...só dá vontade de rir (ou chorar)
Veja então aqui

E meu caros para animar a festa hoje à Blaufuks na 2 com a Ana Sousa Dias ( por acaso irmã do fotógrafo Pedro Sousa Dias e tia do Tiago, filho do Pedro).

Haja Besphoto. Amen







segunda-feira, março 05, 2007

Delfim Sardo gosta de lavatórios como obra de arte


A arte que Sardo defende pode ser um...lavatório.
Tendo ele seleccionado como comissário para uma exposição sua um lavatório a empregada da limpeza não esteve com meias medidas e deitou-o para o lixo.

Mais culta do que o Sardo fez o que tinha a fazer: reduzir á sua verdadeira dimensão os critérios idiotas da bestiola.

Que nunca lhe doam as mãos !

Veja aqui a história.

Eu por mim elegia uma retrete e deitaria com um daqueles dilúvios potentes, cano abaixo, aquelas fotografias escolhidas por Sardo. Era um alívio para os olhos, claro.

Uma fotografia é uma fotografia


A fotografia não se resume ao fotojornalismo.
O exercício da expressão, o uso dos suportes disponíveis, qualquer que seja é livre.
A fotografia não é um dogma e ser fotógrafo não é seguir esta ou aquela cartilha.
É tão legítimo fazer reportagem, como retrato, fotografar em película ou em digital, usar instantes decisivos ou praticar poses longas.
A diversidade de estilos, estéticas, tendências, acabam por constituir a riqueza e o fascínio da fotografia.
Mas há uma condição para uma fotografia ser uma fotografia: coerência, estrutura narrativa, técnica, intenção, olhar, domínio da luz, cultura fotográfica.
Quando participei em 1982 no Mois de la Photo, um dos organizadores ao ver as minhas primeiras impressões não hesitou em me criticar: " podes fazer o que quiseres mas a qualidade técnica, o acabamento das fotos, tem de ser irrepreensível!". Tinha razão.

Ora, eu não critico os artistas plásticos por usarem o suporte fotográfico, tal como não critico a polícia por fotografar os suspeitos; só que uns e outros estão a usar a técnica fotográfica, não estão a usar a linguagem da fotografia.
Até podemos achar que esses retratos da polícia constituem um património valioso, e no limite artístico, como aconteceu agora com fotos antigas recuperadas, mas devemos manter alguma prudência, porque corremos o risco de perdermos critérios, referências.

Por exemplo a Helena Almeida faz instalações muito curiosas, e que gosto, depois o marido fotografa-as mas aquilo não é fotografia. São instalações fotografadas. Ela insiste que não faz fotografia mas os critícos insistem que ela é fotografa.
O que é definitivamente aberrante é aparecerem personalidades que desconhecem a História e a linguagem da fotografia e por arrogância decidem assumir que a fotografia e o seu exercício são práticas desprezíveis porque a fotografia não deve ser a representação da realidade e qualquer realismo ou relação com a verdade do real é uma fraude.

Para estes gabarolas o que conta é a colagem da fotografia à pintura e ao lobby das artes plásticas. Veja-se o caso do Molder: um pintor frustrado que tem sabido gerir uma carreira assente nos lobbys dos comissários e que é tão fotógrafo que nem sequer tira aquilo que ele chama de suas fotografias. É caricato, ridículo, mas é o que colhe em meios tão errados como o BESphoto, outra aberração cultural. Mas pegou, é um facto.


foto de Man Ray

Quando o Sardo deita postas de pescada


Ainda a propósito do programa Câmara Clara sobre fotografia com a presença do Sardo e daquele que será o Ansel Adams dos pobres.

O Sardo é uma daquelas figuras que pululam na "cultura" portuguesa, um daqueles idiotas úteis para servirem de burocratas aos designios artisticos daqueles que têm de mandar na cultura e não sabem como.

Este Sardo veste um fato preto, monta um daqueles Land Rover que a Expo 98 gostava de dar aos burocratas ( não sei se é o caso), rapa a môna, fala entre dentes e está feito um inteligente citável. Depois de se ligar ao lobby do Molder, desata a vomitar ódio sobre a fotografia e o fotojornalismo.

Quando o Gerard Castello Lopes expôs no CCB era a bestiola director. Mas ao ter convidado várias personalidades para um debate sobre fotojornalismo, entre os quais estava eu, o Jorge Calado e o próprio Gerard, o excelentissimo faltou numa total falta de respeito e falta de coragem para participar no debate. Voilá...

Quando entrevistei a Susan Meiselas para o Expresso e lhe perguntei porque não estavam as suas melhores fotografias no CCB, sobre o trabalho que tinha feito na Cova da Moura, ela respondeu-me que a escolha tinha sido...do Sardo. Ao qu`isto chegou!

Quer dizer: o tipo não enxerga um boi à frente do que é fotografia mas tem a suprema lata de se armar em tutor, editor e censor de uma personalidade tão notável como a Susan Meiselas. Depois vem à televisão arrotar postas de pescada sobre fotojornalismo.

sexta-feira, março 02, 2007

A bestiola

Perdeu-se hoje na RTP-2 uma boa oportunidade para se falar de fotografia.
Paula Moura Pinheiro quis meter o Rossio na Betesga e fazer, em alguns minutos, um programa sobre fotografia total.
Quem convidou ?
Uma das betesgas que mais sussura sobre arte, o inefável Delfim Sardo, cúmplice de Molder, e um desconhecido: Eduardo Veloso.
Pelo que ouvi trata-se de um amador que parou no tempo do Ansel Adams e pelo que vi tira umas fotografias paradas a preto e branco, sem o rigor do mestre venerado, nem o talento que seria de supor ouvindo a sua capacidade de citador.

Depois de várias peças sobre vários géneros fotográficos, depois comentados pelas sumidades convidadas, que iam despejando banalidades ou inventando teorias como as da relação fotografia- cinema ou pintura-fotografia, a cereja em cima do bolo veio da boca de Sardo que acha que o fotojornalismo está no limbo do que os paparazis fazem. Ele que foi programador no CCB, tem o descaramento de insultar o fotojornalismo e de pôr em causa a honra e a ética de quem exerce a profissão.

Pinhólas fica ao rubro, engole em seco, e ainda consegue vir em socorro dos colegas jornalistas-fotógrafos lembrando à bestiola que muitas das fotografias do World Press Photo conseguiram com a sua força documental tornarem-se em baluartes da defesa dos Direitos Humanos.