
António Pedro de Vasconcelos APV) não é só o benfiquista que transparece na RTP N naqueles debates de marretas da bola. O APV é um cinéfilo de gabarito, um intelectual criado no Vavá da Avenida de Roma em Lisboa, nos saudosos anos sessenta, quando ter um mini era porreiraço e a palavra "pá" nasceu na gíria alfacinha.
Se há quem goste de cinema, saiba dessa poda e tenha sentido cinéfilo é ele. Depois é um homem de charme encantador, um contador de histórias. Gosto muito do António Pedro de Vasconcelos e fico deliciado com este seu percurso de realizador. Ele ultrapassou bem o período do cinema de 16 milímetros, câmara ao ombro, preto e branco, som directo, planos sequência até se gastar o magazin, para um cinema que chega ao grande público e que sabe descrever a sociedade portuguesa. Deu esse passo em O Lugar do Morto e agora chegado a Call Girl vai ser a afirmação como o realizador português que mais entradas vendeu até hoje, sem abdicar de fazer cinema de autor.
Call Girl estreia a 27 de Dezembro e as crónicas que o mestre escreveu no Sol durante a rodagem do filme, em textos bajuladores para com a sua actriz fétiche, a Soraia Chaves, fazem adivinhar que vamos ter cinema de fazer crescer água na boca.
PS: o que um tipo tem de escrever só para ter o pretexto de pôr uma foto da Soraia !