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terça-feira, maio 06, 2008

Alípio:o adeus de um "polícia" que adora Mozart


Há pessoas de quem se gosta desde o primeiro momento. Alípio Ribeiro é uma dessas pessoas cheias de charme, educação, inteligência e muito bom senso. "Nunca, mas mesmo nunca perco a calma!"- disse ele em entrevista ao Expresso, ocasião em que eu o conheci. Escrevi aqui na altura que ter um " chefe da polícia" com aquele perfil era um luxo. Claro que as declarações públicas de Alípio Ribeiro não foram sempre das mais oportunas, isto é: eram politicamente incorrectas e desenquadradas do estilo vigente. Quem diz o que pensa ou surpreende na praça pública está hoje em dia condenado.
Já todos percebemos que o problema da PJ não são os directores mas uma estrutura viciada, obsoleta, sem orçamento nem meios, porventura com uma cultura arredada das novas exigências da criminalidade moderna. Reestruturar sem cheta uma casa daquelas deve ser impossível. E a vontade política para termos uma polícia eficaz não sei se será assim tanta. Se fosse para as finanças ou as actividades económicas, talvez já tivesse havido melhores resultados.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Tragam-lhes a cabeça de Alípio Ribeiro

As nossas oposições não só as partidárias, revelam uma total imaturidade. Mais: disparam para se saber que ainda existem. O ataque a Alípio Ribeiro é uma atitude tablóide, é política de sargeta. A imprensa, a rádio, as tvs têm estado todo o santo dia com a fogueira acesa, como se a Santa Inquisição funcionasse agora nos écrans ou nos sound bites das rádios. E funciona meus caros, infelizmente.
O Presidente veio responder com a voz entremelada, o passo incerto, o sorriso de noviça, à saída de uma cerimónia, a dizer que nada dizia sobre o caso. Também era só o que faltava !

Estamos perante uma histérica campanha de quem nada tem de válido a criticar. Parece que as idiotas, e graves ! e graves ! palavras do deputado do PS na AR a justificar de novo porque Sócrates fugiu ao prometido e não vai pôr a referendar o Tratado de Lisboa, são menos graves do que as sinceras, e sábias, declarações do director da PJ. Ou saber porque há políticos que querem esconder quanto ganham. Aqui a oposição recua. Quer faits-divers, quer sangue, quer a cabeça de Alípio.

Depois queixem-se que o país está uma piolheira.

Luiz Carvalho