Goncalo Amaral no primeiro dia do resto da sua vida na Praia do Alvor. Foto LC/Expresso
O processo
Maddie vai ser arquivado e hoje foi o primeiro dia "em liberdade" do inspector
Gonçalo Amaral, o homem que mais empenho terá posto para juntar as inúmeras e contraditórias peças deste caso
hipermediático, e que decidiu meter a papelada para a reforma.
Depois de todo o alarido, fica ao cidadão comum uma sensação de qualquer coisa mal acabada e pior: muito mal começada.
A história tem todos os ingredientes para o guião de uma superprodução cinematográfica. Uma família bem parecida da classe média alta, que vem de férias em Maio com inúmeros amigos para uma zona discreta do
Allgarve (!). Não se sabe porque estão assim tão
juntos, porque decidiram vir de férias, qual era a verdadeira relação entre eles, para onde foram depois, quem são, o que fazem, onde vivem, o que pensam do caso, o que sentiram, porque se escondem. Um mistério. Depois toda a construção do caso é feito à volta da permanente auto-defesa do casal, ao ponto de ter sido nomeado para porta-voz um assessor que trabalhava para o gabinete do primeiro-
ministro inglês.
Há falhas na investigação, tardia, porque à partida foi a tese do rapto que logo vingou e quando se avançou para a investigação criminal já era tarde para exames técnicos precisos, ouvir testemunhas que tinham desaparecido, algumas fundamentais.
Depois houve a demissão do inspector Gonçalo Amaral feita de uma forma autoritária e burocrática dando a entender uma evidente posição de força do director da PJ depois de criticas ao inspector por parte da imprensa inglesa. Ai houve uma evidente mudança no rumo das investigações até ao ponto morto: o arquivamento.
Ficamos todos com uma sensação de vazio, impotência e perplexidade. Um caso simples: o desaparecimento de uma criança num contexto bem definido com personagens definidas, acabou num caso complexo e...arquivado.
Mesmo face à lei portuguesa havia factos que poderiam, só por s,i incriminar os pais: o abandono das crianças no quarto é um acto de negligência grave. Qualquer comissão para a protecção de menores agiria, e age todos os dias, perante atitudes destas. Em Inglaterra é mesmo crime.
Parece que quem estava a fazer o trabalho não o acabou, mas há sempre um clique que pode fazer a história recomeçar do zero. A pobre
Maddie não merecia este arquivamento.
Os pais decidiram entretanto ir de férias...