
António Costa e o seu vereador para o urbanismo Manuel Salgado estão a preparar-se para aprovarem mais um crime urbanístico em Lisboa numa das esquinas do Largo do Rato, a que confina com a Sinagoga de Lisboa e um edifício classificado da autoria do arquitecto Ventura Terra.
Paula Teixeira da Cruz, que é a presidente da Assembleia Municipa,l está em brasa contra o crime, e a vereadora Margarida Saavedra chegou a interromper as férias no Algarve para poder votar contra a construção do mastodonte. O projecto propõe um edifício de volumetria arrasadora para o local com um estilo de total ruptura, numa das zonas mais preservadas da capital, onde coexistem edifícios históricos e de referência de grande qualidade, os já citados atrás, e a Garagem da Auto Industrial, uma pérola da arquitectura portuguesa.
Manuel Salgado já veio defender o projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus. Percebe-se: quem projectou aquela aberração frente ao CCB não podia vir agora estar contra um caixote que parece a Casa da Música dos pequeninos. "Não fazemos réplicas!"- defende-se Mateus, como se a arquitectura que se integra tivesse de ser mimetista.
A cereja em cima do bolo: quem patrocina o crime arquitectónico é Diogo Vaz Guedes (ex-Somague) que agora está à frente da holding Gespura e que por coincidência foi da Comissão de Honra da candidatura de António Costa juntamente com o arquitecto da aberração Frederico Valsassina.
Depois de ter rejeitado por ressabiamento político o projecto de Ghery para o Parque Mayer, Costa apadrinha o fartar vilanagem dos novos salvadores da capital. É demasiado escandaloso para ser verdade. Mas é.
Aqueles que criticaram João Soares por teimar em fazer um elevador para o Castelo porque seria uma ruptura na cidade, aqueles que imolaram Krus Abecassis e o arquitecto Taveira por terem tido a coragem de construírem as Amoreiras, aqueles que atrasaram as obras do túnel do Marquês (e que nos custou a nós contribuintes uma fortuna!), aqueles que estiveram contra o projecto moderno e arrojado de Ghery, aqueles que vomitavam ódio ao CCB, esses esquerdalhos que elegeram um empata para Lisboa, porque não voltam a dar a cara e a defenderem uma cidade que se orgulhe do seu passado e se projecte num futuro de arrojo? Estão escondidos ou já fazem parte do sistema da grande mamadeira?

























