O PSD vai ter como candidato à Câmara de Olhão o ex-inspector Gonçalo Amaral. A notícia é do quilé...e mostra como o PSD tem tendência para pôr nas câmaras municipais ex-inspectores da bófia. Já teve sucesso com o nosso querido Moita Flores vai agora reincidir com o polémico Gonçalo Amaral.
O estado da política está visto: é o reduto para reformados, gente sem nada para fazer, para tipos com a mania da perseguição, para homens com uma missão por terminar.
Achincalhado pelo seu então director da PJ, desautorizado, demitido quando ia na Via do Infante sem o saber, magoado, triste e abandonado, depois do flop total que foi a investigação do Caso Maddie, Gonçalo Amaral volta como herói local e quer abraçar essa missão impossível (entra a música) que é ser líder de Olhão.
Com um ex-inspector em Olhão e com Macário em Faro, o PSD e a sua líder aceleram para o abismo final. E estamos a esquecer Lisboa, onde Santana se prepara para regressar, agora não ao volante de um Audi A8 de 8 cilindros e quatrocentos cavalos, mas porventura num carro de empurrão, daqueles que andam a pilhas e são montados em Leiria.
Quanto ao casal McCain deve estar em brasa: com tanta competência não se admirem se Gonçalo Amaral não for buscar a Inglaterra aquele porta-voz Clarence Mithchell que quando ouvia o inspector falar começava a rosnar. Grrrrrrrrrrrrr!!
Se for eleito sherife de Olhão Gonçalo terá poderes acrescidos: o chefão de Olhão só poder ser de Olhão para melhor enxergar o enigmático caso Maddie.
PS: Claro que, respondendo a JJ as sardinhas estão fora de questão, assim como aquele lado empenhado do ex-inspector. O problema em Portugal é nós acharmos que podemos ser tudo, até autarcas!
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quarta-feira, janeiro 07, 2009
segunda-feira, julho 07, 2008
O polícia que não esquece Maddie
Os dedos estão amarelos pelo uso do cigarro atrás de cigarro. Quando chego ao seu encontro mal o reconheço. O corte do bigode à Saddam mudou-lhe a face e sem aqueles óculos espelhados panorâmicos como um pára-brisas ainda menos se reconhece.
Está calor e o encontro numa cervejaria de Portimão ajuda a refrescar o ambiente. Está um dia sufocante e aquele homem que protagonizara o filme real do drama real, que foi o desaparecimento da pequena Maddie, estava agora ali sentado, sózinho, no dia que era o primeiro do resto da sua vida: Gonçalo Amaral era a partir daquela manhã um polícia na reforma, por sua vontade, embora tenha apenas 49 anos.
Na véspera pôs um boné que um seu mestre lhe oferecera, e que nunca usara, e como era o último dia de acção encerrou uma truculenta carreira de inspector da Judiciária apanhando dois mil e quinhentos quilos de haxixe a bordo de uma traineira. O último golo. Uma façanha de pequena grandeza profissional, comparada com a responsabilidade anterior como coordenador e líder de equipas que trabalharam nos casos Joana e Maddie.
Gonçalo está nervoso, vê-se na voz e num riso para dentro que disfarça. Há muito que este personagem me despertava a curiosidade, por isso fiquei entusiasmado em o ir fotografar para o Expresso, esta semana no Algarve. É uma figura de filme.
Lera sobre Gonçalo descrições incríveis sobre a sua personalidade e pelo estilo muito pessoal em campo, na investigação. Percebi logo que era um anti-burocrata, alguém que usava o instinto, a emoção, a inteligência na investigação. Também se percebia que era invejado e só não o derrubariam se não pudessem. Puderam e tramaram-no.
Para um profissional empenhado ver a carreira manchada por calúnias, depois de uma demissão primeiro conhecida pelos jornais, sem explicações da hierarquia, sem respeito. Perdemos a dignidade e o sentido da honra. O inspector não resistiu e demitiu-se da Judiciária, a polícia que era a sua vida. Escreveu ao director da PJ que gostava de Mozart a dizer-lhe que tinha direito à sua honra. Nunca teve resposta e o próprio director acabou despedido no meio da confusão.
Sacrificou conforto, família, para ter uma recompensa em forma de desprezo.
Ao ouvi-lo em off percebe-se que muito há a saber ainda do caso Maddie. Que houve procedimentos que ficaram por esclarecer, testemunhas por ouvir, pormenores por esclarecer. Houve uma pressão insuportável do poder político, da imprensa, da opinião pública.
Há factos que são factos e que por si não se podem provar, mas há factos que só por si exigiriam medidas jurídicas concretas. Porque nunca se avançou contra o casal pelo facto de ter havido óbvia negligência ? É um dos mistérios.
Quando lhe sugiro para o fotografar na Praia da Luz, a mulher que tinha entretanto chegado, diz-me: "Não lhe peça isso! Pelo que conheço do Gonçalo ele nunca mais na vida vai querer ir à Praia da Luz!".
Por troca Gonçalo aceita ser fotografado na Praia do Alvor, o local onde termina o livro que sairá logo que o segredo de justiça seja levantado, e onde passou largas horas a jantar e almoçar num restaurante local de peixe, com os seus colegas polícias ingleses.
Digo-lhe que passeie na praia e me esqueça. Vou fotografando atrás dele, mais parece um leão enjaulado na sua própria liberdade, quando lhe peço para se pôr junto à água hesita:"Nunca se sabe se esta zona é pantanosa!"- e avança pisando antes o terreno com rara prudência.
Depois convida para umas sardinhas, que ele próprio acaba de assar e retira do grelhador. Passados uns minutos de franca descontracção parte já o Sol começa a caír. Tem de ir buscar as filhas. A mais pequena tem uma idade muito próxima à de Maddie.
Abraça a mulher, põe os já emblemátcos óculos de Sol espelhados, arranca rumo ao futuro.
Gonçalo Amaral reformou-se.
Tudo me leva a acreditar que, mesmo resistindo a si próprio, Gonçalo Amaral vai voltar um dia ao local do crime.
PS: Goncalo Amaral reformou-se aos 49 anos e começou a trabalhar aos 14.
Está calor e o encontro numa cervejaria de Portimão ajuda a refrescar o ambiente. Está um dia sufocante e aquele homem que protagonizara o filme real do drama real, que foi o desaparecimento da pequena Maddie, estava agora ali sentado, sózinho, no dia que era o primeiro do resto da sua vida: Gonçalo Amaral era a partir daquela manhã um polícia na reforma, por sua vontade, embora tenha apenas 49 anos.
Na véspera pôs um boné que um seu mestre lhe oferecera, e que nunca usara, e como era o último dia de acção encerrou uma truculenta carreira de inspector da Judiciária apanhando dois mil e quinhentos quilos de haxixe a bordo de uma traineira. O último golo. Uma façanha de pequena grandeza profissional, comparada com a responsabilidade anterior como coordenador e líder de equipas que trabalharam nos casos Joana e Maddie.
Gonçalo está nervoso, vê-se na voz e num riso para dentro que disfarça. Há muito que este personagem me despertava a curiosidade, por isso fiquei entusiasmado em o ir fotografar para o Expresso, esta semana no Algarve. É uma figura de filme.
Lera sobre Gonçalo descrições incríveis sobre a sua personalidade e pelo estilo muito pessoal em campo, na investigação. Percebi logo que era um anti-burocrata, alguém que usava o instinto, a emoção, a inteligência na investigação. Também se percebia que era invejado e só não o derrubariam se não pudessem. Puderam e tramaram-no.
Para um profissional empenhado ver a carreira manchada por calúnias, depois de uma demissão primeiro conhecida pelos jornais, sem explicações da hierarquia, sem respeito. Perdemos a dignidade e o sentido da honra. O inspector não resistiu e demitiu-se da Judiciária, a polícia que era a sua vida. Escreveu ao director da PJ que gostava de Mozart a dizer-lhe que tinha direito à sua honra. Nunca teve resposta e o próprio director acabou despedido no meio da confusão.
Sacrificou conforto, família, para ter uma recompensa em forma de desprezo.
Ao ouvi-lo em off percebe-se que muito há a saber ainda do caso Maddie. Que houve procedimentos que ficaram por esclarecer, testemunhas por ouvir, pormenores por esclarecer. Houve uma pressão insuportável do poder político, da imprensa, da opinião pública.
Há factos que são factos e que por si não se podem provar, mas há factos que só por si exigiriam medidas jurídicas concretas. Porque nunca se avançou contra o casal pelo facto de ter havido óbvia negligência ? É um dos mistérios.
Quando lhe sugiro para o fotografar na Praia da Luz, a mulher que tinha entretanto chegado, diz-me: "Não lhe peça isso! Pelo que conheço do Gonçalo ele nunca mais na vida vai querer ir à Praia da Luz!".
Por troca Gonçalo aceita ser fotografado na Praia do Alvor, o local onde termina o livro que sairá logo que o segredo de justiça seja levantado, e onde passou largas horas a jantar e almoçar num restaurante local de peixe, com os seus colegas polícias ingleses.
Digo-lhe que passeie na praia e me esqueça. Vou fotografando atrás dele, mais parece um leão enjaulado na sua própria liberdade, quando lhe peço para se pôr junto à água hesita:"Nunca se sabe se esta zona é pantanosa!"- e avança pisando antes o terreno com rara prudência.
Depois convida para umas sardinhas, que ele próprio acaba de assar e retira do grelhador. Passados uns minutos de franca descontracção parte já o Sol começa a caír. Tem de ir buscar as filhas. A mais pequena tem uma idade muito próxima à de Maddie.
Abraça a mulher, põe os já emblemátcos óculos de Sol espelhados, arranca rumo ao futuro.
Gonçalo Amaral reformou-se.
Tudo me leva a acreditar que, mesmo resistindo a si próprio, Gonçalo Amaral vai voltar um dia ao local do crime.
PS: Goncalo Amaral reformou-se aos 49 anos e começou a trabalhar aos 14.
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