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sábado, junho 16, 2007

O jornalismo do papá e o futuro digital


Não resisto a citar este post do António Granado, no seu Ciberjornalismo:

O texto, bastante longo como verão, é do enviado José Manuel Fernandes a um encontro internacional de directores e patrões de jornais no Mundo.

As ideias e angústias mantêm-se na imprensa tradicional. Como migrar para as plataformas multimédia ( net, telemóveis) mantendo o público tradicional do papel que é o que dá verdadeiramente lucros. A convergência e as linguagens de acordo com os suportes mantêm a chama viva da mudança.
LC.

Receitas? Não há. Há experiências, tentativas, urgência. E uma certeza: a crise da imprensa escrita só se resolve mudando de paradigma e passando a vê-la como a marca da fiabilidade das notícias que circulam no papel, na net ou nos telemóveis da geração i-pod

David Trads é um veterano dos jornais gratuitos. Há dez anos esteve no lançamento do Metro na Dinamarca e, agora, é o director de um novo gratuito que se propõe mudar as regras do jogo num dos países do mundo onde os cidadãos lêem mais jornais: o Nyhedavisen.

Dinheiro não lhe falta: um investidor islandês colocou à disposição do projecto de 100 a 200 milhões de euros. Tem tempo: só em 2010 está previsto que o seu jornal comece a dar resultados positivos. E também tem meios, pois dirige uma redacção de 100 jornalistas e a empresa distribuiu o jornal casa a casa. Em nove meses já conquistou 300 mil leitores e tem como meta chegar ao milhão.

No palco do 16º Congresso do Fórum Mundial de Directores (organizado pela Associação Mundial de Jornais) era todo sorrisos - pelo menos até Tøger Seidenfaden, o director do Politiken, o grande jornal de referência da Dinamarca contra-atacar.
"Os jornais nunca são gratuitos, sobretudo em países ricos como o nosso, onde tempo é dinheiro. Com o Metro, em que os leitores pegavam voluntariamente, sinal de que iam dedicar-lhe algum tempo, isso era um valor. Agora a enfiar os jornais nas caixas do correio, o mais certo é ninguém lhes pegar", argumentou Seidenfaden..

Trads apenas o contrariou insistindo que no tempo em que se acede à informação na internet, na televisão e na rádio sem pagar nada, os jornais não devem esperar que os leitores continuem a dar dinheiro por eles.Ao fim de quase quatro dias de reuniões e inúmeras sessões, este momento de maior intensidade condensa o dilema que mais de 400 directores de jornais (e mais de mil proprietários e gestores) debateram nos imensos salões do novíssimo Centro de Congressos da Cidade do Cabo, na África do Sul.
Há um futuro para a imprensa escrita no tempo da informação digital? Há um futuro para a imprensa paga no tempo da informação gratuita?
Há possibilidade de conservar o jornalismo de qualidade quando, em boa parte dos países desenvolvidos, a circulação e as receitas de publicidade estão em queda?
É certo que esses ainda não são os problemas de muitos editores, em especial dos que ali estavam a representar jornais africanos. Esses, como lembraram, têm outras urgências mais básicas, como assegurar o abastecimento de papel, terem máquinas onde possam imprimir e, sobretudo, conseguirem resistir à pressão e intimidação de muitos governos africanos nada amigos da liberdade de imprensa. Mas isso não os fez sair da sala: afinal as oportunidades que os mais desenvolvidos estão a testar podem permitir-lhes saltar etapas.

Na verdade, se a alguma conclusão se chegou, é que é tempo de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, pois só de uma coisa se tem a certeza:
as mudanças estão a ocorrer cada vez mais depressa e vão em direcções que ninguém poderia prever há dois ou três anos. Mas para tal devem tanto os jornais como os jornalistas perceber o que andam por cá a fazer.
É a informação, estúpido!
Mario Garcia, o designer de Miami que tem trabalhado um pouco por todo o mundo, é uma figura já habitual nestes congressos, mas os anos parecem ter-lhe acrescentado energia à conta de muitos sucessos e insucessos.

Desta vez os directores só esperavam que ele moderasse o painel sobre as relações do design da home page (página de entrada) da Internet e da primeira página do jornal, mas ele não se ficou por aí. Tomou também a palavra para, entre muitos exemplos de boas e más práticas, sublinhar uma mensagem essencial:
no final do século XIX o caminho-de-ferro dominava o negócio do transporte de mercadorias e passageiros, depois foi perdendo terreno e companhias imensamente lucrativas foram à falência.
Porquê? Porque apareceram os automóveis e depois os aviões, responder-se-á. Não, contrapõe Mario Garcia: porque os caminhos-de-ferro entenderam que o seu negócio era o comboio, quando deviam ter percebido que o seu negócio era o transporte de pessoas e mercadorias
.
Corolário óbvio para o mundo dos jornais: o negócio da imprensa não é a imprensa escrita e imprensa em papel, é a informação. Ora pensando-se em informação percebe-se que é indiferente saber se esta chega a quem a procura num jornal, numa televisão, num computador ou no seu telemóvel.Vale a pena começar por este último, talvez o mais esquecido pelos produtores de informação. E, claro está, pelos jornalistas.
Estes assustam-se com a internet, mas esquecem-se que enquanto existem apenas 850 milhões de computadores em todo o mundo, há 2,7 mil milhões de telemóveis.

E que estes há muito que deixaram de servir apenas para telefonar. "Aquilo para onde se deve olhar se se quer ter futuro é para a geração do i-pod", sublinhou. Até porque o i-phone está a chegar e uma legião de fabricantes de telemóveis já está a copiar o conceito. Daí que grande parte do tempo do congresso tenha sido dedicado a como conseguir conciliar duas realidades aparentemente inconciliáveis: assegurar o que é a essência do jornalismo, isto é, a sua fiabilidade e a sua qualidade, e, ao mesmo tempo, o mesmo jornalista apresentar a informações que recolheu em plataformas diferentes que obedecem a regras diferentes.

Há uns anos atrás a palavra de ordem era "convergência multimédia" e falava do jornalista como se fala de qualquer "produtor de conteúdos" capazes de preencher tanto um espaço televisivo como uma página na web. Agora não se fugiu da ideia de convergência mas percebeu-se que mesmo podendo e devendo os jornalistas fazer tarefas dierentes das que faziam no passado, no fim do dia o que contará será a novidade da informação, a sua fiabilidade, a qualidade da apresentação, a abrangência dos pontos de vista e algo que dê confiança a quem procura informação.

Ora essa confiança só pode ser proporcionada por marcas de referências, e essas são as dos grandes jornais, rádios ou televisões. É a noção de brand (peço desculpa ao Provedor e a todos os puristas) que, vinda do mundo do marketing (idem para as desculpas), deverá funcionar como o "selo de qualidade" do que é confiável ou do que nos leva a olhar de viés.

Furacão de mudançasÉ evidente que nem tudo é pacífico para além de que, como diz Murdoch MacLennan, administrador executivo do Telegraph Media Group, "estamos no centro de um furacão de mudanças, provavelmente maior do que foi vivido em qualquer outro momento desde o nascimento da imprensa escrita".

Um furacão tão violento que Arthur O. Sulzberger Jr., presidente do New York Times, confessa que não sabe se continuará a imprimir o jornal daqui por cinco anos e, de forma quase provocatória, acrescenta: "e isso também não me incomoda muito".Bill Keller, o actual director daquele grande jornal, não se mostrou assim tão tranquilo durante um pequeno almoço que teve com uma dúzia de outros directores de jornais.

"Não tenho dúvidas que todos temos de mudar de mentalidade. Temos de pensar a informação não apenas em função do velho jornal, mas de todas as outras plataformas. Para mim a grande questão é como conseguiremos aguentar, e pagar, aos nossos actuais 1200 jornalistas quando as receitas do jornal impresso diminuem e as novas receitas estão a crescer mas não tão depressa como gostaríamos", disse o jornalista que tomou as rédeas do velho NYT depois de alguns escândalos que abalaram a sua credibilidade.

Algo já está a acontecer, e nem tudo como se teria previsto há alguns anos. Por um lado, a redacção da edição digital, que começou por ficar instalada num edifício separado da redacção principal, está neste momento a migrar juntamente com a outra para um novo edifício onde os seus jornalistas se disseminarão pelas diferentes secções.

Certas funções, como o design das páginas na web, obrigou o Times a questionar, e a rever, aquilo a que Keller chamou "as nossas regras de separação entre a Igreja e o Estado", pois os web-designers tiveram de, para optimizarem as páginas, de redesenhar ou mesmo desenhar os... anúncios. Noutros casos, foi necessário centralizar a decisão do que se divulga primeiro na net e do que se guarda para a edição do dia seguinte. Esta nova cultura obriga a questionar o que está a ser feito. Bill Keller, por exemplo, recordou que os repórteres que o jornal enviou à guerra no Líbano há um ano enviaram peças tão analíticas que podiam ter sido escritas na redacção.

Ou seja, se os repórteres desejam continuar a fazer a diferença - a serem os olhos do leitor num lugar onde o leitor não está presente - então devem continuar a ser repórteres. Ora isso implica que, ao mesmo tempo que preparam o seu texto cuidadosamente escrito, devem telefonar, enviar um SMS ou um e-mail para a redacção se tiveram conhecimento de uma notícia de última hora, de um "facto relevante".

Essa pequena informação será logo posta em linha, tornar-se-á notícia sem esperar pelo dia seguinte.Textos mais longos?Esta enorme revolução implica repensar tudo nas rotinas da velha imprensa escrita. O atrevido David Trads, do dinamarquês Nyhedavisen, o "gratuito de referência", fala de um jornal muito mais editado: "um jornal agradável para os leitores é um jornal que não é amigável para os editores, que vão ter muito mais trabalho".

No seu jornal ele diz ter o mesmo número de notícias num terço das páginas. Mario Garcia chega a algo semelhante por outro caminho: para ele os jornais vão ter de escolher, ou seja, dar mais espaço ao que julgam importante, menos ao que consideram menos relevante: "os artigos longos vão ser mais longos, os curtos vão ser mais curtos", sublinhou.Houve um murmurado bichanar na sala quando falou de artigos mais longos. Afinal não se havia Bill Keller, que trabalhou muitos anos como correspondente internacional do NYT e lutara para escrever sempre mais do que lhe davam como espaço, queixado da tendência dos jornalistas e editores para defenderem textos enormes?

É verdade, ninguém se esquecera. Só que Mario Garcia trazia uma novidade: os leitores mais depressa lêem um texto longo na net do que na edição impressa. O Poynter Institute, num estudo em que segue o olhar dos leitores, apurou que estes mais depressa lêem um artigo longo na net do que impresso. Porquê? Porque se ele estiver bem escrito e lhes prender a atenção, quem começa a ler acaba porque na web não se apercebe do tamanho do artigo.

No jornal impresso pode assustar-se.Esta curiosa, e surpreendente, conclusão permite a quem se empenha em fornecer uma informação de qualidade ter mais à-vontade na utilização das diferentes plataformas.
Foi assim que se multiplicaram os bons exemplos do que está a ser feito pelo mundo. Jornais clássicos, pesados, densos, como o alemão Die Welt, perceberam que, com o seu formato clássico nunca seria capaz de atrair leitores mais jovens - e assim lançou um segundo jornal, com a mesma marca (brand), o Welt Kompak, que em muito menos páginas apresenta o essencial da actualidade. Na Holanda o vespertino de referência, o NRC Handelsblad, lançou um gratuito para distribuição matutina.

Ambos fizeram-no praticamente com os mesmo jornalistas mas juntando num "centro de comando" único todos os editores.O tradicionalíssimo The Daily Telegraph, de Londres, não esteve com meias medidas: mudou de instalações, redesenhou todo o fluxo de trabalho assim como a organização da redacção e juntou os jornalistas do papel e on-line nas secções ao mesmo tempo que agrupou os editores numa "ilha" central a partir da qual radiam todas as secções.

A experiência foi tão turbulenta que o seu novo director, William Lewis, que tem apenas 37 anos, confessou que não se mete noutra na vida. Contudo, quando foi desafiado a responder numa ou duas palavras ao que considerava essencial para sobreviver mudando, foi curto e grosso: "Just do it" ("Façam-no, pronto").Mas como? Enfrentando todos os desafios ao mesmo tempo:
papel e net são apenas dois suportes diferentes; pago e gratuito podem conviver sob a mesma marca; os jornalistas têm de ser ao mesmo tempo melhores a escrever e ser capazes de fotografar, fazer um pequeno vídeo ou falar para uma câmara.

Em síntese: se o mundo acelera, quem confia apenas na caixa de mudanças automática fica para trás. É que esta, por melhor que seja, não consegue mudar de cultura e de paradigma. Pior: se se acredita que o jornalismo faz a diferença, deixá-lo morrer no turbilhão da mudança será fatal. Para não morrer, ou para não ficar para trás, então evite-se o erro das companhias de caminho de ferro: o negócio dos jornais não é vender papel, é serem os melhores a dar informação.

José Manuel Fernandes, na Cidade do Cabo /PUBLICO

sexta-feira, junho 15, 2007

Os caga milhões de Portugal


A capa da Visão desta semana é surpreendente. E vendo-a sentimo-nos, pelo menos eu, uns verdadeiros otários. Não palermas que defendem um aeroporto inviável pago com dinheiros dos pobres contribuintes, mas sim uns otários que trabalhando seriamente uma vida não conseguirão uma migalha do que os nossos empreendedores conseguiram em meia dúzia de meses. Notável para eles, claro!


Os milhões que Berardo, Azevedo, Amorim, Vasconcelos e muitos outros ganharam na especulação bolsista é de ficar de boca à banda. Ingenuidade minha que ainda encontra no capitalismo um mal menor e um modo decente de ganhar a vida. Isto é o cumulo da tontaria !

Na verdade um pobre de Cristo que desconta metade do que ganha para impostos, vê como uns espertalhaços ganham milhões sem pagarem quase nada ao Estado, numa actividade apenas e só especulativa, que nem empregos cria. Como é possível um país de corda na garganta permitir ganhos desta monta sem que a economia real possa daí tirar benefícios concretos ?

Num quadro destes em que para ganhar milhões basta saber especular, quem vai depois disto investir em negócios de risco, a longo prazo, sustentáveis, com responsabilidades sociais ? Só um tanso, claro. Investir em actividades produtivas ? Ter de aturar sindicatos, fisco, um rebanho de manhosos atrás ? É melhor na verdade jogar na bolsa, nas engenharias financeiras, na especulação.

Estarei a ser primário, confesso o meu fraco saber em economia, mas também não me parece ser-se necessário um sabão de economia para entender que estes milhões pouco ou nada reflectem aquilo que o país precisa: criar produção, exportar, ganhar, criar trabalho.

Pode ser que o nosso professor de economia, com assento em Belém, nos venha um destes dias explicar. Por mim gostava.

quinta-feira, junho 14, 2007

Tomtom


O GPS manda-me seguir para uma auto-estrada que não conhecia. Fico mais tom-tom do que o brinquedo, que só agora descobri, e que me guia para todo o lado com uma voz feminina de fazer irritar a minha mulher. Compreendo-a perfeitamente.

O GPS e a sua voz cava e sensual vai resolver aquele problema crónico familiar, comum a todas as famílias, que é o de as mulheres nunca saberem ler um mapa e mandarem virar à direita uns quilómetros depois do cruzamento passar. Sorry...

Assim descobri a nova entrada de Lagos e a nova Lagos. Aquilo era uma cidadezeca agora é um centro urbano com boa arquitectura, vida cosmopolita. Gostei. A Praia da Luz ali tão perto é agora um sitio sinistro, com um emaranhado de ruas e casas, um labirinto propicio a crimes. Pelo menos a nossa imaginação acaba por ser induzida em imaginações perversas.

Por falar na Praia da Luz: o The Times veio comentar o facto de os agentes da PJ demorarem duas horas a almoçarem e rebaterem a refeição ao quadrante com whisky. Não sei se será de criticar. Os jornalistas também adoram gastar horas a jantar e não é por isso que fazem piores jornais. Também já vi dois agentes da GNR-BT montados em duas BMW e a beberem tintol num restaurante à beira da estrada 125. E juro que beberam muito pouco. O problema é que um verdadeiro motard não bebe pouco, não bebe pura e simplesmente. Questão de principio e de estética.

Alexandre Pais, da Sábado, veio logo escrever em defesa dos PJ. Homem tenha calma ! Eles ainda não precisam de defesa.

Por Sábado: o director veio comentar a entrevista de Soares ao Expresso dizendo que o que ele disse era perigoso para a esquerda, porque defendeu o Chavez e o Lula. Ou ele não sabe ler ou está de má fé. Eu assisti à entrevista e li-a e o que lá vem é uma critica a Chavez e a Lula ao ponto de gozar com o abraço ao Bush e de achar que os sindicalistas acabam sempre a engraxar o patrão.
Mas parece que a Sábado se chateia quando se bate no Bush. Ainda ? Estão um bocado off...

Adeus Circo Atlas


De manhã o Circo Atlas já estava desmontado aqui em S. Miguel, Odeceixe. Chovia miudinho, não havia tempo para praia. As últimas roulotes estavam de partida para outra paragem. Ainda vi ao longe a artista que na noite anterior fechara o espectáculo com vestido vermelho, gordinha lá ia ela com um kispo e um saco de plástico pela mão.

O meu filho David não relacionou os dois tempos, ainda bem. É bom não desconstruirmos os sonhos. Sobretudo quando se tem 5 anos.

Lorenin e muito betume rumo à felicidade


Vou ter de acabar por aderir à nova moda dos homens se aperaltarem.
Se alguma dúvida tinha, hoje dissipou-se ao ver o telejornal da RTP.

O meu ex-colega José Manuel Saraiva, ex-jornalista, ex-comunista, ex-editor da Única, ex-combatente na Guiné ( a ordem é arbitrária) e com qualidades reconhecidas de escritor e de homem de muito bom gosto no que respeita a mulheres, com um curriculum invejável nesta matéria, apareceu a defender e a admitir que trata do corpinho e que isso de o homem não tratar da carroçaria é coisa do passado. Um preconceito idiota.

Faltava-me esta cobertura ideológica para começar a muscular-me, a rapar a peitaça, a insuflar o rabinho, a tirar a papada, a redesenhar as sobrancelhas.
Depois das primeiras betumadelas vou aprender a nadar, a dançar lambada e a travar o fumo, sendo que o acto de fumar não me parece nada adequado a um homem que preza a sua forma física, o seu escape limpo e goste de espalhar um cheiro a tentação.

Depois terei de afinar a voz, colocá-la naquele nível que fechando os olhos mais parece que estamos a marcar num sexophone e que de olhos abertos fazemos lembrar a entoação dos santos em dia de juízo final.

O meu ex-colega e amigo José Manuel Saraiva já me tinha surpreendido quando um dia me ensinou que a felicidade de um homem não depende de um apartamento com vista para o mar, um BMW topo de gama, um emprego bem pago ou mesmo a companhia de uma gaja boa. Para ele o que valia então era a realização de uma equação onde não entravam bens materiais nem caprichos superficiais. Héllas !! Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e o corpo é feito de mudança, tomando sempre novas modalidades...

Se não conseguir redimir-me e entrar em estaleiro para uma reconstrução total só me resta um Lorenin e roncar até de madrugada.

Tornar-me aos 52 num homem objecto. Why not ?

Os últimos artistas do Circo Atlas






fotografias de Luiz Carvalho, hoje em S. Miguel, Odeceixe.




O meu filho David, 5 anos, adora circo. Ama o circo. Eu partilho com ele essa paixão, embora gostemos da coisa por razões diferentes. Ele parte-se a rir com as palhaçadas, vidra-se com os animais, devora as pipocas enquanto entra no mundo do sonho.

Para mim o circo é uma vida de loucos, artistas a sério, vagabundos, anarcas da alma, sofredores. Nunca percebo como conseguem viver sem subsídios, sem publico, sem dinheiro. Como se sustenta tanto camião, tanta gente, como se mata a fome a leões e outras feras.

Hoje em S. Miguel, Odeceixe, lá estava o Circo Atlas, o mesmo que estava na Alapraia há meses e que por lá andei com o meu David.
Para o puto ver aqui o circo foi uma excitação, era como se o circo o seguisse nas férias. Lá fomos à única sessão. Isto é: montaram a tenda para um único espectáculo. Fantástico. Verdadeiros artistas itinerantes.

Este circo é de uma autenticidade notável. Gosto do dono, o senhor Walter, gosto do apresentador, o ex- Zizi Jean Maire da Cruz de Pau, travesti e domador de bichos, que conheci há 20 anos a trabalhar numa peça de teatro na Gulbenkian, gosto do equilibrista e da sua partenaire, hoje vestida de branco e meias de liga, gosto da gordinha que apresenta o final num vestido vermelho decotado deixando ver uma tatuagem, na sua voz de sotaque espanhol, gosto da vendedora de bilheteira, uma ruiva ucraniana, a fumar no guichet fazendo lembrar Dietrich de cigarrilha no Sede do Mal.

Gosto disto tudo. São artistas fiéis e verdadeiros. Conseguisse eu como fotógrafo esta simplicidade de ser, ver e saber dar. É isto a arte meus caros. Um fio de alma e prazer.

Joana e Madeleine, alguns pontos tocam-se

Ao ler o livro de crónicas da Maria Filomena Mónica, " Confissões de uma liberal", de uma escrita muito clara e irreverente, como eu gosto, saltou-me duas crónicas que ela escreveu sobre o caso Joana.
E não consegui desligá-las do que aconteceu há pouco com a polémica do Ministério Público e dos agentes da judiciária acusados de terem agredido a mãe da petiz. Depois não consegui desligar do caso da pequena Madeleine.

Há aqui coisas, factos, situações que não colam.

No caso Joana não se percebe porque foi condenada a mãe sem nunca ter havido uma única prova material contra ela. Nem uma. A miúda saiu para comprar atum num supermercado cuja dona estrangeira tinha relacionamento com a miúda, e que desapareceu do país antes do julgamento, pese embora ter sido ouvida para memória futura.

Hoje no DN este assunto volta à baila com gente da aldeia a achar estranho esta personagem e o seu desaparecimento e volta-se a falar que muita gente da terra não disse mais coisas porque quem foi ouvido foi tratado como criminoso e perdeu horas e horas na judiciária.
Ainda se volta a falar na falta de provas periciais, a casa foi investigada muito tarde e as análises ao vestido da pequena foram feitas tão tarde que não têm qualquer valor no processo.No DN de hoje.

As confissões de culpa da mãe foram tiradas à murraça embora os profissionais da judiciária digam que ela se tentou suicidar. Este tipo de afirmações não vingam nos tempos que correm e quem se quer suicidar não se esmurra nos olhos.

Fala-se que a miúda foi vendida por 50 mil euros mas não houve uma única prova documental disso.


No caso da Madeleine ainda não foi explicado se a miúda foi raptada pela janela, pela porta, como se entra num apartamento com chave falsa, arrombamento, como foram detectadas impressões digitais, vestígios, sei lá, o público não sabe como foi feito o rapto. Saberá a polícia?

Bruto da Costa, antigo criminalista, veio dizer que a recolha de vestígios se for mal feita compromete para sempre a investigação.

Hoje, no 24 horas, uma testemunha mostrava-se indignada por não a ouvirem. Ela afirma com veemência que viu a miúda em Marrocos, mas ninguém lhe liga.

São dúvidas legitimas.
E tanto um caso como outro, dramáticos na sua condição, parece estar longe de serem um modelo perfeito de investigação e justiça. Parece.

Borrego defende Alenquer contra otários

Respondendo a um comentário anónimo, acho que Sócrates está a ser pragmático. Não pretendo ser especialista da política, mas como tenho a 4ª classe, um blogue, e pago impostos, gosto de escrever sobre o que me atormenta. Também não obrigo ninguém a ler-me nem obrigo a pagar os meus dislates na conta da electricidade.

Sócrates tem a vidinha resolvida. Nos próximos 6 meses, o tempo da presidência europeia, não haverá mais polémica com os otários. Os técnicos vão estudar, os políticos vão degladiar-se a propósito de Lisboa, Costa fica com as costas protegidas sem a polémica do aeroporto, enfim: reinará a paz nos céus. Até o Jamais, Jamais, ficará no governo e se caso for de passar a Ota para a margem Sul a cambalhota será dada. Falamos de um grande equilibrista da política, um homem que veio da Ara, do PCP, e agora prega aeroportos mesmo no deserto.


Hoje no Diário de Noticias Carlos Borrego, o ministro que Cavaco demitiu por causa de uma anedota ácida sobre alentejanos, falava sobre o estudo que ele dirigiu a mando da confederação dos patrões e que Cavaco tanto gostou e que Sócrates respirou de alivio quando ela surgiu. Dizia Borrego que a solução de Alcochete era magnifica, depois do Chefe de Estado Maior da Força Aérea ter dado luz verde para o inicio de uma grande amizade aeroportuária.

Dizia ele que Alcochete é mais barata: o Estado não precisa de pagar terrenos, não haverá necessidade de terraplanagens, pode ser construída uma pista primeiro, depois a outra, é mais perto de Lisboa, o TGV será mais barato de ligar, há uma área enorme para a construção de infraestruturas de apoio, há espaço e não há grandes imbróglios ambientais.

Querem melhor ? Borrego diz que a solução é praticamente ideal. Não sei como sairá disto o governo e toda a banda de otários que andam a defender a Ota como se fosse a moca de Rio Maior.

Para finalizar, Borrego diz que a anedota de Mário Lino não deve ser levada em conta, tal como a sua o não devia.

Unidos na anedota, mas separados na solução aeroporto.

E ainda é, passados tantos anos, o ministro demitido por Cavaco que acabará por reforçar a ideia do Presidente em fazer tudo por tudo para que Portugal não construa uma aberração.

quarta-feira, junho 13, 2007

Cavaco 1, Sócrates 0

É óbvio: foi Cavaco que fez a Ota andar para trás. Não fosse o "Jamais ! Jamais!" do ministro, numa mimetisse à José Castelo Branco (" Jamais Salomé!"), mais o dispagate do deserto e a taça que ainda não tinha transbordado da paciência, a Ota era adjudicada e ponto.

Estes seis meses de matutanco são obra do PR e honra lhe seja feita. Isto vem provar que afinal Sócrates não é o determinado que parece, o arrogante que imita, o ditador que dizem. Sócrates é frágil, tem dúvidas e a sua gritaria é o desespero dos inseguros.

O trauma da licenciatura também não lhe terá deixado a auto-estima em grande estado e isso acaba por se reflectir no power para a governação.

Sócrates parece um cavalo cansado ou em gíria automóvel um motor que aqueceu, não queimou a junta, mas a compressão já não é a mesma.


Por mim fico mais sossegado. No alto da minha ignorância acho a Ota uma enorme tragédia. Aquilo não serve por muitos anos, tem um terreno difícil para se construir, há ventos adversos, é uma zona acanhada e de grande especulação imobiliária, fica longe de Lisboa e os acessos nunca serão rápidos e baratos, só isto eram razões para esquecer a malfadada solução.

O Poceirão tem um problema incontornável: nunca será permitido construir um aeroporto sobre o maior lençol freatico do país. Seria crime total.

Alcochete é perto, plano, já lá aterram aviões, tem bom acesso a Lisboa e ao resto do país, só precisa de um bom interface ao comboio, não é deserto... vai ser uma solução triunfadora.

Mas politicamente Cavaco acaba de marcar uma grande penalidade.

terça-feira, junho 12, 2007

Alentejo




fotos: Luiz Carvalho

segunda-feira, junho 11, 2007

O turismo de pé descalço na costa alentejana

A falta de ambição portuguesa traz-nos sempre a semente do atraso e da pobreza.
Aqui na Costa Alentejana, onde me encontro de férias, é verdade que a paisagem dá sinais de alguma desordem urbanística mas a coisa ainda está bastante preservada.

Não é por uma qualquer politica autárquica de protecção. Por exemplo na Praia do Carvalhal o lixo está por recolher há dias porque a Câmara de Odemira tem mais que fazer...

Na Zambujeira mantêm-se aqueles restaurantes familiares, casebres a alugarem quartos a turistas manhosos de pé descalço e bicicletas pela mão. Os preços são módicos com alguma tendência para a especulação. Os comerciantes são antigos agricultores que agora ganharam um estatuto de pequeno-burgueses.

Quer dizer: com este turismo não vamos a lado nenhum. Como não promovemos um turismo de qualidade, e a zona tem todas as condições e encantos naturais para isso, qualquer dia temos um turismo pobre, desordenado, selvagem, que vai provocar danos irreparáveis na paisagem e o país pouco ou nada vai lucrar com isso.

O turismo rico não terá lugar e a costa alentejana será um subúrbio para especuladores locais, autarcas ambiciosos e saloiada tresmalhada à procura de férias de garrafão.

Foi o que aconteceu ao Algarve, tirando os oásis que conhecemos.

Por mim prefiro o monte da Dona Helena. É um descanso e só as melgas incomodam.

domingo, junho 10, 2007

Margarida Moreira, o diabo vota Socialista

Começo a ter alguma simpatia pela directora da DREN a grande dirigente socialista Margarida Moreira. Ainda deve ser minha prima pelo Moreira, um dos meus apelidos que não uso. Os Moreiras são obstinados e teimosos, esse meu lado devo tê-lo herdado da minha mãe, dos meus antepassados de Sernancelhe, Beira-Alta, Terras do Demo.

A doutora Margarida não brinca em serviço e usa aquela máxima que a minha avó Laurinda Moreira gostava de me lembrar: " Graças a Deus muitas, graças com Deus nenhumas!". A doutora Moreira faz remake:" Graças a Sócrates muitas, graças com Sócrates poucas, só se for eu a fazê-las !".

Parece que a dirigente nortenha não tem papas na língua, tem resposta pronta e tem sentido de humor. Ela acha que pode mangar com o engenheiro das licenciaturas feitas mas não admite piadolas de um empertigado da oposição que parece usar as anedotas a Sócrates como pedras de arremesso contra a habilitação académica (!!!!!!!!) do Primeiro.

Quanto ao padre eu também compreendo Margarida. Se os militares voltaram para as casernas, não se percebe porque não devem os padres voltar para as sacristias.
E um padre que veste janota daquela maneira, que mais parece um galã, um galão mesmo, de uma novela da TVI, quer granjear credibilidade politica ? Se quer ser autarca constroi rotundas, se quer ser padre houve as confissões das pecadoras, as duas coisas ao mesmo tempo é tão incompatível como ser Deus e Diabo.

A sindicalista que virou diabo de saias continua a animar a malta.

Está tudo indignado com a mulher. Pelo menos ela mostra algum rigor, no mínimo está a meter na ordem alguns prevaricadores.
E só não mete Sócrates na Ordem, porque os engenheiros não o aceitam lá.

A procissão no Convento da Cartuxa



A reportagem no Convento da Cartuxa, Évora, no passado dia 6. Filmada e fotografada pela primeira vez. Daqui um grande abraço para os meus amigos irmãos cartuxanos

sábado, junho 09, 2007

O principio do fim da costa alentejana


A Longueira é uma aldeola perto de Almograve, no litoral alentejano. A última vez que lá estive, há 3 anos, era ainda uma pacata terra alentejana, rua ao meio casas de cada lado. Já se sentia o começo de alguma especulação imobiliária, mas nada fazia prever que hoje fosse já uma terra com carros topo de gama estacionados a abarrotarem as ruas, cervejarias cheias, boutiques nas esquinas e dentista aberto ao fim de semana.

A Câmara deixou instalar no centro da terra uma gigante antena da rede telemóvel e perto desta uma central eléctrica de distribuição.

As terras junto às praias crescem desmesuradamente, estão a transformar-se, ou são mesmo já, povoados com caracteristicas e contradições de zonas suburbanas, aculturadas.
O que era um mundo perfeito está a ficar num submundo entre o terceiro e o quarto Mundo.

Portugal gosta de se transformar em paisagem de casa de banho virada para fora. Os autarcas rejubilam com o pinga-pinga das contribuições que estas alarvidades urbanísticas trazem para os cofres locais. Enriquecem, podem fazer mais rotundas, mais quartéis de bombeiros, mais centros culturais, o povo vê nisso progresso, orgulho e auto-estima. Os parolos engordam e conseguem perpetuar-se no poder dezenas de anos.

Na estrada Vila Nova de Milfontes ( outra aberração urbana) para Odemira, deitaram e cortaram árvores para que esta não ficasse obstruída pela vegetação mas os restos mortais das árvores ficaram à beira da estrada. Já não houve tempo, ou dinheiro para acabar o trabalho.
Aquilo está perigoso para os carros, para os incêndios, é uma vergonha para quem passa. Vergonha é também a estrada que os governos sucessivos nunca melhoraram.

Ou construimos auto-estradas faraónicas onde ninguém passa, como a que liga Santarém a Águas de Moura ou mantemos estradecas obsoletas, perigosas. Para que pagamos afinal impostos ? Para termos obras destas ?


Aqui no monte perto de S. Miguel, Odeceixe, a especulação ainda não chegou. Mas não me admiro que não venha a acontecer e o mel que o casal de velhotes vende à beira da estrada seja proibido de produzir por um desses decretos imbecis produzidos pela camarilha de eurocratas, que nos custam também uma fortuna, instalados nos seus gabinetes de autistas na distante Bruxelas.

sexta-feira, junho 08, 2007

Foto cortada às postas

Vejo na FNAC um livro do António Lobo Antunes. Reparo que tem na capa uma fotografia do António Pedro Ferreira (APF), porventura uma das suas melhores fotografias de autor, um marinheiro abraçado à namorada antes de partir em missão.

Reparo que a fotografia foi decepada ao meio. Procuro lá dentro para ver se a fotografia traz crédito, traz assim:" capa de Henrique Cayate sobre uma fotografia de António Pedro Ferreira". Nem quero acreditar !

Acho um grande abuso da parte do Henrique Cayate e de uma grande falta de consideração e de ética, ter feito semelhante trabalho sobre uma fotografia do APF.

Os artistas gráficos têm este tique de deceparem fotografias. Cortam fotos às postas como se tratassem bacalhau.
Se fossem mestres de culinária pegavam em bifes de primeira, transformava-nos em hamburgueres para serem acompanhados com ketchup e mostarda.

Os gráficos adoram estragar porque o narcisismo latente leva-os a sobreporem o grafismo ao conteúdo. Não entendem que o grafismo é tanto melhor quanto menos se notar e que o grafismo não pode canibalizar as fotos e a mensagem dos textos. Desde que os consideram artistas e jornalistas ninguém os atura. Claro que há exemplos de bons profissionais, eu lido com eles todos os dias.

Fiquei deveras chocado. Quem é o Henrique Cayate para assassinar em público uma fotografia de um fotógrafo como a António Pedro Ferreira ?
O grafismo é para servir não para ser servido.

Rádio Clube Português : o prazer da telefonia


Jorge Silva Melo é dos artistas, ou actores, ou encenadores, ou realizadores, ou escritores portugueses de quem mais gosto.

É uma personalidade forte, culta, com um sentido de humor notável, um homem que gosta de rir de si próprio. Tem o neo-realismo italiano e o cinema da "nouvelle vague" como referência e gostaria de cantar melodias italianas tipo Solo Mio. E depois de dizer isto, ri. Ri muito.

O Jorge é cá dos meus. Gosto do seu cinema, embora por vezes seja uma grande chatice. Mas nem tudo tem que ser ligeiro e fresco e fácil.

Deu hoje ao fim da tarde uma entrevista ao RCP ( cada vez melhor Luís Osório!) magnifica. Assim dá gosto ouvir intelectuais e também se recupera o prazer de ouvir rádio.

As férias são um cansaço!


As férias dão uma trabalheira. Entrei de férias e tive uma tarde muito cansativa. Comprar roupa é detestável. Primeiro, porque se gasta dinheiro e eu sou forreta. Segundo, acho sempre a roupa horrível e do que gosto tem preços proibitivos. terceiro, nunca acerto nos tamanhos, odeio os provadores com calor e muito acanhados, depois as bichas para pagar, a sacaria às costas...horrível.
O Colombo é uma central de despesismo e, tirando a frequência feminina muito variada e surpreendente, a babilónia da tentação do consumo é de fugir.
Ali percebe-se o Portugal de hoje: um país onde o Zé ( não o queixinhas da Câmara que a minha amiga Clara Ferreira Alves apoia) só pensa em curtir e gastar o que lhe resta, e não resta, do cartão de crédito.

Teresa Siza: um reinado pouco fotogénico


Cartaz de uma exposição no CPF por acaso muito bonito

Teresa Siza deixou o Centro Português de Fotografia no Porto. É um ciclo que se fecha e foi uma oportunidade perdida durante anos, e muitos euros, de se ter feito alguma coisa de estruturante para a fotografia portuguesa.

Estou à vontade porque faço parte da colecção do Centro mas a verdade é que o autismo com que Teresa Siza dirigiu a instituição acabou por não promover os fotógrafos portugueses e não falo só dos fotojornalistas, falo dos que não pertencem a lobbies, a estilos, a modas.
Não houve cultura fotográfica, houve um centro diletantismo que acabou por beneficiar artistas plásticos armados em artistas fotógrafos e fotógrafos que do oficio pouco provaram

Já passou.

quinta-feira, junho 07, 2007

Regressso aos irmãos cartuxanos


Procissão hoje de manhã nos Claustros dos Cartuxos e Luiz Carvalho com dois frades irmãos

Regressei hoje ao Convento dos Capuchos em Évora onde fotografei a procissão do corpo do Senhor. Uma bela cerimónia de recolhimento que nunca tinha sido fotografada. O Padre Antão deu-me esse privilégio e às 7 da manhã lá estava eu a bater-lhe ao portão da clausura para uma recepção muito acolhedora.

Gosto muito dos frades da Cartuxa e da sua atitude zen de vida. Fico encantado com o espaço, com os irmãos, com a luz. Soube que morreu um dos gatos que fotografei, um belo bicho de olhar penetrante. Outro irmão está um pouco adoentado mas sempre feliz na sua atitude perante a vida e mesmo perante a morte.

Passei pelo meu Alentejo hoje mais tranquilo ainda.

Há dias em que redescobrimos o sentido da vida como se vissemos as portas do Sol.

quarta-feira, junho 06, 2007

Alugo o meu corpo

ALUGO O MEU CORPO é um livro que acaba de me chegar pela mão da D. Quixote. A autora é Paula Lee, prostituta e famosa blogueira do Amante Profissional.

O livro é posto hoje à venda, sem lançamento, e adivinha-se um sucesso não só pelo tem a que tem estado muito na moda, mas porque o estilo de escrita e a sinceridade narrativa o vão tornar num caso à partre editorial.

Paula Lee foi revelada ao público numa entrevista para o Correio da Manhã e entretanto popularizada noutras reportagens. Foi mesmo capa da Única do Expresso.
A autora remete para o melhor que se conhece da literatura francesa do género, quando estes temas da prostituição eram tabu ( salvo seja!!) e tinham um público fiel e reservado.

Paula Lee, por ela própria segunda a editora:


"Não escolhi ser prostituta. Quando era criança, se me questionavam o que
queria ser quando crescesse não dizia 'puta mamãe'". A menina tranquila,
que aprendeu a ler aos três anos e devorou todos os livros que encontrou
na biblioteca, passou seis meses nas linhas eróticas brasileiras antes de
chegar a Portugal. "O que é que um homem procura nas linhas eróticas.
Letícia. Loura Sou a Letícia, tenho 19 aninhos acabados de fazer ? "fala
mais devagar», li os lábios e as mãos do instrutor ? seios médios?
durinhos? no formato de uma deliciosa pêra? Tenho um cabelo loiro? muito
longo? quase chegando ao meu rego? cintura bem fina?um piercing no meu
umbiguinho? um rabo? hummm? um rabo bem grande para aconchegar seu
caralho? pernas grossas e bem desenhadas? e uma boca gulosa para te mamar
todo? ? não tirei os olhos do meu supervisor, que por vezes ditava as
frases, e fui segurando o riso."
Com três namorados na bagagem e relações envergonhadas ? "Sempre debaixo
do lenço, se eles me viram uma perna foi muito" -? Paula anda pela
primeira vez de avião aos 21 anos. "Não era uma santa, nem tencionava
ser, apesar do meu afinco religioso, até possuía umas ideias libertinas e
umas fantasias muito ousadas". Tinha destino marcado para uma boîte do
Norte, junto à fronteira. "Na altura, o esquema era vir por Espanha e
depois entrar de carro. Hoje vêm directo porque lhes arranjam contratos
de trabalho com cafés e pastelarias."
Estreia-se na noite em que pisa território nacional. Tem meia-hora para
estar com o cliente. "Nesse período tinha que subir, tirar a roupa,
lavar-me, ir para a cama, ele gozar, depois lavar, colocar o vestido e
descer." Hoje reconhece que era 'tapadinha'. Acaba por fugir da primeira
boîte, mas depressa aprende a malícia, a mandar na cama, a impor a sua
vontade ao patrão. Como havia muitas Paulas adopta o nome Lee
inspirando-se numa série de televisão brasileira. Em "Labirinto", Malu
Mader era Paula Lee, uma decidida e inteligente garota de programa.
Chegou a estar com 17 e 18 clientes por dia.
"Apesar de tudo o que passei na minha vida, da fome na infância, da luta
tão grande por tão pouco na adolescência, da violência em casa, do
assédio no trabalho, estaria a fazer-me de vítima se dissesse que tudo
isso que me condicionou a ser prostituta. Não foi. Há pessoas que passam
pelas coisas piores nessa vida, mas que nunca seriam capazes de alugar o
próprio corpo. Eu fui, e não vou fazer disso um melodrama, não vou me
fazer de coitadinha. Eu fui capaz, apesar de não ser tão ignorante,
apesar da minha religiosidade, porque havia algo mais forte em mim.
Passei por momentos terríveis? Sim, é verdade. Mas também aprendi muito,
e quiçá não ganharia esse aprendizado se não passasse por essa fase."
Agora recebe clientes no seu apartamento de Lisboa. Cobra entre 60 e 100
euros à hora mas não faz contas ao dinheiro.

Todos querem Lisboa, Lisboa não quer nenhum

A grande reportagem televisiva com os candidatos a Lisboa:

terça-feira, junho 05, 2007

Os guarda-costas de Costa

Santo António também apoia Costa

Que une Eduardo Prado Coelho, Raul Solnado, Saldanha Sanches, Maria Elisa, Henrique Cayate, o presidente da Câmara da Amadora, António Mega Ferreira, o arquitecto Manuel Salgado e muitos outros? António Costa, o candidato à edilidade lisboeta.

Hoje ao jantar na antiga FIL lá estavam todos, até o pai da flexi-segurança (sério) a baterem palmas ao futuro edil.
Cada um terá a sua fé no candidato e já se percebeu que à volta de António Costa já está o anel de protecção para fazer dele um presidente para ficar. Ele lá explicou que o Estado ( nós portanto) vai ter de dar um aval pelas dividas e encontrar assim uma almofada para poder gerir Lisboa sem sobressaltos. Costa diz que não é dádiva mas já sabemos como estas moratórias funcionam. Quem paga é o contribuinte.
Depois vão para a rua mil tal assessores do antigamente, alguns ficarão outros entrarão. Com um saneamento financeiro o PS se não for parvo vai reconquistar Lisboa aos Mouros e António será o Costa do Castelo, versão filme indiano.

Também percebi que Costa vai lavar a cara à cidade, pintar passadeiras, limpar tapumes, vai decerto alcatroar umas ruas e avenidas, ladrilhar os túneis que João Soares não teve tempo de acabar irá fazer uns happenings culturais e...mais uma vitória daqui a 2 anos. Vão ser dois anos de campanha permanente e Sócrates vai fazer tudo o que puder, e mesmo o que não puder.

A forma simplista como António Costa encara o futuro do Parque Mayer demonstra que não vai haver grandes investimentos em Lisboa. Por um lado acho bem pois não haverá mais despesas grandiosas, mas também acho que há investimentos que valem milhões, repare-se no sucesso do Museu de Arte Moderna de Bilbao.

Esta campanha ainda vai dar que falar. Se vai....

Afinal, portugas não são calões

Os portugueses laboram o mesmo que os alemães e mais que os franceses, noticia o «Diário de Notícias».
Um estudo da Mercer, uma conceituada consultora de recursos humanos, hoje a divulgar em Lisboa, coloca Portugal na média europeia de dias gozados sem trabalho. Isto, claro, levando em conta os cinco dias semanais de trabalho, com pelo menos dez anos de serviço.
Contas feitas, os finlandeses têm mais dez dias de férias e feriados do que os portugueses.
E, alerta o «Diário de Notícias», não se pense que os cidadãos do ex-bloco comunista são na União Europeia a 27 dos que mais trabalham: na Estónia, Lituânia, Eslováquia e na Eslovénia os dias extras de descanso variam entre os 36 e os 40.
Ao todo, entre férias e feriados os portugueses gozam, em média, 34 dias anuais, enquanto em terras da Nokia (Finlândia) as folgas somam os 44 dias.
Reino Unido, Holanda e a Roménia estão entre as nações que menos dias livres concedem aos seus cidadãos. Com resultados, em termos económicos, distintos. Estas nações conseguem reduzir os «dias de folga» porque cortaram nos feriados. Regra geral, as férias representam 20 dias úteis, enquanto que os feriados não ultrapassam os sete ou oito dias. O estudo da Mercer destrói vários mitos. Um deles é o que se passa com os países de Leste, o que pode merecer a atenção dos departamentos de recursos humanos das multinacionais com planos para se deslocarem para o Leste.
Em geral, as nações resultantes da desagregação do «império soviético», como a Eslováquia e a Eslovénia, detêm o recorde de feriados, com 15 e 16 dias de gozo, respectivamente. E, nesta contabilidade, não são levados em conta os «feriados regionais», evocativos de festas religiosas ou nacionalistas. Bem como, claro está, a concessão de «tempos extras» legais, concedidas por muitos Estados, por motivo de casamentos ou licenças por funerais.

Eduardo Prado Coelho disse no Público


Uma amiga mandou-me esta crónica do Eduardo Prado Coelho, no Público. Tirando alguma amargura expandida e muita benevolência para com Sócrates e... Santana ( é verdade!) o cronista tem razão. Embora haja sempre dois lados para ver a realidade: atrás do espelho ou à frente dele. Ai vai, com a devida vénia:


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E oque vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por issocomeço a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foiSantana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo.Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde aESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro. Umpaís onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderãoser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nospasseios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedorasparticulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e paraeles mesmos.Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porqueconseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde osdirectores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há poucointeresse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depoisreclamam do governo por não limpar os esgotos.Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é muito chato ter que ler) e não há consciência nem memóriapolítica, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalhamdois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem paracaçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns. Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicaspodem ser compradas, sem se fazer qualquer exame. Um país onde umapessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que estásentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual aprioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país ondefazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e deSócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontemcorrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digoo quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, oque me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.Como matéria-prima de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa.Esses defeitos, essa CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA congénita , essadesonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui atéconverter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, éque é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses comonós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, opróximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesmamatéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E nãopoderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado aerradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nemserviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serveSócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com aforça e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.E enquanto essa outra coisa não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram,seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmenteabusados!É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimentocomo Nação, então tudo muda..Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandamum Messias.Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nadapoderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim,creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer:desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e daestupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar oresponsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim,exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUEO ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.E você, o que pensa?.... MEDITE! EDUARDO PRADO COELHO

A lei de jerico de José Sócrates


Sócrates quer pôr ao fresco os autarcas acusados criminalmente. A obstinação do pequenino Marques Mendes parece estar a criar escola. Sócrates imita Mendes, não quer ficar atrás.
Assim também arruma alguns casos incómodos para os socialistas como sejam o de Felgueiras e Oeiras e acaba por descredibilizar ainda mais os candidatos rivais e os inimigos internos nas proximas autárquicas, daqui a dois anos.

Só que... Sócrates mais uma vez não pensou nos efeitos colaterais. E já tem meio partido contra ele, desde a fiel Roseira a um longo coro de autarcas da rosa que se acham discriminados.
A ideia com esta lei de jerico é que quem é autarca pode ser criminoso incompatível com o exercicio do cargo, mas os restantes detentores de cargos públicos já podem exercer o poder mesmo que tenham matado a mãe e roubado o padrasto no saco da farinha.

Esta mania de dar nas vistas e de governar, já não para a imprensa e para o horário nobre das televisões, mas sim de agradar ao Zé povinho que ouve de ouvido e gosta de medidas sanguinolentas, o populismo de fachada esquerdizante, esta mania é Sócrates no seu melhor. Ou seja: no pior que este regime tem revelado.

Para quem veio dizer que para se ser primeiro ministro não era incompatível com mentir nas habilitações literárias, é estranho que ache incompatível para um autarca gerir os movimentos das camionetas do lixo na terriola, promover festanças de Agosto para emigrantes e mandar fazer rotundas.
O maior criminoso pode fazer tudo isto e muito mais até que o tribunal decida se deve ou não ir de cana.

Sócrates quer agora julgar presumiveis inocentes.
Já não é afinal a imprensa que faz julgamentos na praça pública é mesmo o governo a fazê-lo.

Longa vida ao camarada Saldanha Sanches !!

Lembro-me do camarada Saldanha Sanches em Alvalade no Astória entes do 25. O camarada passava longos períodos na prisão e eu olhava para o pai dele com alguma tristeza. Um pai com o filho preso deve ser doloroso.
Depois o MRPP fazia dele um mártir de Mao, um mito na resistência. Sabia que era um tipo fora de série, inteligente, puro e duro.

Hoje Saldanha Sanches e Mizé- dong são um casal que se afirma como os justiceiros da democracia. Perderam a revolução maoísta encontraram na democracia um bom terreno para exorcizarem a sua revolução. primeiro foi a caça aos prevaricadores de impostos, agora é a bandeira da anti-corrupção que está ao vento.
Acabam por ser lebres que os governos gostam porque ensaiam na opinião pública o que depois devem ou não fazer em matéria de medidas impopulares. São opiniões úteis mas que, tal como com os ecologistas, o exagero leva à demagogia, à injustiça.

As bocas do agora professor de tributação (?) até devem ter fundamento. Ele dorme com segredos que poucos portugueses sabem, e se ele fala, fala porque sabe. Então..diga, venham cá para fora essas acusações mas em concreto.
Se abriu a caça aos patos toca a queimar pólvora. A cãozoada está faminta por correr atrás das desgraçadas vitimas. Sangue! O português quer sangue e Sócrates adora distrair as atenções.

segunda-feira, junho 04, 2007

Despida a preto e branco


Um retrato de Ana Anes por Carlos Didelet

Cursos de strip tease para mulheres casadas




Boa ideia ! Gosto disto ! Um work de striptease para domésticas ? É um bom nicho de mercado. Os maridos passam a comer em casa com os olhos o que tinham de pagar em sitios lugubres.



Falo de maridos cafonas e de esposas pouco imaginativas.


Agora: as mulheres além de terem a sobrecarga de trabalho ainda vão ter que praticar mais uma actividade: espectáculo libidinoso para consumo interno.


Os tempos mudam e a exploração doméstica aumenta, o povo assim não aguenta.

A Ana Anes pediu-me a divulgação e cá vai.

Agora cuidado com as admissões a estes cursilhos. Se a matéria prima não for boa não vai haver varão que aguente. A não ser às escuras...

Filme português rende 96 euros. E os outros...

A bilheteira do cinema português não dá para o petróleo mas O Crime do padre Amaro facturou 1,644 milhões. O público comove-se com histórias de igreja. Na foto Soraya Chaves

O panorama do cinema português em matéria de receitas de bilheteira e número de espectadores nas salas nacionais não é exemplar. A «Agência Financeira» consultou os dados mais recentes do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) e concluiu que, desde 2005, 80 por cento dos 39 filmes estreados renderam menos de 50 mil euros nas bilheteiras, valor abaixo da maioria dos seus custos de produção.
As únicas excepções de registo a este panorama são as obras «O Crime do Padre Amaro», de Carlos Coelho da Silva, que levou às salas nacionais, em 2005, 380.652 espectadores e rendeu 1,644 milhões de euros, e «O Filme da Treta», de José Sacramento, que lucrou 1,092 milhões de euros e contou com 278.831 espectadores.

Com saldo acima dos 50 mil euros estão também «Alice», de Marco Martins (141,8 mil euros), «Um Tiro no Escuro», de Leonel Vieira (121 mil euros), «Coisa Ruim», da dupla Tiago Guedes e Frederico Serra (117,7 mil euros), «Odete», da autoria de João Pedro Rodrigues (66,9 mil euros) e o documentário «Lisboetas», de Sérgio Tréfaut (64,8 mil euros).

Abaixo do valor referido estão obras de Manoel de Oliveira («Espelho Mágico», que rendeu apenas 11,4 mil euros), Fernando Lopes (que, com «98 Octanas», ficou-se pelos 10 mil euros e 2.906 espectadores) ou Edgar Pêra (o seu último filme, «Movimentos Perpétuos», registou somente 4,5 mil euros e foi visto por 1.028 pessoas).

Na distribuição nacional deste ano, o filme português mais rentável foi, até ao momento, a comédia «Dot.Com», de Luís Galvão Teles, que acumulou 49,6 mil euros e contou com 12.709 espectadores.

Seguem-se «O Mistério da Estrada de Sintra», do realizador Jorge Paixão da Costa, com 47,4 mil euros e 11.258 espectadores, e «Suicídio Encomendado», de Artur Serra Araújo, com cerca de 9 mil euros de receita nas bilheteiras e 2.218 espectadores.

Filme «Brumas» é o menos rentável, com 96 euros de receita

No fundo desta tabela encontram-se os filmes «Vanitas», de Paulo Rocha, visto por 493 pessoas e com 1.425 euros de bilheteira, e «O Veneno da Madrugada», da autoria de Ruy Guerra, que acumulou apenas 796 euros e foi visto por 192 pessoas.

O titulo português menos visto dos últimos três anos foi «Brumas», obra de Ricardo Costa, que contou apenas com duas sessões em sala de cinema e 24 espectadores, rendendo 96 euros.

domingo, junho 03, 2007

Serial killer de Santa Comba com Mónica Sintra


A reportagem da RTP com o serial killer de Santa Comba, o cabo António Costa, foi muito boa. Excelente jornalismo, excelente televisão, até apetece pagar para este serviço.

Termos em Portugal um serial killer, ainda por cima de Santa Comba, benfiquista, beato praticante, com retrato do velho Oliveira no meio da bagunçada da garagem, é muito bom.
Esta história dava um filme que eu adoraria realizar. Está lá todo o Portugal profundo.
A hipocrisia dos conservadores moralistas, o sufoco do mundo rural herdado do salazarismo, o sexo transgressor onde explode como uma panela de pressão, onde o pecado reprime as entranhas, o clubismo bacoco numa espécie de religião alternativa, a mentira feita confissão, o medo, a perversão da dor, o que está por detrás da imagem de um homem normal, cumpridor, militar, com folha de serviço exemplar...escrevo isto de cor mas dava mesmo um excelente romance e um excelente filme.

Eu começava-o assim:

Manhã de bruma, plano geral com uma estrada a perder de vista, ao fundo vem um carro de farois acesos, a câmera baixa em travelling para a esquerda, enquadra o cemitério de Santa Comba. Um homem reza de pé. Corta. Plano seguinte: o homem, um gnr fardado segura um jornal com a manchete da morte de uma das miudas. Benze-se e sai de campo. Ouve-se o carro do primeiro plano parar. A porta fecha-se em plano de corte, agressivo, com uma rapariga ao volante e o GNR a sorrir-lhe com cumplicidade. O carro desaparece entre as ruelas do Vimieiro e passa frente á antiga casa de Salazar. Corta. ( o carro é um opel tigra amarelo, a rapariga tem o cabelo negro, vestido decotado branco às bolas pretas, lábio vermelhos, pode ser uma figura de Almodovar á portuguesa. Convidaria a Mónica Sintra para fazer este papel).

Começei este texto a brincar e agora está-me a dar imenso gozo!


PS: Outra excelente reportagem hoje: as crianças escravas na SIC, passada em horário nobre, numa grande coragem. Boa.

António Costa já alinha em palhaçadas


Ontem via nele alguma seriedade com a afirmação de não pôr taxímetros à entrada de Lisboa. Hoje já percebi que António Costa ( não o cabo serial killer de Santa Comba) mas o candidato à edilidade lisboeta ( lindo !!?) já pedalou do Príncipe Real a Belém ( é sempre a descer cambada !) para dar um ar de graça ecológica.

Os portugueses adoram estas palhaçadas dos verdes e dos politicamente correctos. Uma freguesia de votantes, frustrados, invejosos dos carros dos vizinhos, vingadores com o voto na mão, prezam os políticos que gostam de lhes pôr a consciência verde. É o anti tabagismo, o anti automobilismo, o anti tudo o que possa dar prazer.

Ficava melhor a Costa vir dizer que vai fechar as discotecas a horas decentes e que Lisboa é das cidades do mundo onde a rebaldaria nocturna é mais nociva. Mas isso não está a dar.

Costa podia vir dizer que ia melhorar a limpeza, a segurança, a qualidade de vida. Para quê ? Umas pedaladas de bicicleta facturam mais e depois de ter visto uma foto, no Expresso desta semana, da sua concorrente Roseta a dar ao pedal em mil novecentos e troca o pedal em Cascais, Costa começou a pedalar.

Ridículo, patético naquela barriga, mas muito socrático.

O desporto passou a ser a ocupação preferida dos políticos. É só saúde !!!!

PS: O Carmona também andou a descer a Costa do castelo em BTT e bem se lixou !

sábado, junho 02, 2007

Declarar a mesada do pai? RIDICULO


A governação de Sócrates já não sabe o que inventar para atacar a classe média. A última ideia do seu ministro das finanças de querer obrigar os pais que dão mesada aos filhos e vice-versa de terem de declarar tal coisa às finanças, quando acima de 500 mocas, é de uma gravidade enorme. Um absurdo, uma estupidez.

Estamos a viver numa total impunidade do Estado cobrador de impostos, inimaginável.
A rede foi lançada e apadrinhada pelos jornalistas e fazedores de opinião de que em Portugal éramos todos uns ladrões que não pagávamos ao fisco. Depois atiraram às feras os profissionais liberais e industrias, empresários. Todos fugitivos à colecta.
Quando os governos viram que podiam largar a matilha contra os cidadãos com possibilidades de pagarem mais, foi um ver se te avias.

O fisco comporta-se com total ferocidade sem que os cidadãos possam contestar. Colecta primeiro, penhora a seguir, quem estiver mal que se queixe ao Totta.

Esta tontísse dos 500 euros parece que vai recuar, porque são estas pequenas asneiras que custam derrotas eleitorais. Os socialistas começam a perceber que se querem ganhar Lisboa e depois o país vão ter de endireitar caminho.
A classe média está farta de pagar para a a engorda de um Estado parasita, incompetente, guloso, destituído de projecto social.

Nunca pensei aos 52 anos encontrar um governo tão descrente na intervenção positiva do Estado, na segurança social, nos benefícios da democracia.

Sócrates é um empata. Não faz nem deixa fazer.

Sempre desconfiei dos tipos que têm a obsessão da ginástica.

Costa vai meter Porto de Lisboa na ordem ?

Gostava que António Costa pusesse o dedo na ferida lisboeta que é o Porto de Lisboa. Como sabemos é uma entidade que se porta como uma super autarquia dentro da cidade, que se sobrepõe à vontade dos cidadãos, dos governos, dos autarcas. Não sabemos bem de quem depende, sabemos que gere com total impunidade a orla do Tejo em toda a sua extensa margem lisboeta.

Não houve até agora nenhum ministro que pusesse em causa tantos poderes, tirando talvez no tempo de Cavaco quando arrancou o plano de recuperação do porto de Lisboa que deu origem a bares, marinas e outras acções que apesar de discutíveis iniciaram uma aproximação da cidade com o rio.

Agora parece que o Porto de Lisboa está a transformar-se num patrão de costa com poderes para decidir de construções faraónicas, hoteis à beira-rio...o que se fez com a estação de embarque no Cais do Sodré é uma verdaeira bosta, mas como foi projectada por um arquitecto de referência não houve uma voz discordante. Uma !
Assim como a Agência Marítima Europeia, um edifício com 200 metros de comprimento em cima do rio em pleno Cais Sodré, cortando a ligação com o rio. E o que se está a fazer entre Belém e o jardim da Torre é outra aberração.

Estão todos caladinhos e o Porto de Lisboa factura como se fosse um latifundiário de imobiliário urbano.

Espero que Manuel Salgado, um arquitecto de muito bom senso, aconselhe Costa a pôr tino no Porto de Lisboa.

Os rateres de Carmona Rodrigues

Carmona quer fazer da sua candidatura uma trapalhada revanchista. Quer-se vingar de tudo e de todos. Vai fazer de vitima- aprendeu na escola de Santana Lopes- e vai querer provar que os maus são os que o antecederam, o doutor Marques Mendes e até os lisboetas que não compreendem como não foi um mar de virtudes a sua gestão camarária.

Agora vem pôr a boca no trombone, armado em queixinhas, e dizer que tudo começou com João Soares. está enganado: tudo começou com D. Afonso Henriques !!

Ao dizer que a Bragaparques foi trazida para Lisboa por João Soares e que este adjudicou o parque da Praça da Figueira sem concurso nem nada, está a esquecer-se que houve concurso na primeira empreitada e que depois foi o vencedor que mais tarde adjudicou a obra à Bragaparques. Não me parece nada simpática nem fiável esta empresa, que me cheira sempre a uma mistura de patos bravos de Tomar com uns galegos gananciosos, mas porventura até podem ser pessoas de bem. A verdade é que se eles existem é porque há quem lhes dê empreitadas para fazerem. Adiante.

A estratégia de Carmona, o incorruptível, o anti políticos, o independente, o competente, caiu no ridículo.

É uma farsa esta estratégia. Carmona devia ter vergonha, meter a viola no saco e ir dar rateres com as suas motas velhas para outra autarquia.

sexta-feira, junho 01, 2007

Costa não quer portagens em Lisboa

Primeira ideia boa de Costa. Eu aplaudo.

O candidato do PS à Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, manifestou-se hoje contra a introdução de portagens à entrada da cidade, preferindo desviar da Baixa o trânsito que a atravessa em direcção à Expo e a Belém.
“Não sou favorável, penso que há outras formas de regular o trânsito. Até porque grande parte das entradas em Lisboa já é portajada e não foi isso que resolveu o problema”, disse Costa aos jornalistas no final de um almoço na União das Associações de Comércio e Serviços (UACS), onde ouviu sugestões e críticas dos empresários desta área.A União defendeu propostas para a revitalização do comércio, “um projecto sério para a Baixa-Chiado” e uma aposta no estacionamento, com a construção de mais parques, que afirma fazerem falta ao comércio.Para António Costa, “não é por se fazer mais um parque de estacionamento que vão mais pessoas fazer compras para a Baixa”./ Lusa

Saraiva faz gaffe e chama Expresso ao Sol

Ontem na entrega dos prémios Meios & Publicidade, no auditório da antiga FIL em Lisboa, os presentes, largas centenas, não deram por mal empregue a noite. Uma cerimónia que estava a ser uma seca ( estas coisas são mesmo assim) acabou por se tornar numa sessão hilariante.

O Sol recebeu o prémio revelação porque competia com a revista "Tiro aos pombos" ( digo eu!). Depois de Nicolau Santos ter recebido os dois prémios consagrados ao Expresso ( melhor semanário e melhor suplemento, Única) Saraiva entrou no palco e atirou mais uma das suas frases que fazem História:“Não vou agradecer o prémio porque os prémios não se agradecem. Os prémios ou se merecem ou não se merecem. Este foi totalmente merecido pelo Expresso…”

Ahhhhhhhhhhhhh!! o auditório ri, os jovens apoiantes que na plateia tinham gritado salvas quando Saraiva subiu estavam agora off.
Depois o arquitecto continuou a falar mas a excitação do auditório estava ao rubro. Falar para quê ? A noite estava ganha.
E o EXPRESSO mereceu mesmo estes dois prémios. PARABÉNS.

O prémio Carreira que era disputado entre José António Saraiva e Almerindo Marques ( cuja carreira foi a de ministro socialista e de administrador da CGD e que acabou na RTP já depois de reformado de ouro) acabou por calhar a Almerindo.

Aqui Saraiva também não tem razão: os prémios nem sempre se merecem e o prémio de carreira para ele até tinha sido bem merecido. O pior são os anticorpos...

Espanha arriba, Portugal afunda


O que salta à vista em Espanha é a organização, a simpatia, a eficácia.
Madrid é uma capital cosmopolita.
Limpa, arranjada, organizada.
Tem bichas de carros, mulheres bonitas, confusão, montes de gente nas ruas. A cidade respira cultura, negócio, movimento, economia.
Vê-se prosperidade, sente-se a classe média.
Olha-se e passa um Mercedes C 320, passa um BMW M5, passa depois outro Mercedes 500. À porta do hotel está um Bentley.
Um tripo engravatado vai numa scooter, os empregados que servem o pequeno almoço são de uma descrição e profissionalismo impecáveis.

As pessoas estão a trabalhar com gosto.

Os meus colegas do júri são uma simpatia e levam muito a sério o seu papel. Conheci Manuel Lopez, fotojornalista, professor e director da recista FOTO. Um senhor muito educado e culto, com muito sentido de humor, elegante nos seus sapatos vermelhos e charme dos cinquenta. Tudo é civilizado.
Claro que sou um fanático por Espanha. O meu amigo António Homem Cardoso, também do júri, não consegue entender o espanhol. Mas também adora, sobretudo do pata negra, pese embora o seu lado monárquico o irritar a velha história da ocupação. Maldito 1 de Dezembro !

Madrid me mata!


Madrid me mata. Hoje passei o meu dia na capital espanhola para a apresentação à imprensa do júri do concurso ibérico Epson para o qual fui convidado.
Fiquei muito admirado com a participação de 34 jornalistas espanhóis na conferência. Impensável em Portugal a imprensa poder-se interessar desta forma por um concurso que está para Espanha como o Prémio Visão está para Portugal.

Ainda visitámos a abertura da Mostra PHOTOESPANHA 2007( PHE07, uma espécie de Mois de la Photo de Madrid) que vai decorrer durante algumas semanas com fotógrafos como Raymond Depardon e Stanley Kubrik ( exactamente no seu tempo de fotojornalista).

Voltarei a Espanha e a esta iniciativa da Epson.