ALUGO O MEU CORPO é um livro que acaba de me chegar pela mão da D. Quixote. A autora é Paula Lee, prostituta e famosa blogueira do Amante Profissional.
O livro é posto hoje à venda, sem lançamento, e adivinha-se um sucesso não só pelo tem a que tem estado muito na moda, mas porque o estilo de escrita e a sinceridade narrativa o vão tornar num caso à partre editorial.
Paula Lee foi revelada ao público numa entrevista para o Correio da Manhã e entretanto popularizada noutras reportagens. Foi mesmo capa da Única do Expresso.
A autora remete para o melhor que se conhece da literatura francesa do género, quando estes temas da prostituição eram tabu ( salvo seja!!) e tinham um público fiel e reservado.
Paula Lee, por ela própria segunda a editora:
"Não escolhi ser prostituta. Quando era criança, se me questionavam o que
queria ser quando crescesse não dizia 'puta mamãe'". A menina tranquila,
que aprendeu a ler aos três anos e devorou todos os livros que encontrou
na biblioteca, passou seis meses nas linhas eróticas brasileiras antes de
chegar a Portugal. "O que é que um homem procura nas linhas eróticas.
Letícia. Loura Sou a Letícia, tenho 19 aninhos acabados de fazer ? "fala
mais devagar», li os lábios e as mãos do instrutor ? seios médios?
durinhos? no formato de uma deliciosa pêra? Tenho um cabelo loiro? muito
longo? quase chegando ao meu rego? cintura bem fina?um piercing no meu
umbiguinho? um rabo? hummm? um rabo bem grande para aconchegar seu
caralho? pernas grossas e bem desenhadas? e uma boca gulosa para te mamar
todo? ? não tirei os olhos do meu supervisor, que por vezes ditava as
frases, e fui segurando o riso."
Com três namorados na bagagem e relações envergonhadas ? "Sempre debaixo
do lenço, se eles me viram uma perna foi muito" -? Paula anda pela
primeira vez de avião aos 21 anos. "Não era uma santa, nem tencionava
ser, apesar do meu afinco religioso, até possuía umas ideias libertinas e
umas fantasias muito ousadas". Tinha destino marcado para uma boîte do
Norte, junto à fronteira. "Na altura, o esquema era vir por Espanha e
depois entrar de carro. Hoje vêm directo porque lhes arranjam contratos
de trabalho com cafés e pastelarias."
Estreia-se na noite em que pisa território nacional. Tem meia-hora para
estar com o cliente. "Nesse período tinha que subir, tirar a roupa,
lavar-me, ir para a cama, ele gozar, depois lavar, colocar o vestido e
descer." Hoje reconhece que era 'tapadinha'. Acaba por fugir da primeira
boîte, mas depressa aprende a malícia, a mandar na cama, a impor a sua
vontade ao patrão. Como havia muitas Paulas adopta o nome Lee
inspirando-se numa série de televisão brasileira. Em "Labirinto", Malu
Mader era Paula Lee, uma decidida e inteligente garota de programa.
Chegou a estar com 17 e 18 clientes por dia.
"Apesar de tudo o que passei na minha vida, da fome na infância, da luta
tão grande por tão pouco na adolescência, da violência em casa, do
assédio no trabalho, estaria a fazer-me de vítima se dissesse que tudo
isso que me condicionou a ser prostituta. Não foi. Há pessoas que passam
pelas coisas piores nessa vida, mas que nunca seriam capazes de alugar o
próprio corpo. Eu fui, e não vou fazer disso um melodrama, não vou me
fazer de coitadinha. Eu fui capaz, apesar de não ser tão ignorante,
apesar da minha religiosidade, porque havia algo mais forte em mim.
Passei por momentos terríveis? Sim, é verdade. Mas também aprendi muito,
e quiçá não ganharia esse aprendizado se não passasse por essa fase."
Agora recebe clientes no seu apartamento de Lisboa. Cobra entre 60 e 100
euros à hora mas não faz contas ao dinheiro.
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quarta-feira, junho 06, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Estranho ataca Paula Lee em casa
Paula Lee, autora do blogue Amante Profissional, conta como foi agredida em sua casa e esteve quase a morrer. De arrepiar. Leia aqui
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Porque estão as putas a tornarem-se escritoras ?

Porque será que agora as putas dão em escritoras? Perguntava-me esta semana uma colega jornalista em tom de desabafo, depois de eu lhe ter confessado que Paula Lee era uma mulher inteligente, culta com o seu blogue Amante Profissional.
Depois de umas frustradas quarentonas, intelectuais de noites mal dormidas, terem dado em escritoras "light" com um discurso feminista e uma postura de permanente desdém pelos homens, chegou a vez das profissionais do sexo darem a mão ao manifesto, o coração nessa linha e escreverem sobre as suas experiências avassaladoras. Contam tudo ao pormenor com respeito, carinho e o sigilo profissional que a actividade exige. E não têm Ordem nem Óscar Mascarenhas a controlarem-nas !..
A sociedade esta mais "voyeur" do que os paparazzi, e o assunto tornou- se de fácil leitura, logo rentável e popular.
Antes as confissões de directores de jornais tentaram ter sucesso, foi o fracasso que se viu. As putas ganharam em popularidade e em fino recorte literário o que faltou a candidatos ao Nobel.
Um esclarecimento: nada tenho contra a palavra puta. Para mim não tem significado pejorativo e considero-a palavra de boa sonoridade e de eficácia narrativa perfeita. Uma verdadeira puta nunca se sentirá ofendida com a designação.
Tal como um fotógrafo nunca se sentirá ofendido se o chamarem de fotógrafo. Se a coisa der para o repórter-fotográfico, repórter de imagem, aí a coisa já está a dar para o abjecto.
A vinda a Portugal da Bruna Surfistinha, e a entrevista de uma Andreia de 19 anos, também puta assumida, mais o supersite de Paula Lee, estão a revolucionar mentalidades e a provarem que a prostituição na dura pureza original é tão respeitável como qualquer outra profissão. Ou mais...
Estes romances côr de rosa-choque não são originais. Já a literatura confessional no mundo da putaria tinha dado provas de qualidade. Vejam-se alguns testemunhos de francesas depravadas como Anais Nin, amadora avançada, ou de putas que souberam rimar negócio com amor.
Claro que o encanto de uma actividade lúdica e lúbrica se perde quando começa a saír da clandestinidade e a ser escancarada nas televisões, revistas e jornais. A banalização tira a pica, normaliza, reduz o pecado a coisa adquirida.
Para já uma nova corrente literária nasceu.
Acontece! Já dizia o outro tontasso.
Luiz Carvalho
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Soneto erótico de Paula Lee

Pelo meu corpo as mãos passeiam macias
relaxo, viajo, estou quase dormente
paraíso achado, sem mapas, nem guias
sem regras, sem horas e sem expediente.
agora aquecidas estão indecentes
apalpa, escorrega, me acaricia
e descobre o prazer já tão iminente.
Quando menos espero ele me enfia
o pénis - e me segura pela bacia
o meu corpo segue o seu, obediente.
Gritos, gozos, convertem-se em calmaria
E o que resta agora é paz, somente.
segunda-feira, novembro 13, 2006
O desassombro de Paula Lee
Foto de BrassaiÉ uma mulher de coragem.
Não a coragem de uma Simone de Oliveira ou de uma daquelas portuguesas que fizeram dessa atitude uma imagem de marca.
Falo de um blogue de uma puta que devolve ao público o trabalho privado como uma bela arte. Vende prazer e faz com isso prazer de vida.
Desassombro sem pretensão, sem vulgaridade. Uma profissional sincera, competente, intelectualiza com a mente o que materializa com o corpo.
É jovem, trabalhadora e competente. Está organizada com as novas tecnologias. É uma ciberputa que brinca em serviço e cumpre em serviço. O seu blogue é um rosário de preces sensuais, de zelo , cumplicidade e recato.
Lê-la é impressionante. Torna-se numa puta de elite, ignorada pelo Tal e Qual no Top das 10 mais. Ainda bem. A democracia banaliza, estraga o negócio e a qualidade do serviço.
Um caso para seguir.
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