Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta governo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta governo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, outubro 20, 2011

Um governo a prazo

As pessoas esquecem-se: este governo assenta numa coligação. Não é um governo maioritário de um partido maioritário. O PSD ganhou as eleições com uma maioria relativa. Foi preciso que o CDS, na sua ânsia de voltar ao Poder, entrasse neste casamento de conveniência, com comunhão de bens e separação de adquiridos.

Ora, depois da intervenção de ontem  de Cavaco, que acaba de pôr em alvoroço a base eleitoral do PSD, duplamente desiludida, porque votou num partido que jurava às crianças que nunca roubaria o subsídio de Natal, nem aumentaria impostos, e desencantada porque afinal Cavaco acordou e já viu que o país corre sérios riscos de revolta social, a caminho da falência geral. Depois de ontem este governo não terá mais a solidez que aparentava. Foi o primeiro dia do resto da sua desgovernação.

Estas medidas avulsas, num misto de ressabiamento político e de susto em temer não conseguir cumprir o recado da Troika, que ele mandou chamar num golpe de Estado em democracia, muitas delas em que o CDS discorda mas consente, estão a partir a corda.

Quando o CDS chegar á conclusão que nada ganha em estar na agência governativa, e que a sua continuidade neste governo o vai reduzir de novo ao partido do táxi, e que Portas acabará o seu reinado de Jardim do CDS no desemprego político, a coisa mudará. Se acrescentarmos a agitação social a coisa vai estar difícil.

Até a confereção dos patrões começa a dar sinais de descontentamento com as medidas tomadas. Promovem a atrofia da economia, logo: as empresas vão vender menos, lucrar menos, fechar mais.

A inexperiência de Coelho, ao querer repetir o pecado original de Sócrates, que era disparar sobre tudo e todos, acabará por o catapultar para as calendas da política. Voltará ao seu escritório das Amoreiras com vista para o Tejo, retomando os seus negócios da biomassa (a adversária das eólicas, não esquecer!) e outros negócios de grande alcance económico.

O psico-drama telenovelesco de que a culpa é do outro e que esta política não tem alternativa cairá com este governo sem política, sem rasgo, sem palavra e sem rumo. O governo comporta-se como uma nave de loucos em que cada um grita e atira ao mar quando o mar se revolta e a solução é ir deitando a tripulação com escorbuto económico às vagas.

Os portugueses estão entregues a si próprios. Mas foi parte deles que optou por pôr a cabeça no cepo. Desça a guilhotina. Pum.


sexta-feira, setembro 09, 2011

Queres sexo por prazer? Toma! Paga a pílula!

Temos um governo amigo do povo. Do povo que votou neste  chefinho e do povo em geral que gosta do Pai Natal. E nele acredita.
Tínhamos um Primeiro porreiro-pá, temos agora um governo, porreiro- pá.
Um governo que pensa nos pobres, pensando em distribuir pelos mais desgraçados medicamentos fora de prazo e senhas de abastecimento alimentar, em vez de dinheiro vivo, evitando que os estroinas usem a colecta dos impostos para se embebedarem ou se meterem na droga.
Temos um governo que, apoiado pelo inenarrável bastonário dos médicos, pensa em taxar a fast-food prevenindo assim a saúde dos concidadãos, os mesmos que se empanturram em óleo de fritar, manteiga,chouriços e outra cultura gastronómica de garrafão.
Temos um governo que toma conta do nosso dinheiro e que não vai permitir que umas tipas andem a fornicar em segurança, não engravidando. Não querem procriar e o Estado ainda lhes pagava um subsidio para tomarem a pílula! Tomem! Paguem ou não f****m.
Um governo poupadinho que corta nas vacinas para que os portugueses não se transformem viciados em saúde!
Claro que devemos cortar no acessório.
E que o Estado deve ser minimalista.
Mas não animalista.
É a diferença entre a direita e a esquerda.

quinta-feira, julho 14, 2011

Um endireita a dar os primeiros passos

Ninguém deve dar demasiada importância pelo facto do jovem governo ter ou não ter um elenco de notáveis ou de ter um Primeiro mais ou menos experiente. Isto porque os chefinhos fazem parte da nossa infeliz cultura de excelência e porque, tirando os totós que acreditam no Pai Natal, um governo europeu trabalha em função das regras de Bruxelas. Portanto: termos um chefe de governo extraordinário nesta conjuntura até podia atrapalhar. Por vezes os endireitas resolvem problemas que os médicos não conseguem. Temos um endireita, embora em início de actividade, que está a dar os primeiros passos ainda amparado pela família, amigos e uns opositores em fase de reorganização de tropas.

Pelo que vi a dois metros de distância, e durante largos minutos, na Festa dos Tabuleiros em Tomar, o eleito primeiro-ministro mantém um ar simpático, vê-se nele um esforço para agradar a todos que o cumprimentam, desfaz-se em beijinhos, autógrafos, posa com uma moçoila e pergunta para que máquina fotográfica deve olhar, beija a mulher sem que os fotógrafos tenham tempo de disparar, não larga as mãos dela....enfim: temos ali um misto de Cavaco em família com um Guterres afável.  Até os seguranças se mantêm à distância, e quando é preciso enxotar os chatos dos fotógrafos, são dois tomarenses fardados com trajes da festa que empurram os jornalistas e dizem que têm de se afastar. Coelho sorri para o lado e volta a fazer mais um comentário para o seu "compagnon" de Juventude, o Relvas claro.

Mas há sempre o outro lado das figuras públicas. E quando horas depois chega ao Conselho Nacional do seu partido, e desabafa dizendo que afinal as contas públicas estão um descalabro, mesmo depois do relatório semestral do Banco de Portugal, atirando para a praça pública mais uma suspeição sobre a sustentabilidade financeira do país, parece coisa de endireita mal preparado. Quer dizer: sorri para o doente e de seguida torce-lhe o braço, antes de lhe partir o pescoço.

Este tique de atirar nos próprios pés, tão usado por Cavaco (e outros endireitas desastrosos), só servem para afundar mais o país, dando uma imagem nefasta para o exterior.

Depois da ira cxolectiva contra as agências de rating ( parecia Portugal a apoiar Timor!) sabendo todos nós (os que não acreditamos no Pai Natal) que o que está em jogo, ou seja: a recuperação económica e financeira do país, não vai ser possível com o montante negociado com a troika, nem com aqueles juros, nem com a recessão consequente, nem com a impossibilidade de reduzir o deficit público, já que o 95% do orçamento do Estado corresponde a encargos fixos( foi o que disse a economista Teodora) e que reduzidos, lançarão ainda mais o país numa maior recessão, ou seja: mais desemprego, depressão, destruição da já enfezada economia.

Portanto: a Moodies sabe do que fala. Embora, e aqui é que entra o cinismo político de Cavaco, tenham sido os ataques das agências que levaram muito os países periféricos à perda de confiança pelos mercados, e que agora esse cancro já esteja alastrado a outros países, que pareciam a salvo, América incluída.

Antes de ontem os juros da Espanha chegaram quase aos 7% e a França nunca pagou tanto de juros como o teve fazer ontem. Sarkozy começa a escorregar pelo plano inclinado.

Governar com tiques de oposição é péssimo. E assim a estabilidade, mesmo podre e forçada, não vai durar muito. Passos não pode dar passos maior do que a perna. Não está já na oposição. Está no governo. Que assuma isso. Meta-se no avião em executiva, largue os seguranças contra os jornalistas, deixe-se de ares de marido romântico em público, puxe da voz grossa e trabalhe. Deixe-se de entretantos e vá aos finalmentes. Irra, nunca aprendem!

segunda-feira, maio 21, 2007

Novo site da Lusa é de uma total indigência

É uma desilusão antes de ter sido uma ilusão.
Gastar 1,5 milhões de euros numa coisa daquelas é de ficar de boca à banda.
Sinceramente não percebo.
Como pode uma agência nacional fazer um site daqueles, cinzento, burocrático, triste, completamente desligado das novas tendências multimédia? Ao menos podiam ter copiado do melhor que fazem as suas congéneres, mas nós por cá temos sempre a mania que vamos inventar a pólvora e reinventamos a mediocridade.
Ao menos podiam fazer a asneira mais barata mas até aí temos a mania das grandezas.

Claro que Sócrates que tanto gosta de controlar a comunicação social tem aqui um bom espelho da sua inefável política e do seu ministro Augusto Santos Silva.
Uma total indigência.

sexta-feira, março 23, 2007

Ao que chegámos

Os nossos filhos vão ter de declarar às finanças a mesada que lhe damos. Vamos ser apontados a dedo na rua quando passarmos com os nossos carros que mais lançam CO na atmosfera. O charuto que apetece fumar na tranquilidades das quintas à noite nas Amoreiras vão ter que ser fumados talvez por ali perto na encosta abandonada do casal ventoso.
A piscina pequena que permite o Alentejo nas escaldantes tardes de verão será apontada do céu por um helicóptero das finanças e do Ministério do Ambiente, e da Câmara claro.

Quando passarmos os 120 na auto-estrada teremos, já temos, um besouro atrás disfarçado de Mr. Magoo, a lareira a fumegar será denunciada por uma vizinha invejosa e até namorar será um abuso considerando que só o faz quem tem tempo e como luxo pagará imposto…
Enfim: a vida não está fácil. Isto é: as nossas liberdades estão ameaçadas.

Hoje de manhã na rádio uma reportagem feita na Assembleia da República apontava os deputados prevaricadores que fumavam no corredor da Assembleia. Ontem Durão Barroso era citado na BBC porque o Tuareg da mulher era muito poluidor.
Aos poucos esta democracia vai tornando a vida cada vez mais controlada.
Os cidadãos sentem que são cada vez mais reprimidos. Lendo o relato da via verde, do Multibanco, do telemóvel, basta para se fazer o trajecto diário do cidadão, para saber dos seus defeitos e virtudes.
O governo, qualquer que seja, já percebeu que a ecologia dá dinheiro e que os contribuintes já estão preparados para pagarem mais e mais.
Portagens, parkings, multas, contribuições, todos pagam. Ainda ninguém provou que se paga para uma melhoria da igualdade social, da eficácia do Estado, do bem comum.
Pagamos para alimentar uma máquina estatal trituradora e um poder que assenta na força omnipresente do mesmo Estado.
O mercado acaba quando as OPV`s atacam as golden share do Estado, o mercado acaba quando a televisão privada ameaça crescer e pôr em causa a influência da televisão estatal.
O controle que o Estado quer fazer à imprensa com a nova lei e com a regulamentação das televisões é um exemplo claro e escandaloso de uma influência estatal que não abdica.
No fundo quem é que quer ceder poder ? Ninguém, só os parvos.

Sócrates sabe-o bem e os outros da oposição também. Aliás esta semana ouvindo falar no Pós e Contras o antigo ministro Morais Sarmento, para mim um dos mais detestáveis governantes de sempre ao lado de Bagão Félix, até gostei do que disse. O que é inacreditável para comigo mesmo. Mas lá está: o homem falava como contra-poder e ali ele estava na plenitude das suas capacidades de convencer o otário desprevenido.

Talvez nada disto ligue. Mas o que sentimos todos é que a ideologia que defendíamos nos anos setenta para uma sociedade mais justa, harmoniosa ( no sentido do planeamento urbano e da organização do trabalho), moderna, ousada, arrojada, irreverente e responsável, está cada vez mais longe. Pagamos mais, somos mais controlados do que com a PIDE, as nossas liberdades culturais de escolha aumentaram porque a cultura passou a ser um negócio de supermercados.

Talvez deprimente, mas amanhã é outro dia.

Luiz Carvalho

segunda-feira, outubro 23, 2006

O choque eléctrico de Sócrates

A morte de Sócrates

É o primeiro mês verdadeiramente mau para Sócrates.
O estado de graça ( que por acaso é bem caro!) chegou ao fim.
O orçamento é uma desilusão.
Não tem ambição, corta por todos os lados, aumenta os impostos, não emagrece a função pública, não promove o investimento público, é mais da mesma despesa.
É injusto socialmente, persegue a classe média, penaliza os pensionistas e reformados, consegue o pleno: não agrada a ninguém a não ser aos verdadeiramente poderosos.

É um orçamento cruel, retira a esperança aos portugueses.
Mas as broncas são mais que muitas.
A última foi o choque eléctrico: o ministro da tutela não fazia a minima ideia do aumento, o seu secretário de estado insultou os contribuintes que lhe pagam o salário, Sócrates mandou dizer aos berros que eles tinham de baixar o preço da electricidade nem que a tivessem de vender em pó!
Agora os portugueses consolam-se com 7 por cento contra 15.
Tal como se contentam com este governo contra o de Santana ou o de Durão contra o de Guterres.
Os portugueses são uns gajos porreiros: dão sempre o outro bolso quando lhe roubam um deles e votam sempre no mal menor. É desta miséria que se faz a vida política portuguesa: resignação e oposição de conversas de café acalentadas numa visita consumista por um os centros comerciais que tutelam os suburbios ou uma dose dupla de telenovela depois da janta.

Sócrates está cansado.
Hoje já não sabia como se chamava agora o rendimento minimo garantido. Acontece aos melhores. Mas que esta política da tanga não vai dar bom resultado já se vê: as scuts também trouxeram Sócrates para mais uma mentirola, para não falarmos das taxas nas urgências, nos medicamentos vendidos á balda em farmácias para a cura da sida e do cancro, ao fracasso do ensino, o ano escolar adiado.

Agora entrará em cena Linux. Mário Linux, o ex-comunista que virou o vingador do cavernismo estalinista. Para a semana vai haver foguetório. Vai haver tgvs, Ota para otários e outras moderníces.
Sócrates aposta no espectáculo. É a política virtual para um país neo-real.

E o Sr. Silva ? Está óptimo. Desde que virou humanista ninguém o cala e desde que viu um frigorifico em casa de uma pobre não pára de dizer que o país é um sucesso e que não contem com ele para força de bloqueio. Safa ! Safa !....