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segunda-feira, junho 07, 2010

Férias fora do Cavaquistão, já!

O Casal Cavaco Silva rumo a Boliqueime numas férias à portuguesa (!)

Na semana passada que passou, o Presidente Cavaco estendeu-se para lá do que é habitual a falar sobre os benefícios do futebol e da selecção. Depois do professor de economia, o professor em jeito Alves dos Santos...

O Presidente também já adoptou a fórmula de falar no final das cerimónias de corta-fitas ou de conforto aos pobrezinhos herdeiros do cavaquismo, antes de entrar no carro oficial. Põe aquele ar de Pai da Pátria que fala enquanto anda, numa versão mais civilizada da take do bolo-rei, e vai deixando cair umas frases estudadas, em tom paternalista, como se os portugueses fossem uma espécie de atrasados mentais. Até sou capaz de estar de acordo em parte ( digamos 50% mais um Estádio da Luz ) com o PR.

A campanha eleitoral em que o PR está empenhado e que corre num layer por detrás das cerimónias oficiais é lamentável. O deixar arrastar o tabu num remake grotesco está a fazer cair no descrédito a recta final do seu mandato. Todos já percebemos que ele vai ser candidato só não sabemos quando. E tudo o que o PR fizer até lá vai sempre ter esse estigma.

No Sábado, ao vir dar lições de moral aos portugueses que andam a gastar dinheiro em férias no estrangeiro, em vez de estenderem a toalha na areia do Cavaquistão, Cavaco mostrou que não tem uma visão europeia da economia e que ainda pensa no país como há 20 anos atrás.

Dizer que ir gozar férias para o estrangeiro é ser mau português, é como dizer aos milhões de turistas que nos visitam que andam a delapidar também as economias dos seus países. Esta visão canhestra é a ideologia do cavaquismo: falta de estratégia internacional, falta de ambição, pensar pequeno num Portugal dos pequeninos.

Um Presidente não tem que dar lições de moral aos seus cidadãos nem sobrepor-se à acção do governo, por muito que não se goste do governo ( o meu caso!). Uma coisa é achar-se que o governo é mau, outra é o PR vir dizer que sabe muito bem os números da crise. Todos sabemos. e se os números que Cavaco sabe são diferentes daqueles que o governo mostra e que os portugueses dizem saber, então que demita o governo iou que diga esses números que só ele sabe.

Talvez assim a gente decida não ir a banhos para Benidorm e prefira ir a banhos para Boliqueime.

É notável a capacidade populista da demagogia. E já agora: quais são os cortes orçamentais de que a Presidência vai fazer para mostrar que está solidária com a crise? Vai cortar nas visitas em romaria pelo país, vai cortar em despesas correntes ? Vai Cavaco abdicar de gastar dinheiro na sua campanha eleitoral já que a sua reeleição será trigo limpo - Farinha Amparo ?

Veremos. Para já vamos de férias e de preferência para fora. Longe do saloísmo nacional e enquanto não nos palmam o subsídio de férias.