O responsável do Partido Socialista em Ourém, não esteve com meias-medidas: pegou nas fronhas dos seus candidatos a construtores de rotundas e pôs um layer por trás com uma foto do Santuário de Fátima! Bom, com camaradas destes o engenheiro nem precisa do Preto para ganhar as eleições! O Reitor do Santuário reagiu muito educadamente, trata-se na verdade de uma figura da nova igreja portuguesa e com palavras justas e firmes.
Por este critério vamos ter em Lisboa, António Costa vestido de Santo António, Helena Roseta de noiva e José Sá Fernandes a segurar as alianças, vestido de anjola! Por detrás lá estará a Sé de Lisboa, vendo-se mais ao longe o Cristo-Rei de braços abertos a saudar a coligação!
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sexta-feira, agosto 14, 2009
segunda-feira, março 02, 2009
Fotógrafos rigorosamente vigiados no Congresso do PS
Na manhã seguinte à abertura do Congresso do PS, em Espinho, um assessor socialista mostrava-se radiante com a estratégia seguida para não terem deixado entrar os fotógrafos na zona reservada aos congressistas, na grande área do pavilhão. O que até hoje, em democracia, sempre aconteceu em todos os congressos de todos os partidos.
O resultado estava estampado nas páginas dos jornais da manhã de sábado: ali estavam as imagens neutras, bonitas, todas iguais, que davam a ver de frente o chefe projectado no grande vídeo-hall, a dimensão espectacular do congresso, sem haver fotografias intencionais que pudessem pôr em causa a solenidade da abertura.
Os fotógrafos, guardados por um assessor, foram autorizados a deslocarem-se ao meio do pavilhão, junto a uma câmara que dava de frente Sócrates a discursar. Puderam lá estar três rigorosos minutos, e voltaram escoltados de novo pelo assessor, para o lado mais distante do palco. No futebol está-se mais perto da baliza oposta do que ali durante a oratória de Sócrates.
A domesticação da imprensa visual funcionou. O Congresso foi visto de costas, não havia expressões de militantes enfadados, não se sabia onde estavam ministros e companhia, não havia retratos de conversas aos ouvidos, de olhares, de bocejos. Visto do alto da bancada, a mais de 100 metros de distância, Sócrates mal se via, encandeados que estavam os fotógrafos pela imagem gigantesca reflectida pelo video-hall. Melhor do que na Coreia do Norte, onde Kim Jong II consegue transformar a sua ridícula pequenes num homem aumentado a pantógrafo, de imagem fixa em tecnicolor comunista.
Foi tudo estudado ao pormenor no Congresso do PS. Depois de se ter salvo a brancura da abertura, Sócrates no sábado entrou, depois de almoço, pela frente do Pavilhão permitindo umas fotos rápidas no meio do povo. Depois não houve mais aproximação possível. Mas na manhã de domingo, quando a coisa estava a correr bem, os socialistas prepararam uma chegada triunfal de Sócrates. Um grupo de velhinhas, que tinham viajado de autocarro socialista, esperavam Sócrates à saída do carro, os fotógrafos e cameramen podiam saltar-lhe em cima, entre atropelos e gritaria, sabendo os assessores que naquela altura a confusão ficava bem no retrato, mostrava envolvência, interesse, apoio, banho de multidão e dava a ideia que afinal Sócrates e congressistas tinham estado sempre acessíveis aos jornalistas. Competência, sem dúvida.
Na hora do encerramento os fotógrafos voltaram a ser escoltados até um canto do pavilhão e mais tarde conduzidos até ao meio, novamente junto a uma camara de televisão. Quando Sócrates era aplaudido os congressistas levantavam-se e os fotógrafos pura e simplesmente não conseguiam fotografar nada a não ser cabeças.
No final, eu e o Alfredo Cunha rompemos o cerco e avançámos para o palco. Um polícia da segurança de Sócrates agarrou-me um braço e empurrou-me, perante os meus protestos veio outro que me voltou a puxar pelo braço e um deles ameaçou prender-me. Claro que nada disto é grave porque é habitual a segurança tratar com este mimo os fotógrafos. É um clássico praticado por todos os gorilas de todos os partidos. Mas o que aconteceu foi a menina que estrategicamente segurava num ramo de rosas avançou, numa marcação teatral perfeita, ao encontro de Sócrates, um grupo de congressistas jovens fez questão em posar com o líder para um telemóvel. Tudo decorreu num admirável plano sequência, num aparente caos, mas que estava controlado, marcado. Os fotógrafos nervosos, ansiosos por captarem um momento forte, também ali estavam como figurantes à volta daquele protagonista.
O Partido Socialista usou de uma arrogância e de uma falta de tolerância democráticas graves, intoleráveis num partido que gosta de falar em liberdade, mas que na hora preferiu usar aquela ideia de jerico de Pacheco Pereira há uns anos atrás, quando decidiu proibir a circulação de jornalistas nos corredores da Assembleia.
( também em www.expresso.pt)
O resultado estava estampado nas páginas dos jornais da manhã de sábado: ali estavam as imagens neutras, bonitas, todas iguais, que davam a ver de frente o chefe projectado no grande vídeo-hall, a dimensão espectacular do congresso, sem haver fotografias intencionais que pudessem pôr em causa a solenidade da abertura.
Os fotógrafos, guardados por um assessor, foram autorizados a deslocarem-se ao meio do pavilhão, junto a uma câmara que dava de frente Sócrates a discursar. Puderam lá estar três rigorosos minutos, e voltaram escoltados de novo pelo assessor, para o lado mais distante do palco. No futebol está-se mais perto da baliza oposta do que ali durante a oratória de Sócrates.
A domesticação da imprensa visual funcionou. O Congresso foi visto de costas, não havia expressões de militantes enfadados, não se sabia onde estavam ministros e companhia, não havia retratos de conversas aos ouvidos, de olhares, de bocejos. Visto do alto da bancada, a mais de 100 metros de distância, Sócrates mal se via, encandeados que estavam os fotógrafos pela imagem gigantesca reflectida pelo video-hall. Melhor do que na Coreia do Norte, onde Kim Jong II consegue transformar a sua ridícula pequenes num homem aumentado a pantógrafo, de imagem fixa em tecnicolor comunista.
Foi tudo estudado ao pormenor no Congresso do PS. Depois de se ter salvo a brancura da abertura, Sócrates no sábado entrou, depois de almoço, pela frente do Pavilhão permitindo umas fotos rápidas no meio do povo. Depois não houve mais aproximação possível. Mas na manhã de domingo, quando a coisa estava a correr bem, os socialistas prepararam uma chegada triunfal de Sócrates. Um grupo de velhinhas, que tinham viajado de autocarro socialista, esperavam Sócrates à saída do carro, os fotógrafos e cameramen podiam saltar-lhe em cima, entre atropelos e gritaria, sabendo os assessores que naquela altura a confusão ficava bem no retrato, mostrava envolvência, interesse, apoio, banho de multidão e dava a ideia que afinal Sócrates e congressistas tinham estado sempre acessíveis aos jornalistas. Competência, sem dúvida.
Na hora do encerramento os fotógrafos voltaram a ser escoltados até um canto do pavilhão e mais tarde conduzidos até ao meio, novamente junto a uma camara de televisão. Quando Sócrates era aplaudido os congressistas levantavam-se e os fotógrafos pura e simplesmente não conseguiam fotografar nada a não ser cabeças.
No final, eu e o Alfredo Cunha rompemos o cerco e avançámos para o palco. Um polícia da segurança de Sócrates agarrou-me um braço e empurrou-me, perante os meus protestos veio outro que me voltou a puxar pelo braço e um deles ameaçou prender-me. Claro que nada disto é grave porque é habitual a segurança tratar com este mimo os fotógrafos. É um clássico praticado por todos os gorilas de todos os partidos. Mas o que aconteceu foi a menina que estrategicamente segurava num ramo de rosas avançou, numa marcação teatral perfeita, ao encontro de Sócrates, um grupo de congressistas jovens fez questão em posar com o líder para um telemóvel. Tudo decorreu num admirável plano sequência, num aparente caos, mas que estava controlado, marcado. Os fotógrafos nervosos, ansiosos por captarem um momento forte, também ali estavam como figurantes à volta daquele protagonista.
O Partido Socialista usou de uma arrogância e de uma falta de tolerância democráticas graves, intoleráveis num partido que gosta de falar em liberdade, mas que na hora preferiu usar aquela ideia de jerico de Pacheco Pereira há uns anos atrás, quando decidiu proibir a circulação de jornalistas nos corredores da Assembleia.
( também em www.expresso.pt)
Sócrates: THE SHOW MUST GO ONE
foto LC/ EXPRESSOQue mais se poderia esperar do Congresso do PS a não ser espectáculo? Foi na verdade um dos melhores shows que já vi. O melhor no género política. Um brinco de comunicação multimédia, com luz, cor, movimento, som, imagem. O ritmo foi tudo, a emoção, o protagonista. Até o filme quer recordou a vida do PS estava muito bem editado, com imagens fantásticas e com música que contrariava o saudosismo e a emoção do que se via. Perfeito.
Infelizmente a vida portuguesa, a real, a do país profundo, dos subúrbios, das aldeias do interior, das fábricas falidas, dos patrões em fuga, da incompetência, do deixa-andar, do novo-riquismo, da superficialidade, da ignorância e do isolamento social, nada têm a ver com o que se passou durante 3 dias num pavilhão de Espinho engalanado.
O país demagogo, ignorante, clubista, o país das clientelas, dos caciques locais, o país do favorzinho, do subsídio, do engraxatório, do primo e do enteado, o país das Margaridas Moreiras desta vida, pode ficar tranquilo: vai haver tacho, sobrevivência por muito tempo. Aquela encenação digna de uma Leni Reifensthal (mas sem o talento no arrojo, nem a cultura) dos tempos de hoje, foi mais um verdadeiro filme sobre o país da roupa branca, isto é: do branqueamento ideológico, para não falarmos nos outros.
Usando a esquerda como tique, usando a esmola social, apregoando o discurso dos descontentes, Sócrates aí vai prego a fundo.
domingo, novembro 12, 2006
O cinismo de Sócrates

O congresso do PS passou-me ao lado.
Só vi Sócrates aos berros na tv a prometer um aumento do salário minimo em 3 fases e 3 anos. Temo o pior. Quando Sócrates promete aos pobres já deve estar a congeminar roubar à classe média ! Ele odeia a classe média com a sua mentalidade de esquerdalho complexado com resquicios de bom samaritano.
No final do congresso fugiu dos jornalistas como o diabo da cruz. Faz de Cavaco no tempo em que era governo.
O cinismo em política tem limites e este governo começa a enjoar pela incompetência e arrogância.
Os indicadores europeus prevêm que vamos ficar atrás de Malta e da Estónia, vamos crescer 1,2 por cento, muito menos do que a média europeia. Os portugas estão calmos com a habitual resignação carneirista.
O que é preciso é aumentar os parkings, acabar com os carros em Lisboa, limitar a velocidade a 30 ( este Carmona está mesmo maluco!), chatear os cidadãos, dar um ar de esquerda e sacar uns cobres. O resto Sócrates cumpre. Quando o país estiver mais no fundo chamem o António!!!
PS- Se Sócrates quer referendo para decidir se sim ou não à despenalização do aborto porque não faz um referendo para pôr ou não portagens nas Scuts ? Afinal votaram no palerma para quê ? Para ainda termos de decidir por ele quando lhe convém?
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