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segunda-feira, julho 13, 2009

Finalmente um vizinho barulhento condenado


A condenação pelo tribunal de um vizinho que infernizou com barulho uma família durante anos é de aplaudir. Vai fazer jurisprudência e abrir uma nova mentalidade nas relações de vizinhança.

A falta de educação e de respeito pelos outros atinge o inaceitável quando se fala de vizinhos.

Eu tenho sido protagonista de vários casos lamentáveis de vizinhos: uma velhota que tinha um galo que não me deixava dormir, uma garagem que tinha táxis a noite toda a meterem gasóleo com os carroceiros a rirem e falarem que nem alarves, um bar que despejava bêbados até às 5 da manhã, um vizinho educado e empresário mas que tinha dois cães que cagavam o quintal todo e ladravam em contínuo durante horas, um vizinho que passou a usar uma janela que dava directamente para o meu pátio, uns brasileiros que punham a charanga aos berros, o último foi o proprietario de um pitbull que andava sempre solto na rua e que acabou a morder o meu cão.

Claro que tudo isto foi em lugares diferentes e ao longo dos anos. E acabei por resolver estes problemas...à porrada.

Há uma cultura em Portugal que qualquer animal pode fazer barulho e incomodar os outros desde que não seja meia-noite. Num país onde cada um só pensa em si, e onde as autoridades além de moles não podem usar leis cívicas que não existem, a impunidade é total. O único remédio acaba por ser a justiça pelas próprias mãos. A Polícia nunca vê, nunca fiscaliza, uma simples queixa não basta: é preciso provar o que se torna difícil.

Há situações que estragam a vida às pessoas. Um familiar meu comprou um apartamento para descansar em Vila Nova de Mil Fontes. Passado um ano abriu uma discoteca por baixo que não dava descanso a ninguém. Foi há 15 anos. Ainda se mantém, agora mais calada porque está falida. Todas as queixas caíram em saco roto.

São as autarquias a permitirem a devassa no sossego dos cidadãos. Vão ao Bairro Alto e vejam como a Câmara de Lisboa pactua com o barulho e a falta de civismo. Recordemos o que a Câmara fez na Praça das Flores, um stand de carros que só fechava à uma da manhã.

Esta sentença é exemplar e apesar de ter demorado 7 longos anos a ser ditada vem reconhecer que todos nós temos o direito a respeitar os outros e não só depois da meia-noite!