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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Fotografias de Paris

24 horas em Paris. fotografias de Luiz Carvalho

sábado, janeiro 19, 2008

Maison de la Photo

Maison de la Photo esta tarde. Exposição de Boubat.
A Maison de la Photo, no célebre bairro parisiense do Marais, é um exemplo de como se pode fazer muito pela fotografia e pelos autores-fotógrafos.
Hoje à tarde fazia-se bicha para visitar algumas das exposições patentes entre elas a de Boubat ( com fotos de Portugal, que a nossa secretaria de estado da cultura devia comprar) e de Peter Knapp.
Aqui está uma instituição que transpira cultura fotográfica e que é dirigida por alguém que entende a essência da fotografia.
É a antítese do Centro Português de Fotografia, na Cadeia da Relação do Porto, e que foi dirigido nos últimos anos por Teresa Siza que tinha da fotografia uma noção "artística" e estrangeirada. Para ela o que cheirava a artista plástico armado em fotógrafo era bom, o que vinha de fora rotulado de "in"era mostrável. Assim desprezou os fotógrafos portugueses sem ter deixado um rasto de testemunho do que é a fotografia portuguesa contemporânea. Partiu e aquilo está sem director há meses. Quem se interessa por fotyografia ? Só se for o ministro Pinho !! E não escrevo sobre CPF por ressabiamento porque até lá estou representado.

Uma instituição como a Maison de la Photo não é só um museu com exposições mortas. Não. tem um auditório onde passam filmes sobre fotógrafos, uma excelente biblioteca e videoteca e uma livraria de pasmar. Corri o risco de ficar falido perante tanto livro e videos de fotógrafos. E há ali todas as escolas e tendências. Fotojornalismo, moda, paisagistas, clássicos e desalinhados. Mas todos são fotógrafos e não diletantes ou artistas falhados.
O ambiente é de franca abertura. Pode entrar-se de máquina fotográfica, fazer fotos. Aliás aqui em Paris entra-se em todo o lado de câmara e ninguém chateia. Estou-me a lembrar de entrar num mosteiro a cair em posse do IPPAR e a contínua não me deixar fotografar porque tinha de ter autorização do IPPAR do Porto! Em Portugal o ridículo mata e os burocratas instalados funcionam como aqueles funcionários africanos que por não terem nada para fazer chateiam. É uma forma de mostrar que são necessários.

A fotografia em Paris está com uma pujança enorme. As edições de livros proliferam e a nossa FNAC comparada com a Maison, o Beaubourg e outras livrarias célebres daqui parece a Bertrand há 30 anos.
A classe média aqui consome cultura e a cultura entrou no circuito do consumo mantendo a qualidade. Os livros de fotografia são edições cuidadas, de design apelativo e requintado, cada livro é uma obra de arte gráfica.Por exemplo o livro das edições do Seuil sobre a fotografia americana é de arrasar.

Ainda Paris-Lisboa

Alguns comentários de ontem aqui no Fatal referiam a minha ingenuidade ao falar de Paris pois quem cá vive não tem esta ideia perfeita. Claro que eu não acho que isto seja o paraíso na Terra. Mas o que disse ontem foi que as nossas cidades, nomeadamente Lisboa, têm de pôr de lado o novo-riquismo, o politicamente correcto.

Lisboa tem de ser uma cidade arrojada, cosmopolita e moderna. Uma cidade que acarinhe quem lá vive e a visita e não um território feito para taxar por tudo e nada. É o IMI alto, a EMEL, os radares a 50 ( nem pensar aqui!), a ameaça das taxas ( mais!) para entrar em Lisboa.
Os presidentes de câmara apostaram em correr com quem quer ir a Lisboa e sacrificar com impostos quem lá vive.
Eu adoro Lisboa, vivi lá muitos anos, mas agora sou muito mais feliz em Cascais. Já andam a dizer que a nova ponte vai trazer mais carros para Lisboa. Queriam que trouxesse o quê? As carroças e bicicletas dos pobrezinhos ?
As cidades fazem-se de vivência. Consumo, cultura, lazer e espaços de trabalho funcionais.
Lisboa perdeu tudo. Até o projecto do Frank Ghery que iria trazer grandes dividendos a Lisboa, vai ser substituído por um projecto daqueles arquitectos portugueses muito bons e de esquerda que escrevem nas esquinas dos seus edifícios " Bonjour Tristesse".
O turismo está cada vez mais comprometido em Lisboa. Só se vai a Lisboa ouvir fado e visitar os Jerónimos o que dá de nós ainda aquela ideia do " Les portugais sont toujours gais!". talvez Pinho adapte a frase para " les portugugais sont 10 pour cent gays!".

Adieu Paris. E viva a fotografia.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Em Paris fuma-se


Paris hoje à noite. Fotos de Luiz Carvalho com Leica M8

Em Paris fuma-se. E muito. A lei é a mesma que a portuguesa mas os parisienses contornam o acto de fumar dando aos clientes esplanadas protegidas com toldos e paredes de plástico transparentes e aquecedores a gaz. Os parisienses adoram fumar e podemos dizer que esse gesto faz parte do charme francês. A taça de vinho, o cigarro, os empregados de mesa fardados a preceito e não ajavardados com camisas de manga curta a deixarem escapar os odores indesejados ( depois vêm dizer que Lisboa está com um cheiro estranho!).

Paris é uma cidade de liberdade. Quer chova ou faça frio os parisienses andam nas ruas, respira-se segurança e a polícia está omnipresente. Magotes de turistas cruzam as ruas e os verdadeiros parisienses destacam-se pela pressa. Aqui trabalha-se.
O trânsito é intenso, aparentemente caótico, mas tudo flui. Cada um tem o direito a deslocar-se como quiser: o metro não tem aquela paneleirice das linhas azuis e rosas ( que só os que têm passe social sabem para onde vão!) e leva-nos a todo o lado. Pode-se alugar uma magnifica bicicleta disponível em slots na rua. Basta comprar um cartão e sacar uma. Uma ideia brilhante do Costa cá do sítio. Este Maire aliás tem-se afirmado pela diferença: é gay assumido e tem feito da cidade um mundo friendly para quem cá vive. Claro que não anda preocupado com burocracias e justiças de ajustes de contas políticas como o nosso presidente lisboeta. De bicla, metro, táxi, carro próprio ou até de trotinete, aqui tudo se move.
Paris não foi assassinada na alma, no âmago, no centro, como Lisboa que anda a ser esvaziada pelos sucessivos presidentes que mais parece que não querem ninguém em Lisboa.

Aqui não houve projectos Polis à Sócrates, nem se notam obras megalómanas. Os passeios são alcatroados e o grande passeio público que liga o Louvre à Étoile, é de saibro. Em Lisboa aquilo já estava tudo com chão de 500 euros o metro quadrado em pedra!

As cidades têm de ser regadas, acarinhadas. Uma cidade tem de ter néons, carros, muito tráfego, muita gente. Uma cidade só sobrevive se se souber renovar, permitir o investimento e tornar acessível à classe média alta e baixa o viver lá. Paris é cara, tem marginais a dormirem na rua em tendas, mas conseguiu resistir à fuga para os arredores.

É simples. Mas como escrevia alguém há dias num jornal português, " é impossível demonstrar a um medíocre a mediocridade". É esse o nosso drama.

Paris é sempre Paris

Bistrot na Avenue Wagran esta noite. Foto: Luiz Carvalho

Nunca se percebe ao certo porque amamos uma cidade. Por sugestão, memória mitificada, por modas ou experiências que nunca esquecemos. Paris tem todas as explicações e nenhuma para a paixão. Eu gosto da luz, mesmo à noite, das pessoas e dos seus gestos. Há um charme latente. Nas vespas de três rodas, nos minis, nas lojas de bairro, nos sons, nos néons. Nas bicicletas que o maire disponibilizou às carradas para se circular à vontade.

Estou num café ( foto) a comer um croque monsieur e uma biére. Ao fundo da sala uma gordinha de costas destapadas levanta-se, enrola uma écharpe em volta da cabeleira loira, põe um cigarro apagado na boca e de gestos banais temos uma cena perfeita. As pessoas ajudam a romancear a cidade. Paris vive, está habitada, há luzes nas janelas, gente sózinha na rua às tantas, há energia e vibração cultural. Vi um casal de estudantes com dossiers a trabalhar num café e ao lado um negro matulão com uma loira a flirtarem ( um clássico portanto).
Até amanhã.

Salut les copains !