
Um dos meus livros de cabeceira "Get the Picture" de John G. Morris acompanha-me quase sempre em férias. Trata-se de um livro de memórias daquele que terá sido o mais famoso editor de fotografia desde os anos quarenta. A sua experiência passou desde o New York Times, Washington Post, Ladies Home Journal, Magnum e Life. Que vida ! Ele personifica aquilo que deve ser um verdadeiro editor de fotografia: um incansável em busca das melhores fotografias, um líder de equipa de fotógrafos, um intuitivo que sabe descobrir novos talentos e que sabe gerir o trabalho dos notáveis. Morris foi um jornalista com o sentido certo da utilidade da fotografia de imprensa.
Foi ele que preparou em Londres a missão de Capa no célebre Dia D, que seguiu Eugene Smith no seu ensaio sobre St. Petersburg, estava no dia em que Magnum foi fundada em Nova York. Quase nenhum grande fotojornalista lhe passou ao lado. Viveu os anos difíceis de Magnum, quando os prejuízos eram constantes sendo Robert Capa aquele que conseguia aguentar o deficit até ao dia em que houve um breve sucesso financeiro e ao comemorá-lo numa festa de hotel se gastou mais do que tinha sido afinal o lucro !
A Magnum é um mito que sobreviveu por milagre entre o desinteresse final de um dos fundadores Georges Rodgers, as trágicas mortes de Capa e Seymour e a sorte do trabalho de Cartier-Bresson ter sido reconhecido a tempo. Também o lobby de Life foi decisivo para a sobrevivência da agência. Ed Thomson o editor de Life teve também uma preciosa colaboração com a agência. Só a reportagem sobre a União Soviética de HCB rendeu 50 mil dólares. Muito dinheiro, mesmo naquele tempo.
O que admira é como uma agência nascida num vão de escada, composta por egos fortes que nunca estavam presentes, como uma organização familiar composta por amigos, primos, namoradas e loucos, conseguiu sobreviver e afirmar-se ao longo de 60 anos.
A ideia que hoje domina de que as melhores empresas são as mais elaboradas, burocratizadas e com peso de gestão é um erro. Não sou economista mas parece-me que o sucesso está sempre no talento, na inovação, na novidade, no conseguir servir as necessidades de um determinado público. A Magnum nasceu num período onde havia fome de imagens, sem televisão, era nas revistas que o público via o que esperava do novo mundo saído da guerra. A fotografia era o meio ideal para mostrar essa aventura humana.
Tal como hoje a Internet é esse espaço global onde as culturas alternativas se fazem representar. Para isso não é preciso uma estrutura colossal. O sucesso do Google e do You Tube falam por isto tudo.
O fotojornalismo pode hoje desbravar novos mundos e é aqui na Net que está o caminho.
O lucro já não sei...




