Os patrões estão frustrados com a nova lei laboral. Afinal não vão poder despedir à balda. O sonho de uma sociedade onde os empregados sejam uma espécie de material descartável não está a concretizar-se. Uma chatice.
Os comentadores políticos, nomeadamente alguns jornalistas de economia que despem o fato macaco de jornalistas para trajarem um traje de luces de comentadores encartados, já disparam na SIC N que a lei não permite os despedimentos, logo não vai haver retoma, nem crescimento. A culpa é dos trabalhadores, dos sindicatos, do governo socialista. Estes arregimentados ainda vêm com a lata de que o crescimento português não acontece por causa das leis laborais. O crescimento nacional não dispara porque a conjuntura é má, os nossos empresários são maioritariamente analfabetos, grunhos mesmo, e aqueles que são letrados acabam por se manifestarem demasiado espertos, para eles claro.
Isto é um discurso de esquerda ? Deus me livre ! Temos de entender que um país só cresce se houver responsabilidade de patrões e empregados. Ora, em Portugal os trabalhadores adoram não pensar, descansar, sonhar com pontes e feriados e horas de saída, e os patrões olham para os empregados como uma raça a abater. Neste contexto troglodita, onde as empresas desprezam sistematicamente o mérito e o espírito empreendedor, é difícil haver uma lei laboral que acabe com este lamaçal.
Bem podem os comentadores de economia pregar por uma lei laboral neo-liberal. O que eles não pensaram é que com uma lei dessas eles seriam logo os primeiros a engrossar o nosso exército de desempregados. Acabava logo o pão para malucos.