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segunda-feira, julho 30, 2007

O mestre Bergman

Bergman com Sven Nikvist em 1981 na rodagem de Fanny e Alexander

Tinha já falado da Monica Vitti e da importância dela e do cinema italiano na minha formação. A morte hoje anunciada de Ingmar Bergman levou-me a recordar o que este cineasta representou para mim e para as gerações que cresceram e se formaram nas décadas de setenta e oitenta.

Uma estreia do Bergman, em Lisboa, era um acontecimento cultural vibrante.O Persona que estreou no cinema Estúdio do Império ( hoje a sede da Igreja Maná) foi um filme que me influenciou na forma de fotografar,naquele preto e branco denso, contrastado do Sven Nikvist, que acabei por ter a honra de conhecer pessoalmente quando fotografava um filme no Hotel da Curia ainda na década de noventa.

O Bergman era o mestre de referência no cinema pela profundidade com que tratava os temas da morte e do sofrimento, pelos estados de alma que trespassavam nas suas fitas, pela mensagem sóbria mas eficaz de uma ideologia identificável com a esquerda democrática. Com ele a Suécia ganhava respeito e admiração e conseguia uma soma notável com a exportação dos seus filmes, quase tanto como os lucros da Volvo.
Morangos Silvestres, Mónica e o Desejo, Persona, Lágrimas e Suspiros, O Sétimo Selo serão dos mais representativos para mim. Mas em cenas da Vida Conjugal é uma linguagem mais solta que se dá a ver numa relação mais intima com a realidade da época.

Bergman não hesitou em experimentar as tecnologias digitais no final da carreira, o que é curioso que Antonioni o fez também e muito recentemente David Linch.

O cineasta há muito que se dedicava ao teatro e á escrita mas estava a pensar voltar a filmar.
Obrigado Bergman.

Adeus Ingmar Bergman