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terça-feira, março 24, 2009

O simplex-complex das Finanças de Cascais

A AVENTURA DE UM CIDADÃO NUMA REPARTIÇÃO SIMPLEX DE FINANÇAS

A minha aventura de hoje nas finanças de Cascais, e que eu relatei em directo ao longo da manhã no Twitter, mostra bem como a burocracia está longe de ser varrida no país.

Conto a história:

Em Setembro sou convocado às finanças porque não aceitaram um atestado do médico do meu filho para efeitos de deduções no IRS. Pediram-me um outro atestado, mas nunca me disseram que deveria ser passado pelo Delegado de Saúde de Cascais. Quando voltei com outro atestado do meu médico é que percebi o que era preciso. Só a 5 de Março é que consegui ser recebido por uma junta médica que se limitou a confirmar aquilo que estava escrito no atestado que eu apresentara logo em Setembro. A confirmação oficial do atestado foi dada passados 10 dias úteis: era pôr um carimbo e uma assinatura!

Com o atestado da junta médica assinado pelo Delegado de Saúde rumei às finanças. Tentei não perder uma manhã de trabalho. Nunca o consegui. Hoje decidi tirar a manhã para entregar o documento e assim recuperar o dinheiro retido da devolução do meu IRS.

Chego às 9:30 com 4o pessoas à frente. Vou tomar café e decido por intuição tirar outra senha que já ia em 72. Quando passadas duas horas sou atendido a funcionária exige o BI do meu filho e o cartão de contribuinte. Disse-lhe que não os tinha mas que as Finanças sabiam que o David era meu filho. Faz parte do agregado declarado, tem nº de contribuinte, tem segurança social, logo existe. Não. Tinha de mostrar o BI.
Volto a casa a correr, e como tinha a senha 72, ainda consigo ser atendido em cima do fecho da repartição ( fecha hora e meia para almoço!!) por outra funcionária que, aceita o documento, pergunta-me a idade do filho e entrega-me um papel em como está tudo resolvido." Então não quer o BI do meu filho?"-pergunto. "Não é preciso, disse-me a idade dele, confiei em si". Não queria acreditar. Dei-lhe os parabéns pelo seu desempenho como funcionária e apontei a colega como uma burocrata incompetente.

Podia ter feito queixa da burocrata mas de certeza que me ia chatear, e que teria como resposta que ela cumpriu o seu papel. Na volta ainda castigavam a segunda por facilitismo ou negligência.

Portanto, caro Sócrates: o simplex está na cabeçorra das pessoas. E é essa inovação de mentalidades que devíamos fazer. Mas isso também só se faz com escola, instrução, cultura e com gente que goste do que faz, e que seja compensada quando faz bem e penalizada quando faz mal. Este batalhão de funcionários públicos mal pagos, que gera uma mentalidade mesquinha e medíocre, ressabiados, fartos de atenderem milhares de cidadãos desgraçados, que têm de estender a mão para serem atendidos por um Estado que não respeita ninguém...dá em tudo isto. O país foi sempre isto, disfarçou uns tempos, agora com esta economia de guerra é que vão voltar ao de cimo o pior das pessoas e a desgraça das nossas instituições.

Entretanto ninguém sabe quando vou ter mesmo de volta o reembolso do meu IRS de 2007!