
Custou uma fortuna, paga pelos otários dos contribuintes, foi encomendada pelo polémico Pinamonti, ex- director do S. Carlos, e ontem o público deu de frosques ao intervalo aterrorizado pela seca operatica do compositor do Porto. Não está em causa a qualidade da obra. Nunes é um génio mas sofre daquele problema dos génios: talento e inteligência a mais por vezes atrapalham e o publicozinho está mais interessado no acontecimento social do ir à ópera ou à missa dominical do que no conteúdo em si. Aliás, os empertigados que ultimamente fazem da ópera um exibicionismo cultural, armados aos melómanos de pacotilha, quando alguns do que gostam mesmo é de uma boa pimbalhada, é de rir. É o novo riquismo cultural depois do novo riquismo social. Portanto o Emanuel não agrada. Se ainda fosse o outro, o verdadeiro artista, o pai da pimba... era piroso mas dava para acordar. Assim, o melhor é saír pela direita baixa, retirar à francesa. Esta debandada da nossa elite de ouvidos limpos talvez explique a perplexidade porque há promessas geniais do jornalismo cultural cá da paróquia que nem sabem quem é esse bacano do Emanuel Nunes ! O Emanuel ? É a cultura estúpido!...