A estirpe de um político vê-se e afirma-se pelos pequenos actos que nos momentos difíceis exigem carácter e coragem. Hoje Sarkozi, um político de direita que acha abertamente que os marginais dos subúrbios são escumalha, recebeu Dalai Lama. Há dias foi Lech Valesa a fazê-lo, desafiando e comentando em directo para as autoridades chineses que não tinha de dar explicações a ninguém sobre quem convidava para sua casa.
Há cerca de um ano, quando Dalai Lama esteve em Lisboa ( e eu tive a felicidade máxima de o ter fotografado no dia dos meus anos e posado a seu lado) o nosso Sócrates evitou-o com o medo dos sem coragem. Sua Santidade teve honras municipais apenas.
É bom ter memória.
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sábado, dezembro 06, 2008
domingo, março 16, 2008
sexta-feira, setembro 14, 2007
A Galp engraxa, Dalai Lama abençoa

Quando acordei já tinha 53 anos. Levantei-me às seis da manhã para poder estar a tempo de fotografar o Dalai Lama numa entrevista exclusiva para o Expresso. Não podia chegar atrasado.
Eram oito já o telemóvel gritava: uma mensagem. A primeira do meu dia de anos. Ora quem foi que me deu os parabéns em primeiro lugar ? A Galp. Vejam que empresa amiga ! E ainda me oferecia cem pontos se entretanto passasse durante o dia por uma das áreas de serviço e...gastasse dinheiro. Boa prenda! Passados uns minutos toca outro alerta era a Óptica Visão a dar-me também os parabéns.
Só muito mais tarde os meus pais e os meus amigos telefonaram. A mulher e os filhos tinham-o feito em cima da meia-noite. O que é inacreditável nisto é a forma descarada, e ilegal, como as empresas usam os nossos dados para poderem utilizá-los como forma de propaganda no maior dos despudores. A impunidade reina e depois venham dizer que há protecção de dados. Qualquer capelista consegue o nosso telefone, dia de anos, nib, BI, grupo sanguíneo, objectiva preferida, tara sexual...é a total bandalheira. Estamos em casa toca o telefone e é a TV Cabo a propor-nos novos canais como se já não bastasse o balúrdio que custa ter uns canais indigentes e uma rede de net lenta e engasgada.
O que me salvou o dia foi o encontro com o Dalai Lama. Figura incrível que transmite uma energia positiva. O seu aperto de mão manteve-se por longos segundos e não lavei a mão direita durante o santo dia.
Talvez por ter dias muito stressados, demasiado mesmo, cada vez me desperta mais curiosidade esta forma budista de estar na vida. Talvez por Henri Cartier-bresson ter sido um seguidor Zen e por esta filosofia ter pontos de encontro com o acto fotográfico.
Se não fosse aquela premissa de recusa dos bens materiais eu até avançaria. E claro está a roupagem que é muito fotogénica mas bastante contrária ao meu gosto estético.
Um budismo com Leicas, 911, Harleys, Mercedes, Apple e já agora uns Partagas D4, eu fazia o sacrifício e virava budista. Ainda tinha de acrescentar, para rebater, umas doses de pata negra, queijaria e uns aveludados tintos. Mais umas ostras e um champagne para subir às nuvens tibetanas.
Mas como tudo na vida é um estado de espírito e começa na nossa cabeça, não desisto de me inspirar em Sua Santidade Dalai Lama. E no limite do desespero de pagar contas de oficinas, Leicas caras com sensores medíocres e Macs que mudam de modelo como eu não mudo de camisas... meus caros o sublime mesmo é o silêncio, numa paisagem infinita, entregues a nós próprios e à nossa alma.
É o princípio do amadurecimento.
Eram oito já o telemóvel gritava: uma mensagem. A primeira do meu dia de anos. Ora quem foi que me deu os parabéns em primeiro lugar ? A Galp. Vejam que empresa amiga ! E ainda me oferecia cem pontos se entretanto passasse durante o dia por uma das áreas de serviço e...gastasse dinheiro. Boa prenda! Passados uns minutos toca outro alerta era a Óptica Visão a dar-me também os parabéns.
Só muito mais tarde os meus pais e os meus amigos telefonaram. A mulher e os filhos tinham-o feito em cima da meia-noite. O que é inacreditável nisto é a forma descarada, e ilegal, como as empresas usam os nossos dados para poderem utilizá-los como forma de propaganda no maior dos despudores. A impunidade reina e depois venham dizer que há protecção de dados. Qualquer capelista consegue o nosso telefone, dia de anos, nib, BI, grupo sanguíneo, objectiva preferida, tara sexual...é a total bandalheira. Estamos em casa toca o telefone e é a TV Cabo a propor-nos novos canais como se já não bastasse o balúrdio que custa ter uns canais indigentes e uma rede de net lenta e engasgada.
O que me salvou o dia foi o encontro com o Dalai Lama. Figura incrível que transmite uma energia positiva. O seu aperto de mão manteve-se por longos segundos e não lavei a mão direita durante o santo dia.
Talvez por ter dias muito stressados, demasiado mesmo, cada vez me desperta mais curiosidade esta forma budista de estar na vida. Talvez por Henri Cartier-bresson ter sido um seguidor Zen e por esta filosofia ter pontos de encontro com o acto fotográfico.
Se não fosse aquela premissa de recusa dos bens materiais eu até avançaria. E claro está a roupagem que é muito fotogénica mas bastante contrária ao meu gosto estético.
Um budismo com Leicas, 911, Harleys, Mercedes, Apple e já agora uns Partagas D4, eu fazia o sacrifício e virava budista. Ainda tinha de acrescentar, para rebater, umas doses de pata negra, queijaria e uns aveludados tintos. Mais umas ostras e um champagne para subir às nuvens tibetanas.
Mas como tudo na vida é um estado de espírito e começa na nossa cabeça, não desisto de me inspirar em Sua Santidade Dalai Lama. E no limite do desespero de pagar contas de oficinas, Leicas caras com sensores medíocres e Macs que mudam de modelo como eu não mudo de camisas... meus caros o sublime mesmo é o silêncio, numa paisagem infinita, entregues a nós próprios e à nossa alma.
É o princípio do amadurecimento.
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