A noite memorável do cantor em Lisboa
Ainda que tarde não quero deixar de escrever aqui o que foi para mim o concerto de ontem de Aznavour, em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. Foi muito bom. Cheio de energia, romantismo, foi um espectáculo inesquecível. O cantor está tão bom como sempre e os seus 83 anos são a prova de que não conta a idade fisíca mas a mental. Melhor: a idade mental contamina sempre para o melhor e para o pior a fisíca.
Claro que Aznavour não deve ter de enfrentar no seu dia-a-dia maçadores, chatos, arrogantes e incompetentes. Não deve precisar de sobreviver no meio da estratégia da maldade e de lutas intestinas por pequeninos e grandes poderes. O que nos mata não são os anos, não é o tempo, é a malvadez dos tempos. Simone de Oliveira disse à RTP que por cá o Aznavour já estaria na prateleira se fosse português. Acredito que sim. Cá seria um cantor pimba, piroso, fora de tempo. Em França é um monumento cultural, um orgulho nacional apadrinhado.
Foi um epsectáculo memorável. Foi pena que a produção do espectáculo não tivesse pensado em formas multimédia para os espectadores do meio da sala para trás poderem ver ao menos o cantor e as suas expressões.
Eu fiquei num lugar miserável ( apesar de ser um convite da organização!), a 500 metros do palco, onde muitas vezes nem conseguia saber em que sítio do palco estava o cantor. E estava longe de ser o pior lugar. Portanto houve muita gente, diria mais de metade da sala, que nem viu a cara de Aznavour. Um video-hall teria tornado o espectáculo bem mais agradável. Parece que organização ou se marimbou para os espectadores e só quis facturar ou então não percebe nada de produção de espectáculos. À portuguesa, portanto.
Luiz Carvalho
