Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Charles Aznavour. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Charles Aznavour. Mostrar todas as mensagens

domingo, fevereiro 24, 2008

Aznavour longe da vista e perto do coração

A noite memorável do cantor em Lisboa

Ainda que tarde não quero deixar de escrever aqui o que foi para mim o concerto de ontem de Aznavour, em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. Foi muito bom. Cheio de energia, romantismo, foi um espectáculo inesquecível. O cantor está tão bom como sempre e os seus 83 anos são a prova de que não conta a idade fisíca mas a mental. Melhor: a idade mental contamina sempre para o melhor e para o pior a fisíca.
Claro que Aznavour não deve ter de enfrentar no seu dia-a-dia maçadores, chatos, arrogantes e incompetentes. Não deve precisar de sobreviver no meio da estratégia da maldade e de lutas intestinas por pequeninos e grandes poderes. O que nos mata não são os anos, não é o tempo, é a malvadez dos tempos. Simone de Oliveira disse à RTP que por cá o Aznavour já estaria na prateleira se fosse português. Acredito que sim. Cá seria um cantor pimba, piroso, fora de tempo. Em França é um monumento cultural, um orgulho nacional apadrinhado.
Foi um epsectáculo memorável. Foi pena que a produção do espectáculo não tivesse pensado em formas multimédia para os espectadores do meio da sala para trás poderem ver ao menos o cantor e as suas expressões.
Eu fiquei num lugar miserável ( apesar de ser um convite da organização!), a 500 metros do palco, onde muitas vezes nem conseguia saber em que sítio do palco estava o cantor. E estava longe de ser o pior lugar. Portanto houve muita gente, diria mais de metade da sala, que nem viu a cara de Aznavour. Um video-hall teria tornado o espectáculo bem mais agradável. Parece que organização ou se marimbou para os espectadores e só quis facturar ou então não percebe nada de produção de espectáculos. À portuguesa, portanto.

Luiz Carvalho


sábado, fevereiro 23, 2008

Rendez-vous com Charles Aznavour

Luiz Carvalho com Aznavour o mês passado em Paris

Há um dia em que acabamos por tocar nos nossos mitos.
Cresci a ouvir o Charles Aznavour no meu transístor AIWA nas manhãs de domingo antes da missa ou depois do jantar na rádio no "Quando o telefone toca" do " senhor Matos Maia". Era tudo um bocado deprimente: a luz fraca da casa, a televisão a preto e branco, o som fanhoso do rádio de bolso. Então as luzes embutidas eram lâmpadas de 15 velas, o plasma um caixote medonho, o Ipod o rádio de bolso. O Aznavour enchia a casa, dava ânimo, punha um romantismo afrancesado que ligava bem com as aulas de francês do Liceu Padre António Vieira. Não era só o Aznavour que impressionava. O Bécaud, mais tarde, bastante mais tarde o Ferré, o Gaisnsbourg, a Francoise Hardy... todos os franceses nos batiam no coração.

O Aznavour era o meu preferido. Um mito. No início dos anos setenta o Aznavour era já um "facho" danado, depois dos meus amigos maoístas me porem no gira-discos o LuÍs Cília a cantar " era uma vez um soldadinho" ou o José Mário Branco a gritar " Ei companheiro aqui estou!". Sempre achei a canção de intervenção pavorosa, embora mais tarde tenha ficado amigo do Cília e do José Mário.

Este enquadramento histórico (!) vem para dizer que no final de anos e anos a ouvir Aznavour acabei por o encontrar num terceiro andar de um apartamento de Paris. Ali estava à minha frente um dos artistas da minha vida. Afinal, não envelheceu assim tanto, embora vá nos 83, é mais baixo que eu (difícil!) e é de um charme que o torna numa pessoa encantadora.

No escritório onde funciona também uma produtora sua, Aznavour exibe uma genica física notável. Tem vários encontros naquela manhã, aceita falar enquanto insiste ao telemóvel com a irmã para ir a Paris almoçar com ele.

Fala pausadamente e encara a sua história de vida com uma imensa tranquilidade.

Fico surpreendido com a sua memória. Lembra-se de nomes de ruas de Lisboa, da Amália, do restaurante onde foi num ano distante num país longínquo.

Teve uma vida cheia e resume a felicidade a poder estar com a família (faz questão em almoçar sempre com os seus), com os três cães e de descansar na casa de campo.

Ainda tem o público a seus pés. É reconhecido, solicitado, respeitado.

Tem um espírito de solidariedade raro nos dias que correm, o que o faz ser " o maior pedinchão do Mundo". Pede a tudo e a todos para os deserdados da sorte, quer se tratem de irmãos arménios ou pobres referenciados.

O Aznavour é um fotógrafo amador em grande estilo. Apontou-me a minha máquina e deixou-me embatocado. Ele acabava de receber uma câmera topo de gama do último modelo enquanto a minha mais parecia um táxi de Lisboa!...

Falou com toda a disponibilidade para a minha colega Katia Delembeuf que o entrevistava para a Única. Ficou admirado com o seu francês.

Aturou-me o tempo todo a fotografá-lo. Aceitou sentar-se ao piano e tocar, posou junto a um poster de Charles Trenet, o seu cantor preferido, ainda o segui na saída. Um sorriso no elevador e uma corrida sobre uma chuva miudinha até ao Peugeot onde o motorista o esperava para o levar a mais um almoço em família.

Até sábado no palco de Lisboa, meu querido Aznavour.

Luiz Carvalho

Também em Flagrante Deleite

sábado, fevereiro 09, 2008

Aznavour, for me, formidable

Charles Aznavour vai cantar em Lisboa no Pavilhão Atlântico. Porventura a última oportunidade de o ver e ouvir cantar ao vivo. Aqui presto homenagem simples a um dos cantores da minha vida, com fotos que lhe tirei o mês passado em Paris para o Expresso, e que saíram hoje na Única. A não perder.

terça-feira, janeiro 15, 2008