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domingo, junho 28, 2009

Carrilho da Graça encaixota Abrantes

A Câmara de Abrantes decidiu construir um paralelípipedo no centro histórico. Uma obra intelectual, imponente, polémica, horrenda, mas como tem a assinatura do arquitecto Carrilho da Graça, a coisa está assegurada. É cultura, meus!

O crime foi-me dado a conhecer pelo blogue Animo do meu querido amigo António Colaço. E depois de ver a estupidez não queria acreditar.

Entretanto li não sei onde, o meu colega arquitecto a justificar por palavras o que a vista não consegue digerir. É um argumento, ou uma ferramenta, que os artistas costumam usar quando o que desenham é uma bosta. Já vi paginadores de jornais (que não são sequer artistas nem jornalistas) a justificarem com teorias delirantes o facto óbvio de a paginação de uma reportagem estar uma simples...merda. Julgam sempre que uma tretas podem salvar uma solução de jerico, desde que falem baixo, pausadamente.

Estou-me nas tintas para o meu colega Carrilho da Graça e para os seus prémios. Até gosto de peças suas, embora ache sempre que são mais esculturas para o utilizador servir, do que para servirem o utilizador. O pior que a arquitectura pode ter é esse conceito do bonitinho e do artístico. O sonho tem de vir depois da função. E é a função que "genializa" a forma. Se é funcional é bonito, se é bonito pode ser uma inutilidade e o tempo se encarregará de liquidar a proeza.

Não percebo porque tem Abrantes de levar com um caixote para a vida e não percebo que direito tem um arquitecto de incomodar toda uma população com ruído visual. Não percebo. Mas Carrilho dirá de sua graça com mais uma tirada teórica. Faz-me lembrar o arquitecto Braizinha que tive no último ano de arquitectura. Desprovido de talento, passava as aulas a gabar as virtudes dos bairros clandestinos à volta de Lisboa, enquanto ia citando umas frases de algibeira. Eles intelectualizam nós temos de levar com os mastodontes.