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quarta-feira, novembro 04, 2009

O rei da sucata e o salto de Armando

Com esta face oculta da sucata nacional percebeu-se que afinal a corrupção, o favorzinho, a golpaça, não são só acções nas altas adjudicações mas também nas pequenas. É como no poder. Os gestos mais cruéis são praticados pelos chefezinhos de divisão, os directores de serviço e toda uma cambada de engraxadores, bufos e queixinhas. Isto quer se apontem repartições públicas ou sofisticadas empresas.

Portanto a sucata portuguesa está em rede e tem vindo a alimentar algumas contas pessoais em nome do desenrasca, da gorjeta, do dá cá o meu, do " é gamar enquanto há".

A suspensão de Vara pressionada pelo Presidente do BCP, que não escondeu na tv o seu desconforto, e por Constâncio receoso de mais uma bernarda sobre si depois do BPN, demonstra
a promiscuidade entre política e empresas. Vara é um dos embaixadores. Mas há muitos mais.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Vara e Sucateiro Ilimitada.

Ninguém aprendeu com a crise bancária, que foi uma crise por quebra na confiança e pelo rebentar de uma bolha de jogadas à casino. A banca abanou, o Estado deu a mão (nós pagámos) e os senhores banqueiros juraram portar-se bem. Estão a ver...

No nosso cantinho o BPN foi salvo com uma medida à PREC, o BPP teve uma mãozinha do Salvador e o BCP não foi nacionalizado, mas acabou com uma administração que parecia uma tutela do Estado, uma sucursal da Caixa. Socialistas e maçons depois do Jardim Opus Day.

Passada a borrasca, agora que parecia acalmar a tormenta financeira, surge a Face Oculta na banca, uma face que parece ter permitido jogadas de luvas e dinheiro vivo em conluíos entre sucateiros e doutores formados à pressa.

O escândalo Vara e sucateiro é demasiado reles para ser verdade. Claro que tudo isto é sempre considerando a presunção de inocência, mas o que a Judiciária acusa e o Tribunal aceita já é uma dimensão preocupante para este enredo.

O BCP não pode ter à frente dos seus destinos um administrador assim suspeito. E se a justiça só é feita quando o julgamento terminar até às últimas instâncias, não é possível ter administradores com um peso destes sobre a cabeça. É mau para o banco e é terrível para quem é suspeito. Mas a vida é assim. Quem tem cargos públicos deve ter a capacidade de se saber retirar quando está a ser o problema e não a sua solução.

Mas o escândalo bancário não se resume só ao BCP. A tramóia feita na CGD com aquele empréstimo de milhões à OnGoing, através dos fundos das reformas, e que ninguém explica por completo tal operação de alto risco, é a demonstração de que há gente que nunca aprende, nem quer e tem raiva a quem sabe!

Na noite das eleições Vara foi dos primeiros a ir ao Altis saudar Sócrates. Entrou à pressa. Sócrates diz ser grande amigo do bancário que virou banqueiro. E Sócrates apanhado em Bruxelas no meio da bronca respondeu à Barroso:" não me pronuncio sobre casos de justiça!". Claro. E ninguém lhe perguntou: mas Vara não foi posto na Caixa por si e por acaso não seria bonito defender um amigo numa hora má? Até o Presidente da Caixa o fez e não consta que seja amigo e que tenha promovido o secretário de Estado da Tolerância Zero, das matróculas K e dessa ideia de jerico que é a matrículas terem ao lado a data do veículo, a gestor da CGD.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Salto à Vara e o Planeta socialista

A figura de Vara é irritante. Foi ele que andou a decretar para que as matrículas dos carros importados usados começassem por K, foi o autor da estúpida Tolerância Zero nalgumas estradas, numa demagógica caça à multa, foi aluno dessa escola superior de virtudes que era a Independente, criou aquela Fundação para a Prevenção que deu bronca ao ponto de Sampaio ter exigido ( e sem chorar!) que Guterres demitisse o trasmontano... Vara é daquelas figuras do regime que sem ele a democracia era uma desgraça e nós desgraçados contribuintes e cidadãos uns parias sem sabermos onde deveríamos cair mortos.

Vara saltou a vida à vara e conseguiu saltar de Trás-os-Montes, onde era vagamente um obscuro bancário, para a ribalta de um grandioso banqueiro. Ninguém lhe tira o mérito, o talento e a obstinação, mas que há gente com sorte ninguém duvide. Amigo especial de Sócrates, companheiros de estrada ( aquela que liga as berças à capital, o provinciano ao urbano de fatiotas Afonso Dominguez, o pato bravo- engenhocas ao visionário das polis e rotundas) Vara, Armando Vara, está agora de novo nas manchetes por motivos mais melindrosos. Não será uma campanha negra, mas o administrador do BCP já clamou inocência.

Com um dia sem tempo para ler notícias a fundo, as gordas remeteram-me para esta figura do planeta socialista. Depois daquele fax sobre o Freeport (de que não se voltou a falar) a esta nova novela, o país continua a prometer comédia da boa. E, claro está, acreditamos na Justiça.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Armando Vara joga nos dois carrinhos

O Bloco de Esquerda (BE) acusou esta terça-feira Armando Vara, administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que concorre à administração do Banco Comercial Português (BCP), de andar a fazer «bigamia financeira».

Em declarações aos jornalistas no Parlamento, o deputado bloquista Francisco Louçã justificou o requerimento a pedir informações sobre a situação contratual de Armando Vara, lembrando que «é administrador da CGD e, ao mesmo tempo, candidato ao BCP», um banco concorrente.

O semanário Expresso noticiou, no sábado, que Vara pretende «manter o vínculo contratual com a Caixa Geral de Depósitos até conhecer o resultado das eleições» para o BCP. Para Francisco Louçã, o ex-ministro e administrador da CGD «não pode andar a fazer campanha para banqueiro enquanto é administrador do banco público».