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domingo, agosto 03, 2008

Salazar caiu há 40 anos de uma cadeira de lona subversiva

Salazar em férias no Forte de S. João do Estoril. Foto de Rosa Casaco


Faz hoje 40 anos que Salazar caiu da célebre cadeira de lona que ficará para a História como um dos ícones mais fortes do regime do Estado Novo.
Salazar passava férias no Forte de S. João, que pertencia à Associação das Meninas de Odivelas- ainda hoje pertence- e fazia questão de pagar do seu bolso o aluguer (pago em sintonia com o preço dos hóteis na zona). Levava consigo a Dona Maria e aproveitava para ler e descansar e também receber alguns dos amigos. Fazia-o todos os anos como uma rotina e repartia as férias entre o forte e Santa Comba, sua terra natal.

A queda da cadeira foi na ocasião desprezada e só as dores que começou a sentir passados dias o levou a ter de ser internado no Hospital da Cruz Vermelha em Benfica. Fernando Dacosta no seu livro sobre Salazar descreve todos estes dias com grande pormenor fazendo revelações muitos interessantes. A não perder.

Salazar acabou sem glória um período da História de Portugal para o melhor e para o pior. Na verdade os últimos anos do seu mandato foram desastrosos, insustentáveis em termos políticos e sociais. Ao querer ficar agarrado ao poder (porque achava que era insubstituível) levou-o a um fim sem glória e atirou o país para uma paralisia que ainda hoje tem sequelas na nossa sociedade.
Quarenta anos é muito tempo e pouco. Lembro-me perfeitamente desses dias, dos boatos, das visitas de centenas de portugueses ao Hospital da Cruz Vermelha para assinarem o livro de cumprimentos, onde eu me incluo tendo mesmo sido filmado e aparecido na RTP, tinha 14 anos, andava na catequese e achava que o poder político era imutável como a cartilha do Padre da Paróquia. Passados dois anos era um revolucionário de café que descobrira um dia uma entrevista de Mário Soares ao L`Express e achava que havia afinal vida para lá do regime.
O tempo passou depressa. O país mudou, claro para melhor. Como será daqui a 40 anos?

E como será o balanço daqui a 6 anos quando o 25 de Abril fizer 40 ? (dica de leitora)

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sábado, agosto 02, 2008

Mastodante do Rato caiu antes de nascer

Podemos respirar de alívio: foi chumbado o projecto para a construção do edifício-arrebenta numa das esquinas do Largo do Rato.
Há um comentário de um leitor do Fatal muito interessante no post atrás sobre este tema. E devo dizer que estou de acordo com ele, até porque sou arquitecto (embora não pareça, embora seja um ofício agora não muito favorável a um jornalista::).
Fui dos poucos que sempre defendeu o projecto das Amoreiras. Nos anos oitenta Lisboa era cinzenta, sem edifícios arrojados e que pudessem marcar a época da cidade. As Amoreiras tinham a qualidade de se afirmarem pela diferença, pela provocação. Era um projecto cenográfico, colorido, fútil, uma ruptura com a arquitectura pós-revolucionária que era comunista e comunal, chata,encaixotada, fria e austera. As Amoreiras mudaram o perfil da cidade, marcaram a paisagem urbana, tornaram.-se num ícone lisboeta e mais importante: revitalizaram uma zona da cidade que estava abandonada. Lisboa passou a ter uma entrada com dignidade, coisa que contínua a não ter nos outros lados. Já viram como são as entradas de Lisboa ? O mestre Taveira pode ser muita coisa mas as suas "taveiradas"marcaram Lisboa.
Sempre defendi o CCB, o Franjinhas, o Corte Inglês. Gosto de rupturas e Lisboa precisa de torres, vidro, espelhos, luz, cor, movimento...energia. Acho uma tontaria de Sampaio não ter autorizado o projecto do Foster para a Praça de Espanha. E as torres do Siza em Alcântara seriam bem vindas, embora não goste muito do seu conceito de arquitectura. Acho a recuperação do Chiado lamentável mesmo.
Agora meus caros, há sítios onde as rupturas são criminosas. Ou há um projecto que supere a história e a escala dos lugares em qualidade, como aconteceu com o Centro Beaubourg ou com as Pirâmides do Louvre, em Paris, ou com o Museu de Bilbao, ou então estamos a gangrenar a cidade. Não vamos construir torres no meio de Alfama para criar zonas de referência, nem vamos envidraçar o Terreiro do Paço. E a volumetria é das questões mais prementes. Por outro lado o tipo de vida urbana que um tipo de arquitectura vai originar é de ter muito em conta. A revitalização das cidades faz-se com a introdução de actividades que dinamizem o tecido urbano e lhe devolvam cultura, trabalho e lazer. Não se pode só e apenas falar de bonitinhos ou monstros.
Lisboa devia ser muito mais rigorosa com as intervenções no miolo histórico e muito mais aberta relativamente a projectos novos. A cidade não cresce porque nos últimos anos a Câmara empata tudo. Um amigo meu está há 3 anos à espera de abrir um restaurante na Rua de S. Mamede e não consegue autorização dos serviços técnicos. Embirram com tudo até com uma máquina de ar condicionado num saguão. Depois permitem caixilharia de alumínio na Baixa Pombalina (veja-se o edificio do Millenium).

quinta-feira, julho 31, 2008

Imagalhães Tiger? ou Imagalhães lince da Malcata?

O nome Magalhães não é muito feliz. Não sabemos se é homenagem ao Fernão se ao José, este último um fanático da net desde o início, o ex-PCP e actual secretário de Estado da Administração Interna.
O projecto deste computador português é muito interessante: é fabricado em Portugal destina-se a putos dos 6 aos 8 anos e tem um preço máximo de 50 euros, ou seja: o preço de um computador de brincar. Não sei o que o faz trabalhar parece ser uma máquina Intel e o mais certo é trazer essa aberração de sistema operativo chamado Windows. Se assim for já podemos contar que as nossas crianças já estão a ser contaminadas à nascença com o obsoleto sistema do Tio Bill. Se assim for é uma oportunidade perdida para o Estado apostar no Linux abrindo caminho ao sistema da Apple.
Não será um novo jackpot mas a vocação de Portugal para as tecnologias renováveis e de ponta (embora os portugueses a tenham cada vez menos!) é um bom caminhar. Talvez a única aposta certa, embora tímida, do governo do engenheiro.
Já produzimos o Tsunami (e acho que o ACER), umas tretas de máquinas, mas como já fabricámos o automóvel SADO e o bacamarte UMM, é a vez dos Magalhães. Embora louvável não resisto a acrescentar: cada país faz o que pode e a mais não é obrigado.

E se Magalhães não tiver sistema Tiger ou Leopard poderá sempre ter o sistema Lince da Malcata. Prevê-se o lançamento de um telemóvel associado o Ei fala!
Se o primeiro-ministro é uma espécie de engenheiro (com todo o respeito) porque não seria o computador português uma espécie de calculadora?

Copus-night e opus-light

O Alberto João Jardim é separatista, troglodita, o Bokassa do Atlântico (como lhe chamou em tempos esse grande democrata Jaime Gama) que chama os continentais de cubanos, mas é Carlos César e o Partido Socialista que acabam de arranjar um imbróglio político lamentável de total afronta aos poderes do Presidente da República e que este muito bem questionou e o Tribunal Constitucional rejeitou.
Se os Açores são um arquipélago tão bem comportado, democrático e de sincera autonomia, se o governo dos Açores mesmo gastando o mesmo ou mais do que o governo da Madeira- embora não tenha feito um terço da obra!- é o retrato do bom aluno insular, porque vem agora tentar demarcar-se das regras constitucionais da separação dos poderes?
Na verdade o marketing político é que conta.
De um lado está um copus- night que diz verdades a cantar e que faz obra, do outro um opus-light que não desenvolve as ilhas (e tem permitido a proliferação de edifícios desintegrados e do urbanismo selvagem))e pela surra legislativa quer armadilhada uma autonomia-independentista.
Aos pouco vai acabando o estado de graça Sócrates-Cavaco.

F`s 16 sem autonomia para irem ao Cabo da Roca ?

Há um pormenor na notícia sobre o trágico acidente do médico que vindo de Bragança para Coimbra se sentiu mal e teve a coragem e a lucidez de avisar que iria despenhar-se no mar. O pormenor: dois F16 seguiram ao encontro do bimotor e um dos pilotos militares ainda viu inconsciente o aviador. Depois...voltaram para trás por falta de autonomia. Não percebo nada de aviação. Mas não percebo isto: como foi o médico parar ao Cabo da Roca se ia para Coimbra ? Porque razão a Força Aérea desistiu de acompanhar o voo ao ponto de se ter perdido o rasto do malogrado médico ?
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. E se o bimotor, fora da sua rota planeada logo em transgressão, não tivesse mesmo caído e tivesse seguido um destino vulnerável? Não há um grande amadorismo em tudo isto? Dois F16 conseguem perder o rasto a um pequeno avião civil ?
Eu sei que é verão mas esta notícia devia ser mais desenvolvida e investigada.

quarta-feira, julho 30, 2008

Mais um director do Nacional seduzido e abandonado

Os governos tratam o teatro como se fosse uma secção de limpezas. O cargo de director do Teatro Nacional tem sido desprezado por todos os governos à excepção do último de Cavaco Silva quando Agustina Bessa-Luís foi convidada para o cargo e o pôde exercer com toda a dignidade, embora o tenha feito mais de uma maneira institucional do que como dinamizadora de uma política teatral Nacional. Mas mesmo assim terá sido o cargo mais dignificado.
Já em 1980 Carlos Avilez tinha também feito um excelente trabalho na Companhia de Teatro Nacional com Amélia Rey Colaço, então no S. Luis, acabou com uma demissão miserável feita pelo então Secretário de Estado da Cultura Vasco Pulido Valente: Avillez soube pelos jornais que tinha sido demitido.
A demissão de Carlos Fragateiro há muito que estava prevista e falada. E mais uma vez o director do Nacional foi despedido como uma mulher a dias. Claro que já se adivinha quem vai para o seu cargo. O problema é que o teatro não é visto como uma coisa séria pelo Poder. É um entretimento banal, um jogo de salão, um prémio para os amiguinhos.

Os sete amigos dos MacCan no Tapas Bar





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terça-feira, julho 29, 2008

Porque riem os pais de Maddie?

Os pais de Maddie sorridentes com uma t-shirt onde está estampada a pequena Maddie (a única que não sorri).
Ontem na RTP2 às tantas da madrugada discutiam-se dentaduras e sorrisos e psicólogos forenses falavam de como "lá fora" a importância dada às expressões dos arguidos durante os inquéritos policiais contam para o juízo final dos jurados, ao contrário de Portugal onde essa actividade acaba por ser caricaturada, como o foi aquele espanhol que veio ao programa da Fátima C. Ferreira e que alguns jornais acharam que era um charlatão.
Claro que o processo foi arquivado e todos os protagonistas estão inocentes até prova em contrário, mas um pouco de sensibilidade e bom gosto fica bem a toda a gente.
A foto foi tirada do blogue da Ana Cristina Leonardo, Meditação na Pastelaria (ver link)

segunda-feira, julho 28, 2008

Costa e Salgado apadrinham crime arquitectónico no Rato


António Costa e o seu vereador para o urbanismo Manuel Salgado estão a preparar-se para aprovarem mais um crime urbanístico em Lisboa numa das esquinas do Largo do Rato, a que confina com a Sinagoga de Lisboa e um edifício classificado da autoria do arquitecto Ventura Terra.
Paula Teixeira da Cruz, que é a presidente da Assembleia Municipa,l está em brasa contra o crime, e a vereadora Margarida Saavedra chegou a interromper as férias no Algarve para poder votar contra a construção do mastodonte. O projecto propõe um edifício de volumetria arrasadora para o local com um estilo de total ruptura, numa das zonas mais preservadas da capital, onde coexistem edifícios históricos e de referência de grande qualidade, os já citados atrás, e a Garagem da Auto Industrial, uma pérola da arquitectura portuguesa.
Manuel Salgado já veio defender o projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus. Percebe-se: quem projectou aquela aberração frente ao CCB não podia vir agora estar contra um caixote que parece a Casa da Música dos pequeninos. "Não fazemos réplicas!"- defende-se Mateus, como se a arquitectura que se integra tivesse de ser mimetista.
A cereja em cima do bolo: quem patrocina o crime arquitectónico é Diogo Vaz Guedes (ex-Somague) que agora está à frente da holding Gespura e que por coincidência foi da Comissão de Honra da candidatura de António Costa juntamente com o arquitecto da aberração Frederico Valsassina.
Depois de ter rejeitado por ressabiamento político o projecto de Ghery para o Parque Mayer, Costa apadrinha o fartar vilanagem dos novos salvadores da capital. É demasiado escandaloso para ser verdade. Mas é.

Aqueles que criticaram João Soares por teimar em fazer um elevador para o Castelo porque seria uma ruptura na cidade, aqueles que imolaram Krus Abecassis e o arquitecto Taveira por terem tido a coragem de construírem as Amoreiras, aqueles que atrasaram as obras do túnel do Marquês (e que nos custou a nós contribuintes uma fortuna!), aqueles que estiveram contra o projecto moderno e arrojado de Ghery, aqueles que vomitavam ódio ao CCB, esses esquerdalhos que elegeram um empata para Lisboa, porque não voltam a dar a cara e a defenderem uma cidade que se orgulhe do seu passado e se projecte num futuro de arrojo? Estão escondidos ou já fazem parte do sistema da grande mamadeira?

sábado, julho 26, 2008

Ferreira Leite: TGV NÃO! SUBMARINOS SIM?

A gestão do silêncio de que já aqui falei, ou o faz-de-morto, de Manuela Ferreira Leite- a Santa Padroeira da oposição nacional- foi hoje comentada por José António Lima no Sol e por Vasco Pulido Valente no Público. Curiosamente abordavam o mudo da distinta líder não muito longe do ângulo que eu já aqui tenha dado. Isto é: o medo de errar ou de dar "abébias" a Sócrates, como o fez com o IMI, leva Leite a prolongar um silêncio que se vai tornando insustentável. Não há oposição muda. Os eleitores gostam de se rever nas críticas ao governo.
Ora se a líder só fala para dizer banalidades ou tocar em assuntos menores, como aquele dos subsídios aos jovens, ou sobre os Açores no caso de hoje, fica a sensação que o PSD não escolheu uma opositora mas uma avozinha que mais parece tricotar o enxoval para um futuro bloco central.
Com esta estratégia, o PSD arrisca-se a ter uma votação próxima ou inferior daquela que teve Santana Lopes e aí vai ser difícil aguentar o partido. Como irá reagir o PSD populista, nortista, perante um resultado desses, depois do avanço do baronato ?
A verdade é que Ferreira Leite não vai conseguir descolar. Já se viu que não tem jeito para a polémica política e para o combate corpo a corpo com Sócrates. E ainda não percebeu que nem tudo se resume à economia. Nem sei se em tempo de crise o melhor remédio é a economia se a coragem política. Até Vasco Graça Moura já veio dizer que com Ferreira Leite o país não fica de tanga mas de fio dental !!!!
Com aquela sua célebre frase que o casamento é para procriar e que as obras públicas anunciadas por Sócrates não fazem sentido porque não há dinheiro, que mais esperar dela ? Só se vier defender que TGV NÃO! Submarinos SIM! Porque foi ela que ajudou a assinar a compra desses dois tubarões brancos, quando era ministra das finanças de Durão, e agora Sócrates não sabe onde há-de ir buscar a massa para esta maluqueira partilhada por Portas!
Por estas e outras Leite não tem condições para exercer uma oposição dura.

CPLP: Tá-se bem meu irmão!!!

A reunião da CPLP em Lisboa acabou em grande para os brasileiros. De observadores passaram a protagonistas e nem o facto de Cavaco Silva ter sido eleito Presidente da Comunidade tirou dividendos aos nossos irmãos do outro lado do Atlântico. O acordo ortográfico é uma cedência inadmissível por parte dos portugueses e até o Prémio Camões deste ano acaba de ser atribuído a um brasileiro sem que o júri tenta tido em consideração algum escritor português.
Lula da Silva bem pode comemorar com uma valente cachaça. E por muito que Cavaco Silva se esforce o pior que lhe pode acontecer é ainda ter de ir ao Brasil discursar em sotaque "meu irmão".
Honra seja feita a Jorge Sampaio. A sua iniciativa de promover junto dos países membros uma campanha eficaz no combate à tuberculose foi das iniciativas mais humanitárias já vistas entre estes maninhos unidos pela língua.
Não nos esqueçamos do saudoso Krus Abecassis que foi o mentor desta ideia.

Fernando Pinto em voo picado


A administração da TAP decidiu auto-flagelar-se e abdicar de prémios no final do ano, mesmo que haja lucros :::) e reduzir os seus parcos salários em 10 por cento.
Esta nova do brasileiro que comanda a TAP desde os tempos de Jorge Coelho são mesmo de brasuca sambista. Quer dizer: a empresa de que ele é gestor já perdeu só este ano 123 milhões, por razões conjunturais que têm a ver com o preço dos combustíveis, mas também por causa de investimentos feitos no Brasil que redundaram num total fiasco. Perante esta bronca Fernando Pinto regateia 1 por cento nos ordenados dos trabalhadores e se não fosse Mário Lino ( sempre, sempre ao lado do povo!) a TAP ia entrar em maiores prejuízos com greves em plena época alta.
Depois de admoestado pelo ministro da tutela, a administração decide então dar uma de democrática e abdica de prémios que nunca mereceria e baixa em 10 por cento uns ordenadões, para não falarmos de regalias e mordomias. Chama-se a isto coragem!
Fernando Pinto parece ter chegado ao fim do seu estado de graça. Quando a TAP parecia levantar voo veio afinal em queda livre, o que demonstra que nada daqueles resultados era sustentado.
Ainda vão ter que chamar o homem dos porcos para retomar o voo daquilo, mas não me parece que depois de falido tivesse ânimo para tal empresa.

PS ( hoje 26/7/08): Não deixo de concordar também com os comentários entretanto aqui postos. É verdade que a TAP de hoje não tem nada a ver com de alguns anos atrás onde o Estado metia ali mais dinheiro do que Salazar na Guerra Colonial. Mas não nos devemos comover demasiado com Fernando Pinto. Se baixou o seu ordenado e dos outros fez bem, é para isso que lhe pagam: para gerir bem. Quanto aos sindicatos são uma pressão por vezes intolerante mais ai de nós de quando eles deixaraem de poder fazer pressão. É a luta de classes no seu melhor.

sexta-feira, julho 25, 2008

UMA FOTO POR DIA

Odeceixe. Ontem 24 de Julho. Foto de Luiz Carvalho

quinta-feira, julho 24, 2008

A distância de Maddie a Esmeralda

Hoje o pai afectivo de Esmeralda foi obrigado a pagar qualquer coisa como trinta e dois mil euros ao pai biológico da menina. O sargento-herói e sua mulher deram um lar, uma família, amor e futuro a uma criança que tinha a sina marcada perante um quadro familiar à nascença dramático. O pai biológico, que ao que consta nunca se interessara por ela, acabou por ter de recorrer a exames de ADN para poder provar que afinal era o pai natural. Todos sabemos desta triste história. Triste para uma criança que se viu envolvida numa disputa para a qual nunca contribuiu, e demasiado pesada para uma família que terá dado o melhor de si para proteger e amar uma criança desprotegida.
Esta família teve de pagar hoje essa avultada verba a um pai que era ao princípio um desconhecido. Valeu-lhes a solidariedade de pessoas como Felipe La Féria e José Cid que angariaram verbas em espectáculos para ajudarem a família, que viu as suas economias na falência e o seu equilíbrio afectado.

Do outro lado das notícias há um porta-voz ameaçador, de um casal que abandonou numa noite 3 crianças num quarto, de onde uma delas desapareceu e nem sequer foram chamados à responsabilidade por negligência na guarda dos filhos.

O que é isto ? É a justiça estúpido.

quarta-feira, julho 23, 2008

MADDIE: QUASE TODA A VERDADE !



Fora do segredo de justiça e com o lançamento do livro do ex-inspector Gonçalo Amaral amanhã, embora já hoje as televisões tenham revelado pormenores muito interessantes que lá vêm escritos, o Caso Maddie vai decerteza ter novos desenvolvimentos. O Caso não fechou, agora é que vai abrir.
E se a justiça e a actual direcção da PJ não tiverem competência para levarem até ao fim todas as diligências necessárias, pois parece que ficaram a faltar muitas, alguém deverá aparecer para trazer a chave que abrirá o segredo de todo este monumental imbróglio.

A opinião pública não se sente esclarecida e qualquer inspector de pacotilha (o meu caso) faz perguntas básicas que os altos investigadores não respondem e mais grave: que o Ministério público não quis, ou não teve competência, para levar até às últimas consequências.

Uma pergunta básica: se abandonar filhos menores sem precauções é crime porque não foi o casal acusado de negligência ? Só isto dava uma pena pesada.

Outra pergunta básica: sendo o casal responsável pela segurança dos filhos e se os cães detectaram cheiro a cadáver no quarto e no carro porque não houve sequer uma acusação por ocultação de cadáver ? Há muitos crimes em que os suspeitos não são condenados porque não se prova o crime por não haver cadáver mas acabam muitos por serem condenados pela ocultação. Mesmo não se tendo provado crime.

O rosário de perguntas e dúvidas vai somar-se. E só uma investigação profunda pode levar ao total esclarecimento, á verdade dura que um dia chegará.

A coragem de Gonçalo Amaral é notável. O ex-inspector é sem dúvida quem mais sabe de toda esta tramóia e não vai dormir sossegado até os criminosos serem apanhados. As ameaças de que já foi alvo por parte do porta-voz do casal são bem reveladoras do clima de propaganda organizado pelo especialista contratado. Há que ter coragem sem se cair em falsas denúncias nem em julgamentos na praça pública.

Se eu fosse dono de um jornal rico mandava investigar aquele grupo jantarista da noite de 3 de Maio de 2007. Insisto pois ninguém responde: o que leva um grupo de amigos a estarem juntos num mês em que não é habitual tirar férias, num aldeamento discreto, porventura demasiado barato atendendo às posses dos protagonistas, porque desapareceram, porque não querem colaborar na reconstituição, porque não dão a cara, o que fazem, etc, etc... Dava uma grande história de investigação. E nem é preciso ser Agatha Christie...

terça-feira, julho 22, 2008

A fonte da desigualdade social

A revelação é espantosa: noventa por cento dos habitantes da Quinta da Fonte vivem do rendimento mínimo de inserção e muitos não pagam há muito sequer as rendas das casas. Um deles deve qualquer coisa como 17 mil euros à autarquia. Não querendo incendiar nada não há dúvida que qualquer coisa vai mal neste país: uns que trabalham para pagarem com o seu parco ordenado uma casa comprada dolorosamente e que vêem a casa penhorada caso faltem com os compromissos bancários, outros que nada fazem e que ainda recebem uma ajuda substancial de todos nós para nem o que devem pagarem.
A perversão dos subsídios sociais desta natureza revela-se aqui no seu esplendor. Enquanto o Estado acaba de arrecadar mais 400 milhões de dividas fiscais a contribuintes singulares, há outros que nada contribuem e que têm casa, saúde, escola, de mão beijada e ainda protestam e se manifestam como se o Mundo tivesse a obrigação de alimentar calões.
Não parece que neste campo o governo esteja empenhado em fazer fiscalizações rigorosas à atribuição destes subsídios que se tornaram numa forma encapotada de alguns nada fazerem, semeando em contrapartida a insegurança, a violência e a marginalidade.
Claro que o Estado deve zelar pelos deserdados da sorte, os doentes e os abandonados. Mas em caso algum deve alimentar vícios e alimentar malandros.

UMA FOTO POR DIA

Estrada Zambujeira-Azenha do Mar, ontem pelas 20 horas. Uma 4L e o seu proprietário. Fotografia de Luiz Carvalho

segunda-feira, julho 21, 2008

Que ninguém pare de investigar o Caso Maddie

O dossier Maddie foi arquivado. Já o tinha escrito aqui e repito: é uma sensação de grande frustração e não pode deixar de ficar um amontoado de perguntas por responder. Para mim contínua por explicar algumas destas questões:
- Quem são, o que fazem, porque estavam todos reunidos num mês que não era habitual de férias, para onde foram, porque não falam, porque se escondem, aqueles amigos do casal ?

- É verdade que há um desses amigos indiciados por pedofilia e que nunca se explorou isso na investigação?

- Os quartos desses amigos foram investigados e foram lá postos também os tais cães pisteiros?

- Com se explica que os cães tenham detectado cheiro a cadáver atrás do sofá da sala, na chave do carro alugado e na bagageira? Sabe-se que estes cães nunca se enganam (e não são cavaquistas!)

- Como é possível contratar alguém para gerir a comunicação de um casal destroçado pelo desaparecimento de um filho ? Gerir a imagem da dor ?

- Há muitos, muitos aspectos que nunca foram investigados. O erro crasso de se ter sempre partido do princípio que tinha havido um rapto e não um crime também condicionou todo o comportamento do casal sempre no sentido do rapto.

Portanto: um triste caso encerrado, sem suspeitos, sem pistas, sem hipóteses. Sabe-se tanto hoje como nos minutos a seguir ao desaparecimento de Maddie.
O ovo de Colombo deste caso deve ser fácil de encontrar. Um dia, um pormenor, uma pequena gaffe de alguém tornará possível reabrir este caso, para que a pobre Maddie possa ser justiçada.
Os especialistas neste tipo de acontecimentos sabem que os comportamentos dos criminosos se repetem e entre os investigadores há convicções. Só que não é possível prová-las. Um dia talvez seja. Os grandes casos policiais acabam por ser deslindados quando há alguém que nunca desiste de investigar. O acaso ou a sorte trazem um dia a chave da solução.

Quinta-feira o ex-inspector da Judiciária Gonçalo Amaral lança o seu livro sobre o Caso e promete revelações de novos factos. Estou muito curioso.

RELEIA O CASO MADELEINE AQUI NA WILKIPEDIA

O sorriso amargurado de Eunice Munoz


A entrevista de Eunice Munoz à Única do passado sábado comoveu-me. As fotografias foram feitas por mim e deram-me um grande prazer, e honra.
Acompanho a Eunice há muitos anos, embora tenhamos apenas uma relação cordial. Nunca fomos amigos mas temos amigos em comum desde o meu mestre Lagoa Henriques à actriz Fernanda Neves com quem vivi. Entrevistei-a há 18 anos e fotografei-a com a neta ao colo ainda bebé para uma capa da Nova Gente com o título:Eunice, avó coragem. Hoje essa neta tem 19 anos e estuda teatro com o Carlos Avilez, outro mestre que admiro e com quem convivi no TEC nos anos oitenta.
A Eunice é também prima da minha grande amiga Filomena Cardinalli e já nos temos encontrado todos no Natal no circo do Vítor Hugo.
Sempre esteve à frente do seu tempo e sempre teve razão antes do tempo. É de uma sensibilidade rara e de uma postura profissional que nos dias de hoje quase não se encontra: rigor, exigência, entrega, e uma alegria enorme em fazer bem o que faz.
Confesso que me irrita sempre aquela sua atitude política de apoio a Santana Lopes. Mas percebo-a: no fundo foi ele que sempre apoiou o teatro e foi ele o único político que tratou com dignidade e respeito os actores de Portugal.
A mágoa da nossa diva que foi despedida do Teatro Nacional com a promessa de um complemento de reforma que nunca foi pago é mais que justa. E é uma vergonha para este Estado que parece ter dinheiro para tudo menos para honrar os que combateram pela Pátria, os que a dignificaram, os que lhe deram a dimensão ainda respeitável que é Portugal.
Era bom que o senhor ministro da segurança social e o senhor ministro da cultura olhassem para a humilhação de que Eunice, Rui de Carvalho e Fernanda Borsatti têm sido vitimas. Era bom que lhes pagassem e lhes pedissem desculpa. Era um acto de honradez e a oportunidade de se dar um pouco mais de compostura a esta democracia malvada e côcha.

sábado, julho 19, 2008

Vacanças fatais

A postagem vai abrandar (ou talvez não) por aqui. Blogueiro mete férias e vai dar descanso à política. Como as placas 3G da Vodafone funcionam no Alentejo ao ritmo local é por vezes penoso escrever para o blogue. Veremos como o mar me inspira.


PS. A PLACA 3G DA VODAFONE ESTÁ A BOMBAR MESMO A 3G !