Alberto João Jardim atirou mais uma bojarda e a inteligência opinativa da televisão por cabo não se cala com o facto de o comunismo dever ser abolido da Constituição, segundo o pândego da Madeira.
Quer dizer: é evidente para todos que a nossa Constituição é uma peça de museu que a maioria dos portugueses gosta por conter o chamado espírito de Abril. E nessa onda cabe uma enorme tolerância que até abrange o comunismo. É uma declaração de princípios que ninguém leva a sério, nem os comunistas. Para estes a possibilidade de haver comunismo em Portugal, e até no Mundo, é tão improvável como um rico poder passar pelo buraco de uma agulha. E para os anti-comunistas o facto de essa ideia poder estar prevista na Constituição não passa de uma piada. É como os católicos esclarecidos aceitarem que quando morrerem vão para o Céu ou outro destino turístico.
O que é incrível é como toda esta gente da política se leva a sério e como todos fazem de uma provocação um "leitmotiv"para iniciarem mais uma guerrilha de insultos uns aos outros.
Quem deve gozar que nem um transmissor de gripe porcina é Alberto João Jardim. Deita os foguetes e os idiotas correm que nem doidos a apanhar as canas.
PS: Diga-se que Jardim referiu que nunca estava em causa proibir partidos mas sim a existência de um regime comunista em Portugal. Um pormenor que já ninguém ouviu, claro.
quinta-feira, julho 16, 2009
Jardim, os foguetes e os idiotas
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Luiz Carvalho
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Jardim Tropical ao abandono
O Jardim Tropical é um dos espaços verdes mais mágicos de Lisboa. Foi criado no início do século XIX e ainda ostenta um conjunto de árvores e plantas tropicais raras e de uma beleza natural comovente. Se hoje se fala tanto em ecologia e espaços verdes, aquele jardim é por si só de um potencial fabuloso para os lisboetas.
Fica ao lado do Palácio de Belém, há mesmo uma entrada que permite ao Presidente ir directamente para lá passear, e o mais inacreditável desta realidade: o jardim está à beira do colapso, sem sistema de rega permanente, com a relva desalmada, os cisnes à solta estragando o pouco que resta do verde, as árvores rodeadas de lixo, os bancos partidos com ramos de vegetação a caírem-lhes em cima.
O horário é impróprio para quem trabalha e tem filhos na escola (fecha às 18 horas), tem um preço absurdo de entrada para o espectáculo lamentável que dá a ver em desmazelo e porcaria (1,5o euros).
A promoção é zero e para se encontrar a entrada só mesmo para quem andou a pesquisar.
Ora bem, perante esta lamentável gestão de um espaço público (que não sei a quem pertence, nem me interessa) o que é importante e proibido ? Que não se façam fotografias dentro do jardim. Não sei se para não se ver aquela vergonha ou se não interessa mesmo promover um espaço de boa memória e que só orgulha quem o criou.
Quando se fala tanto em pequenos investimentos públicos este era um dos investimentos que valiam a pena fazer. Mas se o fizerem limitem-se a arranjar o que está deteriorado. Não inventem, nem ponham arquitectos paisagistas a tirarem a relva, os canteiros e a pôrem saibro como foi feito no Jardim de S. Pedro de Alcântara.
Fica ao lado do Palácio de Belém, há mesmo uma entrada que permite ao Presidente ir directamente para lá passear, e o mais inacreditável desta realidade: o jardim está à beira do colapso, sem sistema de rega permanente, com a relva desalmada, os cisnes à solta estragando o pouco que resta do verde, as árvores rodeadas de lixo, os bancos partidos com ramos de vegetação a caírem-lhes em cima.
O horário é impróprio para quem trabalha e tem filhos na escola (fecha às 18 horas), tem um preço absurdo de entrada para o espectáculo lamentável que dá a ver em desmazelo e porcaria (1,5o euros).
A promoção é zero e para se encontrar a entrada só mesmo para quem andou a pesquisar.
Ora bem, perante esta lamentável gestão de um espaço público (que não sei a quem pertence, nem me interessa) o que é importante e proibido ? Que não se façam fotografias dentro do jardim. Não sei se para não se ver aquela vergonha ou se não interessa mesmo promover um espaço de boa memória e que só orgulha quem o criou.
Quando se fala tanto em pequenos investimentos públicos este era um dos investimentos que valiam a pena fazer. Mas se o fizerem limitem-se a arranjar o que está deteriorado. Não inventem, nem ponham arquitectos paisagistas a tirarem a relva, os canteiros e a pôrem saibro como foi feito no Jardim de S. Pedro de Alcântara.
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Luiz Carvalho
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7:41 da tarde
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Jardim Tropical
terça-feira, julho 14, 2009
A trupe subsidiodependente à volta de Costa
Carlos do Carmo é um homem íntegro. Aceitou ser mandatário de António Costa, mas atirou-lhe logo na cerimónia de apresentação da candidadtura: "não se esqueça da solidão dos velhos, da pobreza envergonhada e rodeie-se de gente que ame a cidade e não esteja consigo para ganhar dinheiro"- cito de cor. Olhei à minha volta e só via rostos conhecidos das artes, da cultura, da política, que davam para fazer uma infografia, daquelas que agora estão na moda nos jornais, e por baixo de cada rosto podia-se escrever uma frase que justificava a sua presença ali e o interesse respectivo.
Um estava ali porque a mulher era vereadora, outro porque precisaria de uma ajuda para comprar mais motores para uns robots pintores, outra porque tinha um atelier da Câmara, outro porque faz a maioria dos catálogos da edilidade, outra porque tem uma associação que nunca existiria sem o subsidio camarário, outra porque é directora nomeada, outro porque sonha filmar depois de 10 anos parado, outro porque a tia mandou-o ir, outro porque a sua arquitectura é imprescindivel à cidade, outro porque faz umas fotos boas para arquivar, outra porque está a pensar acabar na Casa do Artista, outro porque seria uma vergonha não ir...nunca mais acabaria.
A cultura em Portugal está dominada pelos interesses políticos, refém dos subsídios, das encomendas. Escritores, pintores, cineastas, actores, músicos e afins, estão todos de mão estendida à espera do miserável subsidio.
A arte que tinha como fim ser do contra, irreverente, anti-poder, libertária, está afinal dominada pela mesquinhez das ajudas do Estado e das autarquias. As rotundas deram a volta à cabeça a trolhas e escultores, o síndroma do mamanço estendeu-se a tudo o que é obra de arte. A malta já não cria, inventa e escreve longos projectos para pingarem em dinheiro.
A apresentação hoje da candidatura de António Costa não era um happening político, era uma romagem de sedentos de ajuda, uma sopa aos pobres intelectuais, que não vivem sem o poder e as suas ajudas. Estavam ali representados todos os interesses nas diferentes vertentes desta nossa intelectualidade lisboeta, o eixo Bairro-Alto/ Bica do Sapato.
Sócrates que descobriu agora que tem a paixão da cultura (e não me admiro, se ele perder as eleições que não se vá matricular no IADE para ter aulas de cultura técnica!) embora tenha dedicado à cultura uns míseros zero virgula qualquer coisa do orçamento, ele que deixou desabar património, que se marimbou na trupe de artistas de negro à sua volta, ele que preferiu o estilo "maisons com janelas estilo fenêtre", está agora comovido com centenas de iminências pardas que invadiram o Jardim de S.Pedro de Alcântara, como se António Costa fosse ali promover o milagre da multiplicação dos subsídios.
Acredito que a política possa mobilizar as almas sensíveis. Mas ao ponto de haver tanta unanimidade entre tanta gente diferente...deixa-me perplexo.
Claro que Santana tem também a sua trupe de artistas. Não fui à sua apresentação de candidatura mas não devem ter faltado a Maria José Valério e o Rui de Carvalho de braço dado com Eunice Munoz, ou o Parque Mayer a cair da tripeça a chorar os tempos áureos da revista à moda da Pátria. E se Costa tem fado, Santana manda com faduncho. E se Costa tem Salgado, Santana tem Ghery, e se Costa tem Sócrates (na vertente artística!), Santana tem a Vovó cantigas. A cada um o seu artista.
Lisboa é que aguenta tudo isto. E não chora.
Um estava ali porque a mulher era vereadora, outro porque precisaria de uma ajuda para comprar mais motores para uns robots pintores, outra porque tinha um atelier da Câmara, outro porque faz a maioria dos catálogos da edilidade, outra porque tem uma associação que nunca existiria sem o subsidio camarário, outra porque é directora nomeada, outro porque sonha filmar depois de 10 anos parado, outro porque a tia mandou-o ir, outro porque a sua arquitectura é imprescindivel à cidade, outro porque faz umas fotos boas para arquivar, outra porque está a pensar acabar na Casa do Artista, outro porque seria uma vergonha não ir...nunca mais acabaria.
A cultura em Portugal está dominada pelos interesses políticos, refém dos subsídios, das encomendas. Escritores, pintores, cineastas, actores, músicos e afins, estão todos de mão estendida à espera do miserável subsidio.
A arte que tinha como fim ser do contra, irreverente, anti-poder, libertária, está afinal dominada pela mesquinhez das ajudas do Estado e das autarquias. As rotundas deram a volta à cabeça a trolhas e escultores, o síndroma do mamanço estendeu-se a tudo o que é obra de arte. A malta já não cria, inventa e escreve longos projectos para pingarem em dinheiro.
A apresentação hoje da candidatura de António Costa não era um happening político, era uma romagem de sedentos de ajuda, uma sopa aos pobres intelectuais, que não vivem sem o poder e as suas ajudas. Estavam ali representados todos os interesses nas diferentes vertentes desta nossa intelectualidade lisboeta, o eixo Bairro-Alto/ Bica do Sapato.
Sócrates que descobriu agora que tem a paixão da cultura (e não me admiro, se ele perder as eleições que não se vá matricular no IADE para ter aulas de cultura técnica!) embora tenha dedicado à cultura uns míseros zero virgula qualquer coisa do orçamento, ele que deixou desabar património, que se marimbou na trupe de artistas de negro à sua volta, ele que preferiu o estilo "maisons com janelas estilo fenêtre", está agora comovido com centenas de iminências pardas que invadiram o Jardim de S.Pedro de Alcântara, como se António Costa fosse ali promover o milagre da multiplicação dos subsídios.
Acredito que a política possa mobilizar as almas sensíveis. Mas ao ponto de haver tanta unanimidade entre tanta gente diferente...deixa-me perplexo.
Claro que Santana tem também a sua trupe de artistas. Não fui à sua apresentação de candidatura mas não devem ter faltado a Maria José Valério e o Rui de Carvalho de braço dado com Eunice Munoz, ou o Parque Mayer a cair da tripeça a chorar os tempos áureos da revista à moda da Pátria. E se Costa tem fado, Santana manda com faduncho. E se Costa tem Salgado, Santana tem Ghery, e se Costa tem Sócrates (na vertente artística!), Santana tem a Vovó cantigas. A cada um o seu artista.
Lisboa é que aguenta tudo isto. E não chora.
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Antonio Costa
segunda-feira, julho 13, 2009
Finalmente um vizinho barulhento condenado

A condenação pelo tribunal de um vizinho que infernizou com barulho uma família durante anos é de aplaudir. Vai fazer jurisprudência e abrir uma nova mentalidade nas relações de vizinhança.
A falta de educação e de respeito pelos outros atinge o inaceitável quando se fala de vizinhos.
Eu tenho sido protagonista de vários casos lamentáveis de vizinhos: uma velhota que tinha um galo que não me deixava dormir, uma garagem que tinha táxis a noite toda a meterem gasóleo com os carroceiros a rirem e falarem que nem alarves, um bar que despejava bêbados até às 5 da manhã, um vizinho educado e empresário mas que tinha dois cães que cagavam o quintal todo e ladravam em contínuo durante horas, um vizinho que passou a usar uma janela que dava directamente para o meu pátio, uns brasileiros que punham a charanga aos berros, o último foi o proprietario de um pitbull que andava sempre solto na rua e que acabou a morder o meu cão.
Claro que tudo isto foi em lugares diferentes e ao longo dos anos. E acabei por resolver estes problemas...à porrada.
Há uma cultura em Portugal que qualquer animal pode fazer barulho e incomodar os outros desde que não seja meia-noite. Num país onde cada um só pensa em si, e onde as autoridades além de moles não podem usar leis cívicas que não existem, a impunidade é total. O único remédio acaba por ser a justiça pelas próprias mãos. A Polícia nunca vê, nunca fiscaliza, uma simples queixa não basta: é preciso provar o que se torna difícil.
Há situações que estragam a vida às pessoas. Um familiar meu comprou um apartamento para descansar em Vila Nova de Mil Fontes. Passado um ano abriu uma discoteca por baixo que não dava descanso a ninguém. Foi há 15 anos. Ainda se mantém, agora mais calada porque está falida. Todas as queixas caíram em saco roto.
São as autarquias a permitirem a devassa no sossego dos cidadãos. Vão ao Bairro Alto e vejam como a Câmara de Lisboa pactua com o barulho e a falta de civismo. Recordemos o que a Câmara fez na Praça das Flores, um stand de carros que só fechava à uma da manhã.
Esta sentença é exemplar e apesar de ter demorado 7 longos anos a ser ditada vem reconhecer que todos nós temos o direito a respeitar os outros e não só depois da meia-noite!
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barulho
domingo, julho 12, 2009
Recepção do Hospital de Santiago do Cacém com tratamento abaixo de cão
Sou acordado às 5 da manhã com um telefonema. Um familiar meu sentiu-se mal e foi parar ao hospital de Santiago do Cacém. Arranjo-me rápido e chego por volta das 8,30 à recepção do hospital. Pergunto pelo familiar internado, resposta rápida, a olhar para o lado do funcionário:" só às 10,30 é que pode saber".
Eu insisto, que estou preocupado, que tenho o direito a saber, resposta do funcionário:" Você está muito nervoso!..."- eu repondo-lhe: nervoso vai ficar você quando eu participar de si se não for aí ao computador e não me disser onde está e como está o meu familiar. Resposta dele, depois de finalmente ir ao computador:" Ah, não está internado, está na urgência, mas tem de esperar meia hora, o enfermeiro-chefe está a mudar de turno!".
Vou para a porta do "banco", vejo um médico a sair, interpelo-o e diz-me de imediato: Esse seu familiar está bem disposto, está ali no corredor a tomar o pequeno-almoço, venha comigo. Entro com ele e ali estava tudo a correr bem e com alta dada dali a vinte minutos. Uma postura irrepreensível e profissional do médico.
Este é o retrato dos serviços públicos. Não há normas de atendimento e os funcionários dão-se ao luxo de se comportarem como senhores e donos dos serviços e de tratarem quem querem como querem.
Claro que posso participar do incompetente, pago com os meus impostos e que usurpa o seu lugar de trabalho como se fosse uma quinta sua. E, pela idade que mostrava, deve ter este comportamento há muitos anos na maior das impunidades. Isto não tem só a ver com governos, ministros e aparentados. Isto tem a ver com a nossa cultura arrogante, burocrática e incompetente, que os governos promovem mas com que todos nós pactuamos.
Pensando bem vou mesmo participar do idiota.
Eu insisto, que estou preocupado, que tenho o direito a saber, resposta do funcionário:" Você está muito nervoso!..."- eu repondo-lhe: nervoso vai ficar você quando eu participar de si se não for aí ao computador e não me disser onde está e como está o meu familiar. Resposta dele, depois de finalmente ir ao computador:" Ah, não está internado, está na urgência, mas tem de esperar meia hora, o enfermeiro-chefe está a mudar de turno!".
Vou para a porta do "banco", vejo um médico a sair, interpelo-o e diz-me de imediato: Esse seu familiar está bem disposto, está ali no corredor a tomar o pequeno-almoço, venha comigo. Entro com ele e ali estava tudo a correr bem e com alta dada dali a vinte minutos. Uma postura irrepreensível e profissional do médico.
Este é o retrato dos serviços públicos. Não há normas de atendimento e os funcionários dão-se ao luxo de se comportarem como senhores e donos dos serviços e de tratarem quem querem como querem.
Claro que posso participar do incompetente, pago com os meus impostos e que usurpa o seu lugar de trabalho como se fosse uma quinta sua. E, pela idade que mostrava, deve ter este comportamento há muitos anos na maior das impunidades. Isto não tem só a ver com governos, ministros e aparentados. Isto tem a ver com a nossa cultura arrogante, burocrática e incompetente, que os governos promovem mas com que todos nós pactuamos.
Pensando bem vou mesmo participar do idiota.
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Hospital Santiago do Cacém
sábado, julho 11, 2009
Vencedor do BESfoto retirado do NYT por photoshop mentiroso
Edgar Martins é um tipo que intitulando-se fotógrafo ganhou o BESFoto deste ano. E conseguiu convencer o New York Times a andar pelos Estados Unidos durante 21 dias a fotografar 19 cidades para depois saírem...6 fotos (os nossos editores inspirem-se aqui).
A bronca rebentou quando um leitor do Minesoto reconheceu que as fotos eram photoshopadas, com efeitos de espelho, subvertendo a realidade, o que levou o NYT a retirar de imediato as fotos do site. O artista justifica a habilidade dizendo que não foi fotografar para fazer meros documentos. Portanto: para o artista a fotografia documental, o fotojornalismo, toda a fotografia que não é manipulada, não passa de um produto vomitado por uma fotocopiadora.
Este incidente, que o sujeito acha que devia servir para discussão (portanto: falem de mim, discutam o jeriquismo que isso é bom!) vem demonstrar sem debates da treta em como uma escola medíocre, modista, baseada na ignorância dos macacos, tem vindo a ocupar espaço mesmo nos jornais de referência em nome do arejamento que mais não é do que uma nauseabunda forma de produzir imagens.
A fotografia é uma forma de expressão com História, mestres e referências. Como a literatura, o cinema ou a pintura. Não podemos gerir a edição fotográfica assente no achismo de uns convencidos, ou na graciosidade de umas mentes que se acham iluminadas pelo gosto-não gosto, sem critério sério, nem cultura. Escolher fotos não é como apalpar fruta na praça, e ser fotógrafo não é uma profissão para a qual apenas é preciso lata, descontracção e uma infindável estupidez natural.
A desonestidade de uns espertos que usam o photoshop como garimpeiros do sucesso é escandalosa. Já vi um desses artistas pegar numa foto alheia, passá-la pelo filtro de tela e fazer uma capa de revista assinada como obra sua. Mas se fosse contar este tipo de alarvidades...faria um livro de fotografia para Totós.
Claro, que quem não alinha com estes pimbas é titulado de bronco, quadrado ou arcaico. É a fuga para a frente de um grupo de medíocres que está a ganhar espaço num meio que perdeu referências e que entrou na frivolidade.
Há anos a National Geographic pediu desculpa aos leitores por ter comprimido a distância das Pirâmides para caberem ao alto na capa. Vários fotojornalistas foram despedidos por terem manipulado as fotos e o NYT acaba de irradiar editorialmente este artista de salão.
Não está em causa o uso do photoshop. É uma ferramenta fundamental para os fotógrafos, tal como o era a câmera escura. Mas não é por usarmos a língua que temos de ser mentirosos.
Edgar Martins está bem no BES mas é escorraçado dos jornais de referência. Era bom que por cá tirássemos conclusões.
A bronca rebentou quando um leitor do Minesoto reconheceu que as fotos eram photoshopadas, com efeitos de espelho, subvertendo a realidade, o que levou o NYT a retirar de imediato as fotos do site. O artista justifica a habilidade dizendo que não foi fotografar para fazer meros documentos. Portanto: para o artista a fotografia documental, o fotojornalismo, toda a fotografia que não é manipulada, não passa de um produto vomitado por uma fotocopiadora.
Este incidente, que o sujeito acha que devia servir para discussão (portanto: falem de mim, discutam o jeriquismo que isso é bom!) vem demonstrar sem debates da treta em como uma escola medíocre, modista, baseada na ignorância dos macacos, tem vindo a ocupar espaço mesmo nos jornais de referência em nome do arejamento que mais não é do que uma nauseabunda forma de produzir imagens.
A fotografia é uma forma de expressão com História, mestres e referências. Como a literatura, o cinema ou a pintura. Não podemos gerir a edição fotográfica assente no achismo de uns convencidos, ou na graciosidade de umas mentes que se acham iluminadas pelo gosto-não gosto, sem critério sério, nem cultura. Escolher fotos não é como apalpar fruta na praça, e ser fotógrafo não é uma profissão para a qual apenas é preciso lata, descontracção e uma infindável estupidez natural.
A desonestidade de uns espertos que usam o photoshop como garimpeiros do sucesso é escandalosa. Já vi um desses artistas pegar numa foto alheia, passá-la pelo filtro de tela e fazer uma capa de revista assinada como obra sua. Mas se fosse contar este tipo de alarvidades...faria um livro de fotografia para Totós.
Claro, que quem não alinha com estes pimbas é titulado de bronco, quadrado ou arcaico. É a fuga para a frente de um grupo de medíocres que está a ganhar espaço num meio que perdeu referências e que entrou na frivolidade.
Há anos a National Geographic pediu desculpa aos leitores por ter comprimido a distância das Pirâmides para caberem ao alto na capa. Vários fotojornalistas foram despedidos por terem manipulado as fotos e o NYT acaba de irradiar editorialmente este artista de salão.
Não está em causa o uso do photoshop. É uma ferramenta fundamental para os fotógrafos, tal como o era a câmera escura. Mas não é por usarmos a língua que temos de ser mentirosos.
Edgar Martins está bem no BES mas é escorraçado dos jornais de referência. Era bom que por cá tirássemos conclusões.
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Edgar Martins
Perestrello: o candidato esticado no photoshop

MUDAR O QUE ESTÁ MAL : a fronha do candidato
MELHORAR O QUE ESTÁ BEM: o charuto de Isaltino. ( passará a ser cubano puro)
Depois de passado pelo filtro blur botox do photoshop, o candidadto ficou neste estado!!!
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Perestrello
sexta-feira, julho 10, 2009
António Costa dá 30 mil para filme sobre Saramago
Não é um ensaio sobre a cegueira feito por António Costa, é mais um subsidiozinho para um documentário sobre Saramago, pois há poucos filmes sobre o Nobel, não sabemos nada sobre ele, nunca o vimos na ilha espanhola que elegeu para exílio dourado e de onde critica ferozmente o seu país, portanto: um documentário sobre Saramago, com a ajuda da Câmara de Lisboa, faz todo o sentido. É urgente. Não sabemos onde a Câmara o irá exibir, porventura no S.Jorge à mantinée para uns gatos pingados, mas é um gesto nobre, cultural e de esquerda.
A verba não dá nem para tapar os buracos criminosos que estão à entrada da Rua do Alecrim, e que lá estão há 35 anos pelo menos, portanto: Acção!!!
O que é bastante irritante é que Saramago que já vai ter a sua casa dos bicos, que está a ser tratado nas palminhas por Lisboa, continua a criticar Portugal como se fosse um país ingrato, indiferente aos seus génios. Ainda esta semana se atirou à Pátria porque Maria João Pires ameaçou querer ser brasileira (como se alguém se ralasse com a birra!).
Saramago que já disse cobras e lagartos dos socialistas, que foi candidato da CDU contra o PS, aceita agora com naturalidade este bónus de Costa, o candidato que quer aglutinar a esquerda.
Proponho já outro documentário sobre Saramago a Costa. Sinopse: primeiro plano: travelling pelo túnel do Marquês. Ao fundo vê-se uma luz. A câmera aproxima-se e deixa ver o edificio do Diário de Notícias. Começa a ouvir-se "O povo vencerá!!" De uma das janelas surge Saramago com a lista dos que saneou do jornal. O ambiente é de 1975 e o filme é a preto e branco para ser mais ecológico. Que tal ? Quero também 30 mil. JÁ!
A verba não dá nem para tapar os buracos criminosos que estão à entrada da Rua do Alecrim, e que lá estão há 35 anos pelo menos, portanto: Acção!!!
O que é bastante irritante é que Saramago que já vai ter a sua casa dos bicos, que está a ser tratado nas palminhas por Lisboa, continua a criticar Portugal como se fosse um país ingrato, indiferente aos seus génios. Ainda esta semana se atirou à Pátria porque Maria João Pires ameaçou querer ser brasileira (como se alguém se ralasse com a birra!).
Saramago que já disse cobras e lagartos dos socialistas, que foi candidato da CDU contra o PS, aceita agora com naturalidade este bónus de Costa, o candidato que quer aglutinar a esquerda.
Proponho já outro documentário sobre Saramago a Costa. Sinopse: primeiro plano: travelling pelo túnel do Marquês. Ao fundo vê-se uma luz. A câmera aproxima-se e deixa ver o edificio do Diário de Notícias. Começa a ouvir-se "O povo vencerá!!" De uma das janelas surge Saramago com a lista dos que saneou do jornal. O ambiente é de 1975 e o filme é a preto e branco para ser mais ecológico. Que tal ? Quero também 30 mil. JÁ!
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Jose Saramago
JORNAL NACIONAL VAI DE FÉRIAS. SÓCRATES ALIVIA
Sócrates pode respirar e alívio. Pelo menos até 4 de Setembro, dia em que Manuela Moura Guedes ameaça voltar com o Jornal Nacional de Sexta. Hoje foi o último. Ao princípio mais macio mas com um final já a grande velocidade. Algumas peças requentadas e noticias que já estavam dadas há meses. Caso das ambulâncias e da frequência da ponte sobre a Lezíria e algumas auto-estradas.
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Manuela Moura Guedes
O Olhar indiscreto de Obama no G8
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Obama
quinta-feira, julho 09, 2009
Sócrates arregaça as mangas
Sócrates está preocupado, nervoso e faz questão em espalhar simpatia entre os deputados no jantar de hoje no final da legislatura. Quando chega a vez de falar, entusiasma-se, ganha fôlego, recupera ânimo e fala ao coração dos socialistas. Traça a linha que separa o PS do PSD: um é social, o outro esconde privatizações para tudo, incluindo as politicas sociais.
Alegre fica ao lado de Sócrates (o que irrita muita gente!) e ali está como uma figura de referência a parecer avalizar o que é dito, embora por vezes torça o nariz, não aplauda e só se entusiasma quando Sócrates promete não se esquecer da vertente social do PS ou quando fala abertamente contra o PSD.
Os candidatos que jogavam em dois carrinhos estão em polvorosa, lá no Porto a coisa está complicada, e Sócrates chega a justificar a um candidato de Leiria que nada pode fazer.
Um jantar de despedida definitiva para alguns, um limpar de armas para muitos.
Sócrates e o PS à procura de si próprios e até talvez Alegre ainda venha a dar uma grande ajuda...
Alegre fica ao lado de Sócrates (o que irrita muita gente!) e ali está como uma figura de referência a parecer avalizar o que é dito, embora por vezes torça o nariz, não aplauda e só se entusiasma quando Sócrates promete não se esquecer da vertente social do PS ou quando fala abertamente contra o PSD.
Os candidatos que jogavam em dois carrinhos estão em polvorosa, lá no Porto a coisa está complicada, e Sócrates chega a justificar a um candidato de Leiria que nada pode fazer.
Um jantar de despedida definitiva para alguns, um limpar de armas para muitos.
Sócrates e o PS à procura de si próprios e até talvez Alegre ainda venha a dar uma grande ajuda...
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Jose Sócrates
quarta-feira, julho 08, 2009
TGV JÁ !..
Gostava de saber se a decisão de fazer TGV em Espanha provocou uma histeria colectiva entre economistas, sábios, sabões, esquerdalhos e liberalóides. Ou se a construção da rede invejável de estradas em Espanha foi um longo debate nacional sobre a necessidade de haver caminhos decentes para um país poder comunicar e progredir. É que a Espanha também tem dívida externa (quem a não tem?) só que soube investir na modernização, sem fazer disso uma paranóia nacional.
Aquele argumento de que o TGV não é rentável, e que o melhor era dar esse dinheiro aos pobres, às pequenas e médias empresas, aos funcionários públicos ou aos habituais pedintes à mesa do orçamento, não me parece que possa ter algum sucesso.
Aquele argumento de que o TGV não é rentável, e que o melhor era dar esse dinheiro aos pobres, às pequenas e médias empresas, aos funcionários públicos ou aos habituais pedintes à mesa do orçamento, não me parece que possa ter algum sucesso.
Se eu em minha casa não trocar de carro porque a torneira pinga, a camisa que comprei há 5 anos na China está a ficar rota, o meu filho mais novo não tem a enésima Playstation, a minha conta PPR não existe, a gata já devia ter sido esterilizada, e por aí fora...eu nunca faria nenhum daqueles "investimentos" que me dão prazer e qualidade de vida e que deixam uma clique de invejosos, com quem me tenho de cruzar no dia-a-dia, ainda mais roídos.
Ninguém precisa de TGV em nenhum lado do Mundo. Ninguém precisa de um Porsche na vida. Mas que a vida não é a mesma com eles, que ninguém duvide.
Nem todas as opções na vida podem ser feitas à luz do deve e haver. Esse tipo de tabuada é boa para a nossa contabilista-adjunta do professor de economia Cavaco Silva, a dona Ferreira Leite. Há muitas opções na vida que, tendo custos, não são por si resolvidas só à pala das contas de somar e sumir. São opções políticas, opções de vida, no limite são opções ideológicas.
Os portugueses são um povo sem ambição, com medo e com o gosto pelo miserabilismo. A opinião pública esteve contra a construção do CCB, da Ponte Vasco da Gama, da auto-estrada para o Algarve. Houve quem estivesse contra a televisão a cores em Portugal e isso ia custando votos ao governo socialista de então.
Os portugueses estão contra quem tem sucesso, contra a modernidade, embora depois sejam dos maiores consumidores de telemóveis e peregrinos de centros comerciais.
Ninguém precisa de TGV em nenhum lado do Mundo. Ninguém precisa de um Porsche na vida. Mas que a vida não é a mesma com eles, que ninguém duvide.
Nem todas as opções na vida podem ser feitas à luz do deve e haver. Esse tipo de tabuada é boa para a nossa contabilista-adjunta do professor de economia Cavaco Silva, a dona Ferreira Leite. Há muitas opções na vida que, tendo custos, não são por si resolvidas só à pala das contas de somar e sumir. São opções políticas, opções de vida, no limite são opções ideológicas.
Os portugueses são um povo sem ambição, com medo e com o gosto pelo miserabilismo. A opinião pública esteve contra a construção do CCB, da Ponte Vasco da Gama, da auto-estrada para o Algarve. Houve quem estivesse contra a televisão a cores em Portugal e isso ia custando votos ao governo socialista de então.
Os portugueses estão contra quem tem sucesso, contra a modernidade, embora depois sejam dos maiores consumidores de telemóveis e peregrinos de centros comerciais.
Quando tocam os sinos da piroseira a malta toca a reunir nas grandes superfícies. Quando está em causa uma aposta, o risco, preferem um subsidio.
Nunca se chegará a um consenso sobre o TGV. Este governo perdeu já demasiado tempo, encheu-se de miaúfa, está a adiar o que já devia estar a andar.
A grande vigarice de Ferreira Leite e dos seus putativos ministros será esta: negarem agora o investimento nas grandes obras, ganharem as eleições com essa tramóia, e se forem poder (te arrenego!!) a primeira medida que vão tomar é por essas obras a andar. Só que não será pelo lado visionário, será pela pressão das clientelas que apoiam este PSD dos interesses.
Não fazer TGV é ficar de fora da rede europeia e é cortar ainda mais com a ligação a Espanha.
É olhar o passado pelo retrovisor com nevoeiro sebastianista pela frente.
Nunca se chegará a um consenso sobre o TGV. Este governo perdeu já demasiado tempo, encheu-se de miaúfa, está a adiar o que já devia estar a andar.
A grande vigarice de Ferreira Leite e dos seus putativos ministros será esta: negarem agora o investimento nas grandes obras, ganharem as eleições com essa tramóia, e se forem poder (te arrenego!!) a primeira medida que vão tomar é por essas obras a andar. Só que não será pelo lado visionário, será pela pressão das clientelas que apoiam este PSD dos interesses.
Não fazer TGV é ficar de fora da rede europeia e é cortar ainda mais com a ligação a Espanha.
É olhar o passado pelo retrovisor com nevoeiro sebastianista pela frente.
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Luiz Carvalho
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tgv
segunda-feira, julho 06, 2009
Ronaldo em Madrid a falar espanhol
Sou um amador de futebol "soft". Não por preconceito, mas por falta de oportunidade para me dedicar mais ao interesse do jogo. E confesso que me irrita demasiado o absurdo mundo do futebol com aquelas criaturas de perfil mafioso e de uma boçalidade sem limites.
Percebo pouco da bola, mas quando vi o Ronaldo jogar pela primeira vez, na televisão, fiquei fascinado com o miúdo. Era um jogador a ter um gozo infinito em campo, expressivo, rápido, ágil, surpreendente, engenhoso, inteligente, e com uma alegria estampada no rosto, naqueles braços que pareciam abraçar o mundo depois de um golo.
Um jogador deve ter gozo no campo, como um músico em palco, como um fotógrafo envolvido numa acção no terreno da reportagem. Gosto de gente assim: que sofre e tem prazer no trabalho, que se dedica de alma e coração ao que faz.
Deus protegeu Ronaldo e ele hoje teve uma apoteótica recepção em Madrid, com o estádio do Real Madrid a transbordar com os 85 mil espectadores que só lá foram para darem as boas vindas ao jogador.
Ronaldo esqueceu o português e falou num portunhol estudado. Acho que os loucos madrilenos que ali estavam, ficariam marados se o portuga ousasse falar português. Portanto, quem paga é quem manda e aqueles pagam demasiado bem para serem contrariados.
Não saberemos se Ronaldo se irá juntar aos portugueses famosos que agora querem trocar a nacionalidade portuguesa pela brasileira ou pela espanhola.
Hoje, o amargo José Saramago disse aos jornais que se estava a marimbar, se o Miguel Sousa Tavares quer ir viver para o Brasil. Mas já não diria o mesmo pelo facto de Maria João Pires querer ser brasileira. Afinal, a pianista quer nacionalidade nos dois carrinhos (um pouco como Saramago) e Miguel Sousa Tavares fará o que o coração lhe ditar, sabendo nós que o conhecemos que o fará sempre como opção pessoal, sentido da liberdade e não por uma birra de intelectual subsidio-dependente que quer sempre fazer chantagem com o lobbie intelectual para sacar mais uns tostões.
Ronaldo fez hoje muito por Portugal. Embora o Presidente Cavaco (esse professor de economia que tanto acreditava nas virtudes do mercado!) tenha feito aquele lamentável comentário ao saber do valor que o Real Madrid decidira dar pelo português.
Tinha hoje ficado bem ao Presidente emendar a mão e ter desejado a Ronaldo um grande tempo em Espanha, com sucesso e sorte. O que for para ele será também para o país. Ele, ao menos, triunfa sem pedir subsídios, sem chorar que o Estado português não o ajuda. Pelo contrário: o seu Presidente ficou apenas surpreendido pelo seu valor. Fantástico!!!
Assim Maria João Pires usasse só e apenas os seus talentosos dedos para tocar, e Saramago usasse os seus dedos apenas e só para escrever os seus livros para quem gosta e tem pachorra para os ler.Façam como o Ronaldo: trabalhem mais e chorem menos. Boa sorte Ronaldo.
Percebo pouco da bola, mas quando vi o Ronaldo jogar pela primeira vez, na televisão, fiquei fascinado com o miúdo. Era um jogador a ter um gozo infinito em campo, expressivo, rápido, ágil, surpreendente, engenhoso, inteligente, e com uma alegria estampada no rosto, naqueles braços que pareciam abraçar o mundo depois de um golo.
Um jogador deve ter gozo no campo, como um músico em palco, como um fotógrafo envolvido numa acção no terreno da reportagem. Gosto de gente assim: que sofre e tem prazer no trabalho, que se dedica de alma e coração ao que faz.
Deus protegeu Ronaldo e ele hoje teve uma apoteótica recepção em Madrid, com o estádio do Real Madrid a transbordar com os 85 mil espectadores que só lá foram para darem as boas vindas ao jogador.
Ronaldo esqueceu o português e falou num portunhol estudado. Acho que os loucos madrilenos que ali estavam, ficariam marados se o portuga ousasse falar português. Portanto, quem paga é quem manda e aqueles pagam demasiado bem para serem contrariados.
Não saberemos se Ronaldo se irá juntar aos portugueses famosos que agora querem trocar a nacionalidade portuguesa pela brasileira ou pela espanhola.
Hoje, o amargo José Saramago disse aos jornais que se estava a marimbar, se o Miguel Sousa Tavares quer ir viver para o Brasil. Mas já não diria o mesmo pelo facto de Maria João Pires querer ser brasileira. Afinal, a pianista quer nacionalidade nos dois carrinhos (um pouco como Saramago) e Miguel Sousa Tavares fará o que o coração lhe ditar, sabendo nós que o conhecemos que o fará sempre como opção pessoal, sentido da liberdade e não por uma birra de intelectual subsidio-dependente que quer sempre fazer chantagem com o lobbie intelectual para sacar mais uns tostões.
Ronaldo fez hoje muito por Portugal. Embora o Presidente Cavaco (esse professor de economia que tanto acreditava nas virtudes do mercado!) tenha feito aquele lamentável comentário ao saber do valor que o Real Madrid decidira dar pelo português.
Tinha hoje ficado bem ao Presidente emendar a mão e ter desejado a Ronaldo um grande tempo em Espanha, com sucesso e sorte. O que for para ele será também para o país. Ele, ao menos, triunfa sem pedir subsídios, sem chorar que o Estado português não o ajuda. Pelo contrário: o seu Presidente ficou apenas surpreendido pelo seu valor. Fantástico!!!
Assim Maria João Pires usasse só e apenas os seus talentosos dedos para tocar, e Saramago usasse os seus dedos apenas e só para escrever os seus livros para quem gosta e tem pachorra para os ler.Façam como o Ronaldo: trabalhem mais e chorem menos. Boa sorte Ronaldo.
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Ronaldo
sábado, julho 04, 2009
A patética noite do vitorioso Vieira e acólitos
O espectáculo indigente, dado ontem durante grande parte da noite pelas televisões de notícias, foi bom para recordar como um exemplo de mau jornalismo, condicionado pelas audiências.
Percebo que uma perda de audiência brutal seja muito penalizadora, mas que diabo não podemos por tudo à frente em nome dos caprichos do povinho. E canais como a RTPn (a que melhor fez o directo do ponto de vista técnico) quer a SIC n, não precisam de cair naquele tipo de cedências. Deixem isso para a TVIn com os seus pirosos separadores. Deviam reportar mas não assim.
O senhor Luis Filipe Vieira não é o chefe da Pátria e o doutor Manuel Vilavinho não é o Dalai Lama. Portanto: por em directo durante longos e penosos minutos uma câmera a abanar aos solavancos, com um pivot sem saber o que dizer nem o que fazer (não lhe invejo a situação!), fazendo lembrar aqueles directos lamentáveis do tempo da RTP antes das privadas, dar directos destes... era melhor estar quieto.
As eleições para o Benfica são a versão B do que é a política portuguesa. Manobras,
chicos- espertos, uma justiça sem poder e contraditaria, um povinho manobrável e que legitima com 80 por cento de abstenção uns ditadorzecos de pacotilha.
Foi revelador, ver ao lado do vencedor já algumas figuras da política e que se mexem sempre como sombras por detrás do Poder. Lá estava Luis Nazaré, um socialista de peso, ex-presidente dos CTT, o mesmo que desancou a DECO quando esta revelou que os CTT prestavam um serviço medíocre aos utentes, lá estava um tipo que foi deputado do PSD e que um dia teve o descaramento de insultar o então Presidente Mário Soares em plena AR., muitos se colocavam já no tabuleiro do xadrez.
Ali estava a total promiscuidade entre futebol e política ( Bagão Félix apressou-se a reconhecer que a vitória de Vieira era legítima) e as televisões a darem àquele circo tanta importância como a uma noite de eleições nacionais.
Isto é: o povinho acaba por assimilar que votar no Vieira dos pneus é igual a votar na dona Leite ou no engenheiro Sócrates.
Talvez seja verdade: trata-se em ambos os lados de encher chouriços.
Percebo que uma perda de audiência brutal seja muito penalizadora, mas que diabo não podemos por tudo à frente em nome dos caprichos do povinho. E canais como a RTPn (a que melhor fez o directo do ponto de vista técnico) quer a SIC n, não precisam de cair naquele tipo de cedências. Deixem isso para a TVIn com os seus pirosos separadores. Deviam reportar mas não assim.
O senhor Luis Filipe Vieira não é o chefe da Pátria e o doutor Manuel Vilavinho não é o Dalai Lama. Portanto: por em directo durante longos e penosos minutos uma câmera a abanar aos solavancos, com um pivot sem saber o que dizer nem o que fazer (não lhe invejo a situação!), fazendo lembrar aqueles directos lamentáveis do tempo da RTP antes das privadas, dar directos destes... era melhor estar quieto.
As eleições para o Benfica são a versão B do que é a política portuguesa. Manobras,
chicos- espertos, uma justiça sem poder e contraditaria, um povinho manobrável e que legitima com 80 por cento de abstenção uns ditadorzecos de pacotilha.
Foi revelador, ver ao lado do vencedor já algumas figuras da política e que se mexem sempre como sombras por detrás do Poder. Lá estava Luis Nazaré, um socialista de peso, ex-presidente dos CTT, o mesmo que desancou a DECO quando esta revelou que os CTT prestavam um serviço medíocre aos utentes, lá estava um tipo que foi deputado do PSD e que um dia teve o descaramento de insultar o então Presidente Mário Soares em plena AR., muitos se colocavam já no tabuleiro do xadrez.
Ali estava a total promiscuidade entre futebol e política ( Bagão Félix apressou-se a reconhecer que a vitória de Vieira era legítima) e as televisões a darem àquele circo tanta importância como a uma noite de eleições nacionais.
Isto é: o povinho acaba por assimilar que votar no Vieira dos pneus é igual a votar na dona Leite ou no engenheiro Sócrates.
Talvez seja verdade: trata-se em ambos os lados de encher chouriços.
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luis filipe vieira
A SOLIDÃO DE MANUEL PINHO
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Manuel Pinho
sexta-feira, julho 03, 2009
Outros politicos fizeram cornos e sobreviveram
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7:25 da tarde
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Aberta a temporada traumática !!!
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Manuel Pinho
Se a vida está mal para os pobres, o que dirão os famosos!!
Manuel Pinho acabou em grande performance uma carreira política de quatro anos. Atribulada e polémica, "gaffeira" e muito contestada. Mesmo dentro do PS, onde estes independentes "são sempre muito imprevisiveis"- como dizia o ex-bombeiro de serviço Jorge Coelho.
Pinho sai sem glória, embora se tenha de reconhecer que se houve obra que este governo vai deixar, é sem dúvida o projecto já a andar das energias renováveis. Pinho era um ministro que gostava de o ser e levou de vento em popa a energia das eólicas e dos painéis solares. Essa será a sua glória, efémera, mas que a História citará.
Claro que o país está em grande desorientação. As primeiras páginas dos jornais de amanhã são terríveis: Dias Loureiro é arguido, Jardim Gonçalves desancado por dois ex-compagnons de banque, Luis Filipe Vieira desafia a justiça e avança para eleições fantasma, Ronaldo esconde o Ferrari e Alexandra Lencastre tem medo de sair de casa. Os famosos e alguns ex-poderosos estão com uma vida tramada. E se a vida está mal para os pobres...o que dirão eles!!!..
Ferreira leite não convida Passos Coelho para as listas de deputados, Rangel espalha-se no debate do Estado da Nação, e parece que o verão vai ser quente entre Cavaco e Sócrates.
Tudo como dantes em Abrantes.
Pinho sai sem glória, embora se tenha de reconhecer que se houve obra que este governo vai deixar, é sem dúvida o projecto já a andar das energias renováveis. Pinho era um ministro que gostava de o ser e levou de vento em popa a energia das eólicas e dos painéis solares. Essa será a sua glória, efémera, mas que a História citará.
Claro que o país está em grande desorientação. As primeiras páginas dos jornais de amanhã são terríveis: Dias Loureiro é arguido, Jardim Gonçalves desancado por dois ex-compagnons de banque, Luis Filipe Vieira desafia a justiça e avança para eleições fantasma, Ronaldo esconde o Ferrari e Alexandra Lencastre tem medo de sair de casa. Os famosos e alguns ex-poderosos estão com uma vida tramada. E se a vida está mal para os pobres...o que dirão eles!!!..
Ferreira leite não convida Passos Coelho para as listas de deputados, Rangel espalha-se no debate do Estado da Nação, e parece que o verão vai ser quente entre Cavaco e Sócrates.
Tudo como dantes em Abrantes.
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1:58 da manhã
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quinta-feira, julho 02, 2009
Afinal Pinho imitou Carlie Chaplin!!!

Não terá passado de uma homenagem a Charlie Chaplin o fatal gesto de Manuel Pinho hoje na AR.
Amante de fotógrafos de nomeada Manuel Pinho ter-se-à lembrado da célebre foto de Richard Avedon a Chaplin.
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Luiz Carvalho
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11:37 da tarde
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Manuel Pinho
Os cornos de Pinho para os deputados
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6:24 da tarde
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Manuel Pinho
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