terça-feira, setembro 05, 2006

Simplesmente Bobby


Lindsay Lohan atira um beijo para os fotógrafos no Festival de Cinema de Veneza, onde foi apresentado com grande sucesso "Bobby", a fita sobre a história de Robert Kennedy

Donas de Casa Desesperadas é hoje


Confesso-me um fanático da série, já o escrevi aqui uma vez. É difícil encontrar em televisão um trabalho tão criativo e surpreendente, divertido e profundo sobre a América. Nem " O Sexo e a Cidade" chegava a este aprumo. Portanto... hoje acabam as postagens depois da meia-noite.

Fotodigital já saiu

Saiu hoje mais um número da Fotodigital, a revista portuguesa dedicada à fotografia, dirigida pelo meu amigo José Antunes.

Sou suspeito em elogiar porque tenho lá uma crónica "Perto da Vista" e que sei que é lida por alguns dos ciberamigos que por aqui passam no Instante.

Não queria deixar de a recomendar a quem se sente fotógrafo ou faz disso profissão.
Publicar uma revista com esta qualidade em Portugal é preciso coragem e sentido do risco.

Daqui um grande abraço para o José Antunes.

Faz hoje 70 anos a mais célebre foto de guerra

A fotografia mais famosa de guerra faz hoje 70 anos.

Foi no dia 5 de Setembro de 1936 que Robert Capa, um fotógrafo húngaro de nome verdadeiro Andre Friedman, conseguiu no planalto próximo de Cerro Muriano, arredores de Córdoba, fazer a fotografia do miliciano republicano a cair morto por uma bala franquista.

Por detrás desta fotografia corre uma grande discussão sobre a sua veracidade.

Fraude para uns, documento ímpar para outros.

Como o negativo desapareceu, e só existe uma prova da altura de onde se têm feito sucessivas cópias, há anos que se especula se o soldado não terá encenado a queda para a fotografia.
Algumas investigações recentes confirmam que aquele soldado morreu naquele dia e àquela hora e a forma como ele se deixa cair de punho cerrado só seria possível estando morto, pois numa encenação a tendência era para abrir a mão para amparar a queda.


Capa consagrou-se com a sua reportagem sobre a Guerra Civil Espanhola.

As suas imagens não mostram tanto a acção da guerra mas sim os seus efeitos devastadores, as cicatrizes deixadas no povo espanhol.
Ele dizia que " se uma fotografia não é boa é porque o fotógrafo não estava suficientemente perto" e no terreno ele praticava esta sua teoria: mantinha uma relação estreita, quase intima com quem fotografava, envolvia-se na acção, estava perto da vista e do coração, como nesta foto com uma força evocativa que não ficará atrás da Guernica de Picasso.

A revista francesa VU foi a primeira publicação a editar a reportagem de Capa e logo lhe chamou " o maior fotógrafo de guerra do Mundo".

Por acaso ele aparecia com uma máquina de filmar, pois Capa era já um avançado repórter multimédia: chegou a fotografar e a filmar o mesmo acontecimento.
Só passado um ano a LIFE pegou na imagem e a publicou para os seus 50 milhões de leitores.
Mas mesmo que tivesse sido encenada, o que duvido já que Capa mostrou sempre uma grande coragem fisica a fotografar o que o levou a pisar uma mina na Indochina e a morrer à frente de um pelotão françês, em 15 de Maio de 1956, esta fotografia nunca sairá da acebça de quem a viu como um ícone do século passado.

Hoje em Cerro Muriano vai haver uma homenagem a Robert Capa com uma visita guiada aos sítios fotografados pelo grande mestre do fotojornalismo.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Perpignan adiada

Devia estar a esta hora em Perpignan no Festival Visa Pour l`Image. É um acontecimento que desejo há anos visitar mas a antecipação da saída da primeira edição em berliner do Expresso, acabou por me reter em Lisboa, mais propriamente em Paço de Arcos. Tentarei ainda lá dar um salto sexta, caso corra bem o fecho da edição. Voltarei com breves e curiosidades sobre este grande encontro de fotojornalistas.

Uma foto por dia

Violência numa escola de Lisboa. 2000. Fotografia de Luiz Carvalho

Com esta fotografia ganhei o Prémio Visão na categoria Vida Quotidiana, salvo erro em 2001. É uma das últimas fotografias feitas em filme, com uma Leica M e uma 21mm. Fica aqui para evocação da abertura das aulas que aí vem.

Instante Fatal atinge 120 visitors/dia


Caros cibernautas: confesso que andava ansioso por ver este número mágico no site meter: 100.
Hoje pela primeira vez o Instante Fatal ultrapassou as 100 visitors. Sei que é um número muito baixo comparado com os blogues mais famosos. Mas eu parti do nada, comecei por uma brincadeira, como um consolo por ter deixado o Expresso Online ( onde regressei já com um blogue sobre fotojornalismo e afins, o Flagrante Deleite) e isto tem crescido sustentadamente. Fico feliz por mim e por todos os que têm seguido este atrevimento. Obrigado.
Acreditem que eu acredito na internet, e tal como me diz o meu colega e amigo João Carlos Santos: " O Luis está viciado em net !". ( e faz o gesto de " xutar para a veia", às gargalhadas!).

Quem matou os jornais ?


Leia aqui o fabuloso artigo do The Economist.

domingo, setembro 03, 2006

Diário de Bimba Flor

Se aquelas atrevidas têm um confessionário na net, para contarem coisas porcas, porque não hei-de eu, singela rapariga, ter o meu diário ? Pedi ao meu amigo LC que me desse um pouco de espaço no seu Fatal, ele respondeu-me que isso seria como o destino: a hora estava marcada, faltava eu dar à pena.
Depois de ter sido entrevistada na tv fiquei ainda mais famosa. Pior: tornei-me numa intelectual: tenho fome de ler, troquei o programa da Fátima pelo da Babá sobre livros e convidados, quero assinar o JL, passearei na Feira do Livro e prometo levar o reformado Carlos Pinto Coelho a sessões para idosos, na condição de ele nunca se atrever a tirar-me uma fotografia ! ( Já lhe disse que isso será considerado fotofilia) .
A-con-te-ce !!!! Meu Deus o balúrdio que aquilo custou ao erário público ! Tanto perfume derramado, tantas crianças que podiam ter comido à pala daquela cultura ! O boxeur é que fez bem. Aliás, foi mesmo a única coisa bem feita que ele fez como ministrro.
Estou-me a dispersar ( esta palavra foi-me ensinada pela Tia Teresa)e tenho de voltar a marrar os diálogos para amanhã.
Aquilo sim, é que é escrita criativa !

Boa noite e se isto ultrapassa as marcas do disparate, deixem lá. A vida é bela, já dizia a Floribela.

O Vídeo do encontro Chaves-Fidel



Veja aqui o novo vídeo do encontro Chaves-Fidel (Já que estamos em maré vermelha).

Uma foto por dia

Última sessão fotográfica de Àlvaro Cunhal. Lisboa, 2000. Fotografia de Luiz Carvalho

Foi a última vez que estive com Cunhal e foi a última vez que ele aceitou ser fotografado e entrevistado. A conversa para o EXPRESSO foi feita pela Maria João Avillez e eu, a muito custo, consegui convencer o líder histórico dos comunistas a deixar-se posar para mim. Começou por recusar mas logo percebeu que eu só pretendia dele um retrato natural e descontraído.
Sempre me comoveu a personalidade de Cunhal, mas calma ! Isto nada tem a ver com simpatia comunista. Tem a ver com admiração por gente talentoso, inteligente, por mestres.
Postei isto hoje, porque a Festa do Avante terminou. E se o Marcelo lá foi é porque o comunismo deixou de ter peçonha ! eheeh!... ( a não ser que ele já esteja a namorar o eleitorado de esquerda para quando se candidatar à Presidência !)

Blogue FLAGRANTE DELEITE NO EXPRESSO


FLAGRANTE DELEITE é o a partir de hoje o meu blogue no EXPRESSO Online. Ali comentarei fotografias, imagens em movimento, relatos por detrás da produção de reportagens. Será um blogue menos intímista que o FATAL, pela simples razão que está integrado no site do jornal; Também confesso que tudo dependerá da forma como evoluir e está longe dos meus propósitos fazer uma coisa cinzenta.

De toda a maneira tudo o que lá postar vai estar sempre aqui ao mesmo tempo no FATAL.

sábado, setembro 02, 2006

Bimba Flor desbronca-se

Barbarela: Que te leva a ser uma vedeta entre os mais jovens?

Bimba Flor: A paz no Mundo, o Amor, o sorriso de uma criança quando pega no comando e lhe sai as Doce em versão Panda.

Barbarela: Achas que és uma referência para os teus fãs ?
Bimba Flor: Sim, quero sê-lo sobretudo se forem fãs pobres, esfarrapados, órfãos de pai e mãe e que já tenham ido ao Fátima Lopes.

Barbarela: Qual é a tua mensagem ?

Bimba Flor: Espalharei aos milhões de pequenos ecrãs: amor, quero dar amor, posso ir mais longe do que o Padre Borga e o Roberto Leal no espalhanço do evangelho.

Barbarela: Gostavas de escrever um livro e depois ires ao "Escrita em dia" ?

Bimba Flor: É o meu sonho: escrever com a devoção da Margarida Robalo Pinto ou como a Clara Paste Correia. Hei-de lá chegar se me continuarem a fazer entrevistas deste gabarito.

Barbarela : E as crianças ?

Bimba Flor: Porque lhes damos estas dores e porque emborcam tudo assim.

Barbarela: E os pais ?

Bimba Flor: Oh filha, esses estão a divorciar-se, ou já estão, e a maioria está a pensar em como hão-de mandar um SMS à amante para se verem amanhã. Desde que eu desçi à Terra os lares estão mais calmos: as crianças calam-se quando chego.
O resto não interessa nada e, citando Teresa Guilherme, " quem tem ética passa fome!".

Uma foto por dia

Lisboa, 1989, Rua Brancamp. Fotografia de Luiz Carvalho

Tirei esta fotografia pouco tempo depois de ter entrada para o EXPRESSO. Senti na altura que esta cena já fazia parte do antigamente lisboeta. A cidade, entretanto, mudou muito de personagens e de cenário.

O passado de Merche Romero, o futuro de Natascha Kampusch





A fotografia recuperada de Merche Romero, dos tempos em que se chamava Merçê e concorria a Miss Rio Maior, e a imagem de Natascha Kampusch, a jovem de dezoito anos que desde os dez viveu com o seu raptor numa cave escondida na Áustria, reconstruída no photoshop para dar uma ideia do que ela é hoje, têm ambas uma curiosa aventura.

Estas duas fotos trazem consigo a crueldade do tempo e o desejo imaginário que há em muitos de nós.

A menina gorducha, vestida de suburbana, que perdia o título de miss para uma actual secretária em Santarém (e que é hoje uma anónima no meio de papelada de um stand de carros) deu lugar a uma das mais desejadas mulheres portuguesas.

A outra gorducha que aos dez tinha um sorriso angélico, diz hoje aos dezoito ( depois de ter fugido da “cave Adão”) ter gostado do carcereiro. A foto imaginada, pode não corresponder à realidade, mas não deve andar longe do personagem real.

As imagens como testemunho ou como objecto da imaginação acabam por tornar reféns delas as suas vitimas: os retratados.
Daí a relutância de certas culturas em se deixarem fotografar e a preocupação de figuras públicas em construírem a sua personalidade visível a partir de estereótipos, controlando ao pormenor tudo o que dão a mostrar.

Acabamos sempre reféns da nossa imagem.
Susan Sontag escreveu em On Photography: «fotografar é possuir um objecto».

Se tínhamos como adquirido que as estratégias perversas de «o que parece é» só se aplicavam a artistas e derivados e a políticos burgueses, a imagem do camarada Jerónimo de camisola de alças amarela a bulir na construção da Festa do Avante, numa réplica de manequim da GAP em versão proletária, não podia ter sido mais surpreendente: é o regresso aos tempos da propaganda soviética, do ícone do homem de mármore, aos heróis de papel.

Acabamos sempre reféns da nossa imagem.

( também em www.expresso.pt)

sexta-feira, setembro 01, 2006

Ocaso,Sol e o Navio Almirante



Este Setembro traz uma rentrée animada nos jornais. O Independente encontra o ocaso ao fim de 18 anos, haverá um Sol nascente e um Navio Almirante que, ao fim de 33 anos, vai aparecer num novo formato, o berliner, falo claro está do EXPRESSO.

Estes três acontecimentos não podem deixar de conter coincidências e, pode dizer-se, marcas do destino.
O Independente nasceu contra o EXPRESSO; Paulo Portas, um dos fundadores, chegou a dizer que só deixaria de ser director quando vende-se mais um exemplar do que o EXPRESSO.
O Sol é um projecto que traz o mesmo estigma: fazer sombra ao título de referência, como uma família de herdeiros que quer matar o pai.

Quer o Independente, quer o Sol, nascem contra o EXPRESSO, ao contrário do Público que nasceu como projecto autónomo, sem querer ser alternativa ao EXPRESSO, apesar de ter sido fundado por uma esmagadora maioria de gente que de lá saíu.
Entretanto dia 9 o novo EXPRESSO no formato berliner vai ser um acontecimento: é o primeiro jornal naquele formato e já há quem lhe queira seguir o exemplo.

Dia 1 de Setembro é uma data com bom “karma”, não só pelo aniversário do fundador e do director do EXPRESSO coincidirem , mas porque os tempos são de ousadia e futuro.
A imprensa está mesmo a mudar.

Uma foto por dia


Festa do Avante. 1995. Fotografia de Luiz Carvalho

Fato impecável, camisa branca, bandeira vermelha com foiçe e martelo, descobri esta minha foto para uma homenagem à Festa do Avante que hoje começa. Não sou nada comunista, bem pelo contrário, mas acho esta festa anual tão envolvente como o 13 de Maio em Fátima. Haja fé e todos nos salvaremos !...

Apresentadora da CNN fala em directo da sua vida

Não resisto a transcrever mesmo em espanhol:

WASHINGTON.- EEUU ahora sabe que la presentadora de CNN Kyra Phillips adora a su marido y cree que su cuñada quiere controlarlo todo, ya que lo contó en directo desde un servicio por error, mientras la cadena emitía un discurso del presidente George W. Bush.

Bush prometía desde Nueva Orleans que su país responderá mejor a cualquier desastre en el futuro, en el primer aniversario del desastre producido por el huracán 'Katrina', cuando por encima entró la voz, llena de eco, de Phillips.

"La mayoría de los hombres son unos cerdos. Yo tengo mucha suerte en ese sentido. Mi marido es guapo y una persona cariñosa de forma genuina, sabes, sin ego, ¿sabes lo que digo? Simplemente un ser humano apasionado, compasivo y estupendo, estupendo. Ellos existen. Existen. Son difíciles de encontrar, sí, pero los hay por ahí", comentó.

Al fondo se oyó la voz de su interlocutora, no identificada, y el abrir de un grifo, mientras Bush seguía su perorata, prácticamente ininteligible por la confusión de ruidos.

Phillips continuó: "Los hermanos tienen que ser protectores, excepto el mío. Yo soy quien le tiene que proteger".

"¿De veras?", le preguntó la otra.

"Está casado, tiene tres hijos, pero su esposa quiere controlarlo absolutamente todo", respondió Phillips, sin pelos en la lengua.

"¿Kyra?", se escuchó en ese momento. Era otra voz de mujer. "Sí, cariño", replicó la periodista. "Tu micrófono está encendido. Apágalo. Has estado en directo", le advirtió.

Daryn Kagan, otra presentadora de CNN, entró inmediatamente al aire para hacer un resumen apresurado del discurso del presidente.

La cadena posteriormente emitió una declaración en la que explicó haber tenido "problemas con el sonido" durante el discurso. "Pedimos disculpas a los televidentes y al presidente por los trastornos ocasionados", afirmó CNN.

También envió un mea culpa formal a la Casa Blanca. Cuando entró en el aire tras la transmisión, Phillips se disculpó "por un problema que tuvimos con los micrófonos", según lo describió.

No se sabe si ya hizo las paces con su cuñada.

Marina Mota e o oceano de solidão

Ao contrário da maioria dos portugueses, para quem o sucesso de deve sempre a uma manobra oportunista ou a um bafejo da sorte, eu gosto de gente com sucesso, quando se percebe que por detrás houve trabalho e sobretudo talento. Daí ter ficado muito chocado com a notícia dada esta semana por uma revista de televisão que Marina Mota está desempregada há 3 anos e que a sua vida parece ser hoje um grande oceano de solidão.
Para mim a Marina era a sucessora da Ivone Silva, uma mulher cheia de genica e talento- cheguei a entrevistá-la e a fotografá-la- e que o desemprego e o insucesso nunca lhe bateria à porta.
Esta história remeteu-me para outras figuras que eu conheço, algumas com quem tenho uma relação de amizade, são pessoas talentosas com uma cultura e um saber acima da média e que no entanto deixaram morrer a sua carreira aos 50 anos e estão agora entre o desemprego, a reforma e o esquecimento.
São pessoas que não souberam gerir o génio e que também achavam, com alguma arrogância, que eram indispensáveis e que nunca ninguém as poderia pôr em causa, mesmo que fossem preguiçosos e com ondas temporárias e irregulares no trabalho.
Não estou a dizer que seja este o caso de Marina Mota. Até porque nem sequer li ainda a entrevista, nem me cabe estar a fazer juízo de valor.
O que me faz escrever sobre este tema, do insucesso, é que hoje já não há vacas sagradas nas profissões. E que quem quiser tocar viola tem de ter unhas, provar que é útil e que merece a confiança depositada por quem aposta em si.
Tempos difíceis, e estimulantes, estes em que vivemos.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Uma foto por dia

Isabel no 911. Perto da Guarda. 1998. Fotografia de Luiz Carvalho

Ainda outra homenagem ao 911 e a tudo de belo que ele pode trazer. Uma imagem de charme para fugir ao preto e branco neo-realista.