sexta-feira, junho 30, 2006

Spears e Pamela - Despidas com causa



Britney Spears sem complexos da sua barriga, despida na capa da Harper`s Bazaar. Por seu lado Pamela Anderson abre o corpo em pose para defender os animais. As fotos vêm no elmundo.es e mostra, e demonstra, como não há temas tábus para os jornais de referência espanhóis. Nem para nós...

July- 34 anos director do Libération

quinta-feira, junho 29, 2006

Santa Comba - beleza portuguesa

O serial killer de Santa Comba Dão tem todos os ingredientes para um filme de David Linch à portuguesa. Infelizmente as vítimas, familiares e amigos de quem sofreu e sofre todo o horror desta história nem poderão ter alguma ideia sobre isto.
A história de um GNR, salazarista assumido, reacionário extremo, devoto da irmã Lúcia e que matava quando era mês de peregrinação a Fátima,indo de seguida em cínica e esforçada pedalada até ao santuário, é perturbante mas tem Made in Portugal.
É aqui que se cruzam os ícones da nação: Salazar, Fátima e brutalidade. É como em American Beauty quando o oficial patriota, pai severo e militante dos bons costumes, se revela um panasca miserável e infeliz no fim da fita.
O choque que abanou o berço de Salazar, Santa Comba o altar da pátria fascista, a vila onde populares morreram em balas perdidas, pós 25 de Abril, por causa da cabeça em bronze do homem das botas, não quer acreditar que aquele GNR filho da terra era afinal..um filho da puta.
Para aquela gente, iludida no catecismo do moralismo serôdio, na ordem antiga de Deus, Pátria e Autoridade, o choque da realidade não é aceitável. Levantam foices, e perseguem jornalistas, pegam em tesouras e querem podar repórteres como os comunas de Abril fizeram rolar a cabeça do ditador.
As candidatas a ex-vítimas perfilam-se nos tablóides do burgo, mas é na imprensa de referência que se percebe da dimensão dos feitos do facínora.
Na campa rasa do cemitério de Santa Comba, há uma alma penada que não deve parar de se agitar por baixo daquela lage de granito que queria eterna.
Uma terra que deixa de ser Santa para ser Comba.
Arrepiante mas português. Um argumento para uma grande fita.

Não resisto a transcrever a excelente crónica de Fernanda Câncio no DN, precisamente sobre este caso.

Passei o fim-de- -semana em Santa Comba Dão, a entrevistar pessoas que conviveram décadas com um homem franzino e prestável, daqueles de quem se diz que são "amigos do seu amigo" e "não partem um prato", a quem nada faltava para ser aquilo a que se costuma chamar "um pilar da comunidade". Um ex-polícia defensor da ética do trabalho que construiu o primeiro andar da sua moradia com as próprias mãos, que plantava vinhas e roseiras e semeava alfaces e criava coelhos e matava porcos e foi eleito pelo PSD para a junta de freguesia e era membro da direcção da casa do Benfica local e que assestou na parede da sua casa o seu mote de vida: "Se tens inveja do meu viver, trabalha, malandro." Que acreditava na trilogia deus-pátria-autoridade, venerava Salazar e a quem só talvez faltasse o fado para fazer o pleno dos três efes, com o seu amor ao futebol e a sua romaria pedestre a Fátima quatro dias depois de ter - alegadamente - asfixiado a sua terceira vítima.

Se fosse um tipo de cabelo desgrenhado e vestido de cabedal, que fumava charros e coleccionava tatuagens e piercings e frequentava antros de libertinagem enquanto vivia de expedientes e do rendimento social de inserção, é de crer que não se assistisse na sua terra a uma tão devastadora onda de perplexidade e que não se encontrasse necessidade de invocar "o mistério que é o homem" para apaziguar a angústia das almas. Mas imaginar assim o companheiro das patuscadas, dos tremoços e das bujecas e do pendão do glorioso como tenebroso serial killer é coisa do outro mundo. A culpa há-de estar alhures - porque crer que é dele é acreditar que podia ser nossa. E a isso, no resto como no futebol, nunca havemos de nos habituar.

terça-feira, junho 27, 2006

Timor em grandes fotografias


Ver mais no whashington post


Já vi muitas fotografias sobre Timor mas esta galeria publicada agora no whashington Post deixa-me surpreeendido. É um slideshow de grande qualidade jornalística e fotográfica. Contínuo a achar que nós em Portugal temos muito que aprender com o que de melhor se faz lá fora em fotojornalismo. Não é que "eles" sejam melhores fotógrafos do ponto de vista técnico. A intenção e a disponibilidade do olhar estão mais amestrados e o jogo de forma surge mais divertido e atraente.
As fotografias são da Associated Press, Reuters e Getty Images.

segunda-feira, junho 26, 2006

O velho Gates e o puto Steve


Genial e provocatória esta última de Steve Jobs.
Na verdade o Bill já não sabe o que fazer na vida a não ser dedicar-se à filantropia. Fica-lhe bem.
Até porque novidades Windows...ZERO. Isto se acharmos que o Windows alguma vez teve novidades!!..

LIBÉRIA - Bichas, suor e total falta de segurança

Andar pela Libéria é uma aventura mas saír de lá não é menos excitante.
O aeroporto é um barracão imundo. Para fazer o check-in vai-se para uma bicha interminável de gente que se acotovela onde alguns locais tentam passar à frente com desculpas esfarrapadas
Primeiro controle: mostra o passaporte e aguenta para entrar no edifício. Primeira verificação: passa-se por um túnel de raios-x que não funciona. O polícia manda levantar os braços e passa com o detector de metais. Segue-se a revista das malas. Quando lhes mostro a minha credencial de jornalista mandam avançar.
Mais uma bicha,agora controle do passaporte. Segue outro controle: toca a abrir as malas de novo, mais outra vez a mostrar o passaporte e finalmente a sala de embarque. Passaram quase duas horas entre este e o primeiro parágrafo.Suor, desespero e uma falta de vontade de voltar a aturar estes tipos.

Àfrica de uma maneira geral tem este ritual nos aeroportos. Mas há aqui uma verdade incontornável: a segurança é completamente iludida nestas entradas e qualquer possibilidade de atentado é fácil de concretizar.
As autoridades internacionais deviam repensar em tudo isto, até porque é a segurança de todos que está em causa.
E com os rumores crescentes de que há elementos da Al- Quaeda nesta zona, penso que anda toda a gente muita distraída.
Uma coisa é o incómodo provocado a um tipo irritável como eu, outra coisa é a ineficácia total destas fronteiras em termos de segurança internacional.
E cheguei à Pàtria.
Amanhã começo a seleccionar as minhas fotografias.

domingo, junho 25, 2006

LIBÉRIA- Retratos de um país



Emmy, 25 anos, motorista das Nações Unidas. A negra de cabeleira loira.

LIBÉRIA - Festa e casino na despedida


Festa hoje à noite, sábado, numa das casas de funcionários das Nações Unidas

Foi uma jornada agitada e divertida.
Na Universidade vi-me confrontado com um aluno que punha em causa eu estar a fotografar sem autorização dos alunos. Tudo acabou depois de muita discussão com a Manuela Goucha Soares a fingir que entrevistava o representante dos alunos, um parvalhão armado em esperto.

Depois foi a vez da nossa anfitriã Sílvia Carvalho ter de aturar um outro esperto que queria atirar um ridículo jeep Suzuki preto contra o carro que ela conduzia, e onde nós seguíamos, das Nações Unidas.
Há uma violência latente nesta gente e que não podemos prevenir quando ela se manifesta. Uma gota pode fazer entornar a aparente paz.

A noite trouxe uma surpresa. Jantámos num dos campos cercados onde estão instalados funcionários da missão das Nações Unidas. É um bairro onde anteriormente funcionava a sede da CIA na Libéria e que agora está alugada aos funcionários das várias nacionalidades que aqui prestam serviço.

Fomos com o Paulo, um polícia do Porto que aqui trata da logística das Nações Unidas, e lá estava à nossa espera a Sílvia e um grupo enorme de gente que aproveitava a noite de sexta para descontrair e conviver.
A maioria era libanesa mas havia uma marroquina, duas mulheres de Leste e muitos homens bem dispostos. Um fazia anos.

Fomos recebidos de uma forma muito amável e amiga e a comida libanesa estava uma bomba capaz de destruir qualquer dieta.
O caminho até ao bairro é tortuoso e perigoso. O regresso fez-se de forma a o controller electrónico do jeep estar desligado à meia-noite. Os carros das Nações Unidas não podem circular depois dessa hora.

Por fim descobrimos que o nosso hotel tem um casino. Fiquei boquiaberto: um salão com gente a jogar a sério, vários clientes de várias nacionalidades e umas cropières elegantes compondo o cenário.

Claro que fiquei irritado por não poder fotografar esta cena inolvidável, emblemática desta nova Libéria onde a paz é musculada, a miséria desgraçada e o dinheiro começa a dar nas vistas nalguns lugares inesperados.

Amanhã regresso a Lisboa, se Deus quiser e o avião chegar.

sábado, junho 24, 2006

LIBERIA - A primeira cena macaca

Estou na Universidade de Monrovia. A sala dos computadores foi- nos facultada, depois de um aluno me ter interpelado por estar a fotografar estudantes sem que estes tivessem sido informados. Parece que se trata de um ex- combatente sempre a beira de um ataque de nervos. Nao o consegui demover e acabou tudo numa enorme discussao envolvendo o assessor do Presidente da universidade.
Nao ha pachorra para estes tipos

LIBÉRIA - Uma negra de cabeleira loira...

Pela manhã a motorista de cabeleira loira apareceu no Nissan Navarra anestesiada. Mal falou, ensonada, conduzindo até ao ministério da informação e turismo onde, finalmente, pudemos ter as nossas autorizações de jornalistas. 50 dólares por cada uma ( já o visto tinha custado 100).

O edifício do ministério terá sido nos anos sessenta um bom objecto de arquitectura moderna mas hoje está arruinado, sem portas nos gabinetes, nem vidros, nem chão apresentável. Há sujo por todo o lado, encardido. Nada de novo…
A funcionária que nos recebe é simpática e consegue pôr-nos a falar directamente com o ministro, uma figura curiosa que nos recebe com formalismo mas que se descontrai logo que fala da comida portuguesa que provou há anos numa passagem por Lisboa.

Ex-ministro há 15 anos da mesma pasta de hoje, e ex- funcionário da UNESCO mostra-nos a maior das vontades para nos pôr em contacto com o staff da Presidente para a entrevista que ela prometera à Manuela Goucha Soares.
Nestes países é fácil falar com um ministro e, como verão, com a Presidente. Fácil…se houver a sorte de bater à porta certa, na hora certa, com a posição da Lua e da Terra em bom astral.

Ainda visitámos a Star Rádio, uma espécie de TSF local. Lá a redacção é open space com o editor- chefe em permanente controle. Encontrámos uma jornalista local que nos falou da sua vida na Libéria, muito interessante, e que acabou por nos dar uma entrevista que eles gravaram e que vai para o ar.

A rádio tem um site e o editor online trabalha no corredor. Não tive tempo de lhes falar das vantagens da convergência de redacções (!).

Ao fim do dia chegou a ordem para avançarmos para o palácio presidencial. Entrámos sem grandes seguranças. À entrada deparámos com o buraco de uma bala num vidro de 5 centímetros. Chegados à ante - câmara do poder fomos para uma sala que mais parecia uma discoteca, de alcatifas e luz fraca. Ofereceram-nos agua e amendoins e na hora de sermos recebidos pela presidente só tivemos de deixar os telemóveis e um saco ao segurança .

A Presidente ocupa um gabinete enorme, frio, de materiais luzidios.
Não tem computador na secretária.
Acaba de despachar um assessor e dirige-se a nós simpática, sempre com o seu homem de imprensa por perto e um segurança que fica todo o tempo feito parvo virado para a porta da entrada.

Deixa-se fotografar por mim e fala pausadamente num estilo meio estudado, meio afectado. Não deixa de ser comunicativa, afirmativa, mostrando bem o que quer para um país que nada tem. Infra-estruturas básicas, escolas e trabalho para os jovens que pastam pelas ruas ao deus dará.

A entrevista correu muito bem e quando deixámos o palácio a caminho do hotel começava uma chuva miudinha de sabor tropical.

No Bar do Mamba Point tomámos uma agua com a nossa providencial Annete, uma funcionária do gabinete de imprensa das Nações Unidas que muito nos ajudou nesta viagem, juntamente com a Sílvia Carvalho. A Annete é uma ex-jornalista que apostou em viver nesta terra numa casa sem agua nem luz e que trabalha em permanente stress. É uma apaixonada pelo que faz, uma missionária dos media para os refugiados. Viveu 20 anos em Israel como jornalista free- lancer e escreveu um livro testemunho sobre 100 crianças guerreiras na Serra Leoa. É espanhola de Madrid e conhece muito bem Portugal.
A sua figura franzina e inquieta é uma força da natureza e, sobretudo, da solidariedade humana.
A viagem começa a chegar ao fim.

sexta-feira, junho 23, 2006

LIBÉRIA - Monrovia no centro da trama


Centro de Monrovia hoje ao fim da tarde

Andar nas ruas de Monrovia a fotografar é um pouco complicado, para não dizer arriscado. Já estou habituado à banguçada das cidades africanas, desde que conheci Luanda, Bissau e mesmo Maputo; Monrovia consegue bater aos pontos as outras em grau de destruição, porcaria e uma agressividade latente nos passantes.
Os vendedores gritam que não querem fotos e os mais gananciosos pedem logo dinheiro.
Há que fazer pela vida...
Tem de se apontar ao alvo, disparar e bater em retirada, como diria De Gaulle na definição do bom artilheiro e que Henri Cartier-Bresson gostava de citar.

Não deixa de ser divertido para mim andar a espreitar pela Cânon no meio desta babilónia. A minha mulher se me visse por estes sítios mandava queimar tudo o que aqui uso de roupa!...
Ando num jeep das Nações Unidas com uma motorista, a Ammy, que mais parece uma manicure de cabeleira loira, unhas roxas postiças, telemóvel de capa rosa, do que uma motorista de uma organização internacional.Só estilo! Mas é cuidadosa e quando repara pelo retrovisor que eu me afasto ou me vê a ser rodeado por um grupo de suspeitos aí vem ela. A minha colega Manuela Goucha Soares acompanhou-me o que lhe valeu uma verdadeira seca já que eu acabo por demorar um tempo imenso nas minhas investidas nas esquinas.

Para fotografar uso a táctica já habitual. Não começo logo a fotografar o que me chamou a atenção. Cumprimento sempre afável as pessoas e logo sinto se estou a ser ou não aceite. A maioria das vezes acabam por ser as pessoas a pedirem-me para as fotografar.

No final da tarde andei por uma rua com lojas curiosas. Havia um barbeiro inenarrável de vão de escada com posters de futebolistas, uma loja fashion, uma cabeleireira e até uma loja de Internet de onde pude ver a homepage do Expresso. Claro, tudo a 56 mbps, lento como o país.
São fotos para a minha reportagem do Expresso que não vou aqui, obviamente, publicar. Mas acabei por ficar satisfeito com o trabalho.
Aqui o desafio é não cair na tentação de fazer sempre o choradinho das crianças e o folclórico. Mas acaba-se sempre a cair nessa incontornável tentação.

Amanhã vamos falar com pessoas que são, por assim dizer, rostos da nova Libéria. Um país destes não é só lugares comuns sobre guerra e miséria. Hoje encontrámos uma irlandesa que se apaixonou aqui e aqui vive há 17 anos uma paixão intensa.
Um amor e uma catana ? Nada disso. Àfrica é o continente onde o sonho não tem horizonte e quando o tem é já um pesadelo.

quinta-feira, junho 22, 2006

LIBÉRIA - Mamba Point Hotel


A vista do meu quarto 47 do Mamba Point Hotel em Monrovia

Da janela do meu quarto no Mamba Point Hotel vejo entre grades o mar. A paisagem é de ferrugem, a côr da agua de chumbo em ondas grossas. As praias da Libéria engolem o mais experiente banhista. Mar traiçoeiro como muita da gente que o circunda.
No país das catanas e das mortes a sangue frio que durante 15 anos fizeram destas paragens um reduto de morte selvagem é este quarto com vista sob o horizonte negro que me coube em sorte.

Na Samsung do quarto 47 vejo o Portugal – México e subitamente sinto-me português. Aqueles rapazes jogam bem à bola. Alguma coisa devíamos ter de bom. A CNN faz-me companhia e reparo que a cadeia americana está mais fresca, com zonas novas de edição. Uma é Highlight, outra Fun Zone: onde os espectadores aparecem com fotos suas em poses alegres durante o Mundial. Muito bom. É já a televisão a aprender com o melhor que se faz hoje em jornalismo online: interacção permanente com o receptor.

Um jantar de barracuda, um Romeu e Julieta para acalentar, Mozart no IPOD, mil e tal fotos de Guterres a descarregarem que me agradam, o meu filho David, 4 anos, a perguntar se , “ o pai vem jantar ?” e a última notícia de que o ditador Charles Taylor que dominou 15 anos este país chegou hoje à Holanda para ser julgado por crimes contra a humanidade no Tribunal de Haia.

Coisas diferentes e tão próximas. A vida compõe-se deste caos e, como na fotografia, cabe ao artista organizá-lo, dar-lhe um sentido. E depois dormir, malgrado o maldito gerador não parar de roncar toda a negra noite.

quarta-feira, junho 21, 2006

LIBÉRIA - No jeep com Guterres


Eu com Guterres durante a viagem no seu jeep blindado entre a Serra Leoa e Monrovia

Ontem com António Guterres num campo de refugiados junto à fronteira com a Serra Leoa

LIBÉRIA - Guterres nas suas sete quintas


António Guterres está como peixe na agua no seu papel de Alto-Comissário para os refugiados. Hoje na fronteira da Libéria com a Serra Leoa, o ex-primeiro-ministro de Portugal, celebrou o dia mundial dos refugiados indo buscar um grupo de gente, homens mulheres e crianças, que fugiram da barbárie no seu país de origem.
Com muita pompa, Guterres enquadrado por forças militares das Nações Unidas, muito povo e folclore local, além de individualidades onde se juntou mais tarde a Presidente eleita da Libéria, trouxe pela mão algumas das crianças agora de olhares felizes e orgulhosos por serem recebidos com tanta atenção, comida e conforto.

“Agora já estão em família”- disse Guterres ao abraçar as primeiras crianças refugiadas. Atravessou a pé uma ponte que separa os dois países africanos, há pouco tempo em guerra aberta, e fez questão em seguir num dos camiões com toldo de lona até ao campo de refugiados já preparado para receber os fugidos da guerra.

Mais tarde convidou-me a entrar no seu jipe Toyota blindado das Nações Unidas e fiz alguns quilómetros de estrada a seu lado fotografando-o e falando com ele sobre esta sua missão internacional.
Guterres é um homem feliz em ajudar a Humanidade.
Falou-me da sua política de contenção de despesas, que passa por viajar e toda a equipa em classe turística, do drama dos 500 mil refugiados só na Libéria, na sua atenção em divulgar o seu trabalho ao Mundo, principalmente em dias como os de hoje, onde estavam além do EXPRESSO, a CNN, a Reuters e a BBC.

Angelina Jolie fez as honras do dia em Nova Iorque.
À noite numa recepção no Palácio da Presidente, Guterres estava cansado, mas orgulhoso do seu papel.

A Libéria é um dos países mais complicados de Àfrica, uma terra destruída pela guerra de 15 anos, sem estruturas básicas, sem agua nem luz, nem esperança.
Os refugiados recebem um kit para 4 meses de sobrevivência, depois o futuro a Deus pertence.
Nos seus discursos do dia falou em democracia, enquanto a Presidente conseguia sem o querer destacar o governo do povo, um governo com ministros imigrantes da América, um remake dos tempos da independência quando ex-escravos locais americanos vieram para tomarem conta do país.

domingo, junho 18, 2006

Diario de um reporter acidental

Retido em Bruxelas por causa de um bando de passaros que entrou, em Dakar, nas turbinas do aviao. Aqui estou um dia inteiro num estupido hotel de aeroporto com um servico antipatico belga. Cobram por tudo e servem mal.

A recompensa foi o jogo Franca-Coreia. Uma grande licao a arrogancia francesa e o exemplo de como vale a pena lutar sempre em equipa ate ao fim.
Essa sera mesmo uma das grandes licoes do futebol, para mim que nao aprecia muito o desporto mas que me rendo perante estes desafios onde muito da natureza humana e posta em destaque.La esta a emocao, o desafio, o trabalho de grupo, a estrategia,a determinacao...muita coisa.

Estes idiotas teclados belgas teimam em nao terem os acentos disponiveis para portugues.

Ate Africa.

sábado, junho 17, 2006

Em Bruxelas a caminho da Liberia


Estou em Bruxelas com um clima invejavel.Esta calor e o sol dourado brilhava nos velhos edificios de La Grande Place. Sao milhares de pessoas de varios destinos, racas e culturas a passearem-se em festa.

Bebe-se cerveja leve e fria, ha bebes ao colo dos pais, mulheres de vestidos justos e finos, simples como o olhar que irradiam. Velhos passeiam em descapotaveis.
As esplanadas nao podem estar mais cheias.

Fala-se de futebol e ouvi o nome Portugal a proposito da vitoria sobre o Irao.
Esta cidade que muitos acham chata e cinzenta esta hoje radiosa a transpirar vida, ou seja: tudo o que a nossa nostalgica Lisboa nao tem.

Sair da Patria e sempre para mim reconfortante, apesar de ter apanhado um portuga com o radio do carro aos berros a debitar uma cancao dos Delfins, "Sou como um rio..."
Nem aqui escapamos aos compatriotas ruidosos...

Amanha aviao pela madrugada a caminho de outra realidade bem diferente, a Liberia. Nao sei o que vou encontrar ao lado da minha colega do Expresso, Manuela Goucha Soares. Vamos seguir Guterres como comissario para os refugiados.
o Sol nao podera ser dourado como o desta tarde perfeitq de mais para ser real.

PS: desculpem a falta de acentos, este teclado nao os tem

Crónicas da Libéria

Estou de partida para a Libéria. Ir a Àfrica é sempre muito aliciante para mim. Adoro Àfrica, pela luz, pelos cheiros, na côr, na vastidão da paisagem. Detesto Àfrica na miséria extrema, no desleixo, na arrogância do Poder, na corrupção. Também no novo-riquismo.

A Libéria é um país complicado e não sei o que me vai esperar nos campos de refugiados onde vou estar seguindo os passos de António Guterres.

Se houver por lá internet disponível mandarei crónicas diárias narrando a minha experiência. Até lá.

sexta-feira, junho 16, 2006

Está-se bem!!!...

O país está completamente ensonado. Não há notícias que mereçam atenção e mesmo se as houvesse o pagode partiu mais uma vez em férias, pontes e greves, folgas em atraso, enfim: está-se bem !!!..

Os jornais fazem um esforço enorme para darem novidades, as televisões esticam até à naúsea o malfadado futebol, mundial e tal.
Esta semana andar na marginal foi um descanso, logo pela manhã a Praia de Carcavelos está cheia num arrastão de felicidade global.Não é Santa Mónica, é melhor, apesar de não haver carros desportivos em abundância.

O sossego é de tal ordem que só Cavaco tenta dar nas vistas mas ninguém liga. Ao falar contra os professores podia ter aberto um problema institucional, ou quando referiu a CAP como um grupo de birrentos.A paz reina no reino e aquela figura do mais alto magistrado da Pátria, no alto de uma carripana UMM ( um jeep que mais é um amontoado de ferro soldado no Tramagal há 30 anos)como se fosse o Nosso Senhor num andôr, podia ter entrado no anedotário nacional, mas também não entrou porque ninguém liga a comemorações bacôcas.
E hoje foi feriado, já me esquecia. A que propósito ?

quinta-feira, junho 15, 2006

quarta-feira, junho 14, 2006

Angelina Jolie e Brad Pitt caridosos


A capa da fama: Angelina Jolie, Brad Pitt e o bebé Shiloh Nouvel ( fui ver o nome à Caras!).
A revista People pagou uma fortuna pelo exclusivo mas o casal doará o dinheiro para uma instituição de caridade. Bonito gesto. Assim o jornalismo côr-de-rosa faz mais sentido
( esta noite na 2 o tema do Clube de Jornalistas é precisamente a imprensa côr-de-rosa, onde estará este vosso blogueiro).

Entretanto é a roupa da bebé que faz sucesso estando com uma venda excepcional.Todos os pais jovens estão a aderir ao look da bebé mais cara de fotografar do momento.
O designer Kingsley Aarons disse que a roupa é dirigida a clientes como Brad e Jolie
ou seja, pais jovens que procuram para os filhos o que eles gostariam de usar.