Mostrar mensagens com a etiqueta Goa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Goa. Mostrar todas as mensagens

domingo, janeiro 14, 2007

Fé de Goa com retrato escondido de Salazar

Freiras de Goa à espera de Cavaco ( fotos de Luiz Carvalho)
O retrato de Salazar que o Presidente Cavaco evitou

As igrejas de Goa são a marca da presença dos portugueses por aqui durante mais de 500 anos. São brancas, luminosas como a fé que mantêm e propagam. A arquitectura delas tem uma escala harmoniosa entendendo como é importante a relação da forma com a função e do sentimento com a dimensão geométrica.

Hoje o Presidente Cavaco Silva visitou essa velha Goa, católica e profunda. O lugar onde a Índia manda mas que não conseguiu unificar. Os goeses são pacíficos e calmos mas orgulhosos. Sabem que nunca serão como os indianos. Nem na cultura, nem nos genes, nem na religião.

Um grupo de freiras, noviças, vestidas com roupas coloridas, outras mesmo com o hábito, cantaram divinamente a Cavaco. Este retribuiu com simpatia, perguntou como se dizia em goês “good-by” e ao repetir as freiras não resistiram a uma risada de espanto e alegria.

O túmulo de S. Francisco Xavier é omnipresente na igreja grande e fresca que tremeu com a voz de Katia Guerreiro numa canção religiosa trocada com uma outra artista local.


O museu tem uma amostragem extensa da cultura e da História portuguesas. O cuidado com que está preservado é evidente.

Claro que a Fundação Gulbenkian tem feito por aqui um notável, e dispendioso, trabalho de restauração. Que nunca lhe falta a verba e a vontade para manter assim a nossa memória no Mundo.

Augusto Santos Silva, que tinha acabado de chegar de avião, dizia-me com entusiasmo:« como foi possível termos abandonado tudo isto daquela forma, sem salvaguardarmos esta herança. O Salazar era mesmo burro!»


O Presidente percorreu atento o museu, posou ao lado de uma gigante figura de Camões mas soube evitar a tempo a passagem pelo retrato a óleo desse mesmo Salazar, que mandou resistir até à humilhação final.
Amanhã Bombaim.

sábado, janeiro 13, 2007

Tradição de Goa é hoje betão para turismo

Foto de Luiz Carvalho

A primeira memória que tenho de Goa remonta à minha meninice, início dos anos sessenta, logo a seguir à anexação por parte da Índia.

O meu pai tinha uma tabacaria em Alvalade, Lisboa, e chegou um senhor com um ar muito solene, muito bem vestido, já de uma certa idade, que num português estranho lhe pede uma cadeira para ser atendido ao balcão.

O meu pai atrapalhado tenta descobrir uma cadeira no acanhado escritório e coloca-a frente ao balcão. O senhor senta-se numa posição majestosa e começa a pedir artigos para ver. O meu pai trá-los à sua mão, ele olha com desdém e vai dando ordens. Acabou por levar qualquer coisa que acho que só pagou mais tarde.

«É um juiz de Goa que veio agora fugido do Neru», alguém comentou.
O homem continuava a ir à tabacaria e durante algum tempo foi tratado como um nababo. Julgava que ainda estava em Goa a ser servido por lacaios e afins.

O meu pai ainda hoje detesta “ monhés” até porque os que vieram a seguir estavam-se nas tintas para os salamaleques e o que queriam era fazer concorrência no negócio mesmo que tivessem de viver como párias.
Não será uma descrição muito politicamente correcta mas é a realidade.

Há 15 anos Goa era uma terra pitoresca, de casas coloniais, letreiros ainda em português, comércio pobre e uma luz que marca o relevo com sombras violentas.
Hoje parece o Algarve no inicio dos anos setenta. O imobiliário aí está com a fúria da ganância, se quiserem do progresso e do desenvolvimento de um turismo que não me parece de grande qualidade.

A paisagem está suburbana, os outdoors são atrevidos e provocadores, quebram as tradições religiosas, incitam ao consumo desenfreado. Como vai a Índia domar este animal que cresce como uma hidra contaminadora, não sei.

Fotografei duas horas fugindo ao programa do Presidente que tem sido o mais anti-fotogénico que se possa imaginar. Andar a vaguear pelas ruas é pacifico, trazia 4 máquinas fotográficas, ninguém me incomodou. Mesmo havendo por aqui a coabitação de raças e religiões tudo aparentemente corre bem.

Também aqui se sente algum avanço muçulmano e há facções que insistem na independência numa base conservadora mas é uma ideia viva.


Pequenos pormenores que contam numa viagem: aqui os serviços são mais lentos e incompetentes, os goeses parece terem herdado algo de pior que nós temos: lentidão, incompetência e alguma falta de simpatia. Vê-se logo que os ingleses não andaram por aqui.

Amanhã o Presidente vai à missa e ser doutorado Honoris causa. Para acabar o dia Katia Guerreiro e um jantar para rebater.

Presidente Cavaco canta “parabéns” com o avião a aterrar em Goa




Fotos de Luiz Carvalho

Faltavam dois minutos para aterrar em Goa. De súbito ouve-se cantar os parabéns e do fundo da cabine do avião surge o Presidente Cavaco a cantar e a dirigir-se a uma jornalista que fazia anos. Já a cambalear, o avião estava mesmo a descer, o Presidente cumprimentou a jovem aniversariante, o segurança diz-lhe que tem mesmo de se sentar, e ele ainda diz: “ e não lhe vou perguntar a idade!”.

Ao que consta a jornalista não teria recusado um simpático beijinho do Presidente, mas todos sabemos como ele é comedido nestes gestos, ainda por cima se o tivesse feito o que não iriam dizer por ele ter dado um simples beijo de parabéns no quarto poder!